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Eleições definem futuro político do Senado, avalia especialista

A influência do calendário eleitoral é crucial para as estratégias e decisões dos senadores, redefinindo prioridades legislativas.

Eleições definem futuro político do Senado, avalia especialista
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Análise · Beatriz Fonseca

O Fórum das Centrais Sindicais decidiu, na sexta-feira (4), que a Proposta de Emenda à Constituição 221 de 2019 não pode esperar o resultado da eleição. A decisão converte uma pauta trabalhista em um teste para o mandato dos senadores que buscarão a reeleição. A estratégia, anunciada após reunião das seis principais entidades do país, é clara: pressionar os parlamentares em suas bases, nos estados, para que a votação sobre o fim da escala 6x1 ocorra antes do primeiro turno.

A reação sindical foi uma resposta direta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que anunciou a votação da proposta para depois do pleito. Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, o adiamento serve a um propósito. “Os empresários falam que querem que vote depois da eleição porque sabem que o senador vai trair o povo”, afirmou à Agência Brasil. A frase de Nobre estabelece o campo do conflito: de um lado, a pressão popular; do outro, os interesses empresariais e a conveniência eleitoral dos parlamentares.

Com essa movimentação, os sindicatos tentam impor um calendário próprio ao Legislativo. A tática é transformar a PEC em uma condição para o voto, resumida na pergunta que pretendem levar às ruas: “Vai pedir voto? Cadê a 6x1 primeiro?”. É um movimento que busca expor o cálculo dos parlamentares, forçando-os a assumir uma posição pública sobre um tema de grande apelo popular em um momento sensível.

Em minha avaliação, a manobra sindical tem menos a ver com a convicção de uma vitória imediata no plenário e mais com o desejo de demarcar posições. Ao acusar Alcolumbre de “virar as costas” para os trabalhadores, como disse Miguel Torres, da Força Sindical, as centrais criam um fato político que alimentará as campanhas. O adiamento, visto por eles como uma “surpresa negativa”, vira um ativo para a mobilização.

Ainda não se sabe qual será a capacidade efetiva dessa mobilização. A transição da nota oficial para a pressão nas ruas definirá o alcance da estratégia. O que se sabe é que uma pauta que antes habitava o debate econômico e as comissões do Congresso foi transferida para o centro da arena eleitoral. O destino da jornada de trabalho de milhões de brasileiros agora parece depender de como cada senador responderá à cobrança em seu estado de origem.

Qual agenda prevalecerá: a dos corredores do Senado ou a das ruas em ano de eleição?

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Sindicatos iniciam pressão por voto antecipado em PEC do 6x1

Fonte: Agência Brasil