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CBF implementa VAR e portões fechados na Série C 2024

A Série C de 2024 terá VAR e portões fechados. Saiba como a CBF implementará as novas medidas.

CBF implementa VAR e portões fechados na Série C 2024
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Análise · Marcos Tibúrcio

Na Série C, o futebol ainda acontece domingo, seis e meia da tarde. A liturgia é a mesma: o sol se põe, o refletor acende, e dois times decidem um pedaço da própria vida. No caso, Santa Cruz e Botafogo da Paraíba. Começa o quadrangular do acesso, o funil onde reputações e orçamentos são feitos ou desfeitos. Mas o futebol deste domingo na Arena Pernambuco não é o mesmo de sempre. Ele chega paramentado, moderno, asséptico. E, por isso mesmo, amputado.

A novidade tem duas caras. Uma é o árbitro de vídeo, o VAR, que desce à Terceirona para os jogos decisivos. A outra, uma determinação da Justiça: torcida única. O Santa Cruz terá o estádio para si. Para o Botafogo-PB, a viagem a Pernambuco será um exercício de silêncio, de jogar para ninguém, de buscar o gol sem o contraponto do xingamento ou da corneta vinda do setor visitante. E é nesta junção que mora o paradoxo. O futebol busca a justiça da máquina ao mesmo tempo em que decreta a falência da convivência humana.

A tecnologia da arquibancada vazia

Instala-se uma tecnologia para garantir a lisura milimétrica do impedimento, para checar se a mão na bola foi intencional ou produto do acaso. É o progresso, dirão. Um avanço para evitar o erro que pode custar um acesso, milhões em cotas e o futuro de um clube. Talvez seja. Este quadro, afinal, é sempre provisório, e uma decisão acertada pelo vídeo pode, de fato, reescrever a história de um destes clubes. Mas que progresso é este que opera em um estádio mutilado?

Por ordem judicial, não haverá paraibanos na Arena. A rivalidade, o tempero de qualquer clássico regional, foi considerada perigosa demais para existir. O Estado, em vez de garantir que dois homens com camisas de cores diferentes possam coexistir num mesmo espaço, prefere trancar um deles para fora. É a confissão de uma incompetência. Trata a arquibancada não como personagem, mas como caso de polícia.

O Botafogo-PB, de Nenê e Henrique Dourado, homens que já viram os maiores palcos do país, entrará em campo invicto há onze jogos. Levará sua força, mas não terá uma única voz a seu favor quando a bola rolar. O Santa Cruz, empurrado por uma massa que só poderá gritar para si mesma, tentará fazer valer o mando de campo que a Justiça lhe concedeu por inteiro. É um jogo de acesso, com a tecnologia da Série A e a segurança pública de quem desistiu.

Esvazia-se o setor visitante, enche-se a sala do VAR. No fim, fica a pergunta: quando um jogo precisa de câmeras para ser justo e de polícia para apartar quem deveria estar junto, o que exatamente estamos celebrando?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Santa Cruz e Botafogo-PB jogam com VAR e torcida única na Série C

Fonte: ge