Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Pesquisa eleitoral: a ascensão da terceira via e seus reflexos

Um escritor de autoajuda surpreende ao atingir dois dígitos em pesquisa eleitoral, indicando uma nova configuração política. Entenda o fenômeno.

Pesquisa eleitoral: a ascensão da terceira via e seus reflexos
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Beatriz Fonseca

Um escritor de autoajuda alcança dois dígitos numa pesquisa eleitoral. O fato, revelado pelo levantamento Nexus/BTG desta segunda-feira, 31 de agosto, não altera a estrutura da disputa presidencial de 2026, que segue polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Mas expõe a natureza do eleitorado que orbita fora desses dois polos.

Augusto Cury (Avante) saltou de 2% para 11% na preferência do eleitorado, segundo os números. Lula, com 39%, e Flávio Bolsonaro, com 33%, ainda comandam o cenário de primeiro turno com uma soma que ultrapassa 70% das intenções de voto. No entanto, o crescimento de Cury é o primeiro movimento expressivo, fora da margem de erro, de um candidato que não pertence aos dois campos que organizam a política nacional desde a eleição de 2018.

O que se vê ali não é, na minha opinião, a consolidação de uma candidatura, mas o retrato de um desejo. Cury é um fenômeno editorial antes de ser um fenômeno político. Seus eleitores potenciais não compram um programa de governo, mas uma ideia de temperança, de gestão emocional, de um discurso que se afasta do conflito aberto. É menos uma adesão e mais um espelho: o eleitorado que rejeita os polos dominantes se vê refletido num nome que promete pacificação interior. Outros candidatos com mais experiência administrativa, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), somam 6% juntos na mesma pesquisa.

A estabilidade nos números do segundo turno reforça este quadro. Lula, com 46%, e Flávio Bolsonaro, com 45%, permanecem em empate técnico, cenário idêntico ao da semana anterior, conforme o mesmo instituto. As taxas de rejeição também são espelhadas e altas: 49% para o presidente, 50% para o senador. Metade do país parece indisposta a votar em um dos dois líderes, qualquer que seja a combinação final.

Este é o espaço onde Cury opera. Sua ascensão, por ora, não ameaça a ida de Lula e Flávio Bolsonaro ao segundo turno. Mede, contudo, o tamanho de um fastio. Um cansaço com a forma e o método da política, mais do que com as políticas mesmas. Resta saber se este eleitor busca uma alternativa real ou apenas um refúgio simbólico nos meses que antecedem a decisão.

Em que momento a busca por alívio se converte em voto?

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Lula tem 39% no 1º turno; Cury sobe para 11%, diz Nexus/BTG

Fontes: CNN Brasil · UOL