Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Custo de durvalumabe eleva sobrevida em pacientes com câncer de pulmão

O durvalumabe prolonga a vida de pacientes com câncer de pulmão inoperável, mas seu alto custo levanta debates sobre acesso e equidade.

Custo de durvalumabe eleva sobrevida em pacientes com câncer de pulmão
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Dra. Camila Torres

Um paciente com câncer de pulmão em estágio 3, inoperável, recebe uma infusão de durvalumabe. Outro, em casa, toma um comprimido de brigatinibe. Um terceiro, gefitinibe. O que une estes três cenários, até pouco tempo restritos à medicina privada, é a etiqueta do Sistema Único de Saúde. A partir de outubro, os três medicamentos — duas terapias-alvo e um imunoterápico — entram na farmácia de alto custo do SUS. A conta, paga pelo governo federal, pode chegar a R$ 643 mil por paciente ao ano.

A incorporação é uma vitória da oncologia de precisão sobre a abordagem que trata a doença, e não o doente. Terapias-alvo como o brigatinibe e o gefitinibe são o oposto da terra arrasada da quimioterapia convencional. Elas atuam sobre alterações moleculares específicas da célula tumoral, um mecanismo elegante que tende a resultar em menos eventos adversos e permite o tratamento oral, no conforto da casa do paciente. É uma mudança de paradigma que devolve ao doente uma qualidade de vida antes impensável. Já o durvalumabe, um imunoterápico, pertence a outra família revolucionária: a que ensina o próprio sistema imune a reconhecer e combater o tumor. Para o paciente com doença localmente avançada e sem indicação cirúrgica, a droga demonstrou ganhos na sobrevida global.

Os números, porém, são um lembrete do tamanho do desafio. A estimativa inicial é atender 1.900 pessoas com estes novos fármacos. É um avanço inequívoco. Mas a política que o sustenta, a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), prevê um orçamento de R$ 2,1 bilhões para contemplar mais de 100 mil pessoas com 23 medicamentos de alto custo. A matemática da saúde pública é implacável: o recurso é finito, a demanda, crescente. A decisão de hoje, correta e baseada em evidência, cria uma expectativa que precisará ser sustentada por orçamentos futuros. É um passo que obriga a dar o seguinte.

Lembro dos meus anos no SUS, do exercício diário de fazer o máximo com recursos limitados, de explicar a uma família por que um tratamento disponível a poucos quilômetros, numa clínica particular, não estava ao seu alcance. A incorporação tecnológica é um imperativo ético, mas seu sucesso não se mede apenas na compra do remédio. A logística para que a droga certa chegue ao paciente certo, no tempo certo, e a capacidade de monitorar seus resultados em escala nacional, são tão cruciais quanto a assinatura da portaria.

A decisão de financiar estas terapias é um reconhecimento de que o abismo entre a medicina possível e a medicina praticada na rede pública pode, e deve, ser menor. Resta saber se o fôlego financeiro e estrutural do sistema acompanhará a velocidade com que a ciência produz novas esperanças. Qual será o custo, em reais e em vidas, do próximo avanço?

Dra. Camila Torres — Saúde — chefia. Xaplin.

Leia o factual: SUS oferece 3 novos remédios para câncer de pulmão em outubro

Fonte: Agência Brasil

Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.