CBF mantém acesso da Série C para B em campo
A CBF manteve o regulamento de acesso da Série C para a B, garantindo que as definições ocorrerão exclusivamente em campo.
Análise · Marcos Tibúrcio
A Série B do ano que vem não será decidida numa prancheta em Zurique. Será decidida em lugares como o Presidente Vargas, em Fortaleza. Começa agora a parte do campeonato onde a bola pesa mais, a perna treme mais e o grito da geral vale por um décimo segundo homem em campo. Floresta, Maringá, Botafogo-PB e Santa Cruz. Quatro camisas, quatro cidades, duas vagas. O resto é a mais pura, e cruel, matemática do futebol.
O Floresta chega com o peito estufado de quem enfileirou três vitórias para se sentar à mesa. O futebol, como a vida, é feito de momentos. E o momento é do time cearense. Mas a dúvida mora no detalhe: Buga, lesionado, pode dar lugar a um recém-chegado. O técnico, na solidão do vestiário, precisa decidir se aposta no entrosamento que o trouxe até aqui ou no sangue novo de um Daniel Baianinho, de um zagueiro Zulu, nomes que ainda nem aprenderam o caminho do bar da esquina.
A poeira e o sonho
Do outro lado, o Maringá. Um time que foi buscar a vaga na última rodada, longe de casa, contra o Paysandu. Isso diz algo sobre o caráter de um elenco. O ex-auxiliar Ivan Campanari assumiu a nau faltando três jogos e a levou para o porto seguro do quadrangular. Agora, busca um acesso que o clube nunca viu. É a fome do inédito contra a tradição dos outros. Um Serginho que volta de suspensão, um Guilherme Pira que tenta enganar a dor de um desconforto muscular — o drama do acesso se escreve no departamento médico tanto quanto no campo.
Esta é a fase em que o futebol abandona a lógica dos pontos corridos e se entrega ao nervo exposto do mata-mata disfarçado. Cada jogo é uma final de seis.
A análise fria diria que Santa Cruz e Botafogo-PB, pelo peso de suas histórias, largam com algum tipo de vantagem. Mas a Série C não costuma se render a brasões. Ela é feita da poeira que sobe do gramado, do suor de jogadores como Nonato e Negueba, da esperança que viaja de ônibus com o torcedor que largou tudo para ver seu time a centenas de quilômetros de casa.
Ainda é cedo, claro, para cravar quem sobe e quem ficará pelo caminho, lamentando um gol perdido ou um ponto desperdiçado em casa. O futebol não permite esse tipo de profecia. Mas nestes seis jogos que se anunciam, veremos mais do que tática ou preparo físico. Veremos a alma de quatro clubes exposta em noventa minutos. Quem terá estômago para a glória?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge