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Seleção Brasileira enfrenta calendário apertado em amistosos

Seleção Brasileira se prepara para amistosos contra Austrália e Índia, focando no calendário.

Seleção Brasileira enfrenta calendário apertado em amistosos
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

O Brasil jogará contra a Austrália, duas vezes, e contra a Índia. Não é o adversário que importa, mas o calendário. Chegou a hora de recomeçar — ou de fingir que um recomeço é possível. Depois de cada Copa do Mundo, a Seleção Brasileira se olha no espelho e não gosta do que vê. O ritual exige que se quebre a imagem antiga e se prometa uma nova, mais jovem, mais vibrante.

Carlo Ancelotti, o italiano encarregado da liturgia, parece entender o rito. Sua pré-lista para os amistosos de setembro não é um documento; é uma carta de intenções. Quando ele afirma que a "nova geração precisa começar", não está falando apenas de futebol. Está falando de esperança, essa matéria-prima que o torcedor brasileiro aprendeu a economizar.

O Brasil que joga aqui

Os nomes que vazam dos clubes são a prova. Cinco rapazes do Cruzeiro. Quatro do Corinthians. Zagueiro, goleiro, volante, meia — a espinha dorsal de um time que ainda não existe, desenhada com o carvão dos campos de Minas Gerais e São Paulo. Jonathan Jesus, Breno Bidon, Zé Lucas. Nomes que a arquibancada conhece, que o domingo aplaude ou vaia. Nomes de verdade, não de grife europeia.

É uma convocação que conversa com o futebol jogado aqui, que devolve ao campeonato local um protagonismo perdido entre voos para Madrid e Londres. Claro, a lista final ainda pode nos lembrar que a Europa existe e paga os maiores salários. Mas o primeiro gesto de Ancelotti é um aceno para dentro. Uma admissão de que o futuro talvez ainda atenda em português, antes de ser dublado para outras línguas.

Os adversários, nesse contexto, são coadjuvantes de luxo. Enfrentar a Austrália em Townsville ou a Índia em Calcutá serve menos para medir forças e mais para testar temperamentos. É o palco ideal para a estreia, longe dos holofotes incandescentes da América do Sul, longe do julgamento imediato. É um laboratório montado a milhares de quilômetros de casa para que os meninos possam errar em paz.

Ainda assim, o futebol nos ensinou a desconfiar de promessas fáceis. A história está cheia de “novas gerações” que envelheceram antes de amadurecer. O sucesso de uma renovação depende menos da idade no passaporte e mais da coragem no peito.

Ancelotti abriu a porta do vestiário. Quem terá a alma grande o suficiente para entrar?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Ancelotti convoca Seleção nesta 4ª para 1º amistoso pós-Copa

Fonte: ge