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A segunda batida à porta do ex-governador

Análise · Beatriz Fonseca Pela segunda vez em menos de um mês, a Polícia Federal esteve nos endereços de Cláudio Castro, ex-governador do Rio…

A segunda batida à porta do ex-governador
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Análise · Beatriz Fonseca

Pela segunda vez em menos de um mês, a Polícia Federal esteve nos endereços de Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro. A primeira operação, em 15 de maio, mirava um suposto esquema de benefício fiscal à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. A desta sexta-feira, 14 de junho, apura a concessão de licenças ambientais para a mesma empresa. Entre as duas ações, o foco se moveu da sonegação para a burocracia, mas o centro da investigação permaneceu fixo: a relação entre o governo fluminense e o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria.

Magro, considerado um dos maiores devedores do país, está foragido desde a primeira fase da Operação Sem Refino. Sua ausência, contudo, não paralisou o inquérito. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou as 16 buscas desta segunda fase, sugere que os investigadores encontraram novos caminhos. A tese da Polícia Federal é a de que as licenças teriam sido concedidas “à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes”. Em linguagem institucional, é a descrição de uma caneta que atropela pareceres.

A presença de Bernardo Rossi, ex-secretário estadual do Ambiente, entre os alvos da operação, dá concretude a essa linha investigativa. O avanço sobre a máquina administrativa indica um aprofundamento do caso, para além da relação pessoal entre o político e o empresário. A investigação parece agora se debruçar sobre os mecanismos e as assinaturas que teriam viabilizado o suposto esquema.

Do ponto de vista político, esta nova fase impõe um desgaste contínuo a Castro. Uma busca policial é um evento de força e excepcionalidade. Duas em um intervalo tão curto transformam a exceção em rotina. O ex-governador, filiado ao PL, encontra-se numa posição delicada, na qual a defesa jurídica precisa correr ao mesmo tempo em que a narrativa política se deteriora. O advogado Carlo Lucchione afirmou desconhecer o teor das acusações, uma declaração protocolar para um cenário que de protocolar tem pouco.

A operação é um desdobramento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, que determinou investigações sobre grupos criminosos no Rio. O que começou como uma ação sobre a violência policial expandiu seus braços para os gabinetes do poder Executivo. A apuração que leva a Polícia Federal à porta de Cláudio Castro pela segunda vez é parte de um movimento mais amplo. E ainda não se sabe até onde esse movimento pretende chegar.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Cláudio Castro é alvo de buscas da PF em operação sobre Refit

Fontes: g1 · Folha de S.Paulo