Saúde pública na Paraíba sofre com política de receituário
Um terço do eleitorado paraibano considera a saúde o maior problema do estado, evidenciando a falha das políticas atuais.
Análise · Beatriz Fonseca
Um terço do eleitorado da Paraíba aponta a saúde como o maior problema do estado. O dado é da pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto, com registro no Tribunal Superior Eleitoral (PB-07850/2026). Diante de uma preocupação tão majoritária, seria de se esperar uma profusão de diagnósticos e propostas, um debate sobre modelos e prioridades. O que se encontra nos programas de governo dos seis candidatos, porém, se assemelha mais a um receituário único, de remédios já conhecidos.
A lista de promessas dos candidatos Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL), Lucas Ribeiro (PP), Pedro Coutinho (DC) e Yuri Ezequiel (UP), registrada na plataforma do TSE, é um inventário de boas intenções administrativas. Descentralizar o serviço, instalar policlínicas, acelerar a conclusão de hospitais, eliminar filas de cirurgias. São objetivos válidos, mas que não se constituem, por si, em um projeto político. Falam o que fazer, mas não como, com que recursos e, principalmente, por que os governos anteriores não o fizeram.
A nacionalização das propostas chega ao seu extremo com a candidatura de Camilo Duarte (PCO), cujo programa de governo é idêntico ao da campanha presidencial do partido. A saúde do paraibano, com suas especificidades geográficas e epidemiológicas, é tratada com a mesma fórmula pensada para o país. É a política como um produto genérico, aplicável a qualquer prateleira.
O contraste com a eleição nacional, iniciada oficialmente em 16 de agosto, é notável. Na disputa presidencial, candidatos como Augusto Cury (Avante) buscam se diferenciar por meio de recortes temáticos, como a proposta de estabelecer a saúde mental como prioridade nacional. É possível discordar da proposta, mas ela oferece um ângulo, uma identidade programática.
A minha opinião, com base nos documentos apresentados, é que a convergência de propostas na Paraíba não sinaliza um consenso técnico, mas uma dificuldade dos candidatos em formular uma visão particular para o problema que mais aflige o eleitor. A distância entre a capital e o interior, o tempo de espera por um tratamento de câncer, o socorro aéreo — tudo isso se torna item em uma lista que todos assinam.
Este quadro, claro, é uma fotografia do início da campanha. Pode ser que o debate nos próximos meses force os candidatos a detalhar seus planos, a expor suas divergências sobre gestão e financiamento. Por ora, para o eleitor que vê a saúde como sua principal urgência, a escolha parece ser menos entre caminhos distintos e mais entre diferentes gestores para a mesma estrada.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Saúde é maior problema na Paraíba para 31% dos eleitores, diz Quaest
Fontes: g1 · BBC News Brasil
Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.