Ancelotti convoca 23 jogadores para amistosos da Seleção
O técnico Carlo Ancelotti anuncia a lista de 23 atletas chamados para os próximos amistosos da Seleção Brasileira.
Análise · Marcos Tibúrcio
Às três da tarde, quando a voz de Carlo Ancelotti ecoar nos microfones da CBF, o futebol brasileiro vai prender a respiração para ouvir não uma lista de nomes, mas um veredito. O veredito sobre o que sobrou de nós mesmos depois da última Copa do Mundo. Porque uma convocação, a primeira de um novo ciclo, nunca é apenas sobre quem vai. É, sobretudo, sobre quem fica para trás.
Ancelotti, um italiano de sobrancelha arqueada e calma milenar, aterrou no Brasil com a promessa de renovação. “Nova geração precisa começar”, disse ele. É a senha que a arquibancada, ainda rouca de um grito engasgado, queria ouvir. Mas a promessa é a parte fácil. A execução é um drama de escolhas.
Os adversários dizem muito. Austrália, duas vezes, e depois a Índia. Não são os gigantes de sempre. Não há Argentina no Monumental ou Alemanha em Munique. O calendário sugere um laboratório, um campo de testes longe dos grandes holofotes, para que os garotos convocados — e eles virão — possam errar sem o peso de carregar um país nas costas logo na primeira bola. A pré-lista que vazou, com nomes como Breno Bidon do Corinthians e Arthur Dias do Athletico, aponta para isso: a camisa da Seleção será vestida por quem ainda não a conhece.
É claro que, para o homem pragmático que Ancelotti é, esta abordagem faz todo sentido. É preciso sangue novo, pernas mais rápidas, ideias frescas. Mas a arquibancada sabe que não existe recomeço indolor no futebol. Cada novato que entra empurra um veterano para a porta de saída. E aí reside a tensão. Thiago Silva, zagueiro de história e cicatrizes, já mandou o recado: “Aqui não funciona assim”. Ele não fala apenas por si, mas por uma linhagem que entende a Seleção como conquista, não como experimento. Pode ser o discurso de quem sente o tempo passar, ou talvez seja o eco de uma verdade que o futebol brasileiro aprendeu a duras penas: camisa amarela pesa.
A convocação de Ancelotti, portanto, não será uma revolução de nomes, mas um ajuste de alma. Uma tentativa de encontrar o equilíbrio entre a gratidão pelo passado e a urgência do futuro. É a escolha entre a memória e a esperança. A lista que sai às 15h é o primeiro rascunho de uma história que só terminará em 2026, nos estádios da América do Norte. Será que a aposta nos meninos de hoje trará a glória de amanhã? Ou estaremos, mais uma vez, trocando certezas por promessas?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Ancelotti convoca Seleção nesta quarta às 15h
Fonte: ge