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A plataforma vazia dos treze candidatos

Análise · Beatriz Fonseca Treze nomes apresentaram-se à Presidência da República no domingo, 16 de agosto, data que marca o início oficial…

A plataforma vazia dos treze candidatos
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Análise · Beatriz Fonseca

Treze nomes apresentaram-se à Presidência da República no domingo, 16 de agosto, data que marca o início oficial da campanha eleitoral de 2026. É um número que indica fragmentação. Mais do que isso, é um número que, examinado de perto, revela uma dispersão de agendas que competem em detalhe, mas convergem em abstração.

As plataformas divulgadas pelos candidatos se dedicam a tópicos precisos. A candidata Clariana Barão (DC) propõe ampliar o uso de inteligência artificial na gestão de filas do SUS e investir em parcerias público-privadas para a expansão de hidrovias. São propostas de gestão, com escopo técnico e vocabulário de política pública. Do outro lado do espectro, Augusto Cury (Avante) sugere a criação de “10 mil clubes de empreendedorismo” e a transição do país para o semipresidencialismo, uma reforma institucional de grande porte. Ambas as candidaturas, assim como as demais, detalham o que fariam em áreas como Economia, Saúde e Educação.

O que os programas não dizem, no entanto, é tão revelador quanto o que dizem. O mesmo candidato que propõe reformar o Supremo Tribunal Federal não apresentou, até o início da campanha, qualquer plano para as áreas de Meio Ambiente, Programas Sociais ou Política Externa. A ausência não parece ser um lapso. Ela sinaliza uma escolha de prioridades, um cálculo sobre quais temas mobilizam o eleitorado e quais podem ser relegados a um momento posterior.

Esta eleição começa, portanto, não com um debate entre visões de país, mas com um catálogo de soluções para problemas setoriais. Em minha opinião, o fenômeno expõe uma dificuldade do sistema político: a de construir narrativas nacionais coerentes. Em vez de projetos que articulem economia e política externa, ou segurança pública e direitos humanos, o que se oferece são itens de um cardápio. O eleitor é convidado a escolher não um caminho, mas uma combinação de tópicos.

A multiplicidade de candidaturas, que à primeira vista sugere pluralidade, pode acabar por esvaziar o debate. Com treze concorrentes, o tempo de exposição é diluído e a profundidade, sacrificada. Resta saber se, ao longo da campanha, alguma dessas treze vozes conseguirá costurar suas propostas avulsas em um projeto reconhecível para o Brasil.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Campanha de 2026 começa com 13 candidatos à Presidência

Fontes: BBC News Brasil · UOL

Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.