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A persistência da alta rejeição no cenário de 2026

Análise · Beatriz Fonseca A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, e registrada sob o número BR-07065/2026 no Tribunal…

A persistência da alta rejeição no cenário de 2026
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Análise · Beatriz Fonseca

A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, e registrada sob o número BR-07065/2026 no Tribunal Superior Eleitoral, ilustra um quadro eleitoral onde a rejeição dos principais nomes se destaca. Flávio Bolsonaro, com 55%, e o presidente Lula, com 53%, são os candidatos com os maiores índices de eleitores que "conhecem e não votariam", conforme apuração da Quaest.

Este dado sobre a rejeição se mostra especialmente relevante quando confrontado com os números de intenção de voto. No primeiro turno, Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 29%. Em um eventual segundo turno, a diferença entre os dois se estreita: Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 41%. A pesquisa foi realizada com 2.004 eleitores, entre 30 de agosto e 1º de setembro, e possui margem de erro de dois pontos percentuais.

A alta rejeição de ambos os candidatos sugere uma polarização consolidada, onde a oposição ao adversário pode ser um motor tão potente quanto o apoio ao próprio candidato. Para Lula, que apresenta aprovação de 45% de seu governo, a rejeição acima da metade do eleitorado representa um desafio para a expansão de sua base. O mesmo se aplica a Flávio Bolsonaro, cujo percentual de rejeição é marginalmente superior ao de Lula.

O cenário para a eleição de 2026, tal qual delineado por este levantamento da Quaest, parece indicar que o eleitorado está dividido não apenas por preferências, mas também por antipatias. A trajetória política de ambos, com participações em eleições presidenciais anteriores – Lula em 2002, 2006, 2022 e Flávio Bolsonaro em 2022 como candidato ao Senado e agora como presidenciável –, pode ter contribuído para a cristalização de percepções negativas ao longo do tempo. É comum que figuras públicas com grande tempo de exposição, sobretudo em posições de liderança, acumulem tanto apoio quanto resistência.

A emergência de um terceiro nome, Augusto Cury, que alcança 10% das intenções de voto no primeiro turno segundo a Quaest, e 11% na pesquisa BTG/Nexus, aponta para uma fatia do eleitorado que busca alternativas fora dos dois polos. Seu crescimento, notado também no aumento de seguidores em redes sociais, sugere uma sensibilidade a novas propostas ou a perfis menos desgastados. Contudo, é importante considerar que este tipo de crescimento inicial pode não se sustentar sem uma estrutura partidária robusta e tempo de televisão.

A análise da rejeição, em um contexto de disputa acirrada, indica que os próximos meses de campanha serão marcados pela tentativa de reduzir esses índices negativos, ou de intensificá-los para o adversário, dependendo da estratégia adotada por cada equipe. O desafio será converter o eleitor que se opõe ao outro em um apoiador ativo.

Este levantamento, realizado já no início oficial da campanha, estabelece um patamar. Resta saber como os candidatos, em um período eleitoral ainda tão incipiente, tentarão navegar por um cenário onde a aversão a certos nomes é quase tão definidora quanto a adesão.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Quaest: Flávio Bolsonaro e Lula têm maior rejeição em pesquisa

Fontes: g1 · Folha de S.Paulo · CNN Brasil