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Futebol no Brasil: Como a política molda identidades e paixões esportivas

Marcos Tibúrcio analisa como a política interfere no futebol brasileiro. Uma discussão profunda sobre identidade nacional e paixões.

Futebol no Brasil: Como a política molda identidades e paixões esportivas
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há um Brasil que não conhece a derrota. Um Brasil de cinco mundiais e cinco ouros paralímpicos, uma dinastia construída no escuro, guiada pelo som da bola e pelo grito do chamador atrás do gol. Esta seleção, a de futebol de cegos, entra em quadra na quinta-feira para uma semifinal de Copa América contra a Costa Rica, carregando um peso que a outra, a de camisa amarela que todos conhecem, há muito se esqueceu como é: a obrigação da glória.

Pentacampeões em tudo que importa, os homens de venda nos olhos são a única majestade incontestável do nosso futebol. O favoritismo não é uma aposta, é uma certidão. E é aí que mora o drama. Contra a Colômbia, no último jogo da fase de grupos, o placar não se moveu: 0 a 0. Um resultado burocrático para quem já estava classificado, mas uma pequena rachadura na armadura para quem observa de perto. O técnico Cesinha, homem que vive dessa liturgia, admitiu a quebra no roteiro. Falou em sair da “forma de jogar”, em uma Colômbia que “fechou a casinha” e impôs o desgaste.

Fechou a casinha. A expressão é velha conhecida da arquibancada. É o recurso do menor contra o gigante, a tática de quem sabe que o talento do outro, se tiver espaço, o atropela. E funcionou. Por noventa minutos, o Brasil invencível foi um Brasil contido, um time obrigado a jogar um jogo que não era o seu. Não há crise, claro. Nem se trata disso. Mas há um aviso. Para quem se acostuma a vencer, o empate soa como um tropeço na própria sombra.

Enquanto isso, do outro lado da chave, uma Argentina campeã mundial feminina, que bateu as nossas na final desta mesma Copa América, avança para pegar a Colômbia. A rivalidade, como se vê, prescinde da visão. Ela existe na pulsação, na memória dos duelos, na geografia que nos aparta e nos une. É possível que esta seja a leitura de um cronista que vê drama onde há apenas método, mas a história do futebol não se escreve com planilhas.

O Brasil entra no CT Paralímpico de São Paulo, em casa, para ser o que sempre foi. A Costa Rica, que goleou a Guatemala, virá para tentar ser a Colômbia. O jogo é pelo que se ouve, não pelo que se vê. E o que se ouve, depois daquele zero a zero, é o leve som de um alerta.

Qual o tamanho do peso de ser infalível?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: Agência Brasil