Eleições no Pará expõem polarização e desafios econômicos
Polarização eleitoral no Pará reflete descontentamento e impacta debates sobre o futuro econômico do estado.
Análise · Luciano Aragão
A governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), e seu desafiante, o ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos (Podemos), foram dormir no sábado com o mesmo número na cabeça: 36. É o que a pesquisa Quaest (PA-07718/2026) aponta para cada um deles numa simulação de segundo turno. Um empate exato. O dado retrata uma campanha que, na prática, ainda não começou para o eleitorado, embora já tenha consumido meses da vida dos candidatos.
No primeiro turno, os números apenas confirmam a estagnação. Ele tem 28%; ela, 27%. A margem de erro, de três pontos, acomoda os dois confortavelmente no mesmo lugar em que estavam em julho. Naquele mês, a governadora marcava 36% e o ex-prefeito, 35%. O que mudou de lá para cá, portanto, foi o tamanho da fatia que ambos perderam.
O eleitorado parece ter tirado férias da política estadual. A soma dos indecisos (29%) com os que pretendem votar em branco ou nulo (9%) chega a 38% do total. É um contingente maior que a base de qualquer um dos dois postulantes principais. É para este terço do Pará que a eleição será disputada. O resto, por ora, é ruído.
A narrativa da campanha não reflete a frieza dos números. A governadora herdou a máquina de Helder Barbalho, hoje senador, e o apoio da base do presidente Lula (PT). Dr. Daniel renunciou ao cargo em Ananindeua e trocou o PSB pelo Podemos para construir sua candidatura. Movimentos calculados, que exigem capital político e financeiro. Até agora, produziram um empate técnico e a indiferença de quase 40% dos paraenses.
Pode-se argumentar, com alguma razão, que a ausência de um debate mais agudo entre os dois esteja anestesiando o eleitor. Ou que, sem o trator da propaganda eleitoral obrigatória, o jogo permanece restrito aos iniciados. Ambas as leituras são plausíveis. Contudo, elas ignoram o fato mais eloquente: em dois meses, a única coisa que cresceu foi o desinteresse.
A quem serve uma eleição que não anda? Certamente não aos candidatos, que veem o tempo e o dinheiro escorrerem sem alterar o placar. Nem ao eleitor, que segue sem motivo para escolher um lado. A paralisia, se persistir, pode transformar a disputa em uma loteria decidida por quem errar menos na reta final.
Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.
Leia o factual: Dr. Daniel e Hana Ghassan empatam no Pará, aponta Quaest
Fontes: Folha de S.Paulo · UOL