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A outra Seleção

Análise · Marcos Tibúrcio A Seleção masculina foi eliminada da Copa do Mundo em 5 de junho.

A outra Seleção
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Análise · Marcos Tibúrcio

A Seleção masculina foi eliminada da Copa do Mundo em 5 de junho. Naquele dia, enquanto os homens de chuteiras douradas e semblante mudo arrumavam as malas, uma busca começou a crescer no silêncio dos computadores e celulares pelo Brasil. Uma busca por outra Copa. Uma busca pela nossa Copa, a de 2027. O brasileiro, órfão do seu escrete principal, descobria que a cor da camisa, afinal, não é exclusiva de onze homens.

Há um futebol que se joga longe dos holofotes bilionários e dos debates táticos sobre o falso nove. E ele pulsa. Pulsa nos números que os executivos de gravata chamam de “métricas”. O perfil da Seleção feminina chegou a 3,1 milhões de seguidores. É a maior do mundo. Supera as americanas, as inventoras do que chamam “soccer”, e as inglesas, que se intitulam donas da bola. Mas números, como placares, podem ser frios. O que eles contam, na verdade, é a história de uma espera.

Enquanto o time masculino era um fantasma na Copa do Mundo dos Estados Unidos, o feminino somava 21 milhões de visualizações em julho. A final entre Argentina e França, aquele drama no MetLife Stadium, foi o gatilho final: as pesquisas pela Copa de 2027 explodiram. É um movimento que não nasce do nada. Nasce do vazio. A arquibancada, real ou virtual, não aceita o silêncio. Quando um time lhe vira as costas, ela procura outro para quem cantar.

O que acontece hoje é a redescoberta de uma obviedade: existe futebol para além do calendário masculino. A CBF, num gesto raro de lucidez, já comunicou a “parada obrigatória” dos campeonatos masculinos durante o Mundial de 2027. Parece pouco. Mas é um reconhecimento de que a terra que sediará a Copa do Mundo Feminina finalmente entendeu que a camisa amarela tem donas.

Os 186 milhões de visualizações em seis meses não são sobre marketing digital. São sobre gente procurando ídolos, gente querendo um time para chamar de seu, um time que jogue em casa e por quem valha a pena torcer. A Seleção masculina entregou mais uma frustração. A feminina, no mesmo período, levantou um troféu, o Fifa Series, em cima do Canadá.

O povo não desiste do futebol. Ele apenas troca de balcão. Se o drama não está em um palco, ele encontrará outro. O Brasil de 2027 será a resposta a uma pergunta que os homens não souberam responder em 2026. A quem pertence, de fato, a camisa da Seleção?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Seleção Feminina lidera seguidores globais e busca por Copa 2027

Fonte: ge