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A nota de Alcolumbre e o tempo da política

Análise · Beatriz Fonseca Na quarta-feira, 12 de junho, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula…

A nota de Alcolumbre e o tempo da política
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Análise · Beatriz Fonseca

Na quarta-feira, 12 de junho, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na sexta-feira, dia 14, nova reunião. No mesmo dia, o senador do União Brasil emitiu uma nota afirmando que encaminhara para as comissões da Casa três propostas de interesse do Palácio do Planalto. O gesto encerra, ao menos no rito formal, um período de paralisia legislativa que sucedeu à rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

O comunicado de Alcolumbre é um exercício de liturgia institucional. O senador menciona um "diálogo maduro, franco e republicano", e descreve sua ação como um cumprimento da responsabilidade de "assegurar que as matérias submetidas ao Parlamento tenham o devido encaminhamento". O texto evita qualquer menção ao conflito precedente. Apenas registra o fato: as Propostas de Emenda à Constituição sobre o fim da escala de trabalho 6x1 e sobre a Segurança Pública, além de um projeto sobre minerais críticos, iniciam sua tramitação.

Na minha avaliação, o movimento é menos sobre o mérito das propostas e mais sobre o calendário de dois poderes. Para o Executivo, as PECs são vitais. A da Segurança Pública é condição declarada por Lula para a criação de um novo ministério, uma promessa da campanha de 2022. A do fim da jornada 6x1, já aprovada na Câmara, é uma pauta de apelo popular que o governo deseja ver avançar antes da eleição presidencial. O Planalto precisa de um ritmo legislativo que produza entregas visíveis.

Para o presidente do Senado, o tempo é outro. Sua reeleição ao comando da Casa, no início do próximo ano, depende de uma complexa articulação que, em algum grau, envolve o apoio do governo federal. Manter propostas prioritárias paradas era um instrumento de pressão; liberá-las é um sinal de negociação. A nota ressalta, no entanto, que as matérias seguirão o "rito ordinário e regimental", com "análise e aprofundamento necessários". É uma forma de modular as expectativas: a tramitação começou, mas sua velocidade não está garantida.

O que se vê não é a resolução de um impasse, mas sua transferência do gabinete do presidente do Senado para o plenário das comissões. O gesto de Alcolumbre recompõe o diálogo institucional com Lula, mas o destino das propostas dependerá de novos acordos, outros atores e um calendário que, agora, corre para todos.

A política, afinal, é a administração de agendas que nunca coincidem. O que mudou não foi o mérito das pautas, mas o custo político de mantê-las na gaveta.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Alcolumbre envia PECs do fim da escala 6x1 e Segurança para comissões

Fontes: g1 · Folha de S.Paulo