A liturgia do primeiro dia
Análise · Luciano Aragão O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, começou a campanha em uma missa.
Análise · Luciano Aragão
O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, começou a campanha em uma missa. Foi em Montes Claros, norte de Minas Gerais, acompanhado da esposa e de um postulante a deputado federal. A cidade foi escolhida por ter recebido uma rodovia na sua gestão. Uma benfeitoria, uma bênção e uma urna. A campanha eleitoral, que o calendário oficial inaugurou neste domingo, segue um rito que se repete a cada dois anos.
A lei eleitoral diz que a partir de agora se pode pedir voto e pagar por propaganda na internet. A realidade é que a disputa começou há meses, ao ritmo dos aplicativos de mensagem e das viagens pagas com fundo partidário. O que se viu no dia 16 de agosto foi a encenação de um começo. Cada candidato escolheu um palco para reforçar a própria biografia, um cenário para contar a história que mais lhe convém.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, foi a São Bernardo do Campo. O material de divulgação do ato falava em “reencontro histórico de um Brasil que se orgulha da própria biografia”. No gramado da Vila Euclides, o ex-sindicalista voltava à cena onde se tornou personagem nacional nos anos 1970. Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, ficou no Rio de Janeiro. Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático, em Goiás. Cada um no seu berço eleitoral, entre os seus.
A geografia dos primeiros atos entrega a estratégia. Com exceção de Caiado, todos os principais candidatos se concentraram no Sudeste, onde reside a maior fatia do eleitorado. Não é um movimento de conquista, mas de consolidação. Fala-se primeiro para a própria paróquia, antes de buscar os infiéis.
Enquanto os presidenciáveis cumpriam seu roteiro, o noticiário registrava que candidatos a governador de São Paulo, como Carlos Machado (PCB) e Vera Lúcia (PSTU), sequer tinham agenda divulgada. A máquina eleitoral tem velocidades distintas. Para alguns, o dia 16 foi a largada de uma maratona. Para outros, apenas mais um domingo.
A propaganda na televisão e no rádio, o instrumento que ainda move milhões de votos, só começa em 28 de agosto. Até lá, o que resta é a repetição de gestos. Se a campanha é um teatro, qual o tamanho do público que ainda presta atenção ao primeiro ato?
Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.
Leia o factual: Campanha eleitoral começa com atos de rua e propaganda na internet
Fontes: g1 · CNN Brasil