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Ancelotti convoca lista; Noruega revive fantasma em nova escalação

Carlo Ancelotti anuncia lista de convocados, enquanto a Noruega enfrenta dilemas em sua nova escalação.

Ancelotti convoca lista; Noruega revive fantasma em nova escalação
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

A primeira frase de um técnico depois de um fracasso tem o peso de uma certidão. E a primeira lista de convocados, o ar de um testamento. Carlo Ancelotti sentou-se na sede da CBF para falar do futuro, mas cada nome que pronunciava parecia uma tentativa de apagar o passado recente, a eliminação precoce, o avião de volta para casa enquanto a Copa do Mundo ainda rolava nos televisores do mundo. O fantasma da Noruega estava sentado na primeira fila da coletiva, invisível e onipresente.

Ancelotti falou em “equilíbrio”, em “próxima geração”. Palavras de protocolo. A verdade, porém, não está nas aspas do treinador, mas nos nomes grafados no papel. Sete estreantes. Garotos como Gabriel Bontempo, do Santos, ou Vitor Reis, do City. Para eles, a camisa amarela é um sonho que começa. Para o torcedor que viu o time cair nas oitavas, é uma promessa — talvez a única possível. Uma aposta de que o futuro pode, com alguma sorte, ser diferente do presente.

Mas uma renovação não se faz apenas com caras novas. Faz-se, principalmente, com coragem. Ancelotti manteve uma espinha dorsal do grupo que fracassou. A justificativa oficial é a de que os veteranos vão “ajudar na mudança de geração”. É uma lógica que se ouve em toda sala de diretoria e em toda mesa redonda. Mas, na arquibancada, o que se pergunta é outra coisa: quem ajuda quem? Os experientes que não conseguiram carregar o time em um mata-mata de Copa do Mundo ensinarão o quê aos novatos? A arte de voltar mais cedo?

É possível, claro, que esta leitura seja apenas o azedume de quem ainda não digeriu a queda. Talvez Ancelotti esteja certo em sua parcimônia, mesclando o que já tem com o que pode vir a ser. O tempo dirá.

O roteiro, por ora, parece desenhado para evitar sustos. Dois jogos contra a Austrália, um contra a Índia. Um começo de ciclo em banho-maria, contra adversários que não oferecem o risco do vexame, mas também não fornecem a medida da superação. Serve para dar minutos a um Samuel Lino, para testar um goleiro como Morisco. Serve para cumprir contratos e acalmar os humores. É uma agenda de amistosos, mas soa como uma agenda de convalescença.

A seleção se reúne para curar uma ferida. E o primeiro remédio receitado pelo italiano é um placebo de nomes novos e adversários dóceis. Resta saber se o doente aceita o tratamento ou se vai continuar, em silêncio, remoendo a febre da última derrota.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Ancelotti convoca 26 jogadores para amistosos da seleção

Fonte: Agência Brasil

Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.