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A lagoa e o contrato

Análise · Luciano Aragão Foram precisos três dias para que a CEEE Equatorial e a Axia Energia mobilizassem 60 profissionais para dentro da Lagoa…

A lagoa e o contrato
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Análise · Luciano Aragão

Foram precisos três dias para que a CEEE Equatorial e a Axia Energia mobilizassem 60 profissionais para dentro da Lagoa Mirim. Era domingo. Na quinta-feira, um ciclone havia derrubado duas de suas torres de transmissão, deixando sem energia elétrica Santa Vitória do Palmar e Chuí, os dois últimos municípios do Brasil antes da fronteira com o Uruguai. Ficaram no escuro 67 mil clientes da concessionária.

O comunicado da empresa informou que geradores atendiam os “pontos essenciais”. O que define o essencial, quando a luz não volta, é matéria para a administração local. Para a população, a realidade é outra. É a temperatura que cai depois da tempestade e a falta de energia para o aquecedor. É o cabo rompido na rua, um risco que a própria companhia pede para que os moradores evitem.

O Rio Grande do Sul não é novato em eventos climáticos severos. O que passou na quinta-feira incluiu um tornado em Pedro Osório, que percorreu seis quilômetros de zona rural. Deixou um morto, cinco feridos e mais de 2,3 mil pessoas fora de casa, espalhadas por 114 cidades. Em Porto Alegre, longe das torres submersas, 8 mil clientes da mesma CEEE Equatorial continuavam sem luz no domingo.

A imagem das estruturas metálicas tombadas na água é a fotografia de uma infraestrutura que cede. A energia elétrica, serviço delegado a empresas privadas, opera sob a lógica de contratos de concessão que preveem manutenção, investimento e, sobretudo, resiliência. Uma torre de transmissão não deveria ser um castelo de cartas. O contrato que a sustenta também não.

Enquanto as equipes trabalhavam para reerguer o aço, o poder público e os clientes esperavam. A questão que fica, depois que a última lâmpada for acesa, não é sobre a força do vento. É sobre a força do que foi assinado.

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Torres caem na Lagoa Mirim, e 67 mil ficam sem luz no RS

Fontes: g1 · UOL