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A institucionalização do sobrenome

Análise · Beatriz Fonseca Um parlamentar com vinte anos de mandatos consecutivos, primeiro no Legislativo do Rio de Janeiro, depois no Senado…

A institucionalização do sobrenome
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Análise · Beatriz Fonseca

Um parlamentar com vinte anos de mandatos consecutivos, primeiro no Legislativo do Rio de Janeiro, depois no Senado Federal. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República se apresenta, na sua formalidade, como um passo previsível na carreira de um político. Ele é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e esta, talvez, seja a única definição que torna a sua trajetória distinta de outras.

O percurso descrito em sua biografia oficial, no entanto, sugere um projeto político que transcende o indivíduo. A carreira de Flávio Bolsonaro iniciou-se em 2002, como deputado estadual, e foi construída sobre pautas específicas: segurança pública e a defesa de valores conservadores. Sua projeção nacional, contudo, consolidou-se a partir de 2018, com a eleição para o Senado e, de modo mais decisivo, com a chegada de seu pai à Presidência. Foi nesse período, segundo os registros de sua atuação, que ele ampliou seu escopo para debates econômicos e institucionais, exercendo reconhecida influência política no governo.

O que se observa é um movimento de conversão. Um capital político familiar, erguido por uma figura paterna, é agora transferido e testado na figura do filho. Na minha avaliação, a candidatura de Flávio Bolsonaro é menos sobre um nome e mais sobre a tentativa de institucionalizar um sobrenome como força política permanente. Onde o pai representou a ruptura, o filho, com seu currículo de senador e negociador, parece talhado para representar a permanência.

A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL), deputado federal, para a vice-presidência, reforça a busca por uma composição que dialogue com as estruturas partidárias e regionais. É um arranjo que sinaliza para o sistema político, não contra ele.

A candidatura nasce, assim, de uma premissa fundamental: que o "bolsonarismo" pode sobreviver ao próprio Bolsonaro, transformando-se de um movimento personalista em uma corrente política com herdeiros e sucessores. A questão que a eleição responderá é se o eleitorado que elegeu o pai reconhecerá no filho não apenas a continuidade de um projeto, mas a legitimidade para conduzi-lo. Um sobrenome pode se tornar uma instituição?

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República pelo PL

Fonte: Agência Brasil