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Irã e EUA intensificam disputa por controle do Estreito de Ormuz

O som das explosões na região de Ormuz marca o aumento da tensão entre Irã e EUA, em uma disputa que transcende a diplomacia.

Irã e EUA intensificam disputa por controle do Estreito de Ormuz
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Clara Verdi

O som das explosões em Bandar Abbas e na ilha de Qeshm é apenas a pontuação mais recente num diálogo que se finge contido. Uma conversa entre Washington e Teerã travada com projéteis, onde cada ataque é um comunicado à imprensa do outro, e cada comunicado é uma declaração de guerra que não ousa dizer seu nome. A Casa Branca chama de resposta a um ataque; Teerã, de réplica a uma agressão. A semântica é de gabinete, mas o fogo no Golfo Pérsico é real.

A cronologia dos últimos dias tem a precisão de um roteiro militar. Domingo, um ataque americano à ilha iraniana de Larak. Segunda-feira, a resposta iraniana com mísseis contra bases na Jordânia. Terça-feira, o bombardeio americano ao sul do Irã. Uma escalada coreografada, onde cada parte parece saber exatamente o próximo passo do adversário. Donald Trump promete atacar “com força” e, ao mesmo tempo, diz a jornalistas que não se trata de uma “guerra em grande escala”. Uma autoridade iraniana, citada pela Reuters, fala em “confronto limitado e contido” e, quase na mesma frase, promete uma retaliação “dezenas de vezes maior”.

Nessa contradição vive a lógica do Estreito de Ormuz. É um jogo perigoso de contenção performática. A Guarda Revolucionária testa os limites da navegação comercial; os Estados Unidos respondem com força cirúrgica. Dois superpetroleiros sauditas, cada um com dois milhões de barris de petróleo, são atingidos por projéteis de origem desconhecida. Ninguém assume, mas todos entendem a mensagem. O fluxo do petróleo é a sintaxe dessa linguagem violenta.

A leitura de que tudo isso seria um retorno a um conflito aberto, porém, pode ser a mais cômoda e talvez a mais equivocada. O que se desenha parece ser algo distinto: um estado permanente de beligerância de baixa intensidade, uma guerra por telegrama onde o alvo não é a capitulação do inimigo, mas a gestão do caos. As sanções do Tesouro americano e os drones sobre as águas dos Emirados Árabes são peças do mesmo tabuleiro, movimentos menos ruidosos, porém igualmente hostis.

Enquanto a diplomacia fala de memorandos de entendimento e compromissos, os militares calibram a distância e a potência dos próximos disparos. E no meio, os portos do sul do Irã e as tripulações dos petroleiros vivem sob o som de uma guerra que se recusa a ser chamada assim. Quantos confrontos “limitados” são necessários para se tornarem um só e ilimitado?

Clara Verdi — Europa. Xaplin.

Leia o factual: EUA bombardeiam Irã em resposta a ataques no Estreito de Ormuz

Fontes: g1 · Folha de S.Paulo