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A geografia eleitoral do primeiro dia

Análise · Beatriz Fonseca Neste domingo, 16 de agosto, a campanha presidencial de 2026 teve início não com um debate de propostas, mas com um mapa.

A geografia eleitoral do primeiro dia
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Análise · Beatriz Fonseca

Neste domingo, 16 de agosto, a campanha presidencial de 2026 teve início não com um debate de propostas, mas com um mapa. Os candidatos escolheram seus pontos de partida por razões de biografia e estratégia, desenhando no território nacional as narrativas que pretendem construir. Quase todos se concentraram na Região Sudeste. Apenas Ronaldo Caiado (PSD) iniciou sua agenda em seu estado, Goiás.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a São Bernardo do Campo, em São Paulo. O local escolhido, o Estádio da Vila Euclides, é onde discursou durante a greve dos metalúrgicos de 1979. A campanha petista comunicou que o gramado foi “testemunha do surgimento de uma nova consciência no Brasil”. A escolha sinaliza, na minha leitura, uma tentativa de ancorar a busca por um quarto mandato na memória do líder sindical, não apenas do ex-presidente. É uma volta à origem.

No Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) montou seu palanque na Praia de Copacabana. O local se tornou, nos últimos anos, o principal palco para os atos de apoio a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como o de Sete de Setembro de 2022. A opção por um espaço aberto, onde se organizaram manifestações que contestavam instituições e pediam anistia para os presos do 8 de Janeiro, parece buscar uma demonstração de força popular. Se Lula busca a sua história, o senador busca a de seu pai.

Em Minas Gerais, dois candidatos dividiram o estado: Romeu Zema (Novo) foi para Montes Claros, no norte, enquanto Augusto Cury (Avante) ficou na região metropolitana de Belo Horizonte, em Santa Luzia. Em São Paulo, além de Lula, Renan Santos (Missão) discursou no Largo de São Francisco, em frente à Faculdade de Direito da USP, onde foi aluno. Cada qual em seu território de influência.

O primeiro dia de uma campanha eleitoral raramente define seu resultado. Sua principal função é simbólica. Os candidatos não falaram para o eleitorado indeciso, mas para suas bases consolidadas, oferecendo imagens de onde vieram e, por consequência, para onde pretendem ir. A disputa começou nos lugares onde cada um se sente mais seguro.

A partir de agora, o desafio será deixar o conforto desses marcos geográficos e históricos para disputar o terreno do outro. E o mapa da campanha, hoje tão nítido, começará a se embaralhar.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Candidatos à Presidência iniciam campanha neste domingo

Fontes: g1 · CNN Brasil