André Rizek compara França ao Brasil e gera polêmica
Comentarista chamou a seleção francesa de 'novo Brasil' e a frase gerou reações nas redes sociais.
Análise · Marcos Tibúrcio
André Rizek chamou a França de "novo Brasil". A frase saiu no ar, no calor da vitória sobre o Senegal, e tem o tipo de apelo que viaja rápido — soa grande, soa definitivo, soa como sentença de especialista. Mas toda sentença merece ser pesada antes de virar verdade.
A comparação tem lógica visível. A França chega a esta Copa com um ataque de rara profundidade técnica, velocidade nos flancos, volume de criação e — o que mais intimida um adversário — a sensação de que pode ser letal de várias formas diferentes. Não é um time de uma ideia só. Essa pluralidade ofensiva é, historicamente, o que distingue as seleções verdadeiramente temidas das meramente boas. Nesse sentido, Rizek não inventou nada.
O problema da comparação não está no que ela diz sobre a França. Está no que ela exige do Brasil.
Chamar outra seleção de "novo Brasil" pressupõe que existe um Brasil original a ser herdado — uma identidade tão clara, tão inconfundível, que serve de medida para o mundo. Essa identidade, no futebol contemporâneo, está longe de ser evidente.
O Brasil de 2026 não chegou a esta Copa como parâmetro estético. Chegou carregando dúvidas sobre sistema, sobre liderança técnica, sobre a geração que deveria ter assumido o protagonismo e ainda não convenceu por inteiro. Quando Rizek aponta a França como "novo Brasil", ele não está apenas elogiando os europeus — está, queira ou não, fazendo um diagnóstico implícito e severo sobre o original.
Isso não diminui a análise. Diminui, talvez, a comodidade de ouvi-la.
A pergunta que Rizek lança — "Como parar esse ataque?" — é a pergunta certa. É a que os treinadores que ainda vão enfrentar a França precisam responder na prática, não na entrevista coletiva. O Senegal saiu do campo sem resposta convincente. E o Senegal não é fraco: é uma seleção com físico, com organização e com jogadores de nível europeu no cotidiano. Apanhar da França, nesta Copa, não é derrota explicável pelo simples desequilíbrio de elenco.
O que Rizek viu — e nomeou com a expressão mais carregada do vocabulário do futebol brasileiro — foi uma seleção que joga com uma espécie de certeza. Não arrogância. Certeza. Aquele andar de quem sabe que vai chegar, que a questão é apenas quando. Esse sentimento já habitou o Maracanã em outras épocas, já fez a arquibancada adversária encolher antes do apito inicial.
Se a França sustenta isso até o fim do torneio, a comparação de Rizek vai parecer profética. Se tropeçar nas oitavas, vai parecer o tipo de análise que o calor do momento produz e o tempo desfaz. A Copa do Mundo tem esse talento cruel: transformar certezas em perguntas antes que o torneio acabe.
Por ora, a França ganhou do Senegal e ganhou uma alcunha. O que faz com ela, só julho responde.
*Marcos Tibúrcio*Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Rizek compara França a "novo Brasil" após vitória contra Senegal
Fonte: ge