A Fonte Nova não é um estádio. É uma sentença
Análise · Marcos Tibúrcio A última vez que o Vasco venceu o Bahia em Salvador, Juninho Pernambucano ainda era um jogador de futebol.
Análise · Marcos Tibúrcio
A última vez que o Vasco venceu o Bahia em Salvador, Juninho Pernambucano ainda era um jogador de futebol. Um jogador do Vasco. Diego Souza, outro. O ano era 2012, e o palco, modesto, era o estádio de Pituaçu. Ao lado, um esqueleto de concreto e aço tomava forma, prometendo ser uma arena de Copa do Mundo. Prometeu e cumpriu. Mas para o Vasco, o que se ergueu ali no Dique do Tororó foi outra coisa. Um paredão.
Desde que a Casa de Apostas Arena Fonte Nova abriu seus portões em 2013, o clube carioca não sabe o que é sair de lá com três pontos. Onze partidas, oito vitórias do Bahia, três empates. Os números são frios. A realidade, que se vive no calor da arquibancada, é um drama que se repete há mais de uma década. Não é uma estatística. É um roteiro.
Um fantasma em Pituaçu
O retrospecto geral, antes da nova arena, mostrava um confronto de iguais, com a balança pendendo ora para um lado, ora para o outro. Desde então, a coisa mudou de figura. O Bahia, em sua casa, tornou-se o carrasco de um gigante que parece encolher assim que pisa no gramado soteropolitano. Até mesmo quando a pandemia esvaziou os estádios e empurrou um jogo para o mesmo Pituaçu da última vitória vascaína, o desfecho foi baiano: um 3 a 0 seco, como se o espírito da Fonte Nova tivesse feito a curta viagem junto com o time.
O que acontece, então, quando o avião do Vasco pousa em Salvador? O que se passa na cabeça de cada jogador que veste a Cruz de Malta, sabendo que nenhum companheiro, em doze anos, conseguiu o que parece simples para tantos outros times? O futebol não se joga apenas com os pés. Joga-se com a memória, com o peso da camisa e, por vezes, contra os fantasmas que o próprio clube alimenta. Para o Vasco, a Fonte Nova é um estádio assombrado pela sua própria impotência.
Neste domingo, um Bahia em quinto lugar recebe um Vasco afundado na zona de rebaixamento. O favoritismo, que já existiria pela tabela, se agiganta pela história recente. Resta saber se o time que entrará em campo virá para jogar futebol ou para cumprir um destino que parece selado desde a demolição do estádio antigo. Afinal, quantas derrotas são necessárias para que uma coincidência se torne uma convicção?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge
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