Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

A estatística e a sala de espera

Análise · Ricardo Mendes A taxa de desocupação no Rio Grande do Norte, 5,6%, é a menor desde que a medição começou em 2012.

A estatística e a sala de espera
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Ricardo Mendes

A taxa de desocupação no Rio Grande do Norte, 5,6%, é a menor desde que a medição começou em 2012. Um número que, isolado, sinalizaria uma economia local em aceleração plena. Mas os dados da PNAD Contínua não autorizam uma leitura unívoca. Eles compõem um retrato mais complexo, de um mercado de trabalho que absorve mão de obra sem necessariamente melhorar sua qualidade de forma estrutural.

A queda é expressiva e bem distribuída. O recuo de 7,6% no primeiro trimestre para os 5,6% atuais representa menos 30 mil pessoas na fila do desemprego. No mesmo período do ano passado, a taxa era de 7,5%. A melhora, portanto, não é um espasmo sazonal. É uma tendência consistente. A população desalentada — tecnicamente, aqueles que desistiram de procurar trabalho por falta de perspectiva — também diminuiu. São sinais de que a atividade econômica está, de fato, gerando postos de trabalho.

A natureza da ocupação

A questão central, como sempre em análise de mercado de trabalho, é que tipo de ocupação está sendo criada. O Rio Grande do Norte tem hoje 1,383 milhão de pessoas ocupadas. Deste total, no setor privado, 435 mil têm carteira assinada; outros 202 mil, não. Some-se o universo dos conta-própria e o quadro da informalidade se completa: 41,3% da força de trabalho potiguar, ou 571 mil pessoas, estão fora da rede de proteção formal.

É a menor taxa do Nordeste, o que é um mérito relativo, mas ainda assim um contingente vasto. Um país que se moderniza não pode normalizar uma estrutura em que dois a cada cinco trabalhadores operam sem os direitos básicos.

Outro dado que exige atenção é o rendimento médio. Houve estabilidade, na marca de R$ 2.861 mensais. Contudo, o valor é inferior aos R$ 3.022 registrados no primeiro trimestre do ano. Ou seja, mais gente está trabalhando, mas o rendimento médio do trabalho refluiu. A queda pode ser conjuntural, explicada pela entrada de trabalhadores com remuneração inicial mais baixa, mas é um ponto de vigilância para entender se a expansão do emprego se dá ao custo de um achatamento salarial.

O quadro do Rio Grande do Norte reflete uma dinâmica nacional, com o desemprego recuando em 13 estados. A taxa do estado (5,6%) se aproxima da média do país (5,4%), mas ainda está distante das economias com pleno emprego técnico, como Santa Catarina (2,1%). A fotografia de junho é positiva, um alívio para milhares de famílias. O filme de longo prazo, porém, dependerá de como a formalização e o rendimento se comportarão.

Afinal, a transição do desemprego para a informalidade é apenas a mudança de uma sala de espera para outra?

Ricardo Mendes — Economia — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Desemprego no RN cai a 5,6% no 2º trimestre de 2026, menor da série

Fontes: g1 · CNN Brasil