Pesquisa eleitoral revela empate técnico entre candidatos
A disputa pela presidência se acirra, com a distância entre os primeiros colocados encolhendo, indicando um cenário de alta competitividade.
Análise · Beatriz Fonseca
A distância entre o primeiro e o segundo colocados na corrida presidencial encolheu pela metade desde maio, mas a fotografia de setembro, registrada pelo instituto Datafolha, é a de um movimento que não veio dos ponteiros. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 38% das intenções de voto; Flávio Bolsonaro (PL), 33%. A diferença de cinco pontos, na borda da margem de erro de dois pontos da pesquisa, é a mais estreita já medida pelo instituto neste ciclo eleitoral. No entanto, o presidente oscilou um ponto para baixo e o senador se manteve estável em relação à pesquisa anterior, de duas semanas atrás.
O dado que reconfigura o quadro está na terceira posição. Augusto Cury (Avante), escritor e médico, saltou de 2% para 8% no mesmo período. Ele absorveu, sozinho, a totalidade dos pontos perdidos por Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) e ainda avançou sobre outras fatias. Na pesquisa espontânea, quando o eleitor não recebe uma lista de nomes, Cury foi de 1% para 5% nas menções, enquanto o total de indecisos recuou seis pontos. É um sinal de que sua candidatura começa a adquirir alguma tração para além do eleitorado já posicionado contra os dois polos dominantes.
A permanência dos dois Brasis
Se o primeiro turno exibe alguma fluidez abaixo do topo, o cenário de segundo turno mostra o tamanho do desafio para qualquer um dos lados. Lula marca 46%; Flávio Bolsonaro, 44%. É um empate técnico, considerando a margem de erro do levantamento, que ouviu 2.002 eleitores nos dias 1 e 2 de setembro, sob o registro BR-03669/2026 no Tribunal Superior Eleitoral. A vantagem numérica do petista, que era de quatro pontos há duas semanas, agora é de dois. É um retrato de imobilidade, com as campanhas falando para dentro de suas respectivas bolhas.
Na minha leitura, os dados sugerem uma eleição de dois tetos muito definidos. A rejeição de ambos os candidatos permanece alta e quase idêntica: 47% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de forma alguma; 45% dizem o mesmo sobre Lula. É como se quase metade do país fincasse pé na recusa a um nome, e a outra metade fizesse o mesmo com o outro. Sobra pouco espaço para convencimento. Este quadro, naturalmente, pode se alterar a depender do desempenho dos candidatos no debate público e da própria dinâmica da campanha nas próximas semanas.
A eleição, portanto, parece menos uma disputa por um centro político amorfo e mais uma competição para ver quem consegue furar o bloqueio da própria rejeição com maior eficácia. O crescimento de uma candidatura como a de Cury pode ser um sintoma do esgotamento desse modelo, mas ainda não se apresenta como uma alternativa capaz de rompê-lo. Por enquanto, o país segue dividido entre duas negativas. A pergunta que a campanha terá de responder é se alguma delas pode, em algum momento, se transformar em uma afirmação.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Datafolha: Lula tem 38%; Flávio Bolsonaro, 33%, no 1º turno
Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil