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Eleição polariza Brasil e expõe divisões sociais

A votação deste fim de semana reflete uma nação dividida, evidenciando profundas clivagens sociais e políticas que moldam o cenário eleitoral.

Eleição polariza Brasil e expõe divisões sociais
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Beatriz Fonseca

Neste fim de semana, o Brasil se divide. Em Palmas, no Tocantins, crianças de três a quatro anos correm 50 metros no estacionamento de uma escolinha de futebol. É um evento lúdico, familiar. No Rio de Janeiro e em São Paulo, dois candidatos à presidência inauguram suas campanhas com atos de grande porte: Flávio Bolsonaro (PL) em Copacabana; Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em São Bernardo do Campo.

Os dois países coexistem. Um, da vida que segue, dos eventos de fim de semana, da corrida de rua com kit e medalha de participação. O outro, da disputa nacional que se afunila. Das treze chapas presidenciais registradas no Tribunal Superior Eleitoral para a eleição de 4 de outubro, apenas quatro devem ter acesso à propaganda gratuita no rádio e na televisão. Segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula e Flávio Bolsonaro concentram as intenções de voto para um eventual segundo turno, com 46% e 43%, respectivamente.

Em minha opinião, a campanha que começa oficialmente em 16 de agosto não é apenas uma repetição da estrutura de 2022, embora preserve seus protagonistas e suas geografias simbólicas. Há uma diferença fundamental. A chapa de Flávio Bolsonaro, com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice, e a de Lula, reeditando a aliança com Geraldo Alckmin (PSB), partem de patamares consolidados. Elas não disputam a primazia dentro de seus campos políticos; elas *são* os campos políticos.

As outras onze candidaturas, como a de Ronaldo Caiado e a de Augusto Cury, cumprem um papel institucional, mas encontram um espaço de crescimento limitado pela gravidade dos dois polos principais. A máquina eleitoral, em especial o tempo de televisão, tende a reforçar essa concentração. A campanha, portanto, parece destinada a ser menos sobre conquistar o eleitor de centro e mais sobre mobilizar as bases já existentes e garantir que compareçam às urnas.

Este quadro, evidentemente, é uma fotografia do início da corrida. Uma leitura distinta apontaria que a distância apertada entre os dois primeiros colocados abre, paradoxalmente, espaço para uma terceira candidatura que consiga se apresentar como alternativa viável. O Brasil da corrida em Palmas, afinal, não necessariamente se vê representado pelo palanque de São Bernardo ou pelo de Copacabana.

A pergunta que se abre, com o início da propaganda eleitoral em 28 de agosto, é se algum discurso terá a força necessária para cruzar a fronteira entre esses dois países.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Eleições de 2026 têm 13 chapas presidenciais; Fla Palmas ocorre

Fontes: BBC News Brasil · ge