Pesquisa Quaest revela cristalização de campos na corrida presidencial
A pesquisa Quaest, registrada no TSE, aponta para a solidificação das bases de apoio na disputa eleitoral.
Análise · Beatriz Fonseca
A pesquisa Quaest, publicada na quarta-feira (2) e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07065/2026, oferece uma fotografia do cenário eleitoral que merece uma leitura atenta. Com Lula (PT) em 37% e Flávio Bolsonaro (PL) em 30% no cenário que inclui Pablo Marçal, e Augusto Cury (Avante) alcançando 10%, observa-se uma dinâmica de estabilização nas posições de liderança e um avanço significativo na chamada terceira via.
O dado principal da Quaest é a manutenção dos patamares dos dois principais candidatos. Lula oscila de 38% para 37% e Flávio Bolsonaro, de 31% para 30%, em comparação com o levantamento anterior, de 14 de agosto. Essa pequena variação, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, sugere que as candidaturas de maior visibilidade já solidificaram uma base de apoio considerável. O eleitorado, ao que tudo indica, parece ter suas preferências de campo político já delineadas, tornando mais complexo para os líderes angariar novos eleitores que não estejam em sua órbita.
No entanto, a ascensão de Augusto Cury (Avante) para 10% é um ponto de inflexão. O escritor, que na pesquisa anterior da Quaest tinha 2%, demonstra um crescimento notável, reforçando a tendência observada em outros levantamentos, como a pesquisa BTG/Nexus, onde chegou a 11%. Esse movimento pode indicar que uma parcela do eleitorado, embora não alinhada aos polos principais, está em busca de alternativas e começa a identificá-las. A campanha de Cury tem sido objeto de atenção, inclusive com discussões sobre o crescimento de sua base nas redes sociais e o impacto de influenciadores, algo que o marqueteiro da campanha negou à Folha de S.Paulo.
A pesquisa espontânea, onde os nomes dos candidatos não são apresentados, também reforça essa leitura: Lula aparece com 28%, Flávio Bolsonaro com 20%, e Augusto Cury com 4%. Os altos 42% de indecisos neste cenário sublinham que, apesar da cristalização dos líderes, há um espaço expressivo de eleitores ainda não engajados ou que não associam automaticamente um nome a um cargo. É nesse vácuo que as campanhas, especialmente as da chamada terceira via, buscam atuar.
A presença de Pablo Marçal (PRTB), mesmo inelegível e com sua candidatura ainda pendente de decisão do Tribunal Superior Eleitoral, marca 1% e, ainda que pequena, pode ter alguma influência nos cenários calculados. As questões jurídicas em torno de sua participação, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo, adicionam uma camada de incerteza que pode turvar a clareza do quadro eleitoral. Mesmo sem acesso a recursos do fundo eleitoral ou espaço no horário de rádio e TV, sua mera inclusão no questionário altera o cenário para Flávio Bolsonaro, que sobe de 29% para 30% quando Marçal é apresentado aos entrevistados.
Este panorama, embora detalhado pela Quaest, é uma leitura de um momento específico da campanha. A proximidade entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 42% e 41% respectivamente, aponta para uma eleição apertada, onde cada ponto percentual será disputado. A trajetória de Cury, e a capacidade de outros candidatos como Renan Santos (3%), Ronaldo Caiado (1%) e Romeu Zema (1%) de ampliar seus apoios, será fundamental para entender se os campos atuais se manterão tão rígidos, ou se a dinâmica do eleitorado, ao longo da campanha, ainda poderá reconfigurar as forças em disputa. Quais outras variáveis poderão emergir para modificar a composição atual?
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Quaest: Lula tem 37%, Flávio Bolsonaro 30% e Cury chega a 10%
Fontes: g1 · Folha de S.Paulo · UOL