Lesão de Raphinha expõe fragilidade do Brasil nas laterais
Aos 38 minutos do primeiro tempo, Raphinha agachou no gramado com dores na coxa. A lesão do jogador evidencia vulnerabilidade estrutural da seleção brasileira.
Análise · Marcos Tibúrcio
Raphinha agachou no gramado aos 38 minutos do primeiro tempo, as mãos nos joelhos, e o gesto disse mais do que qualquer boletim médico poderia. Não era câimbra. Não era susto. Era a coxa — e, com ela, uma pergunta que a seleção brasileira preferia não fazer tão cedo numa Copa do Mundo.
O atacante já chegou à partida contra o Haiti fragilizado. Havia sido poupado dos treinamentos durante a semana por causa de bolhas nos pés — problema menor na aparência, mas sintoma de um corpo que chegou ao torneio exigido. O que se viu em campo foi a sequência lógica dessa história: um atleta tentando render o que o cargo exige sem o respaldo físico que o cargo exige. Aos 39 minutos, a tentativa chegou ao fim.
Raphinha não é um nome na escalação. É o ponto de desequilíbrio do time, o homem que carrega a bola quando ela precisa ser carregada, que aparece na meia-sombra entre a organização tática e o improviso necessário. Tirá-lo de campo no primeiro tempo de uma Copa do Mundo — mesmo contra o Haiti, mesmo num jogo que o Brasil controla — tem um peso que não cabe em nota de assessoria.
O problema nunca é o jogo que está sendo jogado. É o próximo. E o que vem depois do próximo.
A seleção ainda não chegou na fase em que cada partida custa sangue. Chegará. E é exatamente por isso que a imagem de Raphinha saindo de campo numa sexta-feira de junho, contra uma equipe caribenha sem tradição no torneio, produz uma inquietação que não tem nada de dramático — tem de real. Numa Copa, o corpo não perdoa calendário.
O que se sabe é pouco, e pouco é o que existe por ora: dor na coxa, substituição precoce, semana de poupança que não foi suficiente. O que se pode interpretar é que a comissão técnica brasileira entra agora num cálculo que toda comissão técnica teme — o de quanto se arrisca com quem é insubstituível. Poupar demais e o jogador chega frio. Usar demais e o jogador não chega.
Há uma crueldade específica no futebol de Copa: ela não espera. O grupo não dá trégua, o mata-mata não negocia. Raphinha agachou no gramado e, naquele instante, o Brasil teve que se perguntar em silêncio quanto tempo tem antes de a pergunta ficar mais difícil de responder.
Marcos Tibúrcio
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Raphinha deixa campo com dor na coxa e é substituído na Seleção
Fontes: CNN Brasil · ge