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Copa revela verdadeiras candidatas ao título

Na Copa do Mundo há um momento em que o torneio deixa de ser promessa e se torna realidade.

Copa revela verdadeiras candidatas ao título

Análise · Marcos Tibúrcio

Há um momento numa Copa do Mundo em que o torneio para de ser promessa e começa a ser fato. Não é na abertura, com as bandeiras e os hinos. É na segunda rodada, quando o medo substitui a euforia e as equipes entram em campo sabendo exatamente o que está em jogo. Esta sexta-feira, com três jogos na grade, é esse momento para seis seleções muito diferentes entre si — e todas, à sua maneira, sob pressão.

O jogo mais carregado de história é o de Boston, às 19h. Escócia e Marrocos já se encontraram numa Copa — na França, em 1998, num grupo que tinha o Brasil. A referência não é nostálgica: é estrutural. Marrocos chegou a 2026 carregando o peso de ter sido a revelação de 2022, quando chegou à semifinal e acordou o continente africano para uma possibilidade que parecia distante. A Escócia, por sua vez, carrega outro peso — o da ausência histórica. Voltar à Copa e perder na primeira rodada seria confirmar um roteiro que os escoceses conhecem de cor e prefeririam não repetir. Quando dois times chegam a um jogo com urgências tão distintas, o campo costuma produzir drama antes mesmo do apito inicial.

Em Seattle, às 16h, os Estados Unidos recebem a Austrália num jogo que, no papel, é de seleção grande contra seleção competente. Mas o papel, em Copa, vale pouco. Os americanos estrearam com uma goleada sobre o Paraguai — 4 a 1 — e agora entram como anfitriões com resultado na bagagem, o que é uma combinação perigosa: traz confiança, mas também traz a tentação de achar que a conta já foi paga. A Austrália, por sua vez, tem uma geração que aprendeu com 2022 o que é jogar Copa sem se intimidar. O jogo de Seattle pode ser mais disputado do que o placar da estreia americana faz crer.

Já o Paraguai, que volta a campo na madrugada de sexta para sábado contra a Turquia, em Santa Clara, enfrenta um tipo específico de adversidade: a de quem precisa vencer sem ter vencido ainda e sem poder fingir que tem tempo sobrando.

A Turquia é uma seleção de histórico irregular em Copas — brilhou em 2002, sumiu por décadas, voltou. Tem identidade, tem jogadores de nível europeu, e agora tem também a vantagem de encarar um adversário que já estreou em desvantagem. Para o Paraguai, o cenário exige algo que não se improvisa: uma reação coletiva num torneio em que as margens de erro praticamente não existem.

Três jogos, seis seleções, seis histórias que começaram há quatro anos ou há quarenta. A segunda rodada de uma Copa do Mundo é onde o torneio revela seu caráter. Não é mais ensaio. É o jogo que define se uma campanha vai ter final feliz ou vai se encerrar num vestiário silencioso, antes do tempo que qualquer um gostaria.

Marcos Tibúrcio — Chefia de Esporte, Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge