Legado do Brasil impulsiona Polônia na Euro
Legado do futebol brasileiro impulsiona a seleção da Polônia, impactando o desempenho da equipe na Euro.
Análise · Marcos Tibúrcio
Onze títulos sul-americanos não entram em campo. Entram onze moças, talvez dezoito anos, talvez um pouco mais, e um fantasma. O Brasil estreia neste sábado na Copa do Mundo Sub-20, na Polônia, contra a Tanzânia. Uma estreia que, na tabela, parece apenas o primeiro degrau. Na alma, é o velho acerto de contas com uma glória que nunca veio.
O palco é o estádio Bielsko-Biala, um nome que a língua brasileira custa a pronunciar. A adversária, a Tanzânia, chega com a euforia de quem nunca esteve aqui. Uma seleção que fez história apenas por conseguir o bilhete de avião, depois de derrubar Camarões. Para elas, tudo é lucro. Para o Brasil, tudo é dívida.
A técnica Camilla Orlando deve mandar a campo a mesma formação que venceu Portugal num amistoso: Thaís Lima no gol; uma linha de três com Thay, Ana Bia e Sofia; um meio povoado por Emilly, Clarinha, Vitorinha e Dudinha; e na frente, o trio Canali, Carioca e Brendha. Nomes, não números. Meninas que carregam nos ombros duas campanhas de quase, dois terceiros lugares em 2006 e 2022 que serviram apenas para lembrar o tamanho do abismo entre ser o melhor do continente e ser o melhor do mundo.
A conquista continental em fevereiro, a décima primeira, vira um peso, não um impulso. É a prova de uma hegemonia que se apequena quando cruza o oceano. A Seleção, no papel e na história recente, é superior. Sabe disso. A Tanzânia sabe disso. O problema é que o futebol, esse drama encenado em grama, despreza roteiros óbvios. A obrigação da vitória é uma paralisia sutil.
Pode ser, e um leitor honesto diria, que esta análise envelheça mal em noventa minutos. Que a vitória venha, fácil, e que tudo isto não passe de um temor antigo, um fantasma de gerações passadas. Mas a história não se apaga com um aquecimento. O peso da camisa amarela não é o de suas glórias passadas, mas o de suas promessas não cumpridas nesta categoria.
A estreia é sempre uma folha em branco. Para a Tanzânia, uma página de conto de fadas. Para o Brasil, uma página de livro de atas. Resta saber se estas meninas, em uma tarde polonesa, conseguirão jogar bola em vez de carregar um piano.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge