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Menino de Assú veste camisa amarela e realiza sonho

A paixão pelo futebol conecta Assú, no Rio Grande do Norte, ao sonho de um menino em vestir a camisa da Seleção.

Menino de Assú veste camisa amarela e realiza sonho
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há um mapa do Brasil que só a bola desenha. Nele, Assú, no Rio Grande do Norte, de repente se torna centro do mundo. Acontece quando um garoto de 17 anos, que deixou a cidade aos 11, atende a uma chamada telefônica e ouve do outro lado a palavra que justifica cada sacrifício: Seleção. O nome dele é Lucas Emanuel. Atacante do Botafogo.

A convocação para a equipe sub-17 não é apenas um carimbo no passaporte de um atleta promissor. É o clímax provisório de um roteiro que se repete há décadas no nosso futebol, mas que nunca perde a força dramática. A viagem para a Suíça, para um torneio preparatório, é menos sobre geografia e mais sobre a distância percorrida por um menino desde que decidiu que a vida seria um campo de futebol. Passou pela Paraíba, pelo Grêmio, pelo Athletico. Chegou ao Botafogo.

O clube de General Severiano, ele mesmo um palco de dramas e ressurreições, entregou-lhe a camisa profissional. Em julho, Lucas Emanuel entrou em campo contra o Santos e fez o que um atacante deve fazer: um gol. Não foi apenas um gol. Foi um marco no calendário. O primeiro de um jogador nascido em 2009 a estufar a rede no campeonato dos marmanjos.

A vertigem do tempo

A velocidade com que tudo acontece no futebol moderno é uma armadilha. Em meses, um adolescente é atirado do alojamento da base para os holofotes de um jogo televisionado, e de lá para o vestiário da Seleção. Lucas Emanuel fala em viver “passo a passo”, em conselhos de atletas mais velhos, na ajuda dos profissionais do clube. É o discurso correto, o manual de quem sabe que a queda pode ser tão rápida quanto a subida.

Mas a arquibancada, que não opera por manuais, vê outra coisa. Vê a centelha. Vê a promessa que pode, ou não, se cumprir — e esta incerteza é parte essencial do encanto. Por ora, não importa a Copa do Mundo da categoria ou o valor de uma futura transferência. O que importa é o instante: o menino de Assú, com o escudo do Botafogo ao peito e a camisa amarela à sua espera.

A história dele já é uma vitória contra o improvável. O que virá depois, o tempo e o campo dirão. Mas a bola já escolheu o seu personagem. O resto é esperar o apito inicial.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Lucas Emanuel, do Botafogo, é convocado para a Seleção sub-17

Fonte: ge