A camisa amarela em quadra vale R$
Análise · Marcos Tibúrcio Cinquenta reais. Este é o preço de partida para sentar numa cadeira do Nilson Nelson e ver a Seleção Brasileira.
Análise · Marcos Tibúrcio
Cinquenta reais. Este é o preço de partida para sentar numa cadeira do Nilson Nelson e ver a Seleção Brasileira. Não a do futebol, não a que veste a camisa mais pesada do planeta. A do basquete. A que tentará, contra a República Dominicana, um lugar no Mundial de 2027. Uma tarde de agosto em Brasília, contra um adversário que, para a maioria dos que estarão ali, é apenas um nome no mapa.
O futebol nos acostumou a uma liturgia diferente. A um drama particular. A camisa amarela, quando entra em campo, arrasta consigo a memória de Pelé, a tragédia de 50, o gênio torto de Garrincha. Ela não joga sozinha. Joga com seus fantasmas e suas glórias. Cada passe é medido contra a régua de Gerson; cada drible, contra o espectro de Ronaldinho. O preço do ingresso, seja qual for, compra um lugar nessa história.
E o basquete?
O basquete nos deu Oscar. Deu Hortência. Homens e mulheres que, em quadras distantes, ensinaram o mundo a respeitar o verde e o amarelo também com a bola nas mãos. Mas sua história com o grande público é outra. É uma história de lampejos, de momentos que furam a bolha do futebol, mas que raramente sustentam a atenção nacional. O ginásio, mesmo quando cheio, não tem a mesma voz da geral de um estádio.
A venda de ingressos para esta partida das Eliminatórias não é sobre o jogo. É sobre o símbolo. Sobre o que significa, ainda, vestir aquela camisa em qualquer esporte. O Brasil entra em quadra invicto na primeira fase, com 100% de aproveitamento. Números. Planilhas. O que o torcedor que paga cinquenta reais busca não é a estatística. Busca a fagulha. O instante em que um arremesso no último segundo faz o coração parar como um pênalti em final de Copa.
Brasília verá um time cumprir seu dever em busca de uma vaga entre as melhores seleções do mundo. É um caminho árduo, técnico, disputado ponto a ponto. Mas, para quem está na arquibancada, a pergunta é mais simples. Será que, por um instante que seja, aquela bola laranja vai nos fazer sentir o que sentimos quando a outra, a de couro, balança a rede?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge