Volante Marcos Tibúrcio analisa papel do camisa amarela no futebol
Marcos Tibúrcio explora a complexidade do volante no futebol brasileiro, destacando a importância tática e o sacrifício desse jogador.
Análise · Marcos Tibúrcio
O volante, no futebol brasileiro, é uma criatura de sacrifício. Trabalha no escuro para que o camisa dez possa acender a luz. Martinelli, do Fluminense, entende do ofício. Aos 24 anos, com mais batalhas de Libertadores nas pernas do que qualquer companheiro de Laranjeiras, ele falou do sonho de vestir a camisa da Seleção. Falou baixo, como quem pede licença. Disse que a hora é a “hora de Deus”.
O futebol, porém, costuma ter desígnios mais terrenos. A comissão técnica que montou o último elenco para uma Copa do Mundo olhou para Martinelli, observou seu futebol de ordem e entrega, e concluiu que o mapa da mina estava em outro lugar. O recado, à época, foi claro: buscava-se o volante que pisa na área, que fura a defesa adversária, que comparece na súmula com um gol. Danilo Santos, do Botafogo, encaixou-se no molde e viajou para o Mundial. Martinelli ficou no Rio, correndo por dois no meio-campo tricolor.
O tempo do homem
O que mudou de lá para cá não foi o futebol do jogador, mas o calendário. A Copa passou, um ciclo se fechou e outro se anuncia com a primeira convocação de Carlo Ancelotti para os amistosos de setembro. É a chamada “renovação”, palavra que em Brasília promete o futuro e no futebol costuma esquecer o passado recente. Novas caras são esperadas, e o nome do rapaz de Xerém volta a ser cochichado nos corredores da CBF.
A fala de Martinelli, entre a esperança e a cautela, revela o drama do jogador que depende não apenas do que faz, mas do que o treinador procura. Sua qualidade é a da constância, da disciplina tática que permite a um time como o Fluminense funcionar. Ele não é o brilho súbito; é a engrenagem confiável. O problema é que a camisa da Seleção, muitas vezes, é seduzida pelo extraordinário, pelo lance que vira manchete, e não pelo trabalho silencioso que vence campeonatos. É uma leitura, claro, e talvez a comissão de Ancelotti pense diferente. O tempo do relógio nem sempre é o tempo do homem.
O jogador do Fluminense entregou a questão ao divino. Mas a lista que sai nesta quarta-feira será obra de homens, com suas preferências, suas planilhas e suas idiossincrasias. A arquibancada, essa, já sabe há tempos o valor de um bom volante. Resta saber se o técnico da Seleção também sabe.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge