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A cadeira vazia e a cadeira ocupada

Análise · Luciano Aragão José Roberto Arruda (PSD) prometeu quatro hospitais e quatro novas linhas de Metrô.

A cadeira vazia e a cadeira ocupada
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Luciano Aragão

José Roberto Arruda (PSD) prometeu quatro hospitais e quatro novas linhas de Metrô. Kiko Caputo (Novo) falou em devolver a tranquilidade para circular sem medo de “um morador de rua”. Paula Belmonte (PSDB) quis fortalecer “princípios e valores”. Em Brasília, seis pré-candidatos ao governo do Distrito Federal compareceram ao primeiro debate do ciclo eleitoral. Todos sentaram na bancada e responderam às perguntas. É o que se espera de quem disputa um cargo.

No mesmo domingo, a 1.300 quilômetros de distância, o senador Sergio Moro (PL) optou por outra tática. Líder nas pesquisas para o governo do Paraná, decidiu que o debate promovido pela mesma emissora era uma “rinha de galo”. Sua cadeira ficou vazia. A justificativa, distribuída em suas redes, foi a de que não participaria de um “jogo combinado” para atacá-lo, fruto de um suposto acordo entre PT e PSD. É uma linha de raciocínio.

O cálculo do risco

O ritual do debate televisivo obedece a uma liturgia antiga. O candidato que lidera as sondagens costuma ter pouco a ganhar e muito a perder. A exposição multiplica o risco de um deslize, enquanto os adversários, com menos a zelar, concentram o fogo em um único alvo. Moro, que segundo a pesquisa Quaest tem 39% das intenções de voto contra 18% do segundo colocado, fez a conta. Concluiu que a ausência custaria menos que a presença.

Em Brasília, o cenário é outro. O jogo está aberto, e a ausência é um luxo que ninguém pode se permitir. A governadora Celina Leão (PP) usou seu tempo para defender a gestão do BRB, o banco público local, acusando adversários de torcerem pela quebra da instituição. Era uma resposta direta a Arruda, que minutos antes prometera “salvar o BRB”. O confronto é a matéria-prima da campanha no seu estágio inicial. É onde se medem os reflexos de cada um.

Ao se recusar a participar, Moro aposta que sua imagem de ex-juiz que enfrentou “a corrupção e o crime organizado” o isenta das formalidades da política tradicional. É uma aposta na própria biografia como escudo. Enquanto isso, no Distrito Federal, candidatos com passados complexos e futuros incertos não tiveram escolha senão encarar as câmeras.

A cadeira de Moro ficou vazia no Paraná. No estúdio da capital federal, todas estavam ocupadas. Qual das duas estratégias o eleitor vai premiar em 2026?

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Seis pré-candidatos participam de debate para governo do DF na Band

Fontes: g1 · CNN Brasil