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A Arena, a estatística e o abismo

Análise · Marcos Tibúrcio Há números no futebol que parecem pertencer a outro esporte, a outra vida.

A Arena, a estatística e o abismo
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há números no futebol que parecem pertencer a outro esporte, a outra vida. Em dez anos, desde 2016, o São Paulo viajou a Porto Alegre para enfrentar o Grêmio dez vezes. Voltou para casa derrotado em nove. Viu o rival marcar 18 gols e só conseguiu balançar a rede cinco vezes. Em metade destas tardes ou noites, a bola paulista sequer cruzou a linha fatal. A estatística é mais que um retrospecto. É um veredito.

Neste sábado, porém, o futebol, com seu deboche habitual, arrasta o Grêmio para o campo com o peso de uma realidade que número algum consegue maquiar. O time é o 17º colocado no campeonato. Não sabe o que é vencer pela liga desde maio, antes que o mundo parasse para a Copa. A mesma Arena que se acostumou a ser um cadafalso para os tricolores de São Paulo hoje é um divã para os de Porto Alegre, onde cada passe errado ecoa como uma confissão de fracasso.

O que vale mais às quatro da tarde de um sábado? A memória de vitórias recentes, como os 2 a 0 do ano passado com dois gols do centroavante Carlos Vinícius, ou o medo palpável do abismo que se abre a cada rodada? A arquibancada sabe a resposta. A confiança que nasce do histórico é uma chama frágil, que o primeiro erro pode apagar com um sopro de desespero.

Luís Castro, o técnico, vive a calmaria precária de quem sobreviveu a um mata-mata contra o Mirassol. Um alívio que dura até o apito inicial. Uma vitória pode tirar seu time da zona da desgraça. Uma derrota pode empurrá-lo para a vice-lanterna, um lugar onde a aritmética da salvação começa a parecer milagre. O São Paulo, por sua vez, não enfrenta apenas onze homens de azul, preto e branco. Enfrenta uma década de fantasmas, um gramado onde suas ambições costumam morrer.

O jogo, portanto, não é sobre tática ou preparo físico. É sobre qual força se imporá: o peso da história ou o peso do presente? Qual espectro assombrará mais forte: o do rebaixamento para os da casa ou o da freguesia para os visitantes?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge

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