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Brasil enfrenta pressão em estreia da Copa América

Seleção brasileira disputa primeiro jogo da competição com estádio lotado. Análise de Marcos Tibúrcio.

Brasil enfrenta pressão em estreia da Copa América

Análise · Marcos Tibúrcio

A Filadélfia vai lotar. Sexta-feira, 19 de junho, 68.324 ingressos vendidos, nenhum sobrando. O número é bonito, o cenário é grandioso, e talvez seja exatamente por isso que vale parar e olhar para o que está por baixo da superfície desse estádio cheio.

Brasil e Haiti não é um confronto de forças equivalentes. Nunca foi, não será agora. O Haiti chegou a esta Copa carregando o peso específico de quem venceu uma classificação contra probabilidades que não estavam escritas em nenhum manual — e isso, por si só, já é uma história digna de arquibancada. Mas o Brasil chega como Brasil sempre chega: com a expectativa de um país inteiro pendurada nas costas dos onze que entram em campo.

O que os 68.324 lugares esgotados dizem, antes de qualquer chute, é algo sobre a diáspora. A Filadélfia tem uma das maiores comunidades haitianas dos Estados Unidos e uma das mais antigas colônias brasileiras do Nordeste americano. Esses dois mundos vão se sentar lado a lado nas arquibancadas, e o barulho que vão fazer não será só torcida — será identidade, será saudade, será a Copa cumprindo sua função mais antiga, que é a de reunir num estádio gente que se perdeu pelo mundo.

Mas o Brasil tem uma conta a prestar que vai além da partida em si. A seleção chegou a esta Copa com um discurso de renovação, de jogo mais vertical, de um coletivo que finalmente subordina o talento individual a alguma ideia de conjunto. Contra o Haiti, será tentador apenas vencer e seguir. O problema é que vencer bem, vencer com argumento, vencer de um jeito que diga alguma coisa sobre o que esta equipe quer ser — isso não aparece no placar final, mas fica na memória de quem estava lá.

Grandes seleções não apenas vencem os jogos que deveriam vencer. Elas os vencem de um jeito que faz o adversário sair de cabeça erguida e o torcedor sair querendo mais.

O Haiti vai defender. Vai defender com disciplina e com a consciência de quem sabe que o erro custa mais caro para o menor. Vai tentar, em algum momento, uma transição rápida, um segundo de distração da defesa brasileira, aquela fagulha que transforma um jogo desequilibrado numa tarde de caos. Acontece. Em Copa do Mundo, acontece mais do que os técnicos gostariam de admitir.

O que a Filadélfia vai julgar na sexta-feira não é se o Brasil passa de fase — isso, ao menos nos cálculos mais frios, já parece encaminhado. O que se julga é a qualidade do argumento. Como esta seleção resolve um jogo difícil de resolver não por talento do adversário, mas pela armadilha da facilidade aparente. Essa é a prova mais traiçoeira que existe no futebol: a partida que parece ganha antes de começar.

68.324 pessoas vão estar lá para ver o Brasil passar por ela.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil enfrenta Haiti com ingressos esgotados na Filadélfia

Fontes: g1 · CNN Brasil