Tinha uma chuva fina saindo da Tijuca quando eu era moleque e minha avó ligava a televisão às seis da manhã. Não pra ver notícia — pra ver novela repetida, o que for. Ela dizia que gostava da companhia dos atores, que eles eram gente de verdade mesmo quando estavam fingindo. Eu acho que ela estava certa. Atriz boa de verdade não finge: ela habita. E ontem o Brasil perdeu duas que habitaram a televisão por décadas inteiras — Laura Cardoso e Glória Menezes. Em dias seguidos. Agosto sabe ser pesado quando quer.
A gente abre a edição de hoje com o perfil duplo delas nesta seção de Vidas. Não como obituário de gritaria, não como manchete rasgando camisa. Como reconhecimento. São duas biografias longas, distintas, construídas cada uma no seu tempo e no seu jeito — Laura com seus 98 anos e mais de sessenta novelas, Glória com seus 91 e quase seis décadas de tela ao lado de Tarcísio Meira. Duas histórias separadas que o calendário fez coincidir, e que esta edição trata com o cuidado que merecem.
19 de agosto de 2026 é quarta-feira. O meio da semana tem esse peso específico — nem a força bruta da segunda, nem o alívio antecipado da quinta. Quarta é o dia em que o trabalho cobra o que você prometeu no começo da semana e ainda não entregou. É o dia que respeita quem respeita o dia. E você está aqui, de pé, com a edição na mão antes de boa parte da cidade abrir o olho. Isso diz mais sobre você do que qualquer horóscopo.
Além do perfil duplo, a edição de hoje traz o giro do noticiário, o que se mexeu na economia e o que o esporte está dizendo. Nada de manchete inflada que murcha antes do almoço. O trato é o mesmo de sempre: informação no ponto, linguagem que respeita quem lê em pé no metrô ou sentado na soleira esperando o ônibus. A Banca não grita porque quem grita cedo demais acorda o vizinho — e o vizinho não merece isso.
Minha avó desligava a televisão quando acabava a novela, tomava o café e ia trabalhar sem fazer cerimônia. Ela dizia que chorar é bom mas não pode ser o dia inteiro. Hoje a gente chora um pouco — pela Laura, pela Glória, pelo tanto que elas habitaram a nossa sala. Depois a gente dobra o jornal, coloca na bolsa e vai. Agosto pesado também passa. E o dia é seu. Vai nele.
Na segunda passada entrou aqui um homem de uns cinquenta e poucos anos, terno meio amassado, gravata afrouxada, que pediu uma água e ficou olhando pra garrafinha como se ela tivesse feito alguma coisa de errado. Eu fui limpando o balcão e esperando. Quando a pessoa fica olhando pra água com raiva, ela não precisa de conselho — ela precisa de espaço pra chegar no assunto. Ele chegou: disse que tinha levado a culpa por um erro que não foi dele, na frente do time inteiro, e sorriu enquanto o chefe falava. Sorriu. Perguntei se ele tinha querido sorrir. Ele me olhou como se a pergunta fosse complicada demais. E era.
Esse sorriso no lugar errado tem nome no balcão: é a raiva que virou postura. A pessoa aprende desde cedo que raiva ocupa espaço demais, incomoda, desorganiza — então ela vai guardando, vai dobrando, vai colocando numa gaveta que com o tempo não fecha mais direito. O homem do terno sabia disso sem saber que sabia. Disse que estava bem, que fazia parte, que era o jogo. Três explicações seguidas sempre me avisam que a pessoa está convencendo a si mesma, não a mim.
Eu já engoli raiva do tamanho de pedra. Lembro de uma época no serviço de portaria, quando o síndico corrigia o jeito que eu pronunciava os nomes dos moradores na frente de todo mundo. Toda vez eu abaixava a cabeça e concordava. Ia pra casa e ficava com aquilo rodopiando, sem destino. Édipo subia no meu colo e eu ficava quieto, com a mão no pelo dele e a raiva dentro de mim funcionando feito motor ligado sem engatar marcha. Motor ligado sem sair do lugar gasta combustível e esquenta o que não devia esquentar. Levei um tempo pra entender que engolir não é o mesmo que digerir. Engolir é só mudança de endereço.
O que acontece quando a raiva mora dentro por tempo demais é que ela começa a aparecer em outros lugares. Vira impaciência com o filho que não tem culpa. Vira rispidez num balcão que não é o seu. Vira aquela dor de cabeça toda tarde que o médico não consegue explicar mas que você, no fundo, já explicou e não quer confirmar. O corpo não é bobo — ele registra o que a cabeça recusa arquivar. Fisiologia de botequim, pode anotar.
O homem do terno bebeu a água toda, pediu outra, e no meio da segunda foi falando devagar o que tinha ficado preso. Não gritou. Não precisou. Só foi colocando pra fora com cuidado, como quem organiza gaveta que estava travada. Quando ele terminou disse que se sentia ridículo por ter deixado aquilo ocupar tanto espaço. Eu disse que o ridículo não é sentir raiva — o ridículo seria continuar sorrindo sem parar pra entender por quê. Ele ficou um instante em silêncio, pagou a conta, deu uma gorjeta maior que o necessário e saiu com o terno menos amassado. Ou pelo menos assim me pareceu. O balcão não endireita terno, mas às vezes muda o jeito que a pessoa carrega o peso dentro dele.
A Dra. Beatriz Setubal, que supervisiona esta coluna, deixa a pergunta enquanto a água ainda está na mesa: quando você engoliu a última raiva que merecia ser dita em voz alta, estava protegendo alguém de verdade — ou estava protegendo a imagem de alguém que não fica com raiva?
A garganta é o termômetro do mês: agosto concentra variações bruscas de temperatura entre manhã e tarde — dez graus de diferença num único dia não são incomuns no Sudeste. A mucosa da garganta resseca antes de qualquer outro sintoma aparecer. Inalar vapor (água quente numa tigela, rosto a distância segura, toalha por cima) por cinco a dez minutos alivia a irritação sem remédio. Mel com limão em água morna tem efeito calmante reconhecido para o desconforto leve — não cura infecção bacteriana, mas conforta enquanto você avalia se precisa de médico.
O sono ficou mais curto que o frio: acordar antes das cinco, como muita gente que lê este jornal faz todos os dias, exige que o corpo entre no sono profundo cedo. O problema é que a claridade ainda aparece mais tarde no inverno — o horário biológico fica em conflito. Escurecer bem o quarto, evitar tela no último quarto de hora antes de deitar e manter o horário de acordar fixo nos fins de semana são ajustes simples que recalibram o relógio interno. Sonolência crônica que persiste mesmo com sete horas de sono merece avaliação médica: pode ser apneia, que o SUS investiga nas UBSs de referência em sono.
Criança com tosse noturna em agosto: a combinação de ar seco, poeira suspensa e ambientes fechados é o gatilho clássico para crises em crianças com tendência alérgica ou asmática. Deixar uma toalha úmida perto da cama (não molhada — levemente úmida) ajuda a elevar a umidade do ar do quarto. Se a criança apresentar chiado no peito, dificuldade de respirar ou lábio arroxeado, ligue 192 imediatamente: são sinais de broncoespasmo.
Você tem direito à informação em tempo real: todas as capitais com sistema integrado de transporte são obrigadas a disponibilizar informações sobre horário e itinerário nos pontos e nos aplicativos oficiais. Se o serviço falhou — veículo não passou no horário previsto por mais de trinta minutos sem aviso — guarde o horário, o número da linha e o ponto de embarque: esses três dados formam a base de qualquer reclamação.
Como registrar a falha: ligue pro 156 (Prefeitura) ou acesse o portal de ouvidoria da concessionária responsável pela linha. Anote o número de protocolo — ele é sua prova de que a reclamação existe. Cidades com consórcios de transporte têm prazo regulamentado para resposta, em geral entre cinco e quinze dias úteis. Se a resposta não vier ou for insatisfatória, o passo seguinte é o Procon do seu estado, cujo atendimento é gratuito e pode ser feito online ou presencialmente.
Transporte acessível: pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida tem direito a embarque prioritário e ao espaço reservado no veículo — é lei federal. Se o motorista negar o acesso ou o equipamento de acessibilidade (rampa, elevador) estiver com defeito, o relato vai direto pro 100 (Direitos Humanos), além do 156. Documentar com foto ou vídeo, se possível, fortalece o caso.
Negociação direta é gratuita: o serviço Consumidor.gov.br — plataforma oficial do governo federal — permite que você abra uma reclamação diretamente com a empresa credora, sem custo e sem precisar de despachante ou escritório. Empresas cadastradas têm prazo para responder, e a taxa de resolução é expressiva: o próprio histórico da plataforma mostra acordos fechados em mais de seis de cada dez casos registrados.
Antes de assinar qualquer acordo: peça o extrato detalhado da dívida. Você tem direito de saber o valor original, os juros aplicados e a data do vencimento. Juros acima do que foi contratado ou cobranças por serviços que você não contratou podem ser contestados — e isso reduz o valor final antes mesmo de qualquer negociação. O Procon do seu estado oferece orientação gratuita pra fazer essa conta.
O Desenrola não acabou, mas mudou de forma: mesmo fora de campanhas específicas, os bancos públicos e as financeiras são obrigados a oferecer condições especiais de renegociação para dívidas de menor valor — especialmente para quem está inscrito no CadÚnico. Compareça a uma agência da Caixa ou do Banco do Brasil com RG, CPF e comprovante de renda: a consulta é gratuita e não compromete nada antes de você assinar.
Há um tipo de briga que o rádio de pilha do meu avô, lá em Diamantina, nunca transmitia: a briga de presidente de clube. O locutor narrava gol, falta, expulsão, pênalti — o que acontecia dentro do retângulo. O que acontecia no escritório do dirigente era assunto de jornal de segunda, lido com o café já frio. Hoje o escritório ficou menor e o microfone ficou maior, e o que era rumor de bastidor virou manchete antes do apito final.
Nesta terça-feira (19), Pedrinho, presidente do Vasco da Gama, concedeu entrevista e classificou Bap, presidente do Flamengo, com uma sequência de adjetivos que não deixa dúvida sobre o tom: "mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita". Disse ainda que o dirigente rubro-negro persegue a instituição cruz-maltina. A CNN Brasil e o ge confirmaram as declarações com aspas diretas — não há margem para dúvida sobre o que foi dito e por quem.
O que está em jogo não é só o estilo de cada dirigente. Vasco e Flamengo dividem o mesmo Estado, o mesmo campeonato, e — com frequência — o mesmo VAR, o mesmo árbitro, o mesmo calendário apertado. Quando dois presidentes do Rio chegam a esse nível de hostilidade pública, a tendência é que a disputa dentro de campo ganhe um peso extra que os jogadores não pediram. O lateral que toca mal numa dividida vira prova de uma conspiração; o impedimento duvidoso vira argumento de mesa de reunião. O futebol paga a conta da política do futebol — sempre foi assim, e o torcedor sabe disso melhor do que qualquer cartola.
Bap, por sua vez, não havia se manifestado até o fechamento desta edição. A Banca aguarda e publica assim que houver resposta com fonte verificável. Por enquanto, o campo está com Pedrinho — no sentido literal: ele falou, o outro ainda não. No futebol, quem está calado não necessariamente está errado; mas quem está calado também não está ganhando o microfone.
Fora do eixo Rio-São Paulo, vale o registro: o país tem outros 24 estados com clubes, torcidas e paixões tão intensas quanto as do Maracanã. O noticiário esportivo desta quarta amanheceu dominado pela briga de cúpula — compreensível, dado o tamanho dos clubes envolvidos. Mas o avô em Diamantina me ensinou que futebol de verdade começa numa pelada de bairro e só depois, com muita sorte e muito suor, chega ao presidente de clube. A disputa de hoje é da cúpula para baixo. A torcida é de baixo para cima. As duas existem, e só uma delas compra ingresso.
O que aconteceu: Pedrinho (Vasco) chamou Bap (Flamengo) de "mau-caráter e hipócrita" em entrevista publicada nesta terça (19/08). Fontes: CNN Brasil e ge, com aspas confirmadas. Próximo passo: aguarda-se resposta oficial do Flamengo. O que a Banca faz: publica a resposta assim que houver fonte verificável — sem especulação, sem placar inventado. A bola, enquanto isso, está no ar.
O arroz-maluco é um dos poucos pratos que fica melhor com o que já tem em casa do que com o que você vai comprar agora. O arroz branco cozido do dia anterior absorve o tempero sem virar papa — de fato, arroz fresquinho pode deixar tudo grudado; o de ontem resolve. A linguiça calabresa, que é um dos embutidos mais acessíveis do açougue, dá gordura, cor e sabor fumado que temperam o prato inteiro sem precisar de mais nada. O frango desfiado pode vir de sobra de asinha, de coxinha da asa, de peito que ficou no caldo: qualquer corte serve. Ovos cozidos e ervilha completam sem custo que doa. A maionese entra só no final, pra dar cremosidade — mas quem não quiser pode pular sem remorso: o prato se sustenta sozinho. Oito porções bem servidas, custo baixo, louça pra lavar reduzida ao mínimo.
O calendário financeiro do mês não registra nenhum evento confirmado para hoje. Nenhum benefício com data de pagamento, nenhum reajuste de tarifa anunciado, nenhum sorteio de loteria com resultado disponível e verificado. Esta página sai, então, como serviço atemporal — e isso é mais útil do que parece.
Dias sem urgência são os melhores para fazer o que a urgência sempre adia. Organizar os boletos do mês numa ordem de prioridade. Abrir o extrato e riscar o que você não reconhece. Ligar para aquela operadora de telefone cuja fatura subiu sem aviso. Essas tarefas não têm data marcada — e é por isso que ficam para sempre no final da fila. Hoje elas chegaram à frente.
Quando o dinheiro aperta, a tentação é pagar o que grita mais alto. O cartão com juros altos parece urgente. A prestação do celular chega com ameaça de corte. Mas a hierarquia do orçamento doméstico tem uma lógica que resiste ao estresse: primeiro o que mantém você de pé.
Prioridade 1: alimentação. Parece óbvio, mas some do orçamento antes de qualquer dívida quando o mês aperta. Sem comida, nenhum plano funciona. Prioridade 2: moradia — aluguel atrasado vira despejo, que custa muito mais do que a multa contratual. Prioridade 3: energia elétrica. Luz cortada afeta geladeira, que afeta comida, que fecha o círculo da prioridade 1. Só depois dessas três é que a conversa com credor faz sentido.
Cartão de crédito não é prioridade — é dívida cara à espera de negociação. A multa por atraso no aluguel é alta; os juros do cartão rotativo são mais altos ainda. Mas você pode negociar parcelamento com a operadora do cartão sem perder o teto. Com o locador, a conversa é mais delicada — e precisa acontecer antes, não depois do vencimento.
Negociar dívida tem técnica, não tem vergonha. O credor prefere receber menos do que não receber nada — e você, no fundo, já sabe disso. O problema é que a maioria das pessoas entra na negociação sem saber o número mínimo que pode pagar. Antes de ligar, anote: quanto você consegue pagar por mês sem comprometer as três prioridades acima? Esse número é o seu piso real de proposta.
Passo a passo para uma negociação que funciona: (1) Levante o saldo devedor atualizado — peça por escrito, nunca confie só no que o atendente fala ao telefone. (2) Ofereça sempre um valor menor do que você pode pagar — há espaço para o credor contra-propor. (3) Peça desconto nos juros antes de negociar o principal. (4) Só feche acordo com contrato ou protocolo por escrito: promessa verbal não vale em disputa. (5) Anote nome do atendente, data e hora da ligação.
Uma ressalva que o entusiasmo esconde: renegociar uma dívida sem cortar o gasto que a gerou é adiar o problema. O acordo só resolve se vier acompanhado de uma mudança no fluxo do mês — por menor que seja. Um corte de R$ 50 num serviço que você mal usa já cobre a primeira parcela do acordo. Feito isso, a dívida começa a diminuir de verdade.
O manual clássico diz três a seis meses de gastos guardados. Para quem tem renda variável ou informal, esse número pode parecer astronômico — e tudo bem. O objetivo não é chegar lá de uma vez; é começar a existir.
Uma reserva de R$ 200 já é uma reserva. Ela não cobre seis meses de nada, mas cobre o pneu furado que, sem ela, viraria parcela no cartão com juros de 12% ao mês. O critério para guardar esse dinheiro é simples: precisa ser líquido (você acessa em até um dia), precisa estar separado da conta corrente que você usa no dia a dia, e não pode render menos que a poupança — que hoje já perde da inflação, mas é melhor do que a conta corrente que não rende nada.
O melhor lugar para guardar esse dinheiro enquanto ele é pequeno? A própria poupança — com toda a crítica que ela merece dos especialistas — tem uma vantagem prática: o banco não cobra tarifa sobre ela e o dinheiro fica separado. Quando a reserva crescer para mais de R$ 1.000, vale procurar um CDB de liquidez diária em banco digital, que costuma render mais sem custo. Mas esse é um problema bom de ter — e só aparece depois que a reserva começar a existir.
Tem um saber antigo que não precisa de autor assinado nem de data no rodapé. Ele passa de boca em boca porque é verdadeiro antes de ser bonito. O provérbio de hoje é desse tipo: a chuva que molha a semente não afoga a raiz. Parece simples. Não é.
Você acorda numa quarta-feira de agosto depois de dois dias pesados — pesados pra você, pesados pro país, pesados pra quem perdeu alguém, pesados pra quem ainda não sabe o que perdeu. A sensação é de muita água caindo de uma vez. E aí o provérbio pergunta, quietinho: você é semente ou já é raiz? Porque a resposta muda tudo no que a chuva significa pra você.
Quem reza no catolicismo conhece esse recado como graça que prova — a dificuldade que fortalece em vez de destruir. Quem segue o candomblé ou a umbanda reconhece no axé que resiste à tempestade, no orixá que governa as águas sem se afogar nelas. Quem medita reconhece como a impermanência que não arranca o que já fincou fundo. E quem não tem fé declarada nenhuma também sabe: há dias em que você leva pancada e, contra tudo o que parecia, segura.
O ponto não é negar a chuva. Negar seria paternalismo, e você não precisa disso antes do café. O ponto é reconhecer que crescer implica molhar. Que absorver dor sem virar a dor é a façanha mais discreta que existe — e que acontece toda manhã, nos ônibus, nas feiras, nas casas onde ninguém bate palma.
Então hoje, se a semana já chegou pesada: não é sinal de que você está fraco. É sinal de que você ainda está crescendo, o que é bem diferente. Se uma notícia doeu mais do que você esperava: deixe doer o quanto precisa — raiz não cresce se a chuva escorrega pela superfície sem entrar. Se alguém ao seu redor estiver encharcado: não precisa ter resposta seca na ponta da língua. Às vezes a companhia já é o suficiente de terra firme que o outro precisa.
A raiz não aparece. Trabalha no escuro, faz silêncio, sustenta o que todo mundo vê lá em cima. É o trabalho mais honesto do mundo — e é o que você faz, todo dia, mesmo quando ninguém nota.
Bom dia. Que a sua quarta seja funda — do tamanho da raiz que você já plantou, bem antes de hoje.
A Redação · almanaque
Brincadeira de almanaque — joga pouco, nunca o dinheiro do arroz.
Laura Cardoso nasceu em 1927 e passou mais de oito décadas dentro de estúdios, palcos e sets. São mais de sessenta novelas numa carreira que começou no rádio e no teatro, quando televisão ainda era palavra estrangeira no Brasil. Ela atravessou todas as fases da dramaturgia nacional sem pedir para descansar, sem diminuir o passo, sem recuar diante da câmera. Quando a TV Globo inaugurou a Calçada da Fama — distinção reservada a quem moldou a história do canal —, Laura foi a primeira a deixar a marca. Não por acaso: ela estava lá desde o princípio, e o princípio sabia disso.
A filha Fátima Cardoso anunciou a morte no Instagram na noite de segunda-feira, 17 de agosto. Laura estava em casa, no bairro do Sumaré, em São Paulo, e foi assim que quis — perto, quieta, sem alarido. O velório foi organizado para a manhã de terça-feira no Funeral Home, no Centro de São Paulo, e quem foi lá foi para agradecer, não para se despedir: de certo modo, Laura Cardoso não sai de lugar nenhum enquanto existir reprisa.
Glória Menezes nasceu em 1934 e construiu quarenta anos ou mais de novelas em seis décadas de trabalho. O nome dela está ligado ao de Tarcísio Meira com uma força que vai além do casal famoso: eram companheiros de profissão, de palco, de vida. Conheceram-se no teatro e ficaram juntos por cinquenta e nove anos, até a morte de Tarcísio em agosto de 2021. Glória morreu exatamente seis dias após o aniversário da partida do marido — detalhe que o calendário registrou sem drama, como se o tempo tivesse sua própria lógica afetiva.
A assessoria informou morte por causas naturais no apartamento no Rio de Janeiro, na terça-feira, 18 de agosto. O velório foi reservado à família — a mesma discrição que Glória sempre preferiu quando o assunto era vida privada. Na semana anterior, ela havia entrado para a Calçada da Fama dos Estúdios Globo, homenagem que chegou em hora certa, quando ela ainda podia receber. O ator Antônio Fagundes foi um dos que lamentaram publicamente a perda.
São duas biografias distintas, e a Banca não vai fundi-las num único elogio genérico. Laura era a veterana de presença absoluta, capaz de segurar qualquer cena com uma única expressão. Glória era a elegância em movimento, a mulher que fazia o dramalhão parecer literatura sem mudar uma vírgula do texto. Cada uma no seu registro, as duas ensinaram gerações de atrizes — e de espectadores — o que significa habitar um personagem em vez de apenas representá-lo.
A semana em que as duas se foram é daquelas que o jornalismo cultural tende a chamar de "fim de uma era" — e aqui a Banca vai usar a expressão sem aspas irônicas, porque desta vez ela é exata. O que encerra não é um período histórico abstrato: é a presença física de duas mulheres reais, de carne, de voz, de risada nos bastidores, que escolheram o Brasil como matéria de trabalho e deram ao Brasil, em troca, décadas de companhia diária na tela pequena.
A lição que fica não é sobre longevidade, embora as duas a tenham praticado com distinção. É sobre constância: aparecer, fazer bem feito, respeitar o público sem nunca subestimá-lo. Laura e Glória não "viralizaram" — construíram. E o que se constrói com esse cuidado demora muito mais para sair de cena do que qualquer atriz.
Há um tipo de noite de televisão que não se agenda. Não é a final do BBB, não é o capítulo com o ator especial convidado, não é a virada de ano. É a noite em que alguma coisa pesada pousa no ar e a TV aberta — que nunca perdeu o faro pra isso — entende que o Brasil quer companhia, não entretenimento. São noites distintas. E quem foi criado à frente de uma tela sabe a diferença pelo volume que as pessoas fazem silêncio.
A novela, nesses momentos, respira diferente. O capítulo pode ser o de sempre — amor, traição, golpe de cena —, mas o telespectador assiste com outra camada por baixo. Processa o que viu no noticiário enquanto acompanha o que o personagem vai decidir. A tela coletiva tem essa generosidade estranha: ela segura a mão sem perguntar o que aconteceu. Só continua passando.
O programa de auditório, por sua vez, tem um repertório próprio para esses momentos. O apresentador experiente — e a TV aberta ainda cultiva alguns — sabe quando não forçar a gargalhada. A plateia que ri mais baixo não está entediada; está guardando espaço. Existe uma etiqueta não escrita entre tela e sala que não passou por nenhuma escola de comunicação. Ela se ensinou sozinha, noite após noite, ao longo de gerações.
No boteco, a lógica é a mesma. Tem noites em que o volume da televisão fica no ponto exato — nem para cima, nem para baixo — e a conversa se faz ao redor da tela sem disputar com ela. A mesa comenta com parcimônia. Alguém diz alguma coisa sobre o que apareceu no noticiário antes da novela. Outro responde com o nome de quem morreu como se estivesse falando de alguém da família. A TV aberta fez esse trabalho durante décadas: transformar desconhecido em conhecido, rosto em pessoa, artista em presença que você sente falta quando some.
É nessa função que a televisão aberta ainda não tem substituto honesto. Streaming entrega o que você pediu — e entrega bem, ninguém nega. Mas a TV aberta entrega o que você não sabia que precisava. E numa noite dessas, quando a casa está quieta de um jeito que não é paz, ter uma tela que simplesmente não desliga é o serviço mais antigo e mais necessário que esse veículo presta ao país.
Então, quarta começa com o peso de uma terça que não foi banal. A grade vai continuar — capítulo vai ao ar, programa apresenta, plantão encerra com a música de sempre. E você vai estar do outro lado, talvez no transporte, talvez já em casa, mas em algum momento vai levantar os olhos pra tela e reconhecer alguém que passou por ali durante anos. A TV aberta é isso: um arquivo vivo de companhia que o Brasil foi construindo junto, capítulo por capítulo, sem perceber que estava fazendo história.
Tem coisa que só a fotografia segura. Discurso some, cartaz desmancha, memória envelhece — mas o registro em preto e branco de uma passeata que ninguém filmou continua ali, parado no tempo, esperando alguém olhar de volta. É o que faz a exposição Alice Oliveira, inaugurada nesta quarta-feira (19) no Museu da Diversidade Sexual, na Estação República do Metrô, bem no centro de São Paulo. A fotógrafa e ativista passou mais de quatro décadas documentando o que muita gente preferia que não existisse: os movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ que se organizaram no Brás e em outros cantos da cidade durante os anos 1980 e 1990. Agora essas imagens saem do arquivo e ganham parede.
A data não é coincidência. Dezenove de agosto é o Dia do Orgulho Lésbico — e abrir uma exposição que honra esse histórico justamente hoje é uma escolha que o próprio calendário agradece. A Agência Brasil confirmou a abertura e o museu não cobra entrada: o acesso é gratuito, assim como o metrô cobre o percurso até a República sem precisar trocar de linha em boa parte da cidade. Se você sai cedo de casa e tem a tarde livre — ou a manhã antes do turno da tarde —, já sabe onde ir.
O endereço é Av. Paulista, 900 — subsolo da Estação República. O horário de funcionamento do museu segue o fluxo do metrô, então vale confirmar no site oficial do Museu da Diversidade Sexual antes de sair, já que programações de abertura às vezes esticam o expediente no primeiro dia. A exposição permanece em cartaz por tempo determinado — mas como Joaquim só anota o que confirmou, o prazo exato entra na caderneta quando o museu publicar o calendário completo. Por enquanto: hoje tem inauguração, tem fotografia real e tem história que vale a viagem.
Para quem não consegue ir hoje, fica o registro: Alice Oliveira passou quatro décadas com a câmera apontada para o que o Brasil oficial mal queria reconhecer. Isso virou acervo, o acervo virou exposição e a exposição está de graça numa estação de metrô que você provavelmente já passou. Às vezes o programa do dia é só dar uma volta de volta num lugar que você conhece — e descobrir que tem uma história enorme pendurada na parede esperando pelo seu olhar. Portão aberto. Caderneta anotada.
Às quatro e cinquenta da manhã o boteco do Raimundo é o único quadrado de luz quente numa rua que ainda tem cheiro de madrugada — esse cheiro de asfalto úmido e ausência de pressa que some assim que o sol bate no primeiro prédio. Raimundo já está atrás do balcão porque, segundo ele, chegar às cinco seria descaso. Não há ninguém para o qual descasar: só Seu Waldir, que aparece todo dia como se tivesse marcado consulta.
Seu Waldir usa calça de tecido, camisa xadrez abotoada até o último botão e um relógio de pulso que ele confere mesmo tendo um celular no bolso. O celular, me explicou, é pra ligar. O relógio é pra saber a hora. Para ele, são duas funções distintas que merecem dois aparelhos distintos, e não há argumento que desfaça isso. Eu não tentei.
Ele trabalhou trinta e um anos num depósito de materiais de construção, acordava cedo porque o caminhão não esperava, e quando se aposentou descobriu que o corpo não tinha recebido o aviso. Então continuou acordando. "No começo achei que ia mudar", disse, girando a xícara no pires com o polegar. "Mas aí percebi que não tinha por quê. O café é bom. O silêncio é bom. Por que eu ia querer dormir até mais tarde e perder os dois?" Não era pergunta — era conclusão. De engenheiro de obra que terminou o projeto e está satisfeito com a planta.
Enquanto ele falava, chegou uma mulher de uniforme de hospital ainda com a mochila do plantão nas costas — o plantão que acabou, não o que vai começar. Sentou três banquetas à esquerda, pediu café com leite e pão na manteiga, e colocou a mochila no colo com o cuidado de quem carrega coisa que não quer que ninguém veja. Ninguém viu. Raimundo serviu sem perguntar o nome porque já sabia, e ela bebeu olhando para o balcão com aquele olhar que não é tristeza nem cansaço — é só alguém que chegou onde precisava chegar e está deixando os ombros descerem devagar.
Em meia hora passaram pelo vidro: um ciclista de colete que parou para checar o pneu com o dedão, dois garis conversando no ponto antes de pegar a vassoura, um senhor de terno que olhou o relógio, olhou a porta do boteco, calculou alguma coisa e decidiu que não dava tempo — e foi embora com a expressão de quem tomou a decisão errada e já sabe disso. Seu Waldir não perdeu um. Ficou de costas para a rua o tempo todo, mas contou cada um como se tivesse visto. "Esse de terno vai se arrepender", disse antes de eu abrir a boca. "Hoje vai chover antes das oito."
Eu perguntei se ele via as notícias antes de sair. Ele apontou para a janela. "Vejo essas." Paguei os dois cafés — o meu e o dele, que ele aceitou com um aceno de cabeça tão breve que poderia ser só uma oscilação do ar-condicionado, se ali houvesse ar-condicionado. Não havia. Havia só o letreiro ainda aceso, o mármore frio, e um homem que aprendeu que o dia pertence a quem chega antes de ele cobrar ingresso. Saí. Às oito e doze começou a chover.
A Anvisa autorizou, entre janeiro e junho de 2026, 116.372 importações de produtos à base de cannabis medicinal — crescimento de quase 29% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse número, levantado pela Cannect e divulgado pela Agência Brasil, não é só estatística de saúde pública: é sinal de um setor que emprega. Farmacêuticos regulatórios, técnicos de importação, analistas de conformidade e operadores de logística especializada estão entre os perfis mais buscados por empresas que trabalham com insumos regulados. Se você tem formação em farmácia, química, bioquímica ou gestão de saúde, vale monitorar as vagas direto nos sites das empresas licenciadas pela Anvisa — o cadastro de detentores de autorização especial está disponível no portal da agência, sem custo.
A lógica é direta: onde o número cresce 29%, a operação cresce junto. E operação que cresce precisa de gente.
A Fundação Tide Setúbal lançou a terceira edição do Edital Territórios Clínicos, com o objetivo de ampliar o acesso ao cuidado com saúde mental nas periferias do estado de São Paulo. Serão selecionadas dez organizações, grupos e coletivos de todo o estado. Se você integra ou conhece uma iniciativa nessa área, vale acompanhar o edital — e vale saber que esse tipo de financiamento gera postos de trabalho em psicologia, assistência social, gestão de projetos sociais e mobilização comunitária. Procure o edital diretamente no site da Fundação Tide Setúbal (fundacaotidesetubal.org.br) — o acesso é público e gratuito.
Quem trabalha no terceiro setor sabe: edital aprovado é equipe contratada. Fique de olho no prazo de inscrição assim que ele for publicado.
SINE (Sistema Nacional de Emprego): porta oficial, atendimento presencial e gratuito em qualquer município. Leve RG, CPF, carteira de trabalho (física ou digital) e comprovante de endereço. O balcão de atendimento costuma ter vagas regionais que não aparecem na versão online — vale ir pessoalmente.
Portal Emprega Brasil (empregabrasil.mte.gov.br): mantido pelo Ministério do Trabalho, com vagas filtradas por cidade e função. Cadastro gratuito com CPF e e-mail. Nenhum aplicativo de terceiro necessário.
LinkedIn, Catho e Vagas.com: os três permitem cadastro de currículo e candidatura sem custo. O que é pago nesses serviços é o plano de destaque — você não precisa pagar para se candidatar. Avalie antes de assinar qualquer plano.
Catho e Vagas.com: cadastro gratuito, candidatura gratuita. O que custa é o plano de visibilidade — você decide se faz sentido no seu momento.
Escola Virtual da Fundação Bradesco (ev.org.br): 100% gratuita. Informática, finanças, atendimento ao cliente, gestão de equipes — tudo com certificado. É uma das plataformas mais completas do país e não exige mensalidade em nenhum nível.
Senai e Senac: cursos técnicos e de qualificação com turmas gratuitas ou subsidiadas pelo Pronatec. O calendário varia por estado — a lista online costuma estar desatualizada; o balcão de atendimento, não. Vale ir pessoalmente perguntar sobre vagas gratuitas.
Google Ateliê Digital: marketing digital, presença online e ferramentas do Google, com certificado emitido pela própria empresa. Busque "Ateliê Digital Google" direto no navegador — sem intermediário.
Trinta minutos por dia batem quatro horas no fim de semana. Defina uma hora fixa — no ônibus, no intervalo, depois do jantar — e respeite. Constância é o único atalho que funciona.
Alerta de golpe — leia antes de clicar em qualquer "vaga": desconfie de qualquer oferta que peça depósito antecipado, compra de uniforme, taxa de cadastro ou "documento de liberação". Empresa séria não cobra para contratar. Se pedirem dinheiro antes da primeira entrevista presencial, é golpe — ponto. Denuncie no Procon do seu estado ou na delegacia de crimes cibernéticos mais próxima.
Procurar emprego tem método, não tem mistério. Aparece no lugar certo, com currículo direto e sem adjetivo — "responsável" e "proativo" não dizem nada; "operou caixa em loja com 200 atendimentos por dia" diz tudo. Uma linha assim vale mais do que um parágrafo bonito. A porta está aberta — o passo é seu.
Seis manhãs de quarta. Seis saídas de gráfica enquanto a cidade ainda negocia com o travesseiro. Já dá pra perceber o que cada edição acende — não só o que agradou, mas o que deixou uma pergunta presa entre uma matéria e outra, o que fez alguém reler um parágrafo duas vezes sem saber bem por quê. A Banca relê junto. Responde ao que ficou no ar.
Esta edição foi pesada de escrever. Não porque o assunto era difícil tecnicamente — mas porque havia duas pessoas reais do outro lado de cada linha. Pessoas com família, com carreira de oito décadas, com fãs que acordaram na quarta-feira e vieram buscar aqui alguma coisa que não é só informação: é companhia. A Banca tenta ser essa companhia sem virar cortejo.
Carta boa não precisa de abertura elegante. Pode começar com "errei de entender" ou "vocês erraram de contar" — as duas têm o mesmo peso nesta caixa. O que não serve é a opinião que ficou no bolso junto com o troco do ônibus, bem guardada, inútil pra qualquer um. Opinião engavetada não muda jornal, não corrige pauta, não abre espaço novo.
Se você leu o perfil e sentiu que alguma coisa faltou, diga. Se você leu e sentiu que sobrou, diga também. Se você nunca ouviu falar em nenhuma das duas e ficou curioso o suficiente pra procurar mais, isso já é uma resposta — e a redação quer saber de onde você partiu.
Quarta-feira, dezenove de agosto. O mês já entrou na reta final e o ano começou a apertar o passo antes da gente perceber. Você está aqui, no ônibus ou na cozinha, com o café na mão ou no pensamento, e o dia ainda não mostrou a cara inteira — o que significa que ele ainda não decidiu o que vai ser. Isso é mais do que parece. O provérbio não tem endereço nem assinatura porque pertence a qualquer pessoa que já vasculhou a vida à procura de um momento perfeito e descobriu, na curva errada, que já estava dentro dele. A felicidade que a gente persegue com lanterna e determinação quase sempre mora na coisa que a gente pisou sem querer: a conversa que alongou o almoço, o caminho novo que encurtou a distância, o silêncio antes do expediente começar. Não é que ela esteja escondida — é que ela não tem hábito de se anunciar. Quarta-feira tem esse feitio: não é começo, não é fim, é o meio onde a semana respira fundo e decide se aguenta ou não. E ela aguenta. Você também. O palheiro está aí, cheio e quente. A agulha pode esperar — por enquanto, fica o palheiro. O dia está aberto. Leva essa frase no bolso.
A tirinha ainda está no forno — e forno bom não abre antes da hora.
Todo quadrinho começa com uma pergunta que ninguém ousou fazer em voz alta. No caso do Pedrinho, a pergunta costuma escapar pela boca antes que o bom senso possa segurar — e é justamente aí que a Vó Olga entra, com aquela voz de quem já viu o Brasil mudar de nome várias vezes sem perder o endereço.
A tirinha Pedrinho na Banca é um quadro da casa. Pedrinho tem oito anos, curiosidade de adulto e paciência de... bem, oito anos. Vó Olga tem setenta e tantos, memória de elefante e o dom raro de explicar o país sem precisar mentir pra nenhuma das duas partes.
Toda segunda, quando você dobrar esta página, vai encontrar os dois no mesmo lugar: ele com a pergunta, ela com a resposta que o Brasil merecia ter recebido faz tempo.
A arte definitiva está a caminho. Enquanto o lápis do desenhista termina o serviço, fica aqui o convite: se você tem um Pedrinho em casa — filho, sobrinho, vizinho que não para de perguntar por quê — guarda a edição. Na semana que vem, eles se reconhecem na página.
— Um quadro da casa
Duas rainhas partiram no mesmo amanhecer,
uma plantou no palco o que a outra veio colher,
o Brasil ficou mudo, a tela ficou vazia,
mas quem viu o talento não esquece a alegria —
o povo de pé no escuro, a aplaudir sem ver,
sabe que rainha boa a morte não desfaz de vez.
O traço viu o seguinte: duas poltronas de veludo vermelho — uma ao lado da outra, no centro de um palco imenso e vazio — com a luz de ribalta acesa só para elas. A cortina de brocado dourado entreabre um dedo, como se fosse subir de novo. Lá fora, na plateia mergulhada na sombra, mil silhuetas estão de pé.
Charge: Tibiriçá / Banca
Tibiriçá
Dez pessoas e um compromisso: chegar antes do sol e entregar a verdade sem gritaria.
A redação inteira · Edição 06 · 19 ago 2026
A Banca é produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial supervisionadas por jornalistas. Todo fato publicado tem fonte identificada e URL verificada. Nenhuma data, número, nome ou evento é inserido sem apuração confirmada. Afirmações sem fonte primária rastreável ficam de fora — sem exceção. As personas desta equipe são fixas; vagas em aberto estão registradas como dívida editorial, não preenchidas com invenção. Última verificação de fontes e identidades: 19 de agosto de 2026.