A resenha diária de quem acorda o Sol para trabalhar
Edição 01 · Quinta
28 de maio de 2026
Rio · Xaplin
Rua brasileira ao amanhecer, trabalhadores a caminho
O retrato do dia
O Brasil que
acorda às 5
Antes do despertador de todo mundo tocar, metade do país já está de pé. Esta Banca é pra essa metade.
Serve Pra Você · utilidade públicaVidas · CartolaAlmanaque · Tio do Pavê · A Charge
Psicologia de Botequim
Almô resolve a sua vida em 4 goles
Serve Pra Você
Os telefones que salvam o dia
Crônica da Cidade
O Rio que ninguém filma
Sabedoria do dia
O dia não te pede que você dê conta de tudo. Pede só o primeiro passo. O resto vem andando junto com você.
A BANCAEditorial · Caco Damascenop. 02
O Editorial

Bom dia pra quem merece

A Banca não nasceu pra disputar a sua atenção com o resto do mundo. Nasceu pra ser a primeira coisa boa do seu dia — antes do trânsito, antes do chefe, antes da conta que vence.
por Caco Damasceno · direção da Banca

Tem uma hora no Brasil que ninguém filma. É aquela entre quatro e cinco da manhã, quando o primeiro ônibus ainda está frio, o pão ainda não chegou na padaria e o galo é o único que parece animado. É a hora de quem acorda o Sol pra trabalhar. Esta Banca é pra essa gente — e pra quem respeita essa gente.

A gente não vai te acordar com tragédia. O mundo já faz isso de sobra. A Banca abre com um sorriso porque acredita numa coisa simples: quem começa o dia com o queixo no chão rende menos, ama menos, aguenta menos. E a vida no Brasil já pede aguento demais.

Aqui você acha o que importa pro seu dia de verdade: os telefones que salvam uma emergência, o resultado do seu time, uma receita que cabe no bolso, o número de jogar no fim de semana, um conselho do Almô pra quando a cabeça aperta, e a charge do Risco pra rir do que não dá pra mudar. Notícia séria a gente também dá — mas dá com respeito, sem te tratar como otário.

A Banca é o primeiro sorriso do dia. E sorriso de manhã é coisa séria.

Esta é a Edição 01. Vai ter erro, vai ter acerto, vai ter dia que a gente acorda mais inspirado que outro. Mas todo dia, de segunda a sábado, às cinco da manhã em ponto, a gente vai estar aqui. Porque é isso que a gente faz: aparece. Domingo a gente descansa — e você também devia.

Cola com a gente. A resenha tá só começando.

A Banca · XaplinEditorial · Caco DamascenoEd. 01 · 02
A BANCAGiro do Dia · as editoriasp. 03
Giro do Dia

O dia em notas curtas

Todo dia a Banca passa o olho nas principais editorias e te entrega o essencial em três linhas — pra você chegar no café já sabendo do que todo mundo vai falar. Sem enrolação, sem tratar você como bobo.
Economia
Calendário não muda — quem conhece, não é pego. 13º, férias, FGTS e décimo da aposentadoria têm data certa todo ano. Quem anota o calendário no início do ano não passa aperto no fim. Programar é metade do salário.
Saúde
Vacina de adulto existe e é de graça. Muita gente acha que caderneta é coisa de criança. O SUS tem vacina adulta — gripe, tétano, hepatite, febre amarela. Posto de saúde do seu bairro, documento na mão, e pronto.
Direitos
Férias não é favor, é lei. Todo trabalhador de carteira assinada tem direito a férias com um terço a mais no pagamento. Não é o patrão sendo bonzinho. É seu, garantido. Quem não sabe, não cobra.
Cidade
Transporte tem hora de respiro. Quem sai 20 minutos antes do pico pega ônibus mais vazio e chega menos amassado. Parece bobagem, mas 20 minutos mudam o humor do dia inteiro. Teste uma semana.
Bolso
Conta de luz tem horário mais barato em muito lugar. Onde existe tarifa por horário, ligar máquina de lavar e chuveiro fora do pico de fim de tarde economiza no fim do mês. Vale conferir na sua conta como funciona na sua cidade.
Educação
Biblioteca pública é a maior pechincha do país. Livro, internet, lugar quieto pra estudar, aula gratuita — tudo de graça, perto de casa, e quase ninguém usa. Pra quem estuda pra concurso ou pro ENEM, é ouro.
No dia a dia, este Giro traz o resumo verificado das notícias de cada editoria — Brasil, Mundo, Economia, Esporte e Cultura. Nesta estreia, abrimos com o que importa hoje e não sai de moda: serviço, direito e bolso.
A Banca · XaplinGiro do Dia · da redaçãoEd. 01 · 03
A BANCAPsicologia de Botequimp. 04
Psicologia de Botequim

apertado? Respira.

O Almô não é doutor de diploma. É doutor de balcão. E o consultório dele atende de pé, com um cafezinho na mão e a paciência de quem já viu muita coisa passar.
por Almô Pereira · com a supervisão da Dra. Beatriz Setubal
Interior de um boteco de esquina pela manhã
O consultório do Almô. Balcão, rádio de pilha e a sabedoria de quem escuta mais do que fala.

Chega gente no balcão de cara amarrada e me pergunta: Almô, como é que faz pra aguentar? E eu respondo sempre a mesma coisa: meu filho, ninguém aguenta tudo de uma vez. Aguenta-se o dia de hoje. Amanhã a gente vê o de amanhã.

O segredo de quem vive muito não é não ter problema. É não carregar o problema de ontem, o de hoje e o de amanhã na mesma mochila. Carrega só o de hoje. Os outros dois você não tem nem como resolver agora mesmo — então pra que o peso?

Tá com a conta apertada? Respira. Aperto de dinheiro é igual maré: sobe e desce, mas não fica parado em cima de ninguém pra sempre. O que você não pode é tomar decisão de desespero na maré baixa. Decisão boa se toma com a barriga cheia e a cabeça fria — nunca às três da manhã olhando o teto.

Problema que tem solução não é problema, é tarefa. E problema que não tem solução não é problema, é destino. Os dois você resolve parando de chamar de problema.

E quando não der pra resolver nada mesmo? Aí você faz o que o brasileiro sempre fez de melhor: dá um jeito, toma um café, e segue. Não é desistir. É economizar força pra hora que ela for útil. Tem dia que a maior vitória é só chegar até a noite inteiro.

Tá liberado o segundo café. Esse a casa paga.

A Banca · XaplinPsicologia de Botequim · Almô PereiraEd. 01 · 04
A BANCAServe Pra Você · utilidade públicap. 05
Serve Pra Você

Os números que salvam o dia

Toda Banca traz uma página que serve mesmo — daquelas pra recortar e colar na geladeira. Hoje, os telefones de emergência que todo mundo devia saber de cor, e os direitos que muita gente perde por não conhecer.
por A Redação · serviço ao leitor

Telefones de emergência

190
Polícia
Militar
192
SAMU
Ambulância
193
Corpo de
Bombeiros
188
CVV · apoio
emocional 24h
180
Central de
Atend. à Mulher
100
Direitos
Humanos
197
Polícia
Civil
199
Defesa Civil
(enchente/risco)

Seu direito, em uma linha

Documentos: a segunda via de RG, CPF e título de eleitor pode ser tirada nos canais oficiais do governo — e o título de eleitor, pela Justiça Eleitoral, sai pela internet.

CadÚnico: é a porta de entrada de boa parte dos programas sociais. Quem se encaixa procura o CRAS do bairro — leva documento de todo mundo da casa e comprovante de endereço.

Trabalho: carteira assinada garante férias com um terço a mais, décimo terceiro e FGTS. Foi mandado embora sem justa causa? Tem direito a sacar o FGTS e à multa. Procure o sindicato da categoria — orientação ali costuma ser de graça.

Concurso e estudo

Onde achar edital: os editais saem sempre nos sites oficiais dos próprios órgãos e nos diários oficiais. Desconfie de quem cobra pra "garantir vaga" — vaga de concurso não se compra, se conquista na prova.

A Banca · XaplinServe Pra Você · serviço ao leitorEd. 01 · 05
A BANCABola · Futebolp. 06
Bola

A pelada salva mais gente que muita igreja

Antes de ter ídolo na TV, todo brasileiro teve um ídolo na várzea — geralmente um senhor de cinquenta anos que fazia embaixadinha de chinelo e ninguém tirava a bola dele.
por Bola · da redação
Campo de várzea de terra batida ao amanhecer
O estádio de todo mundo. Terra batida, trave de madeira, bola murcha — e a melhor partida da semana acontecendo aqui.

Pode tirar tudo do brasileiro, mas não tira a pelada de domingo de manhã. Time grande perde, técnico cai, geração se renova — mas o jogo da quadra, do campinho de terra, da areia da praia, esse não acaba nunca. É o último reduto onde o placar não muda a vida de ninguém e por isso mesmo todo mundo joga sério.

Na várzea não tem VAR, não tem patrocínio, não tem entrevista coletiva. Tem o juiz que é amigo dos dois lados e por isso apita errado pros dois igual. Tem o craque do bairro que podia ter ido longe mas ficou — e ninguém pergunta por quê, porque todo mundo sabe que a vida é assim. Tem o gordinho no gol que defende impossível e leva frango bobo. Tem a resenha depois, que vale mais que o jogo.

Conta-gotas pra Copa
A bola vai rolar — e a Banca vai dar o placar

A Copa do Mundo está logo ali. A partir do apito inicial, esta página passa a abrir todo dia com os resultados da véspera, a tabela e o próximo jogo do Brasil — do jeito Banca, sem choradeira e sem soberba. Até lá, vai treinando o coração: ele vai precisar.

Futebol de várzea é o seguinte: o resultado some na segunda-feira, mas a amizade fica a vida inteira.

Marca a pelada do fim de semana. Chama os amigos. Leva a bola. O resto a vida resolve.

A Banca · XaplinBola · da redaçãoEd. 01 · 06
A BANCAPanelão · Cozinhap. 07
Panelão

O arroz soltinho de verdade

Não tem mistério, tem método. Quem erra o arroz não é mão pesada — é pressa. Segue o passo a passo e nunca mais você serve aquele bolo grudento.
por Panelão · da cozinha da Banca

Arroz bom é a base de tudo. Acertou o arroz, salvou o almoço — mesmo que o resto seja só um ovo. Aqui vai o jeito que funciona pra qualquer um, com o que você já tem em casa.

Arroz branco soltinho · pra 4 pessoas

Tempo: 20 min · Dificuldade: fácil · Custo: baixíssimo
  • 2 xícaras de arroz
  • 1 colher de sopa de óleo (ou um fio de azeite)
  • 2 dentes de alho amassados
  • 4 xícaras de água fervente
  • sal a gosto
  1. Lave o arroz só se quiser menos amido — duas águas bastam. Escorra bem.
  2. Refogue o alho no óleo em fogo médio até ficar dourado, nunca queimado (queimou, amargou, recomeça).
  3. Junte o arroz e mexa por 1 minuto, até os grãos ficarem brilhantes e "cantarem" na panela.
  4. Água fervente — esse é o pulo do gato. Água fria endurece o grão. Coloca a água já fervendo, em cima do arroz refogado.
  5. Sal, mexe uma vez só. Depois disso, não mexe mais. Mexer demais solta amido e gruda.
  6. Fogo baixo, tampa entreaberta até secar a água da superfície. Então tampa de vez, desliga e deixa descansar 5 minutos no calor da panela.
  7. Solte com o garfo, nunca com a colher. Tá pronto.

Guarda essa receita. Vale mais que muito conselho caro. E rende elogio garantido no domingo.

A Banca · XaplinPanelão · da cozinhaEd. 01 · 07
A BANCAEconomia Domésticap. 08
Economia Doméstica

O lixo de hoje é a economia de amanhã

A casa da vó já sabia: quase nada se joga fora antes de servir uma segunda vez. Reaproveitar não é pobreza — é inteligência, e ainda alivia o planeta. Cinco truques que cabem em qualquer cozinha.
por Panelão · com a sabedoria das avós
  • Pote de sorvete e de margarina viram tupperware. Lavados e secos, guardam comida na geladeira e sobra no congelador. Escreve a data com fita crepe e caneta — assim ninguém esquece o que tem dentro.
  • Casca e talo fazem caldo. Casca de cenoura, talo de couve, ponta de cebola — guarda tudo num saquinho no congelador. Quando juntar, ferve com água e sal: vira caldo de legumes caseiro, sem pó e sem sódio demais.
  • Pão amanhecido não se joga. Esfarela e torra no forno: vira farinha de rosca. Em fatia, com um fio de azeite e alho, vira torrada pra sopa. Pão velho é ingrediente, não sobra.
  • Pote de vidro é o melhor organizador. Vidro de azeitona, de palmito, de café — lavado com a tampa, guarda feijão, arroz, tempero, parafuso, agulha. De graça e mais bonito que muito pote comprado.
  • Borra de café e casca de ovo viram adubo. Quem tem um vasinho de tempero na janela agradece: borra de café e casca de ovo moída alimentam a terra. Manjericão e cebolinha em casa também são economia.
A Banca · XaplinEconomia Doméstica · PanelãoEd. 01 · 08
A BANCAO Recadop. 09
O Recado

Hoje é um bom dia pra recomeçar

A mensagem da casa pra quem precisa de um empurrãozinho de fé — sem cobrança, sem sermão, sem pedir nada em troca.
por O Recado · da casa

Se você chegou até aqui hoje, já ganhou metade do dia. A outra metade você constrói. E ninguém constrói uma casa inteira de uma vez — constrói um tijolo de cada vez, e um dia olha pra trás e a casa tá lá.

Tem gente que acha que recomeçar é coisa de ano novo, de segunda-feira, de primeiro do mês. Bobagem. Recomeço é coisa de agora. Toda vez que você respira fundo e decide tentar de novo, é um recomeço. E você pode recomeçar quantas vezes precisar — não tem cota, não tem limite, ninguém te cobra ingresso.

A fé não é ter certeza de que vai dar certo. É seguir andando mesmo sem a certeza. O resto é consequência.

Seja qual for a sua crença — e aqui na Banca cabe todo mundo, do terreiro à igreja, da mesquita ao centro, de quem reza a quem só agradece — guarda isto: você é mais forte do que a sua pior semana. Já provou isso antes. Vai provar de novo.

Bom dia. E que hoje seja leve com você.

A Banca · XaplinO Recado · da casaEd. 01 · 09
A BANCAAlmanaque · efemérides e sortep. 10
O Almanaque

O que o calendário guarda

A página do almanaque, como nos jornais de antigamente: o que se comemora, quem nasceu por estes dias, e os números pra quem gosta de tentar a sorte no fim de semana. Tudo de leve — o resto é com você.

O que se comemora

28 mai
Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher — bom lembrete pra marcar aquele exame que ficou pra depois.
1º jun
Início do mês do Meio Ambiente — pequenos gestos em casa contam mais do que parece.
5 jun
Dia Mundial do Meio Ambiente — plantar um tempero na janela já é começar.
12 jun
Dia dos Namorados, no Brasil — e também o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. As duas coisas merecem o dia.

Nasceu por estes dias

Música
Cartola — o sambista da Mangueira que provou que talento não tem hora pra ser reconhecido. A Banca conta a vida dele na página ao lado.
Letras
Machado de Assis, nascido em junho de 1839, no Rio — filho de pintor de parede, virou o maior escritor do país. Prova de que origem não é destino.

Os números do Tião

04
13
22
31
45
58
O Tião sonhou com água limpa correndo — dizem que é dinheiro a caminho. A Banca não garante nada (jogo é jogo, e sorte é sorte), mas o palpite tá aí. Joga pouco, joga por diversão, e nunca o dinheiro do arroz.

Santo do dia & dito popular

Ditado
"De grão em grão, a galinha enche o papo." A pressa atrapalha; a constância resolve. Vale pro dinheiro, pro estudo e pra paciência.
A Banca · XaplinO Almanaque · da casaEd. 01 · 10
A BANCAVidas · gente que valeu a penap. 11
Vidas · a história da semana

Cartola: o samba que esperou a hora certa

Toda semana a Banca conta a vida de uma pessoa que tem o que ensinar — não pelo dinheiro que juntou, mas pela dignidade com que viveu. Hoje, um sambista carioca que o Brasil quase deixou passar.
por A Redação · perfil
Chapéu branco e cavaquinho antigo sobre mesa de madeira ao amanhecer
O chapéu e o cavaquinho. Os instrumentos de quem fez do morro uma escola de poesia.

Angenor de Oliveira, o Cartola, nasceu no Rio em 1908 e cresceu vendo o samba ser tratado como caso de polícia. Ajudou a fundar, em 1928, a Estação Primeira de Mangueira — a escola, as cores verde e rosa, o orgulho de um morro inteiro. O apelido veio do chapéu-coco que usava no trabalho de construção, pra proteger o cabelo do cimento.

A vida não foi reta. Cartola compôs sambas que viraram clássicos enquanto trabalhava de pedreiro, de lavador de carro, de tudo o que aparecia. Por anos ficou sumido, esquecido, dado como morto por alguns. Foi reencontrado por um jornalista, já maduro, lavando carros num posto. O talento estava intacto. Só faltava o país olhar.

Gravou o primeiro disco só dele perto dos 65 anos. O reconhecimento atrasou — a obra, não.

Dessa fase tardia saíram canções que o Brasil canta até hoje, sobre o tempo, a saudade e a beleza simples das coisas. Ele provou, com a própria vida, que não existe hora certa pra florescer: existe a sua hora. E que dignidade não se mede pelo que se tem no bolso, mas pelo que não se perde por dentro, mesmo quando tudo aperta.

Cartola morreu em 1980, já consagrado. Deixou o samba mais bonito e uma lição que cabe em qualquer manhã de trabalho: faça a sua parte com capricho, mesmo sem plateia. A hora dela chega.

A Banca · XaplinVidas · perfil da semanaEd. 01 · 11
A BANCAOs Cinco Venéreosp. 12
Os Cinco Venéreos

Cinco verdades rápidas

Cinco notas curtas, exatas e sem rodeio — pra você sair na frente na resenha do café. O nome é antigo, a entrega é fresca.
por Os Cinco Venéreos · da redação
  • Beber água antes do café faz diferença. Você passou a noite sem beber nada. Um copo d'água ao acordar acerta o corpo melhor que a primeira xícara. Faça as duas coisas, nessa ordem.
  • Dormir 6 horas não é o mesmo que dormir 8. A ciência é chata e repete: sono curto crônico cobra juros. O corpo não esquece a dívida — só adia a cobrança.
  • Quem anda 30 minutos por dia vive melhor. Não precisa de academia cara nem roupa de marca. Precisa de um pé na frente do outro, todo dia. O resto é desculpa.
  • Sol da manhã regula o sono da noite. Dez minutos de luz natural cedo ajudam o corpo a saber a hora de dormir depois. De graça, na janela ou no ponto de ônibus.
  • Rir de manhã muda o dia inteiro. Não é frase de quadro de sala. O corpo solta no riso o que segura na cara fechada. Por isso a Banca abre com sorriso — é remédio de graça.
A Banca · XaplinOs Cinco Venéreos · da redaçãoEd. 01 · 12
A BANCAPlin-Plin · TVp. 13
Plin-Plin

A novela é a praça que sobrou

Pode falar mal da TV aberta o quanto quiser — mas é ela que ainda junta o Brasil inteiro na mesma conversa, na mesma hora, do mesmo jeito. Isso é raro. Isso é precioso.
por Plin-Plin · da coluna de TV

Tem gente fina que torce o nariz pra novela. Acha brega, acha exagerado, acha coisa de quem não tem o que fazer. Essa gente perde o ponto. A novela é a última fogueira em volta da qual o país inteiro ainda senta junto. O streaming te dá mil opções e te deixa sozinho. A novela te dá uma só e te junta com o Brasil.

No dia seguinte ao capítulo grande, o porteiro comenta com a patroa, a manicure comenta com a cliente, o motorista de aplicativo comenta com o passageiro. Por alguns minutos, classe, bairro e bolso somem — todo mundo viu a mesma coisa e tem opinião. Onde mais isso acontece hoje? Em quase lugar nenhum.

Streaming é o sofá de um. A TV aberta ainda é a praça de todos.

Não é defesa de qualidade — tem novela ruim, tem programa de auditório que cansa, tem jornalismo que merece crítica (e a gente faz). É defesa de uma função: a TV aberta ainda é de graça, ainda chega em todo canto, ainda fala a língua de quem não tem assinatura de nada. Num país desigual, o que é de graça e chega em todo lugar tem valor que dinheiro nenhum compra.

Então liga a TV hoje à noite. Não pela qualidade. Pela companhia. Às vezes é disso que a gente precisa.

A Banca · XaplinPlin-Plin · da coluna de TVEd. 01 · 13
A BANCACrônica da Cidadep. 14
Crônica da Cidade

O Rio que ninguém filma

A cidade tem uma cara que o cartão-postal não mostra: a das cinco da manhã, quando ela ainda é só de quem trabalha. O cronista da Banca foi ver de perto.
crônica de Abreu · das ruas
Rua do Rio de Janeiro ao amanhecer, calçada molhada, neblina
Antes do barulho. A cidade pertence, por uma hora, a quem a faz funcionar.

Tem uma cidade que mora dentro da cidade e só aparece antes do sol. É a hora do varredor, do entregador de pão, da mulher que pega dois ônibus pra abrir a padaria de outro bairro. O asfalto ainda está molhado da madrugada, a luz é cor de chumbo, e o silêncio é tão grande que dá pra ouvir o próprio passo. Quem vê essa hora sabe um segredo: a cidade é gentil quando ninguém está olhando.

O ponto de ônibus reúne uma assembleia muda. Ninguém se conhece, mas todo mundo se reconhece — a mesma cara de sono, a mesma marmita na bolsa, a mesma fé teimosa de que o dia vai valer. Passa o primeiro ônibus, ainda com cheiro de novo, e a assembleia se desfaz sem despedida. Cada um pra um canto, todos pro mesmo destino: fazer a cidade acordar pros outros.

A cidade grande não é cruel. Ela só é cansada. E reconhece quem cuida dela de madrugada.

Quando o sol finalmente sobe e o trânsito engole tudo, essa cidade de madrugada já cumpriu o turno e sumiu. Ninguém aplaude, ninguém filma, ninguém posta. Mas é por causa dela que o pão está quente, a rua está limpa e o ônibus passou. A Banca viu. E achou que valia escrever — porque o que ninguém conta também merece um bom dia.

A Banca · XaplinCrônica da Cidade · AbreuEd. 01 · 14
A BANCAPorta Aberta · Trabalhop. 15
Porta Aberta

Como estudar quando o dia é curto

Serviço de verdade pra quem quer mudar de vida mas só tem as brechas do dia. Não é sobre ter tempo. É sobre usar bem os pedacinhos que sobram.
por Porta Aberta · da redação

Quem trabalha o dia inteiro e ainda quer estudar pra concurso, pro ENEM, pra um curso técnico, ouve sempre a mesma desculpa de si mesmo: "não tenho tempo". Verdade parcial. Ninguém tem bloco de três horas livres. Mas quase todo mundo tem três blocos de vinte minutos espalhados pelo dia — e três de vinte dá uma hora.

O segredo de quem passa não é estudar muito de uma vez. É estudar pouco, todo dia, sem falhar. O cérebro aprende na repetição espaçada, não no sufoco da véspera. Vinte minutos por dia, cinco dias, batem com folga as cinco horas de desespero no domingo à noite.

Constância vence intensidade. Sempre. Quem estuda pouco e sempre passa na frente de quem estuda muito e às vezes.

Três coisas que funcionam de graça: primeiro, o tempo morto. Fila de banco, espera do ônibus, almoço sozinho — leve uma coisa pra ler ou ouça uma aula no fone. Segundo, ensine o que aprendeu. Explicar pra alguém (ou pra parede) fixa mais que reler dez vezes. Terceiro, durma depois de estudar. O sono organiza o que você aprendeu — estudar e dormir é melhor que estudar e rolar a tela.

Material bom existe de graça: editais saem nos sites oficiais dos órgãos, muitas aulas estão abertas, biblioteca pública ainda é a maior pechincha do país. A porta tá aberta. O primeiro passo é seu — e ele cabe em vinte minutos.

A Banca · XaplinPorta Aberta · da redaçãoEd. 01 · 15
A BANCACartas do Leitorp. 16
Cartas do Leitor

Esta página é sua

Jornal de banca sempre teve uma página onde quem manda é quem lê. A Banca abre a dela na estreia — e a primeira carta de verdade pode ser a sua, amanhã.
por A Redação · com a palavra, o leitor

Toda Banca vai reservar este espaço pra você: uma reclamação justa, um elogio sincero, uma dúvida, uma história da sua rua, uma receita da sua avó, uma correção (a gente erra, e quando erra, conserta na cara limpa). Aqui, leitor não é número. É gente com nome e com voz.

"Comecei a ler de pé no ônibus e cheguei no trabalho de bom humor pela primeira vez na semana. Continuem acordando com a gente. Faz diferença."
— assim a gente espera te encontrar, leitor · Rio
"Queria ver na Banca uma dica de como economizar no gás e uma coluna sobre direito de quem é autônomo. Anotado?"
— pedido é pra atender · sua sugestão entra na pauta
Escreva pra Banca. Mande sua carta, sua dúvida ou sua história pela página da Xaplin. As melhores entram aqui, com o seu primeiro nome e o seu bairro — do jeito que você autorizar. Texto curto, de coração. A página é sua de verdade.
A Banca · XaplinCartas do Leitor · do povoEd. 01 · 16
A BANCATio do Pavêp. 17
Tio do Pavê

O tio que você finge não rir

Toda família tem um. Conta a piada, ri sozinho antes do fim, e ninguém escapa. Recortou pra repetir no grupo da família? O Tio já venceu. É pavê — é pavê comer e pavê repetir.
por Tio do Pavê · da Banca
— Garçom, tem perna de rã?
— Não, senhor, é problema de coluna mesmo. Mas sento e melhora.
— Por que a praia terminou com o mar?
— Porque a onda dele era falsa. Vinha, voltava, e nunca ficava. Foram só umas marés e acabou.
— Qual é o cúmulo da pressa pro brasileiro?
— Pôr o feijão na panela de pressão e ainda assim ficar olhando, como se isso fizesse cozinhar mais rápido. (Faz, não faz?)
— O que o café falou pro despertador?
— "Calma que eu resolvo." E resolveu. Café é o verdadeiro herói nacional das cinco da manhã.
— Sabe por que o pão de cada dia nunca falta na mesa do brasileiro?
— Porque quando falta o pão, sobra a conversa. E conversa boa, no Brasil, mata a fome de um jeito que padaria nenhuma explica.

Pronto. Já tem material pro ponto de ônibus, pro grupo da família e pra constranger a molecada da casa. De nada. O Tio cumpriu a missão: alguém aí revirou os olhos — e sorriu escondido. Amanhã tem mais, queira você ou não.

A Banca · XaplinTio do Pavê · da BancaEd. 01 · 17
A BANCAA Chargep. 18
A Charge · O traço do dia

O empurrão de cada manhã

traço de Risco · cartunista da casa
Charge de Risco: trabalhador empurrando o sol pra cima sobre os telhados
"Todo dia alguém empurra esse Sol pra cima. Geralmente é quem ninguém vê."
Risco
A Banca · XaplinA Charge · RiscoEd. 01 · 18 · fim