\\\\n\\\\n\\\\n\\\\n\\\\n\\\\n\\\\n\\n\n

Prefeita de Guapimirim e 4 acusados viram réus por fraude em contratos

Ministério Público move ação de improbidade administrativa contra grupo que teria fraudado licitações de saúde através de empresa de fachada no.

Prefeita de Guapimirim e 4 acusados viram réus por fraude em contratos
Banca de Jornal — Saúde & Bem-estar **DEK:** Ministério Público move ação de improbidade administrativa contra grupo que teria fraudado licitações de saúde através de empresa de fachada no município do Rio. ---

O Fato

A prefeita de Guapimirim, Marina Rocha, tornou-se ré em ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta semana. Além dela, quatro pessoas — entre elas um servidor público municipal — foram denunciadas pelos mesmos crimes. A acusação central: fraude em licitações de serviços de saúde através de uma empresa de fachada denominada Speed Meg.

De acordo com investigação do MPRJ, o grupo teria manipulado processos licitatórios para favorecer a Speed Meg em contratos com a prefeitura. Os valores totais envolvidos nas operações suspeitas não foram divulgados pela promotoria, mas a investigação aponta padrão de irregularidades que se estendeu por período a ser confirmado em processo. O município de Guapimirim, localizado na Baixada Litorânea do Rio de Janeiro, possui pouco mais de 60 mil habitantes. A secretaria municipal de Saúde é responsável por gerenciar esses contratos sob supervisão do gestor municipal.

O MPRJ iniciou as apurações após denúncia de irregularidades em contratos entre a prefeitura e a empresa. A ação de improbidade administrativa pode resultar em condenação dos réus ao ressarcimento de valores aos cofres públicos, perda de bens e suspensão de direitos políticos. A denúncia foi recebida pela Justiça do Rio, formalizando o status de ré dos acusados. O processo segue em fase processual inicial, com prazo para apresentação de contestação pelos defensores dos denunciados.

Guapimirim enfrentou nos últimos anos denúncias recorrentes de irregularidades administrativas em diferentes secretarias. A gestão de Marina Rocha teve início em janeiro de 2021, após eleição ocorrida em 2020. Este é o primeiro caso de improbidade administrativa de magnitude envolvendo a prefeita desde o início do mandato.

A Análise de Dra. Camila Torres

Como médica que trabalhou anos no sistema público municipal, vejo com preocupação crescente casos como este. Não se trata apenas de corrupção administrativa abstrata — trata-se de recursos que deveriam chegar a consultórios, medicamentos e leitos desviados para enriquecer intermediários. Cada real fraudado é um paciente que não recebeu atendimento preventivo, uma criança que não foi vacinada no prazo, um idoso que aguardou meses por cirurgia eletiva.

O mecanismo de fraude via "empresa de fachada" é particularmente perverso na saúde pública. A empresa fantasma recebe contrato, emite nota fiscal, desaparece — e a prefeitura fica sem o serviço contratado. Enquanto isso, a população real, aquela que depende do SUS, paga a conta. Guapimirim é município de média vulnerabilidade social; seus munícipes não têm renda para pagar saúde privada. São reféns do sistema público.

O que me indigna ainda mais é a passividade institucional que precede essas denúncias. Fraude em licitação de saúde deixa rastros óbvios: serviços não prestados, documentação duplicada, fornecedores fantasmas. Por que o MPRJ precisou investigar para descobrir? Onde estava o controle interno da prefeitura? Onde estava a auditoria? A resposta é incômoda: frequentemente, os órgãos de controle funcionam apenas quando há pressão externa ou vazamento.

Quando a corrupção invade a saúde pública, não roubar é apenas dinheiro — é roubar a chance de uma pessoa viver melhor.

Espero que este processo, se confirmar as suspeitas, resulte em condenação exemplar. Mas espero mais: que sirva para que outros municípios brasileiros revejam seus mecanismos de licitação e controle. O Brasil tem 5.568 municípios. Quantos deles estão nesta mesma situação, com fraudes quietinhas acontecendo enquanto crianças esperam por vacina?

---

A improbidade em saúde merece ser tratada como crime hediondo — não na legislação, mas na consciência coletiva de quem governa.

Dra. Camila Torres — Saúde & Bem-estar. Banca de Jornal, Xaplin.