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COP15 Encerra com 40 Espécies Protegidas — E uma Pergunta Sem Resposta

COP15 protege 40 espécies. Avanço ou gota no oceano? Análise do acordo e suas lacunas.

Internacional — Meio Ambiente

A COP15 da Biodiversidade encerrou nesta sexta-feira em Kunming, China, com um acordo que protege formalmente 40 espécies ameaçadas e cria 12 novas áreas marinhas protegidas. O texto final, aprovado por consenso por 196 países, foi celebrado por organizações ambientais como "um passo significativo" — e criticado por cientistas como "insuficiente diante da escala da crise".

O que foi acordado

O Marco Global da Biodiversidade, atualizado nesta COP, estabelece metas para 2030: proteger 30% dos oceanos e 30% das terras (meta "30x30"), restaurar 30% dos ecossistemas degradados e reduzir a perda de espécies em 50%. As 40 espécies formalmente protegidas incluem o vaquita (golfinho do Golfo do México, com menos de 10 indivíduos), o pangolim chinês e 12 espécies de tubarão em risco crítico.

O mecanismo de financiamento — o ponto mais disputado — resultou em US$ 30 bilhões anuais em transferências de países ricos para países em desenvolvimento, a partir de 2027. O Brasil é o maior beneficiário potencial: detém 12% da biodiversidade global e 60% da Amazônia, o que lhe dá peso político e legitimidade na negociação.

"Proteger 40 espécies é bom. Mas estamos perdendo 10 mil por ano. A COP protege a árvore e ignora a floresta — literalmente."

A pergunta sem resposta

A COP15 encerra com um paradoxo: as metas são mais ambiciosas que qualquer acordo anterior, mas os mecanismos de enforcement são voluntários. Nenhum país é obrigado a cumprir. Nenhuma sanção existe para quem descumprir. O Acordo de Paris (clima, 2015) estabeleceu o mesmo modelo — e, 11 anos depois, nenhum grande emissor está na trajetória de cumprir suas metas.

O Brasil, sob o governo Lula, assumiu posição de liderança nas negociações — um contraste com o governo anterior, que sistematicamente enfraqueceu a fiscalização ambiental. O desmatamento na Amazônia caiu 45% em 2025, o melhor resultado em uma década. Mas a pressão do agronegócio, a expansão da fronteira de soja e a mineração ilegal continuam — e um acordo internacional não para uma motosserra.

Redação Xaplin