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Vasco respira aliviado

Na noite de sábado, em São Januário, o Vasco da Gama virou o jogo contra o São Paulo com um gol aos 20 minutos do segundo tempo final, encerrando…

BANCA DE JORNAL

O Fato

Na noite de sábado, em São Januário, o Vasco da Gama virou o jogo contra o São Paulo com um gol aos 20 minutos do segundo tempo final, encerrando uma sequência de cinco jogos sem vitória no Brasileirão. A partida teve um roteiro clássico dos dias atuais: o São Paulo saiu na frente — provavelmente com um gol de bola parada ou exploração de fragilidade defensiva característica do cruz-maltino — e o Vasco, enfim pressionado, encontrou uma brecha na defesa paulista para converter sua chance e depois selou o resultado já nos minutos finais.

Segundo informações da CNN Brasil, que cobriu o confronto, trata-se de um respiro importante para o elenco vascaíno. Cinco jogos sem vencer é um sufoco em qualquer competição de elite. Os torcedores que lotaram o estádio em São Januário saíram do campo com aquela sensação agridoce: alívio da vitória, mas sem a certeza de que algo realmente mudou. O São Paulo, por sua vez, desperdiçou uma oportunidade de somar pontos valiosos e segue como esperado — um time em reconstrução que ainda não encontrou sua identidade ofensiva sob o comando do técnico em exercício.

Os detalhes táticos? Menos relevantes nessa altura da temporada. O que importa é que o Vasco não perdeu em casa e recuperou um pouco de confiança. No futebol brasileiro, onde a pressão é moeda de troca diária, isso significa algo. Mas é exatamente aqui que mora o perigo da ilusão.

Uma Vitória que Não Cura a Ferida Principal

Vou direto ao ponto, porque essa é a tarefa do bom colunista:

uma vitória sobre um adversário em dificuldades não prova que o Vasco está no caminho certo; apenas prova que o Vasco conseguiu vencer um jogo

. E olha que diferença faz essa distinção.

O Vasco está em um processo de reconstrução que vai muito além de placar. O clube vem de rebaixamentos, do caos administrativo, de trocas constantes de treinador — cada um tentando aplicar uma fórmula diferente em um elenco que não reconhece a si mesmo. Cinco jogos sem ganhar não é uma anomalia. É um sintoma. E vitória isolada, ainda que importante psicologicamente, é remendo em navio com água entrando por múltiplos furos.

O leitor que frequenta banca de jornal sabe disso na sua viscera. Conhece o futebol pelo que ele é: implacável com quem tenta enganar a si mesmo. O Vasco conseguiu reverter um placar em casa, sim. Parabéns. Mas em cinco dos últimos seis jogos não conseguiu fazer exatamente isso. Isso fala mais do que a vitória de sábado.

O que o torcedor vascaíno realmente precisa ver é: estrutura ofensiva consistente, defesa que não se desorganiza a cada bola aérea do adversário, um projeto tático que sobreviva a mais de dois jogos sem análise completa. O treinador conseguirá aplicá-lo? Os reforços chegam? O elenco tem qualidade para discutir objetivos maiores ou estamos condenados a torcer por sobrevivência?

Essas perguntas não foram respondidas por um gol contra o São Paulo. Foram apenas adiadas. E no futebol, adiar é congelar problemas, não resolvê-los.

A banca de jornal da cidade já viu isso antes. Vence-se um jogo, respira-se fundo, todos fingem que tudo vai melhorar. Depois vêm três derrotas seguidas e a verdade volta, implacável, como sempre. O Vasco precisa de muito mais que vitória de sábado. Precisa de padrão. Precisa de história. Precisa de rumo.

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