USP pune suspeito de estupro em moradia estudantil com proibição
Leia de novo. Agora pense no que ela não diz. O que está por trás Um ano e sete meses depois, uma denúncia de estupro no Crusp (Conjunto Residencial.
A manchete do dia diz: "USP pune suspeito de estupro em moradia estudantil com proibição de aulas por 120 dias". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.
O que está por trás
Um ano e sete meses depois, uma denúncia de estupro no Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo) teve resposta da instituição. As queixas de violência sexual no local surgiram entre agosto e setembro de 2024 e duas delas foram relatadas pela Folha. Leia mais (04/07/2026 - 04h15)
Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.
Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.
A pergunta que ninguém faz
Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.
E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.
O que fazer
Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.
A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.
Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.