Trump eleva ameaças e diz que pode destruir o Irã

Faltam pouco mais de 24 horas para o fim do prazo que Donald Trump deu para o Irã fechar um acordo de paz e liberar a passagem de petroleiros no.

Intermezzo — Opinião

A manchete do dia diz: "Trump eleva ameaças e diz que pode destruir o Irã em uma noite". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.

O que está por trás

A um dia do ultimato, Trump eleva ameaças e diz que pode destruir todo o Irã amanhã à noite A guerra no Oriente Médio entra na 6ª semana. Faltam pouco mais de 24 horas para o fim do prazo que Donald Trump deu para o Irã fechar um acordo de paz e liberar a passagem de petroleiros no Estreito de Ormuz. Nesta segunda-feira (6), o regime iraniano rejeitou uma nova proposta de cessar-fogo. E Trump elevou as ameaças e disse que pode destruir todo o Irã nesta terça-feira (7) à noite. Esse não é o prime

Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.

Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.

A pergunta que ninguém faz

Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.

E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.

O que fazer

Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.

A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.