Trump confirma resgate de 2º piloto de jato derrubado

No sábado, Trump afirmou que episódio não atrapalha negociações, mas deu novo ultimato para que Teerã reabra Estreito de Ormuz.

Intermezzo — Opinião

A manchete do dia diz: "Trump confirma resgate de 2º piloto de jato derrubado no Irã; SIGA". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.

O que está por trás

Trump confirma resgate de 2º piloto de jato derrubado no Irã; SIGA Confirmação do presidente dos EUA encerra dois dias de buscas a tripulantes de F-15 que caiu em território iraniano. No sábado, Trump afirmou que episódio não atrapalha negociações, mas deu novo ultimato para que Teerã reabra Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos resgataram o tripulante do caça F-15E derrubado na última sexta-feira (3), no Irã; Trump: 'são e salvo'. Presidente americano deu prazo até segunda-feira para Irã reabrir

Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.

Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.

A pergunta que ninguém faz

Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.

E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.

O que fazer

Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.

A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.