Tráfego no estreito de Hormuz atinge nível mais alto

Ício da guerra no Oriente Médio.

Intermezzo — Opinião

A manchete do dia diz: "Tráfego no estreito de Hormuz atinge nível mais alto desde o início da guerra no Oriente Médio". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.

O que está por trás

O tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz aumentou nesta semana, com a média móvel de sete dias para travessias atingindo, na sexta-feira (3), o maior nível desde o início da guerra. Leia mais (04/04/2026 - 12h59)

Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.

Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.

A pergunta que ninguém faz

Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.

E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.

O que fazer

Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.

A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.