Seu Geraldo e o preço do café

Quer dizer que eu gasto mais com café do que com internet.

Banca de Jornal — Psicologia de Botequim

Seu Geraldo olhou para o preço do café na padaria e fez a conta que faz todo mês: dividiu o valor pela quantidade de vezes que toma café por dia, multiplicou pelos dias do mês e chegou a uma conclusão filosófica.

"Quer dizer que eu gasto mais com café do que com internet. E no café eu pelo menos tenho certeza do que estou consumindo."

A economia do cafezinho

O café subiu. De novo. Seu Geraldo não acompanha mercado de commodities, não sabe o que é a bolsa de Nova York e não faz ideia de que o preço do grão arábica atingiu máxima histórica por causa de seca no Brasil e demanda global. O que ele sabe é que o cafezinho que custava R$ 3 agora custa R$ 5, e que R$ 5 vezes três cafés por dia vezes trinta dias dá R$ 450.

"Quatrocentos e cinquenta reais. Dá quase um salário mínimo antigo. Em café."

"O café é o último luxo do pobre. Quando o café fica caro, acabou o luxo. E quando acaba o luxo, o pobre vira o quê? Triste. E triste precisa de mais café. É um ciclo."

A solução do Seu Geraldo

Seu Geraldo não parou de tomar café. Adaptou. Agora leva garrafa térmica de casa. Café feito no fogão, com coador de pano, como a mãe fazia. Comprou pó no mercado — que também subiu, mas menos que o da padaria.

"A garrafa térmica é o protesto silencioso do brasileiro. Ninguém carrega garrafa porque quer. Carrega porque a padaria ficou mais cara que a prestação do celular."

A sabedoria do botequim

Dona Carmem, que ouviu tudo do balcão, completou: "Seu Geraldo, o senhor reclama do preço do café, mas continua comprando cerveja no fim de semana."

Seu Geraldo pensou. Tomou um gole. E respondeu:

"Carmem, cerveja é necessidade. Café é vício. E vício a gente negocia. Necessidade, não."

A padaria inteira riu. Seu Geraldo pagou a conta. Com pix, porque dinheiro, segundo ele, "é a única coisa que vale menos que o café".

A redação da Banca de Jornal — Psicologia de Botequim