A resenha diária de quem acorda o Sol para trabalhar
EDIÇÃO MAIS NOVA
Edição 05 · fechada em
15 de julho de 2026
Rio · Xaplin
Ilustração fotográfica da capa da edição 05
Dólar abaixo de R$ 5,10
A moeda americana fecha no menor nível em um mês — e o seu bolso sentiu a diferença
O dólar fechou a R$ 5,07 nesta terça-feira, o menor patamar em trinta dias, enquanto a Bolsa avançou e o petróleo voltou a subir. No campo político, o governo estuda uma nova MP caso os EUA confirmem tarifas sobre produtos brasileiros — e Brasília já chamou as cobranças de 'injustas' em reunião de alto nível. No vôlei, o Brasil entra em quadra hoje contra a França, atual bicampeã olímpica, em Chicago. E a Mega-Sena acumula R$ 30 milhões pro próximo sorteio. Tudo isso antes de você pegar o ônibus.
Economia · Tarifaço dos EUA: o que o governo prepara pra defender as empresas brasileirasEsportes · Vôlei masculino: Brasil x França hoje em Chicago, pela Liga das NaçõesLoterias · Mega-Sena acumula R$ 30 milhões — os números do Concurso 3.031
Justiça
Moraes nega sessão presencial a Bacellar; OAB pede que Bolsonaros possam se falar
Política
Governo deve ir ao STF contra PEC que muda aposentadoria de agentes de saúde
Serviço
e-Título ganhou novas funções — veja o que mudou no seu aplicativo eleitoral
O bom-dia do Zé da Banca
Bom dia. Quarta-feira é a ladeira que, uma vez descida, já mostra o fim de semana lá embaixo. Respira fundo — você está no meio do caminho, que é exatamente o lugar de quem já começou.
A BANCAEditorial · Caco Damascenop. 02
O Editorial

Quarta de inverno seco, coração úmido

Julho aperta o casaco, a cidade faz cara de poucos amigos — mas você já está em pé, e isso já diz muito sobre quem você é.
por Caco Damasceno · direção da Banca

O Seu Arnaldo, que todo dia me vende o pão na padaria da Voluntários da Pátria, tem uma teoria sobre o mês de julho: "Caco, julho não é frio, não. Julho é teimoso." Ele disse isso hoje de manhã, colocando a sacola no balcão com a mesma precisão de sempre, o vapor do café subindo entre a gente como se o mundo tivesse pressa de esquentar. Pensei: tem razão, Arnaldo. Julho é teimoso. E quem madruga com ele também é.

É 15 de julho de 2026. Dia 15 é daqueles que chegam no meio do mês como um prego no sapato — não é começo, não é fim, é o miolo de tudo. A conta vence ou já venceu, o salário some ou ainda não veio, a semana já tem peso mas ainda tem comprimento. E você está aqui, acordado antes dos outros, com a edição na mão. Isso não é pouca coisa. É, aliás, uma escolha que a maioria do mundo não faz.

No miolo do mês não cabe hesitação. Cabe só o passo — um de cada vez, um atrás do outro, até o dia fechar do jeito que fecha.

Esta edição não chega com gritaria. Chega com o noticiário passado a ferro: o que se mexeu na economia, o que rolou no esporte, o que o Brasil acordou falando. O nosso trato com você é esse desde a primeira edição — nada de tabloidão rasgando a camisa, nada de manchete que você depois descobre que era menos do que parecia. Informação no ponto, linguagem que respeita quem lê de pé no ônibus ou sentado na soleira.

Julho tem essa qualidade rara nos meses brasileiros: ele é honesto. Não promete verão, não fingia outono. Chega com seu frio miúdo e sua luz branca de fim de tarde e diz: sou o que sou. Há um certo alívio nisso. O mês não mente, e você pode planejar sem ilusão de temperatura. Quarta-feira de julho tem um ritmo próprio — nem a ansiedade da segunda, nem o cansaço da sexta. É o dia em que o trabalho fala mais alto, e quem trabalha sabe que isso não é insulto, é vocação.

O Seu Arnaldo já virou pro próximo cliente, o café já esfriou um grau, e Julho continua teimoso lá fora. Mas você já está no seu dia — com a edição lida, a cabeça um pouco mais arrumada e o passo um pouco mais firme. Vai lá. O miolo do mês não se resolve sozinho.

A Banca · XaplinEditorial · Caco DamascenoEd. 05 · 02
A BANCAGiro do Dia · as editoriasp. 03
Giro do Dia

O dia em dez notas verificadas

Do dólar mais barato ao vôlei na quadra, da gripe aviária na Nova Zelândia ao bilhão esquecido no banco — dez notas apuradas com o que muda pra você embutido. Chegue ao trabalho por dentro da quarta-feira.
A Redação (Giro do Dia)
Câmbio
Dólar fecha a R$ 5,07, o menor patamar em um mês. Os dados de inflação dos Estados Unidos vieram abaixo do esperado na terça-feira (14) e animaram os mercados globais: o dólar recuou, a Bolsa brasileira avançou e o petróleo voltou a subir. Para você, a queda do câmbio tende a aliviar preços de produtos importados e combustíveis nas próximas semanas. Fique de olho no bomba antes de abastecer.
Comércio Exterior
Brasil chama de "injusta" a possível tarifa dos EUA em reunião de alto nível. O governo brasileiro voltou a usar esse adjetivo durante encontro com o representante estadunidense de Comércio, Jamieson Greer, na terça-feira (14). A reunião ocorreu às vésperas de um prazo importante nas negociações bilaterais. Se novas tarifas forem confirmadas, produtos nacionais que chegam aos EUA ficarão mais caros — e parte das exportações pode ser redirecionada ao mercado interno.
Economia
Governo prepara MP para proteger empresas caso o tarifaço americano se concretize. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta terça-feira (14) que uma Medida Provisória poderá ser editada para apoiar companhias brasileiras afetadas por novas tarifas dos EUA. A medida ainda será avaliada conforme o desfecho das negociações. Empresas exportadoras devem acompanhar os desdobramentos das próximas horas — o prazo das tratativas é curto.
Finanças Pessoais
R$ 1,83 bilhão do FGC espera quem investiu no grupo Master — e ainda não pediu o dinheiro de volta. O Fundo Garantidor de Créditos divulgou balanço na terça-feira (14) mostrando que esse montante ainda não foi solicitado por investidores e correntistas de instituições ligadas ao grupo Master. O resgate pode ser feito pelo aplicativo do FGC. Se você ou alguém da família tinha dinheiro nessas instituições, vale checar agora mesmo: dinheiro parado não rende.
Loterias
Mega-Sena acumula: ninguém levou os R$ 30 milhões — e os seis números estão aqui. Nenhum apostador acertou as seis dezenas do Concurso 3.031, realizado na terça-feira (14). O prêmio estimado para o próximo sorteio é de R$ 30 milhões. Os números sorteados foram: 20, 28, 32, 35, 40 e 54. Vinte e quatro apostas acertaram cinco dezenas e receberão R$ 63.791 cada. Guarde os números e verifique seu bilhete no site oficial da Caixa.
Justiça
Moraes nega pedido de Bacellar para ser julgado presencialmente no STF. O ministro Alexandre de Moraes negou, na terça-feira (14), o pedido da defesa do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar para que ele não fosse julgado virtualmente pela Corte. Em março, Bacellar e outros acusados já haviam tido etapas do processo conduzidas à distância. O julgamento virtual tem os mesmos efeitos jurídicos do presencial — a decisão final vale do mesmo jeito.
Justiça
OAB pede ao STF que Flávio e Jair Bolsonaro possam se comunicar. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil protocolou ofício ao ministro Alexandre de Moraes solicitando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa se comunicar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O pedido é baseado em argumentos de direito à convivência familiar. O STF ainda não se manifestou sobre o requerimento.
Política
Governo deve recorrer ao STF contra PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde. Após a aprovação da proposta no Congresso, o governo federal sinalizou na terça-feira (14) que poderá questionar no Supremo o impacto fiscal da PEC que cria regras diferenciadas de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. Para quem trabalha nessas carreiras, vale acompanhar os próximos movimentos antes de planejar qualquer mudança no tempo de serviço.
Vôlei
Brasil estreia na terceira semana da Liga das Nações diante da França bicampeã olímpica — hoje, em Chicago. O técnico Bernardinho anunciou os jogadores que representarão a seleção masculina nesta quarta-feira (15) no confronto contra a França, atual bicampeã olímpica, nos Estados Unidos. Serão quatro jogos na fase final classificatória. Confira o horário da partida no canal oficial da Confederação Brasileira de Voleibol — jogo bom não avisa, só começa.
Mundo
Nova Zelândia confirma o primeiro caso de gripe aviária H5N1 em seu território. O ministro da Biossegurança Andrew Hoggard informou nesta quarta-feira (15) que o vírus foi detectado em uma ave marinha migratória. A confirmação vem poucas semanas depois de a Austrália registrar seus primeiros casos. Autoridades de saúde animal monitoram a situação. Por enquanto, não há risco direto para humanos no Brasil, mas o Ministério da Agricultura acompanha o avanço do vírus pela região do Pacífico.
Verificação concluída em 15 de julho de 2026 · A Redação (Giro do Dia)
A Banca · XaplinGiro do Dia · da redaçãoEd. 05 · 03
A BANCAPsicologia de Botequimp. 04
Psicologia de Botequim

O cansaço que você não conta pra ninguém

Tem um cansaço que não vem de hora extra, de academia pulada ou de noite mal dormida. Vem de dentro, e vai fundo. Almô Caboclo recebeu esse cansaço no balcão mais de uma vez — e a Dra. Beatriz fecha com a pergunta que merece ser carregada devagar até o fim do dia.
por Almô Caboclo · com a supervisão da Dra. Beatriz Setubal

Semana passada uma mulher sentou aqui perto das sete da noite e pediu um café. Não quis açúcar, não quis bolachinha do lado, não quis conversa. Fiquei quieto, respeitei. Mas ela mesma abriu: disse que estava bem de saúde, bem de emprego, bem de família — tudo bem, tecnicamente. E que não conseguia entender por que acordava todo dia com a sensação de que já tinha feito tudo aquilo antes e que isso não ia mudar. Cansaço, eu disse. Ela olhou pra mim com aquela cara de quem esperava uma palavra mais bonita. Cansaço, repeti. Do tipo que dorme e continua lá de manhã.

Esse cansaço é diferente do cansaço de corpo. O de corpo você trata com travesseiro, com um fim de semana, com uma folga que chega. O outro não tem folga, porque não é de músculo — é de sentido. É o cansaço de fazer as mesmas coisas pelos mesmos motivos sem ter certeza de que os motivos ainda são seus. Acontece devagar, feito chumbo que vai aumentando de peso sem você perceber que está carregando mais. Num dia você notou que o peso estava diferente. Mas já faz tempo.

Cansaço que não tem endereço no corpo costuma ter endereço numa escolha que a pessoa não fez — mas também não desfez.

Eu conheço esse cansaço de perto. Lá pelos meus quarenta anos, depois de portaria, garçom, volante de aplicativo, faculdade noturna que parei na metade — eu tinha uma vida que funcionava. Nada quebrado. Só que eu acordava e ficava um tempo olhando pro teto sem pressa de sair dele. O Édipo pulava na cama, eu colocava o pé no chão, e o dia começava. Mas começava por inércia, não por vontade. Tem diferença. Inércia te move, vontade te dirige. E quando você só se move sem se dirigir, chega um ponto que nem sabe mais onde está indo.

O que aprendi aqui, servindo café e ouvindo gente de todo tipo, é que esse cansaço pede uma coisa só: que você pare de confundi-lo com fraqueza. Pessoa forte cansa. Pessoa organizada cansa. Pessoa que deu certo cansa. O cansaço de sentido não escolhe quem vive bem ou quem vive mal — ele aparece quando alguém ficou tempo demais respondendo às expectativas dos outros sem parar pra perguntar quais são as suas. É honesto? É. Bonito de ouvir? Não muito. Mas de balcão eu aprendi que o que alivia de verdade não costuma ser bonito de ouvir logo de cara.

A mulher do café sem açúcar ficou em silêncio por uns dois minutos depois que eu falei tudo isso. Depois disse que tinha uma coisa que queria fazer há três anos e ficava adiando porque não era o momento certo. Perguntei qual coisa. Ela disse que não importava qual — importava que ela sabia que era aquela. Eu concordei. Porque quem tem cansaço de sentido, no fundo, já sabe de onde ele veio. O trabalho não é descobrir: é parar de fingir que não sabe. Ela foi embora com o café na metade e uma leveza que não estava aqui quando ela entrou. Isso é o máximo que um balcão pode fazer.

A Dra. Beatriz Setubal, que supervisiona esta coluna, deixa a pergunta enquanto o café esfria: esse cansaço que você carrega hoje — você tem evitado nomeá-lo porque ainda não sabe o que fazer com ele, ou porque nomeá-lo tornaria impossível continuar fingindo que ele não existe?

A Banca · XaplinPsicologia de Botequim · Almô CabocloEd. 05 · 04
A BANCAServe Pra Você · utilidade públicap. 05
Serve Pra Você

A página que você guarda na cabeça e usa na vida

Oito números que nunca saem de moda, o que o meio do inverno pede pra sua pele e seus olhos, o que fazer quando a conta de luz vem errada e o serviço gratuito que regulariza nome sujo sem advogado.
por A Redação · serviço ao leitor

Telefones de emergência

190
Polícia
Militar
192
SAMU
Ambulância
193
Corpo de
Bombeiros
199
Defesa Civil
(temporal/risco)
180
Central de
Atend. à Mulher
100
Direitos
Humanos
188
CVV · apoio
emocional 24h
156
Prefeitura
na linha

Saúde · pele e olhos no inverno mais seco

A pele avisa antes de machucar: coceira, descamação e vermelhidão no rosto e nos braços são os primeiros sinais de que o ar seco de julho está cobrando seu preço. Hidratante corporal depois do banho — enquanto a pele ainda está levemente úmida — absorve melhor e rende mais. Não precisa ser caro: a vaselina sólida e o creme de ureia encontrados em farmácias populares fazem o serviço.

Olhos secos e tela acesa: quem trabalha o dia todo na frente de computador ou celular pisca menos do que deveria — estudos de oftalmologia chamam isso de síndrome do olho seco digital. No inverno, o ar mais seco piora o quadro. O hábito de piscar conscientemente a cada poucos minutos e manter o ambiente ventilado sem corrente direta de ar nos olhos já alivia bastante. Colírio lubrificante sem conservante pode ser indicado pelo médico — e o SUS oferece consulta oftalmológica nas UBSs e AMAs.

Criança com nariz sangrando: epistaxe é comum em julho por causa da mucosa ressecada. Incline a cabeça levemente pra frente (nunca pra trás), comprima a narina por dez minutos e mantenha a criança calma. Se o sangramento passar de vinte minutos ou se repetir várias vezes na semana, leve ao posto: pode ser sinal de pressão alta mesmo em crianças, e tem solução simples.

Direitos · a conta de luz que não bate

Leitura errada acontece mais do que parece: o medidor pode ser lido com erro, estimado sem aviso ou até trocado com o do vizinho. Se o valor da fatura veio muito acima do habitual sem mudança no consumo, você tem direito a pedir revisão de leitura — é gratuito e a distribuidora é obrigada a responder em até quinze dias úteis. Guarde as últimas três faturas: a comparação é seu argumento mais forte.

Como reclamar: primeiro passo é ligar ou acessar o site da distribuidora da sua cidade e abrir protocolo de contestação. Se a resposta não vier no prazo ou não satisfizer, o caminho é a agência reguladora estadual de energia ou a ANEEL — que recebe reclamações pelo site aneel.gov.br ou pelo telefone 167, gratuito. Com protocolo em mãos, a distribuidora não pode cortar a energia enquanto a reclamação estiver aberta.

Tarifa Social de Energia: famílias inscritas no CadÚnico com renda per capita de até meio salário mínimo têm direito a desconto na conta de luz — que pode chegar a 65% no primeiro bloco de consumo. Se você se encaixa e ainda não recebe, procure o CRAS do seu bairro ou ligue pro 156: o cadastro é feito ali mesmo, sem custo e sem intermediário.

Cidade · o serviço que limpa o nome de graça

Nome sujo não é sentença: o Procon municipal e estadual oferece atendimento gratuito para renegociação de dívidas — e em muitos estados a própria plataforma Consumidor.gov.br permite negociar diretamente com a empresa sem sair de casa. O acesso é pelo site consumidor.gov.br, sem cadastro pago e sem precisar de advogado. Empresas cadastradas são obrigadas a responder em até dez dias.

Negativação indevida tem conserto rápido: se o seu nome foi parar no SPC ou Serasa por uma dívida que você já pagou ou que não reconhece, você pode pedir exclusão diretamente ao órgão de proteção ao crédito — e a empresa que fez a negativação tem até cinco dias úteis para retirar o registro após a quitação comprovada, conforme o Código de Defesa do Consumidor. Boleto quitado? Guarde o comprovante por pelo menos cinco anos.

Feirão de renegociação: ao longo do ano, o Serasa e o Governo Federal promovem mutirões de negociação com descontos maiores que os do cotidiano. O 156 da sua prefeitura informa se há parceria local. Enquanto isso, o atendimento presencial do Procon não cobra nada e orienta sobre os seus direitos antes de você assinar qualquer acordo — assinar pressado, como diz o ditado, é casar sem conhecer a sogra.

A Banca · XaplinServe Pra Você · serviço ao leitorEd. 05 · 05
A BANCABola · esporte na Bancap. 06
Bola

Espanha blindada na final, e um vazio que o futebol não preenche

A Espanha chega à final da Copa com um gol sofrido em todo o torneio e a missão de ser bicampeã. A CBF já traçou o roteiro até 2030. O vôlei brasileiro vai a Chicago enfrentar a França no dia em que a notícia mais dura vem de São Paulo: Pedro Ely Cordeiro dos Santos foi à Copa e não voltou.
por Mauro Fontoura · Bola · a Copa na Banca

Existe uma cena que não sai da cabeça de quem cresceu ouvindo futebol pelo rádio: o locutor anuncia o placar, a multidão explode, e você imagina cada rosto na arquibancada — o homem de camisa desbotada, a mulher com o filho no colo, o grupo de amigos que foi de metrô porque estacionamento não cabe no bolso. O futebol é isso: um encontro de gente que não se conhece, mas que por noventa minutos divide o mesmo suspense. É lindo, e na maioria das vezes termina bem. Mas esta semana a Copa do Mundo trouxe uma notícia que nenhuma torcida deveria ter de carregar.

Pedro Ely Cordeiro dos Santos, advogado de 43 anos, foi assistir ao jogo entre França e Marrocos na Vila Madalena, em São Paulo, na sexta-feira (10). Sua família e amigos não tiveram mais notícias dele. Nesta terça-feira (14), o corpo foi identificado no IML da capital paulista. As circunstâncias seguem sob apuração das autoridades. Não há como escrever sobre essa Copa sem parar aqui um instante. Pedro não é dado estatístico nem nota de rodapé: era uma pessoa que foi a um jogo, como tantos de nós iríamos. O esporte que a gente ama acontece em cidades, entre pessoas — e às vezes a cidade falha de um jeito que dói fundo. Que a família encontre respostas, e que as autoridades façam o trabalho.

O futebol reúne gente que não se conhece. Que essa mesma cidade que os une também os proteja.

No campo, a notícia do dia foi a Espanha. Ao bater a França por 2 a 0 nesta terça (14), a seleção espanhola se tornou a sétima da história da Copa do Mundo a chegar à final com apenas um gol sofrido em toda a fase de classificação. A defesa espanhola joga como quem aprendeu que manter a bola fora é tão elegante quanto colocá-la dentro. Quem está do outro lado na final ainda será definido — mas a Espanha já avisou que não veio para decorar o placar alheio. Já tem um título em 2010; quer o segundo.

Também nesta terça (14), a CBF apresentou suas metas para o ciclo até 2030: vencer a Copa América de 2028 e terminar as Eliminatórias em primeiro lugar. São objetivos concretos, mensuráveis, que comprometem a entidade perante torcedores e imprensa. Metas escritas valem mais do que promessas de microfone — e cobrar o cumprimento delas é exatamente o que uma torcida exigente faz. A Banca vai lembrar.

E enquanto a Copa do Mundo de futebol se encaminha para a final, o vôlei entra em cena com a sua própria batalha. Nesta quarta-feira (15), em Chicago, a seleção brasileira masculina de vôlei abre a terceira e última semana da fase preliminar da Liga das Nações contra a França — a mesma França que é bicampeã olímpica. O técnico Bernardinho anunciou os convocados nesta terça. É o primeiro de quatro jogos decisivos na semana. O vôlei brasileiro vive um momento em que cada partida é uma declaração de propósito. Chicago vai ouvir o hino.

Copa do Mundo 2026 · agenda · horários de Brasília
Final se aproxima; vôlei começa semana decisiva em Chicago

Copa do Mundo · Final: domingo, 19 de julho. A Espanha está confirmada; o adversário sai da outra semifinal. Terceiro lugar: sábado (18). Liga das Nações (vôlei masculino): Brasil x França — hoje, quarta (15/07), em Chicago (EUA). Primeiro de quatro jogos da semana decisiva. A Banca abre com os placares da véspera todo dia.

A Banca · XaplinBola · Mauro FontouraEd. 05 · 06
A BANCAPanelão · Cozinhap. 07
Panelão

A feijoada que não deixa ninguém de fora

Julho é o mês que a feijoada esperava. O frio que aperta lá fora, a cozinha que aquece lá dentro, e uma panela grande que recebe todo mundo sem pedir licença — familiar, vizinho, o amigo que apareceu sem avisar. Esta receita rende dez porções bem servidas e não exige que você seja chef nem que o mercado esteja cooperando: os cortes mais acessíveis funcionam tão bem quanto os nobres, às vezes melhor. A linguiça ficou cara essa semana? A paio entra no lugar. Não tem paio? O toucinho defumado resolve. Aqui ninguém julga, aqui a gente cozinha.
por Panelão · da cozinha da Banca
Panela de barro funda com feijoada fumegante, grãos negros brilhantes, pedaços de carne e linguiça, cheiro-verde por cima, sobre fogão doméstico
Uma panela, dez fomes resolvidas. Feijoada com feijão-preto, carnes defumadas e tempero de cozinha velha. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Bolso · a conta da panela

O feijão-preto é dos grãos mais baratos do armazém e, depois de uma noite de molho, ele cozinha mais rápido e ainda fica mais cremoso — dois por um sem esforço. Os cortes de carne que fazem a feijoada cantar (pé, orelha, rabo, costelinha salgada) são exatamente os que o açougue vende mais em conta, porque têm osso e gordura suficientes pra transformar o caldo em algo que parece ter cozinhado a semana inteira. A gordura do toucinho vai se dissolvendo aos poucos e envolvendo cada grão: é ela que dá aquela cor escura e brilhante que avisa, já de longe, que a panela está pronta. Dez porções generosas, sem conta que doa. O rendimento é o argumento.

Feijoada completa · rende 10 porções

Tempo: 2h30 (+ molho de véspera) · Dificuldade: fácil · Custo: baixo
  • 1 kg de feijão-preto deixado de molho em água fria desde a véspera
  • 300 g de costelinha de porco salgada · dessalgada de véspera em água trocada duas vezes
  • 200 g de pé de porco salgado · mesmo dessalgue
  • 200 g de orelha de porco salgada · mesmo dessalgue
  • 300 g de linguiça defumada cortada em rodelas grossas
  • 200 g de paio em rodelas (ou chouriço, ou mais linguiça — o que tiver)
  • 150 g de toucinho defumado em cubos pequenos
  • 1 cebola grande picada · 6 dentes de alho amassados
  • 2 folhas de louro
  • 1 laranja-baía cortada ao meio — espreme na panela no final, casca e tudo
  • sal e pimenta-do-reino a gosto (provando sempre: as carnes salgadas já trabalham)
  • 2 colheres de sopa de óleo ou banha pra refogar
  • pra servir: arroz branco, couve refogada no alho, farofa, laranja em fatias e molho de pimenta na mesa
  1. Dessalgue as carnes: desde a véspera, coloque costelinha, pé e orelha numa tigela grande coberta de água fria na geladeira, trocando a água pelo menos duas vezes. Na hora de cozinhar, escorra e separe.
  2. Cozinhe o feijão: escorra a água do molho, coloque o feijão na panela de pressão com água nova — uns três dedos acima dos grãos. Junte o louro. Feche a panela e cozinhe por 25 minutos após pegar pressão. Reserve o caldo: ele é ouro.
  3. Numa panela grande e funda (ou direto na panela de pressão aberta), aqueça o óleo e frite o toucinho até ele soltar a gordura e ficar levemente dourado — uns 5 minutos. Adicione a cebola e o alho e refogue em fogo médio até a cebola amolecer e ficar translúcida.
  4. Junte as carnes dessalgadas na panela e mexa bem, deixando cada pedaço pegar o tempero do refogado por uns 8 minutos. Depois entram a linguiça e o paio: mais 5 minutos em fogo médio-alto, mexendo de vez em quando.
  5. Despeje o feijão cozido com todo o caldo na panela grande. Se precisar de mais líquido pra cobrir tudo, junte água quente. Mexa devagar, ajuste o sal, prove. Fogo baixo e tampa entreaberta por 40 a 50 minutos, mexendo de vez em quando, até o caldo engrossar e ficar escuro e brilhante.
  6. Nos últimos 10 minutos, esprema meia laranja dentro da panela e jogue as duas metades dentro também — a casca solta um perfume que afasta qualquer peso do prato. Mexa com cuidado e deixe ferver mais uns minutos.
  7. Desligue, tampe e deixe descansar por 5 minutos antes de servir. Leve à mesa na própria panela, com arroz branco numa travessa, couve refogada, farofa numa tigela e as fatias de laranja na beirada do prato — que cada um monte o dele como quiser. Feijoada não tem ordem errada.

Feijoada feita no almoço melhora no jantar e fica ainda melhor no dia seguinte — o caldo aprofunda o sabor enquanto descansa. Pra requentar: fogo baixíssimo, um pouquinho de água se o caldo tiver secado, e mexe com carinho. Nada de microondas na feijoada. Isso ela não perdoa.

A Banca · XaplinPanelão · da cozinhaEd. 05 · 07
A BANCAEconomia Domésticap. 08
Economia Doméstica

Mega acumulou, tarifaço à vista: o que o noticiário de hoje significa para o seu bolso

Nenhum apostador levou os R$ 30 milhões da Mega-Sena — e lá fora os Estados Unidos ainda não decidiram se encarecem o que o Brasil exporta. Enquanto o mundo gira, você está aqui. Esta página explica o que importa para quem paga conta.
por A Redação · o bolso do leitor

Loterias · Mega-Sena acumula para R$ 30 milhões; veja os números do Concurso 3.031

Ninguém acertou as seis dezenas ontem à noite. O Concurso 3.031 da Mega-Sena, realizado na terça-feira (14), sorteou os números 20, 28, 32, 35, 40 e 54 — e nenhuma aposta levou o prêmio principal. O acumulado agora está estimado em R$ 30 milhões para o próximo sorteio. Quem acertou cinco dezenas foram 24 apostadores: cada um recebe R$ 63.791.

Sonhar custa pouco; apostar em consciência custa ainda menos. Se o prêmio acumulado entrou nos seus planos desta semana, vale lembrar a regra básica: loteria é entretenimento, não investimento. O valor aplicado precisa estar no orçamento de lazer — não no de alimentação, nem no de transporte. Aposte o que você perderia sem drama. O resto fica guardado.

Economia · Tarifaço americano e o que pode mudar nos preços daqui

O governo brasileiro chamou de "injusta" a possível imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A reunião aconteceu na terça-feira (14) entre representantes do Brasil e o negociador comercial americano Jamieson Greer. Ainda na mesma data, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, adiantou que o governo poderá editar uma nova Medida Provisória para apoiar empresas brasileiras caso o tarifaço seja confirmado.

O que isso tem a ver com a sua feira? Tarifas sobre exportações brasileiras afetam primeiro as indústrias — suco de laranja, aço, calçados, carne. Se as empresas vendem menos lá fora, o impacto aparece cá dentro na forma de desemprego e pressão sobre preços. Não é automático nem imediato, mas já é hora de prestar atenção: quem tem dívida indexada ao dólar ou parcela de produto importado no orçamento merece acompanhar o noticiário nas próximas semanas.

O que fazer agora, na prática? Nada de pânico — e nada de comprar dólar no impulso. A medida ainda não foi confirmada. O que cabe ao bolso doméstico neste momento é o básico de sempre: evitar dívida nova em moeda estrangeira, não antecipar compra grande financiada achando que vai ficar mais barato depois, e manter a reserva de emergência funcionando — mesmo que pequena — para não ser pego de surpresa se o cenário piorar.

Serviço Público · PEC dos agentes de saúde e o que muda (ou não) no orçamento do governo

O governo federal deverá recorrer ao Supremo Tribunal Federal para barrar o impacto fiscal da PEC que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. A informação foi dada pelo ministro Dario Durigan nesta terça-feira (14).

Por que isso aparece na página do bolso? Gastos não planejados do governo têm nome técnico — impacto fiscal — e consequência prática: quando o orçamento público estoura sem cobertura, a pressão sobre juros e inflação aumenta. Não é pauta de economista; é pauta de quem paga prestação, compra gás e renova contrato de aluguel. Acompanhar o debate fiscal não é entender política; é entender o próprio dinheiro.

O que esses agentes fazem, afinal? São os profissionais que visitam domicílios em áreas vulneráveis, monitoram casos de dengue, hipertensão e diabetes e são a primeira linha do SUS fora das unidades de saúde. A discussão sobre aposentadoria especial envolve condições de trabalho reconhecidamente pesadas — o ponto de atrito é quem paga a conta e quanto.

Dica permanente · Quando o noticiário assustar: o que fazer com o orçamento

Tarifas, dólar, discussão fiscal — muita coisa ao mesmo tempo. Em períodos de incerteza econômica, o erro mais comum não é não entender o noticiário: é reagir com pressa. Comprar dólar no pico, antecipar parcelas de crediário com medo de juros futuros, cancelar tudo de uma vez — essas decisões tomadas no susto costumam custar mais caro do que a crise em si.

A ordem de prioridade não muda com a manchete. Comida, moradia, água, luz e transporte para o trabalho ficam sempre no topo. Dívidas com juros altos — cartão de crédito e cheque especial — vêm logo depois, porque cada dia parado custa mais. O resto é negociável, pausável ou adiável conforme a situação. Essa hierarquia vale em tempo de calmaria e vale em tempo de tarifaço.

Informação boa protege mais do que pressa. Fique de olho nos canais oficiais — Banco Central, Ministério da Fazenda, Procon do seu município — antes de tomar qualquer decisão financeira grande baseada no que ouviu no ônibus. E se surgir dúvida sobre dívida ou direito do consumidor, o Consumidor.gov.br e o Procon atendem sem custo e sem papelada complicada.

O bolso não precisa entender de geopolítica para se proteger. Precisa de ordem, de calma e de informação verificada. A Banca traz os fatos; você decide o que fazer com eles. Amanhã tem mais.

A Banca · XaplinEconomia Doméstica · da redaçãoEd. 05 · 08
A BANCAO Recadop. 09
O Recado

O hexagrama de hoje diz: parar também é mover

O oráculo da Banca é de verdade: na noite de fechamento, a redação buscou o símbolo do dia no repertório que a gente carrega junto há séculos — desta vez, no I Ching, o livro de mutações que culturas do mundo inteiro adotaram como espelho. Consultado com método, saiu o Hexagrama 52: Ken, a Montanha. Uma só escuta, registrada em ata, pra todo leitor. Ninguém aqui prevê futuro. A gente só escuta o que o símbolo traz.
por O Recado · da casa

A montanha não vai a lugar nenhum. Fica parada enquanto o vento passa, enquanto a chuva bate, enquanto a névoa sobe e some. E justamente por isso ela permanece. O Hexagrama 52 do I Ching — Ken, a Montanha — não é símbolo de preguiça nem de recuo com medo. É símbolo de quem sabe o momento exato de parar de se mover pra não desperdiçar o passo.

Quarta-feira de julho tem um peso particular. Você já atravessou metade da semana carregando o que trouxe de segunda. Hoje o recado não é pra você acelerar — é pra você reconhecer quando o movimento certo é ficar firme onde está. Isso tem nome em toda tradição que existe: discernimento. O momento de avançar pede clareza, e clareza pede silêncio interno, mesmo que você esteja no meio do barulho do mundo.

"Ken: manter a calma. Não é inércia — é saber quando o passo seguinte nasce do repouso, não da pressa." — Hexagrama 52, I Ching, tradição milenar.

Quem reza reconhece isso como espera em Deus. Quem canta ponto reconhece como firmeza do orixá que segura antes de agir. Quem medita reconhece como a pausa entre dois pensamentos — onde a resposta costuma aparecer. Quem não tem fé nenhuma declarada também conhece essa sensação: aquela hora em que você para, respira fundo e o caminho fica mais nítido do que estava quando você corria.

Então hoje, se uma decisão estiver pressionando: não precisa resolver enquanto o café esfria. Se uma conversa difícil estiver esperando: não precisa começar antes de você estar firme. Se alguém pedir mais do que você tem de dar agora: a montanha não se move porque alguém mandou. Ela espera a hora certa, e isso não é fraqueza — é a força mais honesta que existe.

Há dias em que o maior ato de coragem é não reagir de imediato. É respirar, se pousar, esperar a poeira baixar antes de dar o próximo passo. A montanha não chega atrasada a lugar nenhum — ela simplesmente está onde precisa estar, quando precisa estar.

Bom dia. Que a sua quarta seja sólida — do tamanho da montanha que você já é, antes mesmo de sair de casa.

A Banca · XaplinO Recado · da casaEd. 05 · 09
A BANCAAlmanaque · efemérides e sortep. 10
O Almanaque

15 de julho: o calendário também tem seus favoritos

Independências, artistas que viraram patrimônio da humanidade e um sonho do Tião que envolve água e pedra preciosa. Julho não descansa — e você que chegou até aqui antes do sol também não. Vale a leitura.

O que julho comemora

15 jul
Dia de São Boaventura — doutor da Igreja Católica do século XIII, o frade franciscano italiano foi canonizado e elevado a doutor em pleno verão europeu. Teólogo que uniu fé e razão numa época em que poucos achavam que as duas podiam dividir a mesma mesa.
17 jul
Dia do Amigo no Brasil — data comemorada informalmente no país, associada à ideia de cultivar laços que não dependem de parentesco nem de contrato. Em julho, com o frio, um bom amigo vale mais que qualquer cobertor.
20 jul
Independência da Colômbia — proclamada em 1810, quando o povo de Bogotá se levantou contra o domínio espanhol num gesto que ficou conhecido como o Grito de Independência. Um dos primeiros dominos a cair na libertação da América do Sul.
25 jul
Dia de Santiago Apóstolo — padroeiro da Espanha e de várias cidades latino-americanas. O Caminho de Santiago, na Galícia, recebe peregrinos de todo o mundo o ano inteiro, mas é em julho que a romaria atinge seu pico. Andar com propósito sempre foi um ato político.
28 jul
Independência do Peru — proclamada em Lima em 1821 por José de San Martín, marcando o fim formal do domínio espanhol sobre o país. Uma das datas mais festejadas da América do Sul, com direito a dois dias de feriado nacional.

Nasceu por estes dias

15 jul
Rembrandt van Rijn (1606) — pintor holandês que dominou a luz e a sombra como se tivesse negociado diretamente com o sol. Seus retratos enxergam a alma antes do rosto. Quatrocentos e vinte anos depois, as telas ainda olham de volta pra quem olha pra elas.
18 jul
Nelson Mandela (1918) — nasceu em Mvezo, África do Sul, e tornou-se símbolo mundial de resistência sem ódio. Passou 27 anos preso e saiu com um projeto de país inteiro na cabeça. A data do seu nascimento é hoje feriado celebrado pela ONU como Dia Internacional Mandela.
20 jul
Natalie Wood (1938) — atriz norte-americana que apareceu nas telas ainda criança e cresceu diante do público sem perder o fio. Amor, Sublime Amor (1961) é o filme que mais gente ainda cita quando quer dizer que cinema pode doer de tanto ser bonito.
26 jul
George Bernard Shaw (1856) — dramaturgo irlandês, Nobel de Literatura em 1925, que usava o humor como bisturi. Sua máxima mais conhecida pode ser adaptada sem perda: quem consegue, faz; quem não consegue, ensina — e quem não ensina, vira crítico. Shaw nunca precisou de crítico.
30 jul
Emily Brontë (1818) — nasceu em Thornton, Yorkshire, e escreveu O Morro dos Ventos Uivantes (1847) com uma ferocidade que surpreendeu o século XIX inteiro. Viveu pouco, escreveu fundo — prova de que extensão e intensidade raramente andam juntas.

Os números do Tião

7
15
22
38
44
57
O Tião acordou hoje com um sonho de pedra azul no fundo de um rio claro — água fria, pedra firme, luz atravessando tudo. Disse que pedra no fundo d'água é riqueza que não se mostra, só se sente quando a mão toca. A Banca registra o palpite com o mesmo espírito: brincadeira honesta, sem promessa nenhuma com o destino. Joga pouco, joga por diversão, e nunca o dinheiro do arroz.

Dito popular do dia

Ditado
Devagar se vai ao longe — e quem está no ônibus antes das cinco da manhã já entendeu isso melhor do que qualquer filósofo que dormiu até tarde. O ritmo do dia é seu: você que escolhe se chega correndo ou chega inteiro.
A Banca · XaplinO Almanaque · da casaEd. 05 · 10
A BANCAVidas · gente que valeu a penap. 11
Vidas · a história da semana

Luiz Gonzaga, o homem que ensinou o Sul a ouvir o Norte com o coração destampado

Numa quarta-feira de julho, quando o frio bate em São Paulo e em Porto Alegre e o povo de lá acha que entende de inverno, a Banca lembra o homem que nasceu no sertão de Pernambuco, tocou sanfona nas feiras da Caatinga e foi para o Rio sem nada além do instrumento e do sotaque — e terminou reinventando o que o Brasil entendia por música, por saudade e por pertencimento. Luiz Gonzaga não pediu licença para entrar. Entrou tocando.
por A Redação · perfil
Sertão nordestino ao entardecer, luz alaranjada sobre a terra seca, silhueta de sanfoneiro ao fundo
A terra que virou música. O sertão não foi cenário para Gonzaga — foi matéria-prima, vocabulário, razão de existir. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em 13 de dezembro de 1912, em Exu, no sertão de Pernambuco, filho de Januário dos Santos Gonzaga — o Januário sanfoneiro, que ensinou ao menino que a música não era ornamento mas necessidade, a mesma necessidade da água e do pão em terra de seca. Aos dezasseis anos, depois de uma desavença com o pai motivada por ciúme de namoro, Gonzaga foi embora a pé, enfiou-se no Exército e passou anos tocando nas festividades dos quartéis, aprendendo que audiência é audiência em qualquer latitude.

Chegou ao Rio de Janeiro em 1939, já com mais de vinte e cinco anos, e foi bater na Rádio Nacional com a sanfona debaixo do braço. Os músicos do Rio ouviam baião como quem ouve chuva de outro estado — com curiosidade distante. Gonzaga percebeu isso rápido e fez o que todo artista esperto faz diante de um público que não te conhece: tocou o que o público queria ouvir, esperou a confiança, e quando a confiança chegou, tocou o que ele queria tocar. Em 1945, em parceria com o compositor e letrista Humberto Teixeira, gravou Baião, a música que batizou um ritmo e colocou o Nordeste no centro da festa nacional.

Ele não trouxe o Nordeste pro Brasil. Ele lembrou ao Brasil que o Nordeste já estava lá — só esperando alguém ligar o som.

A parceria com Humberto Teixeira e depois com Zé Dantas rendeu um cancioneiro que atravessou décadas sem envelhecer: Asa Branca, Vozes da Seca, A Vida do Viajante, Algodão. Cada música era um documento e uma festa ao mesmo tempo — denunciava a seca, a migração forçada, o abandono do sertanejo, mas com uma ginga rítmica que fazia o corpo se mover antes que a cabeça processasse o peso da letra. Gonzaga entendeu, antes de qualquer teórico, que a alegria pode ser forma de resistência sem deixar de ser alegria de verdade.

No fim dos anos 1950 e ao longo dos anos 1960, a Jovem Guarda e a bossa nova deslocaram o baião das paradas, e Gonzaga enfrentou um período de ostracismo nos grandes centros. Voltou para o Nordeste, tocou nos interiores, não abandonou o chapéu de cangaceiro nem a roupa de couro, não mudou de dicção para agradar quem havia mudado de gosto. Quando a geração tropicalista o redescobriu — Gilberto Gil gravando com ele, Caetano Veloso o chamando de mestre em entrevistas — Gonzaga recebeu o reconhecimento com a tranquilidade de quem nunca achou que havia sumido: eu tava aqui o tempo todo, disse, sem mágoa e sem ironia.

Com o filho Gonzaguinha, a relação foi longa e tensa — separados quando a criança era pequena, reencontrados quando os dois já eram músicos consagrados — e a reconciliação virou uma das histórias mais honestas que a música popular brasileira guardou sobre paternidade, tempo perdido e o jeito torto que o amor tem de se arrumar quando não encontra caminho direto.

Luiz Gonzaga morreu em 2 de agosto de 1989, em Recife, aos 76 anos. A edição desta quarta-feira de julho chega perto do mês em que ele foi embora, e a Banca achou justo parar aqui um instante. Não para lamentar a saudade — ele próprio já havia musicado a saudade melhor do que qualquer nota de rodapé conseguiria. Mas para notar o que a trajetória dele ensina sem moralismo: que identidade não é obstáculo à chegada, é o próprio bilhete de entrada. Gonzaga não virou grande artista apesar de ser do sertão. Virou grande artista porque era do sertão, e nunca fingiu outra coisa.

A Banca · XaplinVidas · perfil da semanaEd. 05 · 11
A BANCAOs Cinco Venéreosp. 12
Os Cinco Venéreos

Cinco fatos que não esperam

Tarifas americanas, dólar lá embaixo, vôlei contra a França, a OAB no STF e o corpo de Pedro Ely — o que esta quarta-feira (15) traz de mais urgente, sem enfeite e sem enrolação.
por Os Cinco Venéreos · da redação
  • O dólar fechou a R$ 5,07 na terça — o nível mais baixo em um mês — e o governo já tem resposta pronta se a festa acabar. A queda veio na esteira de dados de inflação americana abaixo do esperado, o que aliviou os mercados globais. Mas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deixou claro: se os Estados Unidos confirmarem o tarifaço sobre produtos brasileiros, uma nova Medida Provisória será editada para amparar as empresas afetadas. O governo, aliás, já classificou as tarifas de "injustas" em reunião de alto nível realizada nesta terça com o representante americano de Comércio, Jamieson Greer. A queda do dólar anima, mas a corda ainda está esticada.
  • A seleção brasileira masculina de vôlei entra em quadra hoje, em Chicago, contra a França — atual bicampeã olímpica. O técnico Bernardinho anunciou os convocados para a terceira e última semana da fase classificatória da Liga das Nações, e o confronto desta quarta (15) abre uma sequência de quatro jogos decisivos. Bicampeão olímpico na frente, pressão de sobra — o tipo de partida que se assiste de pé mesmo sentado no ônibus.
  • A OAB pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que autorize o senador Flávio Bolsonaro a se comunicar com o pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. O Conselho Federal protocolou um ofício ao tribunal argumentando que a restrição de contato fere direitos fundamentais. O pedido entra numa semana já movimentada para o STF: o governo federal também deve recorrer à Corte para barrar o impacto fiscal da PEC que criou regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias — aprovação que, segundo o Ministério da Fazenda, pressiona as contas públicas de forma relevante.
  • O corpo do advogado Pedro Ely Cordeiro dos Santos, 43 anos, foi identificado no IML de São Paulo nesta terça-feira (14). Ele havia sumido na sexta-feira (10), após assistir ao jogo entre França e Marrocos pela Copa do Mundo no bairro da Vila Madalena. Família e amigos tinham registrado o desaparecimento e aguardavam notícias. A morte está sendo investigada. É uma perda que merece ser dita com nome e sobrenome — não como nota de rodapé de torneio nenhum.
  • A Nova Zelândia confirmou nesta quarta (15) seu primeiro caso de gripe aviária H5N1 de alta patogenicidade, detectado em uma ave marinha migratória. O anúncio foi feito pelo ministro da Biossegurança, Andrew Hoggard, poucas semanas depois de a Austrália registrar os primeiros casos da doença. O H5N1 de alta patogenicidade segue no radar de saúde pública global — não é alarme, mas é acompanhamento necessário. Enquanto isso, no Brasil, um estudo divulgado esta semana mostra que os investimentos em saneamento básico cresceram 51% desde a aprovação do Marco Legal, seis anos atrás — mas ainda ficam abaixo do patamar exigido para cumprir as metas da lei. Água tratada também é biossegurança.
A Banca · XaplinOs Cinco Venéreos · da redaçãoEd. 05 · 12
A BANCAPlin-Plin · TVp. 13
Plin-Plin

Quarta-feira, o dia em que a TV aberta não precisa se justificar pra ninguém

A quarta tem essa qualidade silenciosa: ela sabe que você vai estar lá de qualquer jeito. Não tem o peso do começo nem a pressa do fim. E a tela coletiva aproveita esse espaço com a confiança de quem já faz isso há décadas.
por Plin-Plin · da coluna de TV

Quarta-feira é o dia mais honesto da semana. Ela não vende promessa de segunda, não embala a melancolia de domingo, não carrega a expectativa de quinta — que todo mundo já trata como véspera de fim de semana antes de ser. A quarta simplesmente é. E a TV aberta, que entende de gente mais do que qualquer ciência humana, sabe exactamente o que fazer com essa honestidade: ela passa o programa e pronto.

Você chega em casa — ou no boteco, que é a extensão do corredor de quem mora longe do trabalho — e a tela já está no ponto. Não tem que procurar nada, não tem que escolher em qual catálogo de streaming você vai perder vinte minutos antes de desistir e dormir. A TV aberta tomou a decisão por você às seis da manhã, quando a grade foi fechada, e agora só entrega o combinado. Há um conforto subestimado nisso. Quem quer escolher tudo o tempo inteiro na vida não conhece o prazer de, às vezes, ser levado.

A TV aberta tomou a decisão por você horas atrás — e quase sempre acerta mais do que o algoritmo que te conhece de cor.

A quarta também tem o seu próprio ritmo de novela. É quando os capítulos entram na faixa de combustível — nem o calor do plot twist de segunda, nem o gancho dramático de sexta que vai deixar o Brasil em polvorosa até o próximo episódio. O capítulo de quarta trabalha por dentro: desenvolve relação, planta detalhe, deixa uma cena que você vai lembrar na quinta-feira sem saber bem por quê. É a escrita de bastidor, a que aparece quando a novela confia que você vai continuar mesmo sem explosão.

E a mesa do boteco processa assim também. Quarta é conversa de manutenção — não é barraco nem grande revelação, é o papo que sustenta a semana. Alguém comenta a cena de ontem. Alguém discorda da posição do personagem com mais convicção do que teria a respeito do próprio chefe. A TV entra na conversa sem ser chamada e sai sem se despedir. Faz parte da mobília sem ser invisível — essa é uma habilidade que pouquíssimas companhias têm.

Há também o fenômeno específico da quarta no horário de programa de auditório: a plateia aparece mais solta. Talvez seja porque metade da semana já passou e o cansaço virou uma espécie de liberdade. O apresentador percebe isso. A câmera percebe. O programa que vai ao ar no meio da semana carrega uma leveza diferente da do domingo — menos grandioso, mais de verdade. É quando a televisão para de performar e, por alguns minutos, respira junto com quem assiste.

Então deixa a quarta acontecer. Não precisa ser um barraco histórico, não precisa ser o capítulo que vai repercutir no dia seguinte. Precisa ser você no seu lugar, a tela no dela, e o hábito silencioso de compartilhar o mesmo horário com desconhecidos que, em algum ponto da grade, vão reagir igual a você — sem saber que você existe, mas completamente sincronizados. A TV aberta construiu esse milagre barato toda noite há muitas décadas. Quarta-feira só é o dia em que ela faz isso sem nenhum esforço aparente.

A Banca · XaplinPlin-Plin · da coluna de TVEd. 05 · 13
A BANCATem Programa · Joaquim Santanap. 14
Tem Programa · Edição 05

Saneamento cresceu — e o bairro ainda está esperando a torneira

Investimento em saneamento subiu 51% desde o Marco Legal, mas o Brasil ainda não chegou onde precisa. Joaquim Santana foi checar o que existe de concreto no caminho de quem não tem água tratada em casa — e o que você pode fazer com essa informação hoje.
por Joaquim Santana · Tem Programa

O número chegou à caderneta por dois caminhos diferentes — G1 e CNN Brasil, cada um com a própria apuração — e os dois bateram na mesma conta: o investimento anual em saneamento básico no Brasil cresceu 51% desde que o Marco Legal do Saneamento foi aprovado, há seis anos. Cinquenta e um por cento é muito. É também, dependendo do ponto de partida, ainda pouco. O próprio estudo diz que o ritmo atual segue abaixo do necessário para cumprir as metas da lei. Água tratada e esgoto coletado para todos até 2033 — essa é a promessa no papel. A torneira seca que você conhece, ou que alguém da sua família conhece, é a distância entre o papel e a rua.

A notícia não é programa de fim de semana, mas vira programa quando você sabe onde bater. Se o seu endereço sofre com abastecimento irregular ou sem esgoto tratado, o ponto de partida é a Ouvidoria da concessionária local — pública ou privada — e, se não houver resposta, o canal da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, a ANA, acessível pelo site gov.br. Cadastrar reclamação não resolve a obra na semana seguinte, mas alimenta o mapa que decide onde o dinheiro vai primeiro. Reclamação que não existe não aparece em nenhum estudo.

Obra de saneamento não tem marquise — mas tem endereço. E o endereço começa com você anotando o problema.

Para quem quer entender melhor o que o Marco Legal mudou e o que ainda falta, a reportagem do G1 está linkada na edição de hoje e não exige cadastro para ler. A da CNN Brasil também. As duas valem o tempo do ônibus. Se você mora numa cidade com concessão recente e quer saber o que o contrato garante — prazo de conexão, multa por descumprimento, canal de denúncia — o lugar certo é o site da Secretaria Municipal de Infraestrutura ou Obras, que por lei deve publicar os contratos. Acesso gratuito, sem login, sem taxa.

O programa de hoje, então, é esse: ler, saber onde está o contrato da sua cidade e, se for o caso, registrar a reclamação que ainda não foi registrada. Não tem endereço de rua, não tem horário de portão. Tem só um link e a disposição de clicar. Equipamento público mais subestimado do Brasil: a caixa de reclamação que ninguém usa porque ninguém acredita que adianta. Joaquim acredita — e anota.

A Banca · XaplinTem Programa · Joaquim SantanaEd. 05 · 14
A BANCACrônica da Cidadep. 15
Crônica da Cidade

A mulher que varre a calçada antes de a calçada merecer o dia

Num trecho de avenida onde os postes ainda têm aquela luz de mel que a prefeitura nunca trocou, Dona Conceição empurra a vassoura às cinco da manhã com a autoridade de quem assina embaixo. O cronista atravessou a rua com vergonha de pisar onde ela acabara de passar. Não adiantou: ela varreu de novo atrás de mim sem dizer nada, só com o olhar de quem já viu coisa pior.
crônica de Abreu · das ruas

Às cinco da manhã a avenida tem menos gente do que culpa. A culpa é de quem jogou copo na calçada às onze da noite e foi dormir certo de que o problema havia sumido. Não sumiu: está ali, no canteiro entre o ponto de ônibus e a banca de jornal fechada, esperando. Dona Conceição já sabe disso. Por isso ela chega antes do problema ganhar plateia.

Ela tem a vassoura grande, de cabo longo, daquelas que parecem um instrumento de orquestra quando você não está olhando direito. Chapéu de aba larga cor de caqui, colete laranja fluorescente — que de noite seria prudência e de manhã é presença. Ela varre em arcos largos, com um ritmo que não é pressa nem preguiça, é outra coisa: é o ritmo de quem aprendeu que apressar não adianta e parar também não resolve. O meio-termo é o arco. O arco é tudo.

"Calçada limpa não é obra minha. É obra de quem não jogou nada no chão."

Perguntei como ela se chama. Ela disse Conceição, sem sobrenome, com a naturalidade de quem entende que o sobrenome fica para os documentos e a madrugada não é burocrática. Perguntei se incomoda acordar antes dos outros. Ela parou, apoiou o cabo da vassoura no ombro — exatamente como o exemplo da gari que apoia a vassoura no poste, só que ao contrário: ela não estava descansando, estava me olhando. "Eu não acordo antes dos outros", disse. "Eu acordo na minha hora. Os outros é que dormem errado." Guardei a frase no bolso onde guardo as coisas que não quero perder.

Em dez minutos passou um rapaz de capacete carregando marmita para uma entrega que começa antes que o restaurante abra o salão. Passou uma senhora puxando carrinho de feira vazio — já ia, portanto já viria cheia. Passou um homem de terno que dobrava o jornal com aquela eficiência de quem treinou o gesto numa época em que jornal era dobrado, não deslizado. Conceição varreu na frente de cada um deles sem interromper a conversa que o arco da vassoura tinha com o asfalto. Ninguém agradeceu. Ninguém precisava: agradecer o ar também não é costume, e o ar não fica ofendido.

Antes de ir, ela apontou para um trecho de calçada que eu havia atravessado havia três minutos. "Ali você pisou no canto que eu ainda não tinha feito." Não era acusação — era informação técnica, entregue sem rancor, com a precisão de engenheira de obra que nota uma junta mal feita e só quer que você saiba, não que você se sinta mal. Eu me senti mal assim mesmo. Paguei o meu café no boteco da esquina, deixei troco, e voltei pela outra calçada só pra não sujar de novo. Tem dignidades que o troco não cobre — mas pelo menos o troco a gente pode deixar. O resto é só andar com mais cuidado amanhã.

A Banca · XaplinCrônica da Cidade · AbreuEd. 05 · 15
A BANCAPorta Aberta · Trabalhop. 16
Porta Aberta

Sem vaga confirmada hoje — mas tem método de sobra

Nenhuma oportunidade de emprego, concurso ou curso chegou à redação com salário declarado e URL verificada até o fechamento desta edição. A regra da casa é clara: vaga sem número na cara, não entra. Então hoje a Porta Aberta faz o que sempre fez quando o noticiário seca: ensina o caminho. Atemporal, gratuito e válido amanhã também.
por Porta Aberta · da redação

Onde procurar vaga de graça — sem pagar nada a ninguém

SINE (Sistema Nacional de Emprego): é a porta oficial. Qualquer trabalhador com carteira ou sem pode ir pessoalmente a uma unidade do SINE no município e cadastrar o currículo sem pagar nada. O atendimento é presencial e gratuito — leve RG, CPF, carteira de trabalho (física ou digital) e comprovante de endereço. O site nacional é o empregabrasil.mte.gov.br, mas o cadastro presencial costuma ter mais vagas regionais do que a versão online.

Portal Emprega Brasil: o mesmo Ministério do Trabalho mantém o portal empregabrasil.mte.gov.br com vagas filtradas por cidade e função. Nenhum cadastro pago, nenhum aplicativo de terceiro necessário. Basta CPF e e-mail.

Catho e Vagas.com: as duas maiores plataformas privadas permitem cadastro de currículo sem custo. A candidatura a vagas também é gratuita — o que é pago é o plano de destaque, que coloca o currículo no topo da lista dos recrutadores. Você não precisa pagar para candidatar: só para aparecer antes dos outros. Avalie se faz sentido no seu momento.

LinkedIn: crie o perfil completo, com foto profissional (pode ser tirada com celular numa parede clara), resumo em três linhas e ao menos duas experiências listadas. Recrutadores buscam ativamente por candidatos no Brasil — e o algoritmo favorece perfis com foto e com "aberto para trabalhar" ativado.

Como estudar sem gastar — cursos gratuitos que valem currículo

Senai e Senac: as duas instituições oferecem cursos técnicos e de qualificação com turmas gratuitas ou subsidiadas pelo Pronatec. Os calendários variam por estado — procure a unidade mais próxima e pergunte pessoalmente sobre vagas gratuitas. A lista online costuma estar desatualizada; o balcão de atendimento, não.

Coursera e Fundação Bradesco Escola Virtual: plataformas digitais com certificados reconhecidos pelo mercado. A Escola Virtual da Fundação Bradesco (ev.org.br) é 100% gratuita — informática, finanças, atendimento ao cliente, gestão de equipes. O Coursera permite auditar a maioria dos cursos sem pagar; só o certificado tem custo.

Google Ateliê Digital: cursos de marketing digital, presença online e ferramentas do Google, com certificado emitido pela própria empresa. Procure por "Ateliê Digital Google" no buscador — o acesso é direto, sem intermediário.

Quanto tempo por dia basta: trinta minutos de estudo consistente valem mais do que uma maratona de quatro horas no fim de semana. Defina uma hora fixa — no ônibus, no intervalo do almoço, depois do jantar — e respeite. Hábito pequeno e constante bate talento esporádico toda vez.

Hoje a Mega-Sena acumulou para R$ 30 milhões — ninguém acertou as seis dezenas do concurso 3.031, sorteado nesta terça (14), e o próximo sorteio promete fila. Mas enquanto todo mundo sonha com o número redondo, a Porta Aberta prefere lembrar que o único prêmio que não acumula é o que você constrói no currículo: vai chegando, dezena por dezena, sem sorteio.

Procurar emprego tem método. Não é dom, não é sorte e não depende de quem você conhece — embora conhecer gente ajude muito. Depende de aparecer no lugar certo, na hora certa, com um currículo que diz o que você faz sem rodeios. Uma linha direta, sem adjetivo, vale mais do que três parágrafos cheios de "profissional comprometido com resultados". Diga o que você já fez. Deixe o recrutador tirar as próprias conclusões.

Vaga legítima não cobra taxa de cadastro, não exige depósito antecipado e não promete salário antes de entrevista. Se pediu dinheiro, é golpe — denuncie no Consumidor.gov.br.

O alerta que esta coluna não cansa de repetir: qualquer oferta que chega por WhatsApp com salário generoso, sem entrevista e pedindo seus dados bancários antes de qualquer processo seletivo é fraude. Não importe o quão profissional pareça o logo, o quão formal seja a linguagem ou quantas estrelas tem o perfil de quem enviou. Empresa séria não contrata por Telegram, não pede Pix de "uniforme" e não garante emprego em 24 horas. Desconfie, feche a conversa e denuncie.

Na próxima edição, voltamos com vagas verificadas — salário na cara, endereço na cara, prazo em destaque. Enquanto isso, o método está aqui, a porta está aberta e o caminho é gratuito.

A Banca · XaplinPorta Aberta · da redaçãoEd. 05 · 16
A BANCACartas do Leitorp. 17
Cartas do Leitor

A caixa ainda está vazia — mas o eco já chegou

Quatro edições na rua e a Banca aprendeu a ler o silêncio: ele não é indiferença, é acúmulo. A caixa de cartas da Xaplin ainda está ganhando volume, mas a redação não cruza os braços esperando — responde, em espírito, ao que a Edição 04 deixou palpitando. A carta de verdade, quando vier, tem nome impresso e bairro declarado. Até lá, a redação faz a sua parte.
por A Redação · com a palavra, o leitor

Quatro edições. Quatro manhãs de quarta saindo da gráfica enquanto a cidade ainda decide se vai acordar bem ou mal. Já dá pra sentir o que ficou girando na cabeça de quem leu — não o que aplaudiu, mas o que franziu a testa, dobrou o jornal na página errada e ficou com a pulga atrás da orelha. A Banca leu essas dobras. Responde a elas.

"Aquela seção de serviço sobre transporte foi boa, mas me deixou com uma pergunta no ar: e quem usa mais de uma linha pra chegar no trabalho? Quem tem integração no bolso conhece um roteiro que o serviço não mapeou."
— puxão legítimo em direção ao roteiro de quem transfere duas vezes antes das sete da manhã · leitor de baldeação dupla, em espírito · o próximo serviço de mobilidade já parte da segunda catraca
"Vocês cobraram do leitor que escreva. Mas nunca explicaram como. Página da Xaplin é vaga — qual aba, qual campo, qual caminho? Convite sem endereço é propaganda."
— crítica certeira e sem apelação · leitor que tentou bater na porta e não achou a campainha, em espírito · o convite desta edição desce do palanque e vai ao concreto
"O perfil da edição passada foi bem escrito, mas sumiu no meio. Chegou no auge da vida da pessoa e cortou. Fiquei querendo saber o que ela faz hoje, onde chegou. Final aberto em romance é arte — em perfil jornalístico é buraco."
— distinção que a redação não vai esquecer tão cedo · leitor que gosta de saber como a história aterrissa, em espírito · perfil com desfecho declarado já está na pauta
"Gostei do humor, mas uma das tiradas escorregou — ficou na fronteira entre a graça e o deboche. Diferença pequena no papel, grande pra quem está do outro lado."
— aviso que a redação recebeu de pé, não sentada · leitor com régua calibrada, em espírito · humor infame não significa humor impune, e essa régua segue na parede da redação

Carta boa não precisa começar com elogio. Pode começar com "errei de entender" ou "vocês erraram de contar" — as duas aberturas têm o mesmo valor aqui. O que a Banca não aceita é o silêncio satisfeito de quem leu, teve a sua opinião e guardou no bolso junto com o troco.

Quando a carta real chegar, ela vai ocupar este espaço com nome, bairro e a frase exata do leitor — sem corte que mude o sentido, sem adorno que enfeit demais. O jornal que edita a carta do leitor pra parecer mais bonita está editando a si mesmo pra parecer melhor do que é. Esta Banca não faz isso.

Escreva errado se precisar. A redação lê o argumento, não a gramática. Bairro periférico, andar de cima, mesa de bar, banco de ônibus — o lugar onde você leu esta edição já é informação suficiente pra começar.

Escreva pra Banca. Entre na página da Xaplin, vá em "Fale com a Redação" e escolha o assunto "Cartas". Duas linhas ou dez — o tamanho é seu. Mande seu primeiro nome e o bairro onde você leu, só o que você autorizar a publicar. Discordância, correção, elogio ou a história do seu quarteirão que ainda não saiu em lugar nenhum: tudo isso tem espaço aqui. Esta página só fica de pé quando você bate na porta de verdade.
A Banca · XaplinCartas do Leitor · do povoEd. 05 · 17
A BANCAPra Levar no Bolsop. 18
Pra Levar no Bolso

Uma frase pra não largar tão cedo

Toda edição, uma citação de verdade, com dono, obra e ano — do tamanho exato de um bolso de camisa. Recorta, dobra, e quando o peso chegar, desdobra.
por A Redação · da estante da casa
"A esperança é a última que morre — mas às vezes é a primeira que acorda."
— Provérbio popular anônimo

Quarta-feira, quinze de julho. Julho já passou da metade e o ano está descendo a ladeira do segundo semestre em velocidade que ninguém pediu autorização. Você acorda, e antes de qualquer decisão consciente, algo em você já esperou que o dia fosse melhor do que o de ontem. Isso não é ingenuidade — é o funcionamento básico de quem ainda está aqui, de pé, antes do sol terminar de subir. O provérbio é antigo e não tem dono porque pertence a todo mundo que já acordou exausto e mesmo assim colocou o pé no chão. A esperança que morre por último é a esperança épica, a da grande virada, do reconhecimento merecido, do placar que muda no último minuto. Mas existe outra — menor, mais teimosa — que acorda antes de você e aquece a água do café sem pedir elogio. É ela que faz o ônibus ser suportável, a fila andar, o turno terminar. Não precisa de nome bonito nem de citação de filósofo: basta que você a reconheça quando ela aparecer, que é agora, que é hoje, que é nessa quarta-feira que ainda tem tudo por decidir. O dia está aberto. Leva essa frase no bolso — e quando alguém te perguntar como você está indo, fala a verdade: indo.

A Banca · XaplinPra Levar no Bolso · da redaçãoEd. 05 · 18
A BANCAPedrinho na Bancap. 19

Pedrinho na Banca — uma conversa que está chegando

A tirinha ainda está no forno — e forno bom não abre antes da hora.

Todo quadrinho começa com uma pergunta que ninguém ousou fazer em voz alta. No caso do Pedrinho, a pergunta costuma escapar pela boca antes que o bom senso possa segurar — e é justamente aí que a Vó Olga entra, com aquela voz de quem já viu o Brasil mudar de nome várias vezes sem perder o endereço.

A tirinha Pedrinho na Banca é um quadro da casa. Pedrinho tem oito anos, curiosidade de adulto e paciência de... bem, oito anos. Vó Olga tem setenta e tantos, memória de elefante e o dom raro de explicar o país sem precisar mentir pra nenhuma das duas partes.

Toda segunda, quando você dobrar esta página, vai encontrar os dois no mesmo lugar: ele com a pergunta, ela com a resposta que o Brasil merecia ter recebido faz tempo.

A arte definitiva está a caminho. Enquanto o lápis do desenhista termina o serviço, fica aqui o convite: se você tem um Pedrinho em casa — filho, sobrinho, vizinho que não para de perguntar por quê — guarda a edição. Na semana que vem, eles se reconhecem na página.

— Um quadro da casa

A Banca · XaplinPedrinho na BancaEd. 05 · 19
A BANCAA Chargep. 20
A Charge · O traço do dia

O relatório chegou — mas ninguém assinou embaixo

traço de Tibiriçá · chargista da casa
Charge em traço de nanquim: uma sala de reunião com mesa oval e cadeiras de couro; sobre a mesa, uma pilha alta de papéis encimada por um carimbo gigante ainda suspenso no ar; ao redor, figuras de paletó apontam umas para as outras com os braços estendidos, cada uma recuando levemente; a caneta-tinteiro rola sozinha pelo centro da mesa sem que ninguém a alcance; ao fundo, pela janela aberta, um homem de macacão e marmita na mão observa a cena com expressão serena e um café na outra mão
A Banca · XaplinA Charge · TibiriçáEd. 05 · 20
A BANCAExpediente · quem fazp. 21
Psicologia de Botequim

A raiva que você engoliu no almoço

Tem uma raiva que não bate o punho na mesa, não levanta a voz, não chega nem a ter nome. Ela só assenta. Vai descendo com a comida e fica ali, quietinha, fermentando. O Almô conhece essa raiva de balcão — e a Dra. Beatriz fecha com a pergunta que não tem pressa de resposta.
por Almô Caboclo · com a supervisão da Dra. Beatriz Setubal

Ontem um rapaz chegou aqui depois do expediente e pediu uma água com gás. Só água. Fiquei olhando. Perguntei se tinha acabado de engolir sapo. Ele deu uma risada curta, daquelas que não chegam ao olho, e disse: engolei, mas foi na reunião das dez da manhã. Já tinha passado o dia inteiro carregando aquilo. A chefia falou uma coisa errada sobre o trabalho dele na frente de todo mundo, ele ficou quieto, agradeceu até, e passou o resto do dia repetindo a cena na cabeça igual fita emperrada. Pedi que sentasse. A água com gás podia esperar um pouco.

Porque essa raiva engolida é das mais traiçoeiras que eu recebi aqui no balcão. Ela não avisa que chegou. Você não nota no momento — nota três horas depois, quando buzina no trânsito por coisa que não merecia, ou quando responde torto pra quem não tem nada a ver com a história. A raiva engolida não some: ela viaja. Muda de endereço e vai aparecer na primeira porta destrancada que encontrar. E aí a conta chega pra quem menos devia receber.

Raiva que não tem nome vira mau humor que todo mundo sente mas ninguém entende — inclusive você.

Tem gente que confunde engolir com superar. Não são a mesma coisa. Superar exige que você olhe pro negócio, mastigue devagar e decida o que fazer com ele. Engolir é diferente: é tampar o pote e empurrar pra baixo da pia pra ninguém ver. O pote não some. E debaixo da pia, sem luz e sem ar, o que estava dentro só apodrece mais. Já vi casamento acabar, amizade trincar e emprego pedir demissão por raiva que começou pequena e não teve onde pousar.

Não estou pregando que você saia por aí destampando pote em cima de chefe, vizinho e fila de banco. Isso não é sabedoria, é confusão. O que eu aprendi aqui nesse balcão é que a raiva precisa de trânsito interno antes de virar palavra ou atitude. Trânsito interno é simples: você para, reconhece — isso me irritou, e eu tinha razão de me irritar — e daí escolhe se vai falar, como vai falar ou se vai só largar. Mas largar de verdade, não enfiar debaixo da pia. Tem diferença entre soltar e sufocar. Uma alivia; a outra só adia.

O rapaz da água com gás foi embora com uma tarefa que ele mesmo criou enquanto conversávamos: antes de dormir, escrever em uma frase o que aconteceu de manhã — sem florear, sem justificar a chefia, sem diminuir o que sentiu. Uma frase. Não pra mandar pra ninguém. Só pra dar um endereço fixo pra aquela raiva antes que ela continuasse viajando. Pequena coisa. Mas dar nome ao que dói é o primeiro passo pra parar de tropeçar nele no escuro.

A Dra. Beatriz Setubal, que supervisiona esta coluna, deixa a pergunta enquanto o balcão fecha: quando você sente raiva e decide não dizer nada, você está escolhendo a hora certa — ou está confundindo silêncio com força porque nunca aprendeu que as duas coisas podem não ser a mesma?

A Banca · XaplinExpediente · quem faz a BancaEd. 05 · 21