O Seu Walmir, que vende pastel na entrada do metrô da Tijuca, tem uma teoria sobre segunda-feira. Ele diz que segunda não é o começo da semana — é a prova de que você sobreviveu à anterior. Portanto, celebração. Ele diz isso enquanto abre a barraca no escuro, ainda com o reflexo do domingo nos olhos, e começa a aquecer o óleo. Discordo do Walmir em muita coisa, mas não nessa.
Tem um peso específico nessa manhã de 13 de julho. Julho já passou da metade, o frio ainda não decidiu se fica ou vai embora, e a semana que começa hoje não pediu licença. Chegou assim, pontual e sem desculpa, como todo compromisso sério. A única resposta à altura é a que você já deu: saiu da cama, pegou o ônibus, ou o metrô, ou foi a pé, ou ligou o computador antes de todo mundo. O dia não esperou e você também não.
Esta edição chegou até você com o noticiário que importa — economia, cidade, cultura, esporte — tudo apurado e destrinchado sem alarde. É o nosso trato: contar o que aconteceu sem fazer você gastar energia com susto. Energia é recurso nobre, especialmente antes das seis da manhã.
Uma coisa que aprendi fazendo jornal de madrugada é que o leitor que acorda cedo não precisa de barulho. Precisa de clareza. Precisa saber o que mudou e o que ficou no lugar, o que vai embora e o que resiste. Esse leitor é mais exigente do que os editores imaginam — e, cá entre nós, é por isso que a Banca existe. Pra estar à altura de quem já está acordado quando o dia ainda está de cueca.
Vai lá. O Walmir já abriu o óleo, o dia já esquentou, e a semana já começou sem você pedir. Aproveita que você também já começou — e isso, nesta segunda de julho, não é pouco.
Apareceu aqui no balcão, semana passada, uma mulher com a cara de segunda-feira num dia que era quinta. Não estava doente. Não estava de luto. Não tinha acontecido nada em especial. Me disse: Almô, eu durmo e acordo cansada. Trabalho, cuido, resolvo — e no fim do dia parece que carreguei um saco que não era meu. Eu quentei o café dela e fiz a única coisa que o bom balcão faz antes de qualquer conselho: fiquei quieto um minuto.
Porque esse cansaço que ela descreveu tem um nome, só que a gente raramente usa. Não é preguiça — preguiça é leve, dá até vontade. Não é estresse, que todo mundo já saturou de ouvir. É o cansaço de sustentar a aparência de que está tudo certo quando não está. É o trabalho de não reclamar, de não pesar, de chegar sorrindo quando por dentro o combustível está no reserva há três dias. Esse, meu amigo, é o cansaço mais caro da folha — e não tem linha no orçamento pra ele.
Repara numa coisa que boteco ensina rápido: o sujeito que chega aqui e diz que está mal, eu sirvo o café e escuto. O sujeito que chega dizendo que está ótimo com a voz cinco decibéis acima do necessário — esse eu observo com mais cuidado. Nomear o cansaço não é fraqueza, é higiene. Igual lavar a xícara antes de encher de novo: não adianta encher por cima do que ficou do dia anterior.
E o pior nome que esse cansaço carrega é nenhum. Sem nome, sem conversa. Sem conversa, sem trégua. A mulher da quinta foi embora com o café e com uma tarefa que não era minha mandar: antes de dormir, escrever três linhas sobre o que pesou no dia — não pra resolver, só pra tirar da cabeça e colocar em algum lugar fora do corpo. Coisa simples. Coisa que a cabeça faz de graça quando a gente para de fingir que não precisa. E olha: parar não é o mesmo que desistir — é a única forma de aguentar ir.
A Dra. Beatriz Setubal, que supervisiona esta coluna, deixa a pergunta no fundo da xícara, pra você ler quando terminar o café: quando você diz que está bem, você está descrevendo como se sente — ou descrevendo o que ainda consegue fazer mesmo sem se sentir bem?
Umidade baixa: julho costuma ser o mês mais seco do ano em boa parte do Brasil. O nariz resseca, a garganta irrita e quem tem asma ou rinite sente logo. Deixar uma bacia com água perto da cama ou um umidificador ligado de noite já faz diferença real — não é frescura, é fisiologia.
Hidratação que não depende do calor: no frio, a sede engana. O corpo pede água do mesmo jeito, mas o sinal chega mais fraco. A conta simples: urina clara, você está bem. Urina escura, beba mais água antes de qualquer outra solução.
Criança com tosse noturna: ar seco piora muito. Se a criança tosse mais à noite do que de dia, o posto de saúde tem orientação e, dependendo do caso, nebulização gratuita. Leve a carteirinha do SUS.
Conta chegou muito alta? Você pode pedir revisão diretamente à distribuidora — ela é obrigada a explicar a fatura item por item. O prazo legal para resposta é de até 30 dias. Guarde todas as contas anteriores: a série histórica é o seu argumento.
Tarifa Social de Energia: família inscrita no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa tem direito a desconto na conta de luz — que pode chegar a 65% dependendo do consumo. O pedido é feito direto à distribuidora, sem custo. Se você conhece alguém que se encaixa e ainda não pediu, vale avisar: o desconto não é automático.
Aneel: não resolveu com a distribuidora? A Agência Nacional de Energia Elétrica recebe reclamação pelo site aneel.gov.br ou pelo 167. Protocolo em mãos, o processo anda.
O Centro de Referência de Assistência Social é o equipamento público que mais gente desconhece — e que mais serviço presta de graça. É lá que você atualiza o CadÚnico, descobre se tem direito ao BPC, ao Bolsa Família ou à Tarifa Social, retira documentos e recebe orientação jurídica básica. Não é só pra quem está em crise: é pra quem quer conhecer os direitos que já são seus. O endereço do CRAS mais próximo sai no 156 ou no site da prefeitura. Uma ida resolve o que meses de dúvida não resolvem.
Tem noite que o esporte não avisa que vai chegar assim, de uma vez, de duas frentes ao mesmo tempo. Enquanto você dormia, em Osaka, no Japão, a seleção feminina de vôlei do Brasil encerrou a fase classificatória da Liga das Nações 2026 da pior forma possível: 3 a 0 para os Estados Unidos — sets de 26/24, 25/22 e 25/16. A ponteira Ana Cristina foi a maior pontuadora brasileira da partida, o que diz alguma coisa sobre disposição individual e diz outra coisa sobre o coletivo, que simplesmente não sustentou o ritmo americano no terceiro set. Dezoito pontos de diferença num set final não é zebra, é sinal de que a energia tinha cobrado a conta.
Com o coração, a imagem que fica é a Ana Cristina brigando sozinha por bolas que o jogo já tinha dado ao outro lado. Com a cabeça, o diagnóstico é mais simples: os Estados Unidos são, hoje, uma máquina que combina potência de saque com leitura de jogo, e a classificatória foi o momento em que a seleção pagou por oscilações que um adversário desse porte não desperdiça. A fase de grupos acabou. O que vem a seguir vai exigir outra conversa, essa a comissão técnica vai ter de travá-la longe dos microfones.
Enquanto Osaka ainda acordava, no Brasil o dia foi de amistosos de intertemporada, dessas partidas que valem mais pelo que revelam do que pelo placar. O Fluminense encerrou a sua preparação com 100% de aproveitamento: venceu o Bahia no Maracanã com Hulk e Cano saindo do banco — o reforço marcou de pênalti, o argentino ampliou na etapa final. Já o Grêmio bateu o Cruzeiro por 3 a 1 no Mané Garrincha, mas a história da tarde foi do goleiro Grando, ex-Cruzeiro, que defendeu dois pênaltis cobrados por Kaio Jorge e Gabriel Pec e saiu do campo sem precisar dizer uma palavra. O Corinthians, por sua vez, abriu o placar com Matheus Pereira e não guardou: Cleiton empatou para o Cascavel no segundo tempo. Amistoso é amistoso, mas empate com time da série D é o tipo de coisa que o torcedor não esquece até o fim do mês.
E então a Copa. Na tarde desta segunda, Lionel Messi vai a campo contra a Inglaterra pela primeira vez na carreira — 37 anos de futebol, centenas de partidas, e esse duelo nunca tinha acontecido. O jogo vai ser jogado em campo, mas parte dele já foi jogado na memória coletiva antes de a bola rolar.
Uma nota lateral, que vale registrar: a Fifa avalia expandir a Copa do Mundo masculina para 64 seleções nos próximos torneios. O presidente Gianni Infantino diz que o evento precisa ser "para o mundo todo". Mais países, mais histórias, mais Copas dentro da Copa — a ideia seduz e assusta na mesma proporção. O futebol que cabia num rádio de pilha em Diamantina agora cabe em qualquer tela, então talvez o argumento de alcance já não seja o mais forte. O que vai decidir é o calendário — e o calendário já está cheio antes mesmo de se falar em 64.
Quartas de final: Argentina x Inglaterra, hoje (13/07) — acompanhe o horário na sua emissora. Semifinais: terça (14) e quarta (15). Terceiro lugar: sábado (18). Final: domingo, 19 de julho. A Banca abre com os placares da véspera todo dia.

Nenhum ingrediente desta receita vive sozinho no cardápio da semana — todos são reaproveitados ou comprados no fundo da feira, quando o preço cai. A lógica de rendimento é a mais honesta: quanto mais legume, menos macarrão você precisa, e o caldo engana qualquer barriga. Oito porções fartinhas, com o que já mora no seu armário de sal, alho e azeite — o custo final depende da sua feira, mas a generosidade da panela, não.
Esta sopa não tem pressa e não tem orgulho. Sobrou? Amanhã ela fica ainda mais encorpada — o macarrão absorve o caldo e vira quase um ensopado. Se secar demais, um copo de água quente resolve sem drama. Inverno é longo; panela boa, menos.
Primeiro o que sustenta a vida, depois o que sustenta o contrato. Parece óbvio, mas na prática muita gente paga o carnê da loja antes de comprar arroz — porque o carnê manda cobrança e a fome não assina notificação. A fila correta é: comida, moradia (aluguel ou prestação da casa própria), água e luz, transporte para o trabalho. Tudo que vier depois disso é o que sobrou para negociar.
Dívida não some — mas ela espera. Credor nenhum pode cortar sua luz ou tirar o prato da mesa. O que ele pode fazer é negativar seu nome, cobrar juros e ir a juízo — e essas três coisas têm prazo. Você tem mais tempo do que a cobrança quer que você acredite. Use esse tempo para reorganizar, não para entrar em pânico.
Como abrir uma negociação sem sair no prejuízo: ligue você, não espere a empresa ligar primeiro — quem toma a iniciativa tem mais margem para pedir desconto. Antes de ligar, saiba exatamente quanto deve e quanto consegue pagar por mês sem comprometer comida e aluguel. Proponha um valor que você consiga honrar por seis meses seguidos. Acordo que você não cumpre é pior do que nenhum acordo.
Juros de cartão de crédito são os mais caros do mercado. Se o saldo do cartão virou uma bola de neve, migre para um empréstimo pessoal com taxa menor — e cancele o limite que gerou a dívida. Pagar juro de cartão com cartão é como tentar apagar vela soprando mais vento.
A reserva de emergência começa antes de parecer possível. Não precisa ser grande nem imediata: separar um valor fixo — mesmo que pequeno — a cada recebimento cria um hábito que um dia salva o mês. A conta separada ajuda: dinheiro misturado some misturado.
Direitos que existem e pouca gente usa: o Cadastro Positivo pode melhorar sua pontuação de crédito se você paga as contas em dia — e é gratuito. O Desenrola, quando aberto, permite negociar dívidas com o governo federal com desconto — acompanhe os comunicados oficiais. Feirão da Serasa costuma abrir periodicamente para acordo com grandes credores: o site da Serasa informa as datas sem custo.
Página sem calendário não é página vazia — é a página que funciona em qualquer segunda-feira do ano. O dinheiro tem lógica. Quando você aprende a lógica, o mês fica um pouco menos difícil mesmo quando o saldo não muda. E isso já é alguma coisa.
A Montanha não vai a lugar nenhum. E não é por preguiça — é porque ela sabe que o peso que carrega merece firmeza. Ken, o hexagrama 52 do I Ching, mostra duas montanhas empilhadas: a de dentro e a de fora, o que você sente e o que o mundo exige. O recado não é pra você parar de vez. É pra você parar na hora certa.
Segunda-feira de julho pede uma coisa de cada vez. O dia ainda está escuro lá fora e você já está em pé — isso já é mais do que muita gente consegue. A Montanha não te pede heroísmo antes das seis da manhã. Ela te pede atenção: o pé no chão, o primeiro gole quente, o ônibus que você vai pegar sem correr porque você saiu com dois minutos de sobra. Pequena vitória. Montanha do dia.
Tem uma coisa que a Montanha ensina que toda fé reconhece — e aqui cabe todo mundo, do terreiro à igreja, da mesquita ao centro, de quem acende vela a quem só fecha os olhos e respira fundo: que o silêncio também é resposta. Não é omissão, não é covardia. É a quietude de quem sabe que o próximo passo vai ser mais sólido se você não der ele ainda cambaleando.
Então: o que pode esperar até a tarde, espera até a tarde. O que pode esperar até amanhã, você já sabe. E o que não pode esperar — aí você vai, com a calma de quem tem raiz. Montanha não corre. Montanha fica. E fica firme.
Bom dia. Que a sua segunda começa devagar e chega inteira.

Antônio Gonçalves da Silva nasceu em 5 de março de 1909, na Serra de Santana, município de Assaré, no interior do Ceará. O pai morreu cedo, a escola ficava longe demais e o menino foi criado na roça — plantando, colhendo, ouvindo o mundo ranger. Aprendeu o alfabeto por conta própria, com a ajuda de um vizinho que tinha um livro, e depois nunca mais parou de ler. Escolheu o nome artístico por causa do patativo, pássaro miúdo do sertão nordestino que canta sem parar e não se cala nem com o sol a pino.
Ainda jovem perdeu a visão do olho esquerdo, resultado de um acidente. A limitação não o fez parar; fez o ouvido afinar. A partir dos anos 1950, Patativa começou a gravar discos e publicar folhetos de cordel, e o sertão que ele descrevia em verso — seco, orgulhoso, injustiçado, mas nunca humilhado — chegou às mãos de gente que nunca pisara no Nordeste. Seus poemas misturavam o português culto e o dialeto caipira nordestino com uma precisão que era, ao mesmo tempo, arte e manifesto: a fala do povo não era erro, era voz.
A fama cresceu devagar, do jeito que dura. Pesquisadores, cantores e poetas viajavam até Assaré para conversar com ele; universidades incluíram seus textos em currículos; Luiz Gonzaga, o rei do baião, reconhecia nele um parente da mesma terra e da mesma cadência. Patativa nunca saiu definitivamente da roça — plantou feijão e milho até os oitenta e tantos anos, porque dizia que a terra ensinava o que o papel não alcançava.
Morreu em 8 de julho de 2002, em Assaré, com 93 anos, no mesmo chão onde havia nascido. A semana que passou trouxe o aniversário dessa morte — e a Banca achou que valia a pena lembrar. Não como curiosidade, mas como orientação. Patativa passou a vida inteira dizendo que o sertanejo não precisava de intérprete: precisava de escuta. A lição serve pra qualquer segunda-feira, em qualquer ponto do país onde alguém acorda cedo e vai trabalhar sem que ninguém pergunte o que ele pensa. Às vezes a voz que falta não está muda — está esperando quem chegue perto o suficiente pra ouvir.
Segunda-feira tem uma reputação injusta. O país acorda cedo, o trânsito cobra caro e a noite promete pouco. Mas há um dado que a segunda não anuncia em nenhum cartaz: ela é, de longe, a noite em que a TV aberta mais importa. Não porque a grade é a melhor — às vezes não é. Mas porque é a noite em que quem chegou cansado senta sem expectativa e descobre que estava com saudade de não fazer nada junto com alguém.
O boteco de segunda é outro bicho. Não tem barulho de fim de semana, não tem grupo de aniversário ocupando quatro mesas. Tem o senhor da cadeira do canto que já está lá antes de o canal acender, tem a dupla que veio só pra tomar uma e vai ficar até o jornal terminar, tem o balconista que conhece o controle remoto de cor e muda de canal com uma autoridade que nenhum algoritmo de streaming vai replicar. Segunda-feira, a TV do boteco é intimista. Ela sussurra.
E é exatamente aí que a TV aberta ainda guarda o seu segredo mais bem guardado: ela cria o contexto, não o conteúdo. Pode ser um rerun de série policial, pode ser o talk show de sempre, pode ser a novela chegando no seu penúltimo capítulo dramático — não importa tanto o que passa. Importa que todos os olhos convergem para o mesmo ponto luminoso, e nessa convergência nasce uma conversa que nenhuma plataforma sob medida consegue fabricar. O streaming é perfeito justamente no que o mata: é feito pra você, só pra você, e essa exclusividade é a sua maior solidão.
A TV aberta erra junto. Passa o comercial na hora errada, corta a cena mais tensa pra anunciar detergente, exibe a reprise que todo mundo já viu duas vezes. E o boteco inteiro protesta no mesmo segundo — um protesto coletivo, breve, que de alguma forma vira cumplicidade. Já houve noites em que o melhor programa da semana foi o comercial que interrompeu o programa da semana.
Então, se você está lendo isso no transporte a caminho do trabalho e já está pensando no que fazer hoje à noite: não precisa de estreia, não precisa de especial. Precisa de tela acesa e alguém do lado que também não sabe bem o que quer assistir. A grade vai se virar. O boteco resolve. E segunda-feira, que ninguém esperava nada, frequentemente entrega o que sábado prometeu e não cumpriu.
O programa desta semana veio de longe — de Brasília, para ser exato — e agora está em São Paulo, ao alcance de quem vai de metrô e prefere gastar a passagem no que vale. A mostra "A Infinita Memória da Pandemia: a História da Covid-19 por Todos Nós, Brasileiros" é itinerante e gratuita, concebida para dar corpo ao acervo do Memorial Digital da Pandemia de Covid-19. Ficará em cartaz até o dia 9 de agosto de 2026. Confirme o endereço exato e o horário de funcionamento diretamente com o equipamento anfitrião antes de sair — a caderneta só fecha o portão quando esses dois dados estão na mão.
Por que vale ir? Porque a pandemia não foi um evento distante: aconteceu dentro das casas, nas filas de hospital, nas videochamadas de velório. A mostra é feita de relatos e registros de brasileiros comuns — não de especialistas olhando de cima, mas de gente que viveu aquilo no próprio corpo. Ver isso num espaço público, de graça, é o tipo de programa que devolve ao passado recente a dignidade que o noticiário corrido às vezes não consegue dar.
Para chegar, o melhor caminho é sempre o transporte público — metrô e ônibus de São Paulo cobrem bem as regiões centrais e os grandes equipamentos culturais. Verifique a linha mais próxima no site da SPTrans ou do Metrô SP antes de sair: eles têm o trajeto atualizado por endereço. Leve água, que julho paulistano tem sol de manhã e vento de tarde. E, se for com criança ou pessoa idosa, pergunte na entrada sobre acessibilidade — o acervo é digital e interativo, então vale saber como navegar.
No radar da caderneta: o IBGE anda batendo na porta de domicílios do país inteiro neste segundo semestre, com entrevistadores da Pesquisa Nacional de Saúde 2026. Se um deles aparecer na sua casa, não é golpe — é ciência pública. Colabore, que os dados coletados até novembro vão orientar políticas de saúde por anos. Não é programa de fim de semana, mas é participação cidadã — e Joaquim anota tudo que serve pra quem acorda cedo. Vai, que a mostra é sua.

Às cinco menos dez da manhã, quando a calçada ainda pertence só aos pombos e aos que não têm escolha, dona Conceição abre a maleta de couro gasto numa mesa dobrável que já passou dos trinta anos de serviço — como ela mesma aponta, sem reclamar de nenhuma das duas. A mesa range, ela não. Do lado, uma lanterna de cabeceira pendurada num gancho de arame ilumina o miolo de um Seiko que parou na noite anterior. Ela calça a lupa na testa com o gesto exato de quem arma os óculos antes de ler carta de filho longe.
Perguntei o que tinha de errado no relógio. Ela ergueu um olho — o que não estava tampado pela lupa — e disse: "Poeira. Sempre é poeira." Pausa. "E às vezes é dono que aperta onde não devia." Não parecia crítica, parecia diagnóstico. Ela trabalha desde antes de o ponto de ônibus ali do lado existir, desde antes da padaria, desde antes do semáforo que ninguém respeita depois da meia-noite. A cidade cresceu em volta do banquinho dela e o banquinho ficou quieto no mesmo lugar.
Os primeiros clientes aparecem antes das seis: um motoboy com o digital do capacete piscando, uma auxiliar de enfermagem de plantão encerrado, um aposentado que jura que o relógio do avô ainda anda e só precisa de um estímulo moral. Ela não cobra a consulta; só cobra o conserto, e o preço é o que era no ano retrasado porque "inflação não entra aqui dentro". Dito assim, com a segurança de quem decretou uma república própria num metro quadrado de calçada.
Quando o Seiko voltou a andar — um clique seco, digno — ela fechou a tampa sem alarme. O dono, um segurança de banco que esperava de pé, botou o relógio no pulso e ficou olhando o ponteiro como se visse um parente ressuscitar. Pagou, agradeceu, saiu. Ela já tinha a próxima peça na mão antes de o homem dobrar a esquina. Eu, que pago tudo o que consumo desde 1995, fiz questão de deixar o valor do café que ela não me ofereceu — a honestidade, nesse caso, é o tributo que um sovina paga à dignidade alheia. Ela aceitou sem cerimônia e voltou pro relógio. O tempo, ali, não para. Ela garante.
O que é: o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) 2026/1 divulgou o resultado definitivo da análise de documentação da primeira etapa. Quem participou já pode consultar se foi aprovado nessa fase e se está apto a seguir no processo.
Como consultar: o resultado está disponível pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no portal oficial do Revalida. Acesse exclusivamente pelos canais do governo federal — nenhum site de terceiros tem o resultado antes ou de forma mais simples.
PRAZO: o resultado final desta primeira etapa foi divulgado agora — acompanhe o calendário oficial do Inep para os próximos passos do exame e não perca nenhuma janela.
O que é: o Programa Universidade para Todos (Prouni) abre bolsas de estudo — parciais e integrais — em faculdades particulares de todo o Brasil para o segundo semestre de 2026.
PRAZO: as inscrições encerraram às 23h59 do domingo, 12 de julho de 2026. Se você lê isto na segunda-feira 13, o prazo de inscrição já passou — mas o processo seletivo continua, e convocações e chamadas adicionais ainda virão. Acompanhe o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior para não perder a próxima janela.
Para o próximo ciclo: mantenha o cadastro no Enem em dia, confira a renda familiar per capita exigida no regulamento oficial e inscreva-se na primeira hora — o site não cai no início, cai quando todo mundo deixa pro último minuto.
Dois fatos, dois caminhos diferentes, uma mesma lógica: quem se prepara antes não corre no final. O médico formado no exterior que acompanhou o calendário do Revalida desde o início sabe exatamente onde está na fila. O estudante que guardou o login do Portal do Prouni na semana de abertura não ficou dependendo de sinal de internet ruim no domingo à noite.
Agenda é tudo. Não é sobre ser o mais inteligente da sala — é sobre ser o que anotou a data certa no calendário e não deixou o mês virar sem agir. Uma linha na agenda, um alarme no celular, um lembrete colado na geladeira: o que funcionar pra você já é método suficiente.
E o alerta que esta coluna repete enquanto for preciso: ninguém vende resultado do Revalida antecipado, ninguém garante bolsa do Prouni por fora, ninguém cobra taxa pra te inscrever em programa do governo. Se chegou mensagem assim no seu celular — WhatsApp, e-mail, Direct —, é golpe. Denuncie no portal do Consumidor.gov.br e apague sem responder.
A porta está aberta. O Revalida tem calendário público, o Prouni tem portal gratuito, e os dois têm uma coisa em comum: funcionam pra quem aparece na hora certa. Anota a próxima data ainda hoje.
Duas edições no mundo, e já dá pra sentir o peso das perguntas que ficaram entre as linhas. Quem leu a segunda edição de pé, numa segunda cedo, vai reconhecer o eco. A Banca escutou — e responde com a honestidade que prometeu na estreia.
Banca boa não é a que tem sempre razão — é a que admite quando errou e muda. Se você pegou alguma coisa torta nesta edição, ou em qualquer outra, escreva. Correção publicada aqui não envergonha ninguém: pelo contrário, levanta o jornal.
Segunda-feira, treze de julho. O dia começa antes do sol, e você já sabe como é: a calcada fria, o ônibus que não espera, o café que aquece mais pelo ritual do que pela temperatura. Tem gente que guarda felicidade pra depois — pra quando a conta fechar, pra quando a criança crescer, pra quando a vida afrouxar um pouco. O provérbio não discorda da espera, só avisa que o caminho já é a chegada. Cada passo dado às cinco da manhã já conta como destino. O trânsito não apaga isso, nem o plantão, nem a pilha de segunda-feira. Você está no meio da estrada e, se parar um segundo pra perceber, já chegou a algum lugar que importa. Boa segunda-feira. O caminho é você que faz — e hoje você já começou.
A tirinha ainda está no forno — e forno bom não abre antes da hora.
Todo quadrinho começa com uma pergunta que ninguém ousou fazer em voz alta. No caso do Pedrinho, a pergunta costuma escapar pela boca antes que o bom senso possa segurar — e é justamente aí que a Vó Olga entra, com aquela voz de quem já viu o Brasil mudar de nome várias vezes sem perder o endereço.
A tirinha Pedrinho na Banca é um quadro da casa. Pedrinho tem oito anos, curiosidade de adulto e paciência de... bem, oito anos. Vó Olga tem setenta e tantos, memória de elefante e o dom raro de explicar o país sem precisar mentir pra nenhuma das duas partes.
Toda segunda, quando você dobrar esta página, vai encontrar os dois no mesmo lugar: ele com a pergunta, ela com a resposta que o Brasil merecia ter recebido faz tempo.
A arte definitiva está a caminho. Enquanto o lápis do desenhista termina o serviço, fica aqui o convite: se você tem um Pedrinho em casa — filho, sobrinho, vizinho que não para de perguntar por quê — guarda a edição. Na semana que vem, eles se reconhecem na página.
— Um quadro da casa
A Dona Cida abre o café da esquina às cinco e dez. Nesta terça, ela abriu de luva. Luva, touca e aquele suspiro que faz fumaça. Eu perguntei se não dava vontade de ficar em casa. Ela respondeu com a pergunta que resume o inverno de quem trabalha em pé: "E quem esquenta a rua se eu não vier?". Pronto. O editorial de hoje podia acabar aqui.
Mas vou gastar mais duas linhas, porque é justo. A cidade tem um truque de mágica que ninguém aplaude: toda manhã ela aparece funcionando. Luz acesa, rua varrida, padaria cheirosa, ônibus rodando. O truque tem segredo, e o segredo tem nome e sobrenome: é todo mundo que saiu de casa no escuro pra que os outros acordassem no claro. Você, inclusive. Principalmente você.
O noticiário desta semana vai falar de frio recorde e de bola que não entrou. Tudo verdade, tá tudo aí dentro desta edição, contado sem drama e sem enfeite. Mas a manchete da capa é outra, e é a única que importa às cinco da manhã: o frio chegou — e você chegou primeiro. Pronto. De novo.
A Banca segue no seu horário de sempre, de segunda a sábado, às cinco em ponto, porque promessa aqui se cumpre no relógio. E segue com novidade: a página do expediente, pra você olhar na cara de quem faz este jornal, e o Pedrinho a caminho — a tirinha da casa estreia nas próximas edições. Achamos que você tinha esse direito.
Vai lá, que o seu dia começou. O meu também. E o da Dona Cida, de luva e tudo, já vai pela metade.