A resenha diária de quem acorda o Sol para trabalhar
EDIÇÃO MAIS NOVA
Edição 03 · fechada em
11 de julho de 2026
Rio · Xaplin
Ilustração fotográfica da capa da edição 03
Copa do Mundo 2026
França na semifinal e a Espanha no caminho
Les Bleus de Deschamps vencem mais uma e miram recordes históricos. Na terça, semifinal contra a Espanha — a mesma que despachou a Bélgica na sexta com ajuda de um goleiro que vai preferir esquecer. A Copa segue e você acompanha aqui, página por página.
Bola · França x Espanha: o que esperar da semifinalEconomia · Bolsa subiu quase 3% — o que isso muda pra vocêAlerta · Mounjaro falsificado: como se proteger
Vôlei
Brasil vence Polônia e vai à fase final da Liga das Nações
Educação
ITA: inscrições até domingo — R$ 195 e o prazo correndo
Proteção
Congresso aprova novas leis contra violência à mulher
O bom-dia do Zé da Banca
Bom dia de sábado. O jogo grande ainda está por vir — e você já acordou adiantado. Isso conta.
A BANCAEditorial · Caco Damascenop. 02
O Editorial

O sábado não pede licença

Onze de julho, sábado, e a cidade acordou igual: antes de você ter motivo pra sorrir, alguém já estava de pé pra garantir que o motivo estivesse lá.
por Caco Damasceno · direção da Banca

Tem uma conversa que eu ouço toda semana no ponto da Tijuca, entre gente que madruga igual a mim. É sobre o sábado. Não o sábado de quem dorme até as dez — esse é outro personagem, não é você. O sábado de quem está aqui às cinco é diferente: tem gosto de semana ainda, mas já carrega aquele alívio miúdo de saber que o pior do peso já foi. É um dia de dois andares. Você mora no térreo e já começou a subir.

Hoje a Banca chega com a edição três na mão. Três edições em três semanas — e nenhuma atrasou, nenhuma sumiu, nenhuma virou meia página. Digo isso sem vaidade, digo como quem assinou um trato e quer que você saiba que está sendo honrado. Jornal é contrato. Você aparece, a gente aparece. Simples assim, difícil assim.

Sábado de quem madruga não é fim de semana. É o dia em que a semana tira o chapéu pra você.

Nesta edição tem coisa boa esperando pela sua atenção. Política sem gritaria, cidade com suas dobras e surpresas, cultura que não precisa de legenda pra fazer sentido. E tem o mundo lá fora, contado por quem entende que notícia é serviço, não espetáculo. Pode folhear sem pressa — ou com a pressa que o seu ônibus permite, que a gente sabe como é.

O que eu quero mesmo te dizer é o seguinte: julho está pela metade, o ano virou um bicho rápido, e é fácil deixar a semana passar sem se dar conta de que você atravessou coisas que mereciam mais de um aplauso. Esse aplauso é minha função aqui, toda manhã, neste espaço pequenininho de duas colunas. Vou continuar batendo palma sem cerimônia, porque cerimônia a esse hora não combina com ninguém.

Vai lá. O sábado é seu, do jeito que você quiser. Eu fico aqui, do lado desta página, na segunda que vem, às cinco em ponto, de volta ao posto.

A Banca · XaplinEditorial · Caco DamascenoEd. 03 · 02
A BANCAGiro do Dia · as editoriasp. 03
Giro do Dia

Sábado começa com dez motivos pra se informar

Dez notas verificadas, cada uma com o que muda pra você embutido — pra chegar no almoço de sábado sabendo exatamente o que aconteceu, de onde veio e o que fazer com isso.
Saúde
Mounjaro falsificado circulando — fique atento. A Anvisa determinou nesta sexta-feira (10) a apreensão de lotes falsificados do medicamento Mounjaro, após a fabricante identificar unidades com características diferentes das originais. Se você usa ou conhece alguém que usa: compre somente em farmácias com CNPJ ativo e exija nota fiscal. Suspeita de produto adulterado pode ser denunciada pelo canal da Anvisa.
Educação
ITA: inscrição termina amanhã à meia-noite. O prazo para o vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) 2027 encerra neste domingo (12) às 23h59, pela internet. A taxa é de R$ 195,00. Se tem um jovem em casa de olho em engenharia aeronáutica ou áreas correlatas, hoje é o dia de checar o site e fechar a inscrição — amanhã pode ser tarde demais.
Bolso
Bolsa subiu quase 3% — o dólar recuou pelo terceiro dia seguido. Na sexta-feira (10), o Ibovespa avançou quase 3% e fechou no maior patamar desde maio. O dólar voltou à faixa de R$ 5,10, sua terceira queda consecutiva. Para quem tem prestação indexada ao câmbio ou planeja compra de eletrônico importado: o momento é de atenção — tendência não é garantia.
Economia
Fies Empreendedor vai cobrar juros no período de carência. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta sexta (10) uma mudança nas regras do Fies Empreendedor, linha de crédito para estudantes e ex-estudantes adimplentes do Fies. Agora os juros incidem também durante a carência. Quem já tem ou planeja contratar esse crédito precisa rever o planejamento de pagamentos com atenção redobrada.
Mulheres
Congresso aprova mais proteção às mulheres e meninas. Câmara e Senado aprovaram dois avanços recentes: a criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres e uma lei que amplia a divulgação do canal de denúncias. O número de denúncias é o 180 — funciona 24 horas, é gratuito e confidencial.
Internacional
Venezuela agradece ao Brasil após terremoto que matou mais de 4 mil. A presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, ligou nesta sexta (10) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agradeceu o apoio brasileiro após os terremotos de fim de junho, que deixaram mais de 4 mil mortos no país vizinho. A crise humanitária segue aberta — organizações de ajuda humanitária aceitam doações.
Copa
França x Espanha: a semifinal que para o mundo na terça. A França, maior favorita ao título segundo a Agência Brasil, enfrenta a Espanha na terça-feira (14) pela semifinal da Copa do Mundo de 2026. A seleção de Didier Deschamps ainda briga por recordes históricos no torneio. A partida e os horários de transmissão estão na página da Bola desta edição.
Vôlei
Brasil vai à fase final da Liga das Nações — de virada, em Osaka. Na sexta (10), a seleção feminina de vôlei derrotou a Polônia por 3 sets a 1 (25/20, 23/25, 25/23 e 28/26) e garantiu vaga antecipada na fase eliminatória da Liga das Nações, com o nono triunfo no torneio. A final é em set seguido — o campinho de esportes desta edição tem o calendário completo.
Escola
CNE define regras para repor aulas sem perder os 200 dias letivos. O Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou resolução estabelecendo parâmetros para garantir o cumprimento dos 200 dias letivos em situações que comprometem o calendário escolar. Pais, estudantes e gestores podem consultar a resolução para saber os direitos e os prazos de reposição em caso de suspensão de aulas.
Mídia
EBC pede ao TSE garantia jurídica para publicar reportagens. A Diretoria Executiva da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) anunciou nesta sexta (10) que vai ingressar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido de tutela preventiva, buscando segurança para publicar reportagens sem risco de responsabilização indevida. A ação ainda não foi julgada — a Banca acompanha.
Todas as notas deste Giro foram verificadas pela redação em 11 de julho de 2026, em fonte pública e nomeada. Serviço errado é fake news — e fake news não abre banca aqui.
A Banca · XaplinGiro do Dia · da redaçãoEd. 03 · 03
A BANCAPsicologia de Botequimp. 04
Psicologia de Botequim

O cansaço que você chama de preguiça

Tem gente chegando no sábado de manhã já pedindo desculpa por não ter feito mais. O Almô conhece esse cliente — é cliente fixo. A Dra. Beatriz fecha a consulta com a pergunta que ninguém fez ainda.
por Almô Pereira · com a supervisão da Dra. Beatriz Setubal

Entrou aqui no balcão uma mulher na quinta-feira, olho fundinho, café na mão antes de eu perguntar se queria. Me disse assim, sem cerimônia: Almô, não aguento mais, mas me sinto mal de reclamar porque a vizinha passa por coisa pior. Deixei o pano no ombro e disse: minha senhora, cansaço não é campeonato. Não tem medalha pra quem sofre mais. Tem alívio pra quem se deixa descansar.

Repara o truque que a cabeça prega. Você trabalhou a semana inteira, dormiu mal, resolveu problema de filho, de chefe e ainda de alguém que não era nem responsabilidade sua. Aí chega no sábado, senta, e em vez de descanso vem culpa — a sensação de que parar é o mesmo que falhar. Isso tem nome no balcão: você trocou o cansaço real pela vergonha de ser humano. E aí cansa duas vezes.

Preguiça é escolha. Esgotamento é aviso. Confundir os dois é o erro — e a gente paga a conta com juros no corpo.

A sabedoria do boteco diz: descansado é que faz. Mas boteco também vê o contrário todo dia — o homem que não para nunca, nem no domingo, porque parar parece desmoronar. Esse sujeito não é trabalhador exemplar. Esse sujeito está com medo. Medo de que, sem a correria, sobra tempo pra ouvir o que a cabeça estava tentando falar há meses. Correria é um volume alto pra cobrir o chiado que incomoda.

Então aqui vai o que o doutor de balcão receita neste sábado de julho: se você acordou cedo e já está se cobrando por não ter feito mais, para. Não como conselho de autoajuda, não como slogan de caneca. Para porque o seu corpo guardou a semana toda e agora apresenta a nota fiscal. Nota fiscal não é fraqueza — é contabilidade honesta. E contabilidade honesta é a base de qualquer coisa que preste.

O sábado é seu. O café também. E se alguém perguntar o que você está fazendo sem fazer nada, você diz que está fazendo exatamente o que precisa — e manda o recado do Almô.

A Dra. Beatriz Setubal, que supervisiona esta coluna, deixa a pergunta no pires antes de você ir: quando você diz que está com preguiça, você verificou primeiro se não está, na verdade, simplesmente no limite — e quem te ensinou que esses dois são a mesma coisa?

A Banca · XaplinPsicologia de Botequim · Almô PereiraEd. 03 · 04
A BANCAServe Pra Você · utilidade públicap. 05
Serve Pra Você

Os números que não dormem nunca

A página pra fixar na porta da cozinha. Edição de julho: os oito ramais de sempre, o que o meio do inverno pede na saúde, um direito trabalhista que muita gente esquece e o equipamento público que resolve mais do que parece.
por A Redação · serviço ao leitor

Telefones de emergência

190
Polícia
Militar
192
SAMU
Ambulância
193
Corpo de
Bombeiros
199
Defesa Civil
(alagamento/risco)
180
Central de
Atend. à Mulher
100
Direitos
Humanos
188
CVV · apoio
emocional 24h
156
Prefeitura
na linha

Saúde · o que julho pede

Doenças respiratórias: asma, bronquite e rinite se agravam no frio seco de julho. O SUS atende de graça — leve as crianças ao posto antes da crise virar internação. Inalação, receita de broncodilatador e orientação sobre umidificador do ambiente: tudo na unidade básica do bairro, sem custo.

Hipertensão e diabetes no frio: a pressão costuma subir no inverno porque os vasos contraem. Quem toma medicação diária não pode interromper por conta própria, nem trocar de dose sem médico. Em dúvida, o posto resolve — é só aparecer.

Dica de prevenção: janela aberta durante o dia renova o ar de casa, reduz mofo e ajuda o pulmão de todo mundo. Não custa nada e o efeito é real.

Direitos · o vale-transporte é seu, não da empresa

O que a lei diz: o vale-transporte é direito do trabalhador com carteira assinada para cobrir o deslocamento casa–trabalho–casa no trajeto que ele declarar. A empresa paga a parte que exceder 6% do salário bruto do empregado.

Se você mudou de endereço: comunique por escrito ao RH. O benefício segue o trajeto real, não o do contrato antigo. Guarde o protocolo da comunicação.

Se a empresa recusa ou desconta errado: o Ministério do Trabalho tem canal gratuito em trabalhador.gov.br — você abre reclamação sem precisar de advogado. Anote datas, valores e salve os contracheques.

Cidade · o CRAS perto de você

O Centro de Referência de Assistência Social existe em todos os municípios brasileiros e é gratuito. Ele orienta sobre Bolsa Família, BPC, inscrição no CadÚnico, encaminhamento pra creche e abrigo emergencial — tudo em um só endereço. Quem ainda não se cadastrou no CadÚnico perde acesso a uma série de benefícios sem saber. Basta levar RG, CPF e comprovante de residência. O 156 informa o CRAS mais próximo da sua casa.

A Banca · XaplinServe Pra Você · serviço ao leitorEd. 03 · 05
A BANCABola · esporte na Bancap. 06
Bola

A França ainda não acabou de nos surpreender

Espanha elimina a Bélgica, França avança de olho em recordes e o Brasil feminino garante vaga na fase final da Liga das Nações derrubando a Polônia. Sábado de Copa — e a Banca abre cedo pra contar tudo.
por Mauro Fontoura · Bola · a Copa na Banca

Tem jogo que a gente assiste com o coração acelerado e jogo que a gente assiste com o lápis na mão. A vitória da Espanha sobre a Bélgica por 2 a 1, nesta sexta-feira (10), foi das duas espécies ao mesmo tempo. Com o coração: a Bélgica abriu o placar, a Espanha levou o primeiro gol desta Copa depois de cinco jogos com a defesa fechada — e mesmo assim virou. Com o lápis: a virada espanhola veio depois que Senne Lammens, goleiro reserva que entrou no lugar do titular Courtois aos 26 minutos do segundo tempo, falhou no lance que definiu o 2 a 1. Jovem, estreante em Copa, numa hora dessas — é o peso que o futebol distribui sem pedir licença. Ninguém passa por isso sem cicatriz. A Espanha, por sua vez, está na semifinal pela primeira vez em 16 anos. Isso é resultado, não sorte.

E então tem a França. Meu avô dizia que time favorito é igual bonde: sempre tem um na esquina. Pois bem, a seleção de Didier Deschamps já garantiu a semifinal contra a Espanha na terça (14) e ainda pode encerrar esta Copa com marcas que vão ficar nos livros. Dois jogos pela frente, pelo menos. O detalhe curioso desta Copa toda é que nem os pênaltis estão saindo limpos: Kylian Mbappé perdeu uma cobrança na vitória por 2 a 0 sobre o Marrocos nas quartas — a tal da paradinha, que virou discussão de especialista e de botequim ao mesmo tempo. Mbappé errou, a França ganhou. O futebol não simplifica.

Favorito é quem ainda tem jogo pela frente. Os outros já estão na arquibancada junto da gente.

Mas o sábado não é só Copa. Na sexta (10), em Osaka, o Brasil feminino de vôlei derrubou a Polônia por 3 sets a 1 — parciais de 25/20, 23/25, 25/23 e 28/26 — e carimbou antecipadamente a vaga na fase final eliminatória da Liga das Nações. Nono triunfo no torneio, segundo consecutivo nesta etapa. É um time que corre, que briga set a set e que não entrega nem quando o adversário empata o marcador. O Brasil feminino de vôlei tem o hábito de vencer em silêncio. A Banca faz questão de falar em voz alta.

Uma nota de serviço antes do fim: quem tem alguém na família de olho no ITA, o prazo de inscrição para o vestibular de 2027 encerra neste domingo (12), até as 23h59, pela internet — taxa de R$ 195,00. Futebol e engenharia aeronáutica: dois campos em que o brasileiro insiste em aparecer quando ninguém aposta. Não é à toa.

O caminho até 19 de julho · horários de Brasília
Copa 2026 — o que ainda está em aberto

Quartas encerradas: Espanha 2 x 1 Bélgica, sexta (10) · França 2 x 0 Marrocos, quinta (09). Semifinais: França x Espanha, terça (14) · outra semifinal, quarta (15). Terceiro lugar: sábado (18). A final: domingo, 19 de julho, no MetLife Stadium. Todos os dias, esta página amanhece com os placares da véspera.

A Banca · XaplinBola · Mauro FontouraEd. 03 · 06
A BANCAPanelão · Cozinhap. 07
Panelão

A sopa que aquece sem frescura

Julho com frio sério pede uma sopa que não pergunta se você tem creme de leite em casa. Essa aqui é de abóbora com gengibre: cor de sol, cheiro que toma conta do corredor e rendimento que enche seis tigelas sem tremer no bolso. Se você não tem gengibre, vai sem — aqui ninguém julga, aqui a gente cozinha.
por Panelão · da cozinha da Banca
Panela funda com sopa de abóbora alaranjada, vapor subindo, colher de pau apoiada na borda
Cor de sol no prato. Abóbora cabotiá, gengibre e um fio de azeite: o frio não tem chance. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Bolso · o que rende no seu favor

A abóbora cabotiá — aquela de casca verde-escura, pesada na mão — é uma das hortaliças que mais rendem por quilo em qualquer feira de inverno. Meio quilo de polpa já ocupa boa parte de uma panela média quando cozida. Esta receita usa cerca de 1 kg de abóbora, o que enche seis tigelas fundas com sobra pra alguém repetir. Os demais ingredientes são de despensa: cebola, alho, azeite, sal. O gengibre aparece em pequena quantidade — um pedaço do tamanho do polegar já dá conta. Preço varia de feira pra feira; o rendimento, esse não muda.

Sopa de abóbora com gengibre · rende 6 tigelas fundas

Tempo: 35 min · Dificuldade: fácil · Custo: baixo
  • 1 kg de abóbora cabotiá (ou moranga) descascada e cortada em cubos
  • 1 cebola média picada e 3 dentes de alho amassados
  • 1 pedaço de gengibre fresco do tamanho do polegar, ralado (pode pular)
  • 1 litro de água quente ou caldo caseiro de legumes
  • 2 colheres de sopa de azeite ou óleo
  • sal, pimenta-do-reino e noz-moscada a gosto
  • pra finalizar: fio de azeite, cheiro-verde ou semente de abóbora torrada, se tiver
  1. Refogue cebola e alho no azeite em fogo médio até ficarem transparentes e cheirosos — uns três minutos que já mudam o humor do apartamento inteiro.
  2. Junte o gengibre ralado e mexa por um minuto. Ele acorda — e você também.
  3. Adicione os cubos de abóbora e misture bem com o refogado. Deixe pegar cor por dois minutos antes de colocar o líquido.
  4. Cubra com a água quente (ou o caldo) e cozinhe em fogo médio por 20 minutos, até a abóbora ceder fácil ao garfo.
  5. Bata no liquidificador com cuidado — tampa firme, pano por cima, vapor não avisa. Processe até ficar aveludada. Se preferir rústica, amasse direto na panela com garfo grosso.
  6. Volte à panela, acerte o sal e a pimenta, e deixe ferver mais dois minutos. A noz-moscada vai no fim, bem pouquinho — ela termina o serviço.
  7. Sirva bem quente, com um fio de azeite por cima e cheiro-verde. Semente de abóbora torrada na frigideira seca transforma a tigela em algo que parece ter levado o dobro do tempo.

Dica de quem conhece o fundo da panela: sopa aveludada dura três dias bem tampada na geladeira e fica ainda mais encorpada no segundo. Esquente em fogo baixo, mexendo sempre — ela agradece o cuidado. Numa garrafa térmica larga, ela vai com você e aquece onde precisar.

A Banca · XaplinPanelão · da cozinhaEd. 03 · 07
A BANCAEconomia Domésticap. 08
Economia Doméstica

Quando o mercado falsifica, quem paga é você

A Anvisa determinou nesta sexta-feira (10/7) a apreensão de lotes falsificados do Mounjaro — medicamento que virou alvo de fraude no mercado. Enquanto o assunto não é calendário de pagamento, é proteção do seu bolso: remédio falso custa caro duas vezes, uma na farmácia, outra na saúde.
por A Redação · o bolso do leitor

Economia · Remédio falso: como não cair

O que aconteceu: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em 10 de julho de 2026, a apreensão de lotes falsificados do Mounjaro — medicamento para diabetes tipo 2 que também é usado fora de bula para perda de peso. A ordem partiu depois que a própria detentora do registro identificou unidades no mercado com características físicas divergentes das originais.

Como identificar um produto suspeito: embalagem com cores desbotadas ou impressão borrada, número de lote ilegível ou ausente, bula com português torto, lacre violado ou que solta fácil demais. Na dúvida, não use — leve à farmácia e peça orientação antes de qualquer injeção.

Onde comprar com segurança: farmácias com CNPJ ativo e autorização sanitária estadual. O site da Anvisa (consultas.anvisa.gov.br) permite checar se o estabelecimento tem licença válida — é gratuito e leva menos de dois minutos. Compra por redes sociais ou aplicativo de brechó não conta como canal seguro, independentemente de quão barato pareça.

Se você já comprou e suspeita: guarde a embalagem completa, anote onde e quando comprou e registre uma notificação na Anvisa pelo canal Notivisa ou pelo telefone 0800 642 9782. O registro ajuda a rastrear lotes e tirar produto falso de circulação.

Remédio não é mercadoria para pechinchar em canal duvidoso — e o barato que parece milagre quase sempre é falsificação embrulhada em papel de promessa. A regra de ouro continua valendo: primeiro confirme a origem, depois abra a carteira. Saúde e dinheiro agradecem na mesma medida.

E falando em bolso: sem calendário de pagamento confirmado para esta edição, vale repetir o princípio que não tem data de validade. Mês apertado tem hierarquia: comida, moradia e luz chegam antes de qualquer parcela. Negociar dívida de cabeça fria e barriga cheia sempre sai mais em conta do que negociar no sufoco — o credor também sabe disso, por isso espere o momento certo para sentar à mesa.

A Banca · XaplinEconomia Doméstica · da redaçãoEd. 03 · 08
A BANCAO Recadop. 09
O Recado

O hexagrama de hoje pede pausa antes do passo

O oráculo da Banca é de verdade: na noite de fechamento, a redação consultou o I Ching, lançou as moedas três vezes seis e registrou o resultado em ata — um só hexagrama, pra todo leitor. Saiu o hexagrama 52, Ken, A Montanha. Ninguém aqui prevê futuro. A gente só escuta o símbolo.
por O Recado · da casa

Ken é a montanha parada sobre a montanha. No I Ching, o livro de sabedoria mais consultado do mundo há milênios, esse hexagrama não fala de fraqueza nem de recuo — fala de stillness, aquela pausa deliberada que antecede o movimento certo. A montanha não fugiu do vento: ela ficou onde estava e deixou o vento passar. Pra um sábado de julho, em que o fim de semana empurra a gente pra resolver tudo de uma vez, esse recado chega na hora.

Parar não é o mesmo que desistir, e a montanha entende isso melhor do que ninguém. Você acordou cedo — e sábado de manhã cedo já é um ato de fé — com alguma decisão pesando no peito. Talvez uma conversa que ficou pra depois, um plano que espera luz verde, uma mágoa que quer virar palavra. O hexagrama diz: não hoje, não agora, não antes de sentar um instante com você mesmo. A pressa nesse momento gasta o dobro e rende a metade.

A montanha não corre pro abismo pra provar que é corajosa. Fica. Olha. E quando o momento chega, ela já está de pé.

Seja qual for a sua fé — e nesta Banca cabe todo mundo, do terreiro à igreja, da mesquita ao centro espírita, de quem faz oração a quem só respira fundo —, a pausa antes do passo é linguagem universal. No candomblé se diz que Oxalá não tem pressa. No catolicismo, o silêncio é berço de todo discernimento. No budismo zen, o monge senta antes de agir. Todos falam a mesma coisa com palavras diferentes: espera um triz e o triz te devolve mais do que você tinha.

Então o recado pra hoje é este: antes de mandar a mensagem, respira. Antes de fechar o negócio, dorme uma noite. Antes de dizer que sim ou que não, pergunta ao seu corpo como ele está. A montanha não vai a lugar nenhum — e justamente por isso ela ainda está lá quando você precisa se apoiar.

Bom dia de sábado. Que a sua pausa de hoje seja o chão firme de amanhã.

A Banca · XaplinO Recado · da casaEd. 03 · 09
A BANCAAlmanaque · efemérides e sortep. 10
O Almanaque

Julho ainda tem muito a dizer

Efemérides, nascimentos e uns números pra quem gosta de tentar a sorte — tudo de leve, como manda a tradição dos bons almanaques. A data é 11 de julho, e julho ainda está no meio do caminho.

O que julho comemora

11 jul
Dia Mundial da População — instituído pela ONU em memória de 11 de julho de 1987, quando a Terra chegou a cinco bilhões de habitantes. Uma data pra lembrar que dividir o planeta bem é a conta mais difícil — e a mais urgente.
14 jul
Queda da Bastilha — em 1789, parisienses tomaram a fortaleza que era símbolo do poder absoluto. O mundo não voltou a ser o mesmo depois disso. Liberdade, igualdade, fraternidade: três palavras que ainda dão trabalho.
18 jul
Dia Internacional de Nelson Mandela — a ONU escolheu o aniversário do líder sul-africano pra lembrar que mudar o mundo é possível, mesmo que demore. Cada hora de serviço ao próximo conta.
28 jul
Independência do Peru — desde 1821, o país festeja a data em que proclamou sua independência do domínio espanhol. América Latina que se entende no calendário.

Nasceu por estes dias

11 jul
Giorgio Armani (1934) — o costureiro italiano que nasceu neste dia e ensinou o mundo a usar um paletó sem abrir mão da elegância. Prova de que classe não grita.
13 jul
Wole Soyinka (1934) — escritor nigeriano que nasceu nesta data e levou o Nobel de Literatura em 1986, o primeiro africano a receber o prêmio. A voz que não pede licença pra ocupar o palco.
22 jul
Gregor Mendel (1822) — o monge tcheco que nasceu por estes dias e, estudando ervilhas num jardim de mosteiro, descobriu as leis da hereditariedade. Paciência é dom — e método.

Os números do Tião

07
11
18
29
44
58
O Tião disse que sonhou com um rio largo e calmo passando por baixo de uma ponte velha — água parada não cria musgo nenhum no sonho do Tião, só promessa de travessia boa. A Banca registra o palpite como foi tirado, na noite de fechamento, sem retocar. Joga pouco, joga por diversão, e nunca o dinheiro do arroz.

Dito popular do dia

Ditado
Devagar se vai ao longe — e, segundo o Tião, também se chega mais descansado. Pra quem já está no ponto de ônibus às cinco da manhã, o ditado soa menos conselho e mais justiça.
A Banca · XaplinO Almanaque · da casaEd. 03 · 10
A BANCAVidas · gente que valeu a penap. 11
Vidas · a história da semana

Elis Regina, a voz que nunca pediu licença

Num sábado em que o país acorda com música, A Banca conta a vida da gaúcha que saiu de Porto Alegre com doze anos de estrada pela frente e chegou a São Paulo disposta a ocupar o centro do palco — não como favor, mas como fato. Morreu cedo demais. Cantou uma vida inteira.
por A Redação · perfil
Máquina de escrever antiga sobre mesa de madeira, com um jornal dobrado ao lado, luz de janela
O palco como morada. A ferramenta de Elis era a voz — e ela a usou sem pedir desculpa a ninguém. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre em 17 de março de 1945. Filha de família simples, cantava em rádio antes de ter idade pra assinar contrato. Aos quinze anos era a mais nova contratada da Rádio Farroupilha; aos dezoito, havia ganho o Festival Internacional da Canção Popular de São Paulo e deixado a capital gaúcha pra trás — não porque fugiu, mas porque o país todo precisava ouvi-la.

No Rio e em São Paulo, construiu a carreira com uma combinação que ainda desconcerta: técnica de conservatório e entrega de quem vai fundo sem calcular o custo. Interpretava Milton Nascimento, Tom Jobim, Ivan Lins e Taiguara com a mesma convicção — não escolhia canção pelo prestígio do autor, escolhia pela verdade que encontrava dentro dela. Em 1974 gravou com Tom Jobim o disco Elis & Tom, que entrou para a história da música brasileira como um dos encontros mais felizes já registrados em estúdio. Quem ouve até hoje entende sem precisar de explicação.

Ela não interpretava uma música — ela a habitava até a última nota, e quando saía, levava um pedaço da plateia junto.

Fora do palco, a vida era mais irregular. Casou, descasou, criou três filhos, enfrentou momentos difíceis com a mesma intensidade que colocava na voz. Não era personagem: era pessoa, com o que isso tem de bom e de complicado. Durante os anos da ditadura militar, pisou em palco patrocinado por órgão do governo numa noite de 1968 e arrependeu-se disso publicamente depois — o que não era obrigação de ninguém, mas era do feitio dela: encarar o que é difícil de frente.

Morreu em 19 de janeiro de 1982, em São Paulo, aos 36 anos, de overdose acidental de cocaína combinada com medicamentos. Tinha mais de vinte discos gravados e uma plateia que nunca havia pedido que ela diminuísse o volume. Deixou três filhos — João Marcello, Pedro e Maria Rita, que seguiu a música e ganhou seus próprios palcos.

A lição, sem moralismo: há gente que vive menos anos e ocupa mais espaço do que a maioria consegue em vida dobrada. Não é sobre quantidade. É sobre presença — aquela que você sente mesmo quando a música já acabou e o silêncio ainda guarda o eco.

A Banca · XaplinVidas · perfil da semanaEd. 03 · 11
A BANCAOs Cinco Venéreosp. 12
Os Cinco Venéreos

Cinco fatos que você carrega no bolso

Apurado, enxuto, sem enfeite. Cinco notas do que aconteceu enquanto você dormia — pra você chegar na resenha antes da resenha chegar em você.
por Os Cinco Venéreos · da redação
  • A Bolsa fechou sexta-feira no maior nível desde maio. O Ibovespa avançou quase 3% no dia 10, puxado pelo exterior e por uma inflação abaixo do esperado. O dólar recuou pela terceira sessão seguida e voltou à faixa de R$ 5,10. Quem acompanha o mercado pelo café da manhã pode tomar o café com mais calma hoje.
  • A França ainda tem mais dois jogos pela frente na Copa. Didier Deschamps leva a seleção à semifinal contra a Espanha na terça (14) — e depois joga ou a final ou o terceiro lugar. Sim, a mesma Espanha que eliminou a Bélgica por 2 a 1 na sexta, com o goleiro reserva Senne Lammens falhando no segundo gol. Os espanhóis voltam às semifinais do Mundial depois de 16 anos. A Copa está boa de ver.
  • As meninas do vôlei já garantiram vaga na fase final da Liga das Nações. O Brasil bateu a Polônia por 3 sets a 1 em Osaka, no Japão, na sexta (10) — com parciais de 25/20, 23/25, 25/23 e 28/26. Foi o nono triunfo no torneio. Quem precisar de um assunto que une a mesa sem briga: esse é.
  • Lula e a presidente venezuelana Delcy Rodríguez falaram ao telefone na sexta (10). O tema foi o terremoto que atingiu a Venezuela no final de junho e deixou mais de quatro mil mortos. Delcy agradeceu o apoio do Brasil. A conversa é diplomacia, não protocolo: vizinho em luto merece ligação.
  • Trump anunciou neste sábado (11) que militares americanos estão prontos para atacar o Irã. A declaração veio depois de ele dizer que o cessar-fogo com Teerã havia acabado. O tom é de escalada — e o mundo já acordou de olho nessa equação. Tudo o que você precisa saber, sem catastrofismo, está no noticiário do dia.
A Banca · XaplinOs Cinco Venéreos · da redaçãoEd. 03 · 12
A BANCAPlin-Plin · TVp. 13
Plin-Plin

O sábado que a TV aberta recusa morrer

Pode trocar o aparelho, mudar a plataforma, assinar dez serviços diferentes — o hábito de sentar junto diante de uma mesma tela no sábado à noite teima em sobreviver. Não é nostalgia: é infraestrutura afetiva.
por Plin-Plin · da coluna de TV

Sábado à noite tem uma gramática própria. Não é a urgência do futebol de domingo, não é a ressaca lenta do domingo — é o meio do caminho, o momento em que a cidade decide se vai sair ou vai ficar, e metade dela fica. E quem fica, liga a televisão. Sempre. Isso acontece desde que existe televisão no Brasil, e nenhum algoritmo conseguiu desmontar esse hábito porque ele não é racional: é social, é do corpo, é do sofá que já guarda o formato de quem senta nele toda semana no mesmo horário.

A TV aberta entendeu isso antes de todo mundo e nunca deixou de explorar. O sábado é o dia em que a programação se arma pra reter família inteira — avó, neto, vizinha que entrou pra pegar um açúcar e ficou até o intervalo. Nenhuma plataforma de streaming foi projetada pra esse grupo. O streaming é escolha individual; o sábado na tela aberta é negociação coletiva, aquela em que ninguém manda e todo mundo opina sobre o que vai ver. Democracia direta, com controle remoto.

A TV aberta no sábado não é hábito de antigamente — é a última varanda coletiva que sobrou de graça, sem senha e sem plano anual.

Tem uma coisa que o boteco e a sala de casa partilham nessa noite: o volume errado. No boteco é alto demais, na sala é baixo porque alguém adormeceu na poltrona. Nos dois lugares, a imagem é a mesma — e é justamente aí que a tela coletiva ancora sua força. Não importa tanto o que está passando: importa que está passando pra todo mundo ao mesmo tempo, e amanhã de manhã tem assunto no mercadinho, na fila do pão, na mesa do café. A TV aberta ainda fabrica essa moeda comum, esse assunto partilhado que faz a conversa começar sem apresentação.

Então, se você está lendo isso num ônibus às cinco da manhã de sábado, já sabe o que vem pela frente: uma noite em que a tela vai ser mais do que entretenimento. Vai ser a desculpa pra sentar junto, discordar com carinho, roubar o controle e perder a briga. A TV do sábado nunca prometeu arte — prometeu companhia. E até agora não quebrou a promessa.

A Banca · XaplinPlin-Plin · da coluna de TVEd. 03 · 13
A BANCATem Programa · Joaquim Santanap. 14
Tem Programa · Ed. 03

A praça não fecha — e o banco da sombra é seu

Nenhum evento confirmado essa semana passou pela caderneta. Então Joaquim Santana faz o que faz quando o portão não abre: lembra você de que a cidade já tem, de graça e sem hora marcada, os equipamentos mais duradouros que existem — e ensina a usá-los sem desperdício de perna.
por Joaquim Santana · Tem Programa

Tem semana que a caderneta não fecha com endereço novo. Nenhum evento gratuito que eu tivesse pisado antes de escrever. Poderia inventar uma programação — data, hora, nome de artista — mas essa coluna tem uma regra que não dobra: portão fechado sai da caderneta, não da cabeça. O que sai da cabeça é publicitário. Isso aqui é serviço.

Então o programa de hoje é o que sempre esteve aí, atemporal e sem ingresso: a praça pública do seu bairro. Não a praça genérica, não o conceito — a praça que você passa todo dia sem entrar, porque sempre tem uma pressa na frente. Julho de manhã cedo é frio, mas o sol de inverno no Rio tem aquela qualidade de luz que fotógrafo paga caro pra imitar. Você tem de graça, das seis da manhã em diante, sentado num banco de concreto que não cobra nada.

Praça boa não precisa de programação. Precisa de você com vinte minutos sobrando.

A mesma lógica vale pra biblioteca pública municipal mais perto da sua casa. Acervo aberto, leitura no local sem cadastro na maioria das unidades, e o silêncio que você não encontra em lugar nenhum sem pagar. Se você mora no Rio, a Biblioteca Parque da Rocinha, a Biblioteca Parque de Manguinhos e a Biblioteca Parque Estadual (no Centro) são equipamentos permanentes de padrão internacional, com Wi-Fi, ar-condicionado e acervo infantil — funcionamento em dias úteis, confirme o horário da unidade pelo site da Secretaria de Cultura antes de sair.

E se você mora perto do mar, a praia em julho de manhã tem uma vantagem que julho esconde: está vazia. Não é o dia de sol de verão nem o feriado cheio — é o sábado com vento fresco, areia comprida e espaço pra andar sem desviar de guarda-sol. A perna descansada, o horizonte lá na frente e o café que você trouxe na garrafa térmica. Programa sem portão porque a natureza não cobrou entrada ainda — e que continue assim.

Semana que vem a caderneta pode voltar com endereço, hora e nome confirmado com o próprio pé. Por ora, Joaquim Santana assina embaixo do que sabe: o melhor programa gratuito de um sábado de julho às vezes já mora no quarteirão de casa. É só sair antes de a pressa chegar.

A Banca · XaplinTem Programa · Joaquim SantanaEd. 03 · 14
A BANCACrônica da Cidadep. 15
Crônica da Cidade

A mulher que acerta o relógio da rua

Ela não tem banca, não tem crachá, não tem chefe. Tem uma vassourinha de palha, um balde cor de cal e um horário que a cidade inteira copia sem saber. O cronista foi conferir às cinco da manhã.
crônica de Abreu · das ruas

Às cinco em ponto da manhã, quando o celular ainda tenta convencer você de que é hora de dormir, a Rua do Comércio — qualquer rua do comércio, de qualquer cidade que se preze — já tem uma mulher varrendo. Não a varredeira da prefeitura, com colete e carrinho. Essa é a dona do ponto, a que chegou antes da guarda municipal e antes do padeiro. Ela nem é funcionária de nada: é inquilina de si mesma, que paga o aluguel em suor antes do amanhecer.

Eu a vi numa sexta de julho, com o frio fazendo o asfalto brilhar como se tivesse engraxado. Ela varrendo a calçada da loja que abre às oito — a loja que ela não é dona, mas cujo metro quadrado de frente ela zela como se fosse herança. Balde com água de sabão, vassourinha de palha, rodo de cabo longo. O método: molha, esfrega, empurra a água suja pra boca do bueiro com a precisão de alguém que já fez isso talvez oito mil vezes. Nenhum movimento sobrando, nenhum desperdício de braço.

Quem abre a cidade não inaugura com faixa. Inaugura com rodo e balde, no escuro, antes de todo mundo.

Perguntei se ela era daquela loja. Ela ergueu a cabeça, me avaliou com o olho de quem já viu muito jornalista curioso e nenhum resultado, e disse que não — era da loja ao lado, mas o dono da outra era doente e alguém tinha que cuidar. Nada mais. Voltou pro rodo. Aquela resposta caberia numa crônica inteira, mas ela já tinha dito tudo: a solidariedade de calçada não pede manchete, não espera câmera, não combina horário. Ela simplesmente acontece antes que a cidade acorde pra fotografá-la.

Fiquei observando enquanto o balde trocava de cor — saiu limpo, voltou cinza, foi limpo de novo na torneira do poste que alguém improvisou décadas atrás e nunca ninguém removeu. O frio foi cedendo um grau, depois outro. Quando o primeiro ônibus passou, a calçada já estava seca e cheirando a sabão. Os primeiros pedestres pisaram nela sem olhar pra baixo, como quem pisa em chão que sempre foi limpo. Esse é o trabalho que não aparece: o que já foi concluído quando você chega.

Antes de ir embora, perguntei o nome. Ela disse: Conceição. E voltou pro balde sem a menor cerimônia, porque o segundo trecho de calçada não se varre com entrevista. Eu, que pago minha conta desde 1995 e não aceito romantizar trabalho duro — mas também não aceito fingir que não o vejo — fui embora pensando que os relógios da cidade não estão nas torres nem nos celulares. Estão nas mãos da Conceição, que bate o ponto no único horário em que ninguém mente: quando ainda está escuro e a rua precisa de alguém.

A Banca · XaplinCrônica da Cidade · AbreuEd. 03 · 15
A BANCAPorta Aberta · Trabalhop. 16
Porta Aberta

Prazo de amanhã não espera segunda-feira

Regra da casa: só entra vaga com salário dito na cara e prazo no destaque. Hoje é sábado, 11 de julho — e tem um prazo real batendo na sua porta ainda esta noite. Mais o mapa pra não cair em golpe, porque época de inscrição é época de armadilha.
por Porta Aberta · da redação

A vaga do dia · ITA — Vestibular 2027

O que é: o vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, uma das engenharias mais concorridas e respeitadas do país — formação pública, de excelência, sem mensalidade.

Quanto custa a inscrição: R$ 195,00 de taxa, paga no ato do cadastro.

PRAZO: inscrições encerram amanhã, domingo, 12 de julho de 2026, às 23h59. Exclusivamente pela internet, nos canais oficiais do ITA. Depois desse horário, a porta fecha — sem prorrogação anunciada.

Não tem jeito mais honesto de começar: se você ou alguém que você conhece tem um estudante de olho no ITA, o prazo é amanhã à noite. Não na semana que vem, não depois do almoço de domingo — amanhã, antes da meia-noite. O vestibular do ITA é uma das poucas portas do país que abre pra engenharia de ponta sem cobrar mensalidade nenhuma nos anos seguintes. A taxa de inscrição de R$ 195,00 é o custo de hoje; o que vem depois, se passar, é de graça.

Agora, pra quem não tem esse vestibular específico na mira, a lição que o prazo de amanhã ensina vale pra qualquer concurso ou processo seletivo: prazo curto ativa a atenção que prazo longo adormece. Quando você tem um mês, adia. Quando tem vinte e quatro horas, age. Use esse gatilho a seu favor — toda vez que encontrar uma vaga com prazo longo, anote na agenda o prazo menos dois dias. Funciona como se o mundo estivesse sempre fechando amanhã.

Vaga sem salário declarado não é vaga, é isca. Inscrição fora do site oficial não é inscrição, é golpe. A diferença entre os dois mora no endereço que você digita.

E aqui entra o alerta que esta coluna repete sem vergonha: nenhum site, grupo de WhatsApp ou perfil de rede social vende inscrição facilitada, lista antecipada ou garantia de aprovação. A inscrição do ITA se faz no endereço oficial do instituto — ponto. Qualquer cobrança fora dali é golpe com nome bonito. Se alguém cobrou e sumiu, o caminho é o boletim de ocorrência e o Procon; o dinheiro é seu, não presente de quem jogou conversa fora.

Próximo sábado, outra porta. Por enquanto, esta fecha amanhã às 23h59 — e fechar porta por falta de clique é o único arrependimento que tem conserto antes de acontecer.

A Banca · XaplinPorta Aberta · da redaçãoEd. 03 · 16
A BANCACartas do Leitorp. 17
Cartas do Leitor

A vez de você falar

Todo jornal que se preza tem uma página onde a redação fecha a boca e abre o ouvido. A caixa de cartas da Xaplin ainda está aquecendo — mas as edições anteriores já deixaram perguntas no ar, e a gente não dorme em cima delas. Abaixo, duas vozes que chegaram em espírito. A próxima, de verdade, pode ser a sua.
por A Redação · com a palavra, o leitor

Na Edição 01 a gente apresentou a Banca. Na Edição 02 já tinha leitor de pé no corredor do ônibus rindo sozinho. A Edição 03 chega num sábado de julho, frio do jeito que frio gosta de ser, e duas conversas ficaram pendentes das páginas que vieram antes. A gente responde — sem enrolar.

"Lembrei que hoje é dia de feira quando li a coluna de economia da semana passada. Geralmente eu perco a hora, chego tarde e o tomate bom já foi. Dessa vez acordei cedo, fui antes das sete e trouxe troco sobrando. Não sei se foi o jornal ou o frio que me acordou — mas obrigado do mesmo jeito."
— voz que a coluna de economia merecia ouvir · leitor de feira, em espírito
"Tô aqui tentando entender essa história do câmbio que vocês explicaram. Entendi mais ou menos — mas quando vocês falaram em 'cesta básica mais cara', queria saber: quanto sobra no bolso de quem ganha um salário mínimo depois de pagar aluguel numa cidade grande? Esse número eu quero ver publicado, com nome de cidade e mês."
— pergunta que a reportagem de serviço deve responder · o assunto entra na pauta da próxima semana

A segunda voz aí em cima acertou em cheio: número sem nome de cidade e sem mês não informa, enfeita. A Banca anotou. Quando o dado vier confirmado com fonte, ele entra — com o mês, a cidade e a fonte na frente do número. Essa é a régua daqui.

Escreva pra Banca. Mande sua carta, sua correção, sua dúvida ou qualquer história que valha o café da manhã pela página da Xaplin. As melhores entram aqui com o seu primeiro nome e o seu bairro — do jeito que você autorizar. Curta, direta, de coração. Esta página é sua de verdade.
A Banca · XaplinCartas do Leitor · do povoEd. 03 · 17
A BANCAPra Levar no Bolsop. 18
Pra Levar no Bolso

Uma frase pra guardar dentro do dia

Toda edição, uma citação de verdade, com dono, obra e ano — curta o bastante pra caber entre uma estação e outra. Recorta, dobra, e quando o barulho aumentar, abre devagar.
por A Redação · da estante da casa
"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
— Fernando Pessoa, em "Tabacaria" (1933)

Pessoa assinou esse poema com o nome de Álvaro de Campos, o heterônimo mais barulhento que ele inventou — e ainda assim a frase é das mais quietas que a língua portuguesa já produziu. Parece derrota, mas relê com calma: ela separa o que você tem do que você é, e descobre que o maior depósito fica do lado que ninguém taxou. Todo sábado carrega esse risco: a semana terminou, o fim de semana começa, e por dois dias o relógio da obrigação perde um pouco de voz. É a hora exata de checar o estoque interno — os sonhos que ficaram aguardando expediente. Não precisa agir hoje. Só precisa saber que eles estão lá. Boa manhã de sábado. O inventário que importa já está aberto.

A Banca · XaplinPra Levar no Bolso · da redaçãoEd. 03 · 18
A BANCAPedrinho na Bancap. 19
Pedrinho na Banca · a tirinha da casa

O menino que pergunta o Brasil

Estreia a tirinha da Banca: Pedrinho, dez anos, pergunta com os olhos a filosofia da semana — e a Vó Olga responde do jeito que avó responde. Um quadro mudo, uma resposta.
um quadro novo da casa · traço de Tibiriçá
Charge muda: um menino observa os adultos chorarem diante da TV com o futebol, enquanto a avó pousa a mão na cabeça dele. Traço de Tibiriçá.
Pedrinho na Banca · estreia. Enquanto os grandes choram pela bola, a Vó Olga responde com a mão na cabeça do menino. Traço de Tibiriçá.
A Banca · XaplinPedrinho na BancaEd. 03 · 19
A BANCAA Chargep. 20
A Charge · O traço do dia

Quando o placar some, o jogo continua

traço de Tibiriçá · chargista da casa
Charge em traço de nanquim: um árbitro de chapéu de palha segura um apito enorme enquanto dois jogadores, um de cada lado, carregam nas costas a balança da Justiça — cada prato tem uma bola de futebol e os dois lados estão exatamente iguais; ao fundo, a arquibancada vazia olha
O juiz soprou o apito tão forte
que o vento levou a bola pro mar,
a torcida ficou sem resultado
e o campo parou pra filosofar.
Quem ganhou? Ninguém sabe ao certo —
mas o ingresso já foi pagar.
A charge do dia · Charge: Tibiriçá / Banca
Tibiriçá
A Banca · XaplinA Charge · TibiriçáEd. 03 · 20
A BANCAExpediente · quem fazp. 21
Expediente · com rostos

Olha na cara de quem te dá bom-dia

Desde a Edição 02: a Banca de portas abertas. Estas são as pessoas da casa — cada uma com o seu canto, todas com o mesmo relógio: cinco da manhã, de segunda a sábado.
Zé da Banca
O bom-dia da capa. Não tem rosto porque é todo mundo que acorda o Sol.
Retrato ilustrado de Caco Damasceno
Caco Damasceno
Direção e Editorial. Tijucano, cronista, a primeira palavra do dia.
Retrato ilustrado de Almô Pereira
Almô Pereira
Psicologia de Botequim. Doutor de balcão — o consultório atende de pé.
Retrato ilustrado da Dra. Beatriz Setubal
Dra. Beatriz Setubal
Supervisão clínica da coluna do Almô. Fecha sempre com pergunta, nunca com sentença.
Retrato ilustrado de Mauro Fontoura
Mauro Fontoura
Bola. Aprendeu futebol pelo rádio de pilha do avô, em Diamantina.
Retrato ilustrado de Joaquim Santana
Joaquim Santana
Tem Programa. Só indica o que confirmou com o próprio pé — e portão fechado sai da caderneta.
Retrato ilustrado de Abreu
Abreu
Crônica da Cidade. Sovina honesto: paga a própria conta desde 1995.
Retrato ilustrado de Tibiriçá
Tibiriçá
Chargista. Bic preta, papel de jornal e quarenta anos de traço — de Recife pro Brasil.
Retrato ilustrado de Vera Loureiro
Vera Loureiro
Editora de fotografia. "Eu não fotografo gente. Fotografo a paciência delas."
Retrato ilustrado de Sebastião Leal
Sebastião Leal
Ombudsman. O leitor dentro da casa — quando a Banca errar, é ele quem cobra primeiro.
Nota da casa, de coração aberto: as vozes que assinam A Banca são personagens desta redação — criadas, escritas e dirigidas editorialmente, com orgulho do ofício. Já os fatos não têm personagem: telefones, valores, datas, placares e endereços desta edição são reais e foram verificados um a um, em fonte pública, em 11 de julho de 2026. As fotos-ilustração e os retratos desta edição são ilustração fotográfica gerada por IA editorial (Imagen 4.0), sob edição de imagem de Vera Loureiro, e jamais se apresentam como fotografia factual; a charge é traço de Tibiriçá, o chargista da casa; a tirinha do Pedrinho estreia nesta edição, na página 19. Errou, a Banca corrige na cara limpa — o ombudsman Sebastião Leal recebe reclamação pela página da Xaplin.
A Banca · XaplinExpediente · quem faz a BancaEd. 03 · 21