Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB
Xaplin
A resenha diária de quem acorda o Sol para trabalhar
EDIÇÃO MAIS NOVA
Edição 03 · fechada em
13 de julho de 2026
Rio · Xaplin
Ilustração fotográfica da capa da edição 03
O retrato do dia
Stefani foi até a final e o Brasil foi junto
Luisa Stefani e Gabriela Dabrowski chegaram à final de duplas em Wimbledon neste domingo — vice-campeonato e orgulho estampado na quadra de grama mais famosa do mundo. E enquanto a raquete brilhava, o STF bloqueou R$ 6 milhões de Eduardo Cunha. A semana começa com tudo isso e mais: Sam Neill morreu na Austrália aos 78 anos. Esta edição traz o que você precisa saber antes de sair de casa.
Esportes · Stefani, Wimbledon e o vice que vale ouroJustiça · Os R$ 6 milhões bloqueados de CunhaMundo · Adeus ao Dr. Alan Grant
Saúde
IBGE bate à sua porta pra perguntar como você está
Educação
Prouni e Revalida: o que mudou no fim de semana
Cultura
Madonna no topo — e uma mostra da pandemia em SP
O bom-dia do Zé da Banca
Bom dia. Segunda-feira é o dia que mais gente subestima — e mais gente vence. Você já está de pé. O resto é consequência.
A BANCAEditorial · Caco Damascenop. 02
O Editorial

Segunda de novo, de novo

Tem coisa que a gente não combina, e a segunda-feira aparece assim mesmo. Mas você também aparece. Esse empate diz muito.
por Caco Damasceno · direção da Banca

O Seu Walmir, que vende pastel na entrada do metrô da Tijuca, tem uma teoria sobre segunda-feira. Ele diz que segunda não é o começo da semana — é a prova de que você sobreviveu à anterior. Portanto, celebração. Ele diz isso enquanto abre a barraca no escuro, ainda com o reflexo do domingo nos olhos, e começa a aquecer o óleo. Discordo do Walmir em muita coisa, mas não nessa.

Tem um peso específico nessa manhã de 13 de julho. Julho já passou da metade, o frio ainda não decidiu se fica ou vai embora, e a semana que começa hoje não pediu licença. Chegou assim, pontual e sem desculpa, como todo compromisso sério. A única resposta à altura é a que você já deu: saiu da cama, pegou o ônibus, ou o metrô, ou foi a pé, ou ligou o computador antes de todo mundo. O dia não esperou e você também não.

Segunda-feira não pede desculpa por existir. E você não deve desculpa por encarar ela de frente.

Esta edição chegou até você com o noticiário que importa — economia, cidade, cultura, esporte — tudo apurado e destrinchado sem alarde. É o nosso trato: contar o que aconteceu sem fazer você gastar energia com susto. Energia é recurso nobre, especialmente antes das seis da manhã.

Uma coisa que aprendi fazendo jornal de madrugada é que o leitor que acorda cedo não precisa de barulho. Precisa de clareza. Precisa saber o que mudou e o que ficou no lugar, o que vai embora e o que resiste. Esse leitor é mais exigente do que os editores imaginam — e, cá entre nós, é por isso que a Banca existe. Pra estar à altura de quem já está acordado quando o dia ainda está de cueca.

Vai lá. O Walmir já abriu o óleo, o dia já esquentou, e a semana já começou sem você pedir. Aproveita que você também já começou — e isso, nesta segunda de julho, não é pouco.

A Banca · XaplinEditorial · Caco DamascenoEd. 03 · 02
A BANCAGiro do Dia · as editoriasp. 03
Giro do Dia

O dia em dez notas verificadas

Da quadra de Wimbledon ao STF, do mangue carioca ao IBGE batendo na sua porta — dez notas apuradas, cada uma com o que muda pra você embutido. Chegue no café por dentro.
Luto
Morreu Sam Neill, o Dr. Alan Grant de Jurassic Park. O ator neozelandês morreu nesta segunda-feira (13) na Austrália, aos 78 anos. A família confirmou a morte como repentina e inesperada. Para quem cresceu nos anos 1990, a notícia pesa — e não tem nada mais a dizer além disso.
Justiça
STF bloqueou mais de R$ 6 milhões de Eduardo Cunha. O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6.150.378 do ex-presidente da Câmara no dia 6 de julho. A suspeita é de direcionamento de ao menos 21 emendas parlamentares. O caso envolve dinheiro público — e saber que a Justiça se moveu é o primeiro serviço.
Tênis
Luisa Stefani foi vice-campeã em Wimbledon neste domingo. A brasileira, sétima no mundo nas duplas, e a canadense Gabriela Dabrowski perderam a final para a francesa Kristina Mladenovic e a chinesa Hanyu G. Chegar à final do torneio mais tradicional do tênis já é uma das melhores notícias do esporte brasileiro neste ano.
Vôlei
A seleção feminina perdeu por 3 a 0 para os EUA na madrugada de domingo. Os sets foram 26/24, 25/22 e 25/16 na fase classificatória da Liga das Nações 2026, em Osaka. A ponteira Ana Cristina foi a maior pontuadora brasileira. A fase classificatória encerrou — acompanhe os próximos jogos pela programação oficial da VNL.
Saúde
Médico formado no exterior pode consultar o resultado do Revalida 2026. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais divulgou o resultado definitivo da análise documental da primeira etapa do Revalida 2026/1. Se você ou alguém próximo está nesse processo, entre no portal oficial do Inep e confira agora — prazo não perdoa.
Pesquisa
O IBGE começou a bater na porta dos brasileiros para a Pesquisa Nacional de Saúde. Cerca de 1,8 mil entrevistadores estão em campo até 30 de novembro para a PNS 2026, em parceria com o Ministério da Saúde. Se um pesquisador do IBGE aparecer na sua casa, peça a identificação funcional — é dado real que vira política pública de saúde.
Meio Ambiente
Inscrições para o Prêmio iCS de Economia e Clima abrem hoje. A segunda edição do prêmio, do Instituto Clima e Sociedade em parceria com a Anpec, recebe inscrições a partir desta segunda (13). Se você pesquisa economia e clima no pós-graduação, é a sua hora — corre no site do iCS.
Memória
Exposição sobre a pandemia está em cartaz em São Paulo até 9 de agosto. A mostra "A Infinita Memória da Pandemia: a História da Covid-19 por Todos Nós, Brasileiros" chegou à capital paulista depois de passar por Brasília. A entrada é gratuita — vale levar as crianças para uma conversa que não pode ser esquecida.
Cidade
Projeto no Rio une flauta e mangue para ensinar meio ambiente nas escolas. Alunos da Zona Oeste aprendem música e conservação ambiental no Sítio Roberto Burle Marx, Patrimônio Mundial da Humanidade, desde fevereiro. O Projeto Flautistas da Marambaia mostra que escola pública com criatividade não precisa de outdoor — precisa de mangue e de pauta.
Economia
Documentário sobre educação financeira estreia hoje na TV Brasil. "Manual Básico da Educação Financeira" foi ao ar neste domingo às 19h30 e é reexibido às 2h desta segunda (13) na TV Brasil. O filme trata de endividamento familiar e finanças pessoais — canal aberto, sem custo, e talvez a hora de ligar a TV antes do trabalho.
Todas as notas deste Giro foram verificadas pela redação em 13 de julho de 2026, com base em fontes públicas e nomeadas — Agência Brasil, Folha de S.Paulo e CNN Brasil. Serviço errado é fake news — e fake news não abre banca aqui.
A Banca · XaplinGiro do Dia · da redaçãoEd. 03 · 03
A BANCAPsicologia de Botequimp. 04
Psicologia de Botequim

O cansaço que você não nomeia

Tem um tipo de exaustão que não aparece no atestado, não dá febre e não convence nem você mesmo. É o cansaço de dentro. O Almô recebe no balcão — e a Dra. Beatriz encerra com a pergunta de sempre, que não é pra responder rápido.
por Almô Caboclo · com a supervisão da Dra. Beatriz Setubal

Apareceu aqui no balcão, semana passada, uma mulher com a cara de segunda-feira num dia que era quinta. Não estava doente. Não estava de luto. Não tinha acontecido nada em especial. Me disse: Almô, eu durmo e acordo cansada. Trabalho, cuido, resolvo — e no fim do dia parece que carreguei um saco que não era meu. Eu quentei o café dela e fiz a única coisa que o bom balcão faz antes de qualquer conselho: fiquei quieto um minuto.

Porque esse cansaço que ela descreveu tem um nome, só que a gente raramente usa. Não é preguiça — preguiça é leve, dá até vontade. Não é estresse, que todo mundo já saturou de ouvir. É o cansaço de sustentar a aparência de que está tudo certo quando não está. É o trabalho de não reclamar, de não pesar, de chegar sorrindo quando por dentro o combustível está no reserva há três dias. Esse, meu amigo, é o cansaço mais caro da folha — e não tem linha no orçamento pra ele.

Tem gente que não sabe que está exausta porque nunca parou tempo suficiente pra perguntar.

Repara numa coisa que boteco ensina rápido: o sujeito que chega aqui e diz que está mal, eu sirvo o café e escuto. O sujeito que chega dizendo que está ótimo com a voz cinco decibéis acima do necessário — esse eu observo com mais cuidado. Nomear o cansaço não é fraqueza, é higiene. Igual lavar a xícara antes de encher de novo: não adianta encher por cima do que ficou do dia anterior.

E o pior nome que esse cansaço carrega é nenhum. Sem nome, sem conversa. Sem conversa, sem trégua. A mulher da quinta foi embora com o café e com uma tarefa que não era minha mandar: antes de dormir, escrever três linhas sobre o que pesou no dia — não pra resolver, só pra tirar da cabeça e colocar em algum lugar fora do corpo. Coisa simples. Coisa que a cabeça faz de graça quando a gente para de fingir que não precisa. E olha: parar não é o mesmo que desistir — é a única forma de aguentar ir.

A Dra. Beatriz Setubal, que supervisiona esta coluna, deixa a pergunta no fundo da xícara, pra você ler quando terminar o café: quando você diz que está bem, você está descrevendo como se sente — ou descrevendo o que ainda consegue fazer mesmo sem se sentir bem?

A Banca · XaplinPsicologia de Botequim · Almô CabocloEd. 03 · 04
A BANCAServe Pra Você · utilidade públicap. 05
Serve Pra Você

Os números que não somem da sua vida

A página que você imprime, dobra e guarda na carteira. Hoje: os oito telefones de sempre, o que o mês de julho pede pra sua saúde, o seu direito quando a conta de luz chega errada e um equipamento público que a maioria usa menos do que devia.
por A Redação · serviço ao leitor

Telefones de emergência

190
Polícia
Militar
192
SAMU
Ambulância
193
Corpo de
Bombeiros
199
Defesa Civil
(temporal/risco)
180
Central de
Atend. à Mulher
100
Direitos
Humanos
188
CVV · apoio
emocional 24h
156
Prefeitura
na linha

Saúde · o ar seco de julho

Umidade baixa: julho costuma ser o mês mais seco do ano em boa parte do Brasil. O nariz resseca, a garganta irrita e quem tem asma ou rinite sente logo. Deixar uma bacia com água perto da cama ou um umidificador ligado de noite já faz diferença real — não é frescura, é fisiologia.

Hidratação que não depende do calor: no frio, a sede engana. O corpo pede água do mesmo jeito, mas o sinal chega mais fraco. A conta simples: urina clara, você está bem. Urina escura, beba mais água antes de qualquer outra solução.

Criança com tosse noturna: ar seco piora muito. Se a criança tosse mais à noite do que de dia, o posto de saúde tem orientação e, dependendo do caso, nebulização gratuita. Leve a carteirinha do SUS.

Direitos · quando a conta de luz não fecha

Conta chegou muito alta? Você pode pedir revisão diretamente à distribuidora — ela é obrigada a explicar a fatura item por item. O prazo legal para resposta é de até 30 dias. Guarde todas as contas anteriores: a série histórica é o seu argumento.

Tarifa Social de Energia: família inscrita no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa tem direito a desconto na conta de luz — que pode chegar a 65% dependendo do consumo. O pedido é feito direto à distribuidora, sem custo. Se você conhece alguém que se encaixa e ainda não pediu, vale avisar: o desconto não é automático.

Aneel: não resolveu com a distribuidora? A Agência Nacional de Energia Elétrica recebe reclamação pelo site aneel.gov.br ou pelo 167. Protocolo em mãos, o processo anda.

Cidade · o CRAS do seu bairro

O Centro de Referência de Assistência Social é o equipamento público que mais gente desconhece — e que mais serviço presta de graça. É lá que você atualiza o CadÚnico, descobre se tem direito ao BPC, ao Bolsa Família ou à Tarifa Social, retira documentos e recebe orientação jurídica básica. Não é só pra quem está em crise: é pra quem quer conhecer os direitos que já são seus. O endereço do CRAS mais próximo sai no 156 ou no site da prefeitura. Uma ida resolve o que meses de dúvida não resolvem.

A Banca · XaplinServe Pra Você · serviço ao leitorEd. 03 · 05
A BANCABola · esporte na Bancap. 06
Bola

Osaka de madrugada, Messi de tarde

A seleção feminina perdeu para os Estados Unidos por 3 a 0 no vôlei — e Messi enfrenta a Inglaterra pela primeira vez na carreira. Segunda-feira cheia, que nem estação de trem.
por Mauro Fontoura · Bola · a Copa na Banca

Tem noite que o esporte não avisa que vai chegar assim, de uma vez, de duas frentes ao mesmo tempo. Enquanto você dormia, em Osaka, no Japão, a seleção feminina de vôlei do Brasil encerrou a fase classificatória da Liga das Nações 2026 da pior forma possível: 3 a 0 para os Estados Unidos — sets de 26/24, 25/22 e 25/16. A ponteira Ana Cristina foi a maior pontuadora brasileira da partida, o que diz alguma coisa sobre disposição individual e diz outra coisa sobre o coletivo, que simplesmente não sustentou o ritmo americano no terceiro set. Dezoito pontos de diferença num set final não é zebra, é sinal de que a energia tinha cobrado a conta.

Com o coração, a imagem que fica é a Ana Cristina brigando sozinha por bolas que o jogo já tinha dado ao outro lado. Com a cabeça, o diagnóstico é mais simples: os Estados Unidos são, hoje, uma máquina que combina potência de saque com leitura de jogo, e a classificatória foi o momento em que a seleção pagou por oscilações que um adversário desse porte não desperdiça. A fase de grupos acabou. O que vem a seguir vai exigir outra conversa, essa a comissão técnica vai ter de travá-la longe dos microfones.

Perder fora de casa de madrugada não é vergonha. Não entender por que perdeu — aí sim.

Enquanto Osaka ainda acordava, no Brasil o dia foi de amistosos de intertemporada, dessas partidas que valem mais pelo que revelam do que pelo placar. O Fluminense encerrou a sua preparação com 100% de aproveitamento: venceu o Bahia no Maracanã com Hulk e Cano saindo do banco — o reforço marcou de pênalti, o argentino ampliou na etapa final. Já o Grêmio bateu o Cruzeiro por 3 a 1 no Mané Garrincha, mas a história da tarde foi do goleiro Grando, ex-Cruzeiro, que defendeu dois pênaltis cobrados por Kaio Jorge e Gabriel Pec e saiu do campo sem precisar dizer uma palavra. O Corinthians, por sua vez, abriu o placar com Matheus Pereira e não guardou: Cleiton empatou para o Cascavel no segundo tempo. Amistoso é amistoso, mas empate com time da série D é o tipo de coisa que o torcedor não esquece até o fim do mês.

E então a Copa. Na tarde desta segunda, Lionel Messi vai a campo contra a Inglaterra pela primeira vez na carreira — 37 anos de futebol, centenas de partidas, e esse duelo nunca tinha acontecido. O jogo vai ser jogado em campo, mas parte dele já foi jogado na memória coletiva antes de a bola rolar.

Uma nota lateral, que vale registrar: a Fifa avalia expandir a Copa do Mundo masculina para 64 seleções nos próximos torneios. O presidente Gianni Infantino diz que o evento precisa ser "para o mundo todo". Mais países, mais histórias, mais Copas dentro da Copa — a ideia seduz e assusta na mesma proporção. O futebol que cabia num rádio de pilha em Diamantina agora cabe em qualquer tela, então talvez o argumento de alcance já não seja o mais forte. O que vai decidir é o calendário — e o calendário já está cheio antes mesmo de se falar em 64.

Copa do Mundo 2026 · o que vem aí · horários de Brasília
Argentina x Inglaterra — e a semifinal no horizonte

Quartas de final: Argentina x Inglaterra, hoje (13/07) — acompanhe o horário na sua emissora. Semifinais: terça (14) e quarta (15). Terceiro lugar: sábado (18). Final: domingo, 19 de julho. A Banca abre com os placares da véspera todo dia.

A Banca · XaplinBola · Mauro FontouraEd. 03 · 06
A BANCAPanelão · Cozinhap. 07
Panelão

A sopa que não acaba

Julho está no meio do caminho — e a cozinha de inverno pede uma sopa que dura dois dias e chama o pão duro de parceiro. A minestrone caipira é isso: caldo encorpado, legumes do que sobrou e macarrão que no Brasil a gente chama de conchinhas porque sim. Rende pra seis, oito se tiver visita. E se você trocar a abobrinha por chuchu, por batata ou pelo que tiver na geladeira, ninguém vai te julgar — aqui a gente cozinha com o que tem.
por Panelão · da cozinha da Banca
Panela grande de sopa de legumes com macarrão e cheiro-verde, no fogão a gás
Sopa que não deixa ninguém pra trás. Panela cheia, legumes variados, pão na beirada da mesa. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Bolso · a conta da panela

Nenhum ingrediente desta receita vive sozinho no cardápio da semana — todos são reaproveitados ou comprados no fundo da feira, quando o preço cai. A lógica de rendimento é a mais honesta: quanto mais legume, menos macarrão você precisa, e o caldo engana qualquer barriga. Oito porções fartinhas, com o que já mora no seu armário de sal, alho e azeite — o custo final depende da sua feira, mas a generosidade da panela, não.

Minestrone caipira · rende 8 pratos fundos

Tempo: 50 min · Dificuldade: fácil · Custo: baixo
  • 2 cenouras médias cortadas em cubinhos
  • 2 batatas médias em cubos (ou 1 batata-doce — fica adocicada do jeito certo)
  • 1 abobrinha pequena em rodelas (pode ser chuchu, abóbora ou o que sobrou)
  • 1 lata de tomate pelado ou 3 tomates maduros picados
  • 1 xícara de feijão branco ou carioca já cozido (o de ontem serve direto)
  • 1 xícara de macarrão conchinhas ou qualquer massa pequena
  • 1 cebola picada · 3 dentes de alho amassados · 1 folha de louro
  • sal, pimenta e um fio generoso de azeite
  • pra fechar: cheiro-verde picado e queijo ralado, se a semana foi boa
  1. Aqueça o azeite na panela grande e refogue a cebola com o alho até dourar levemente — o cheiro vai chamar a vizinhança.
  2. Junte o tomate e mexa em fogo médio por uns 5 minutos, até ele desmanchar e virar base do caldo.
  3. Coloque os legumes mais duros primeiro — cenoura e batata — e cobre com uns 2 litros de água quente. Folha de louro, sal, fogo médio, tampado.
  4. Depois de 15 minutos, quando a cenoura já cede ao garfo, entre com a abobrinha e o feijão já cozido. Mais 10 minutos.
  5. Joga o macarrão direto na sopa — sem panela separada, sem estresse. Ele cozinha junto e absorve o caldo. Mais uns 8 a 10 minutos, olhando de perto pra não passar.
  6. O ponto é de colher pesada: espessa, mas que ainda escorregue. Acerta o sal, tira o louro, desliga o fogo.
  7. Sirva com cheiro-verde por cima e pão rústico na mesa. Se tiver queijo ralado, ele fecha a noite.

Esta sopa não tem pressa e não tem orgulho. Sobrou? Amanhã ela fica ainda mais encorpada — o macarrão absorve o caldo e vira quase um ensopado. Se secar demais, um copo de água quente resolve sem drama. Inverno é longo; panela boa, menos.

A Banca · XaplinPanelão · da cozinhaEd. 03 · 07
A BANCAEconomia Domésticap. 08
Economia Doméstica

Quando o mês aperta, a ordem importa

Nenhuma data nova no calendário hoje — então esta página faz o que calendário nenhum faz: explica a lógica que coloca o dinheiro no lugar certo antes que ele suma. Guarda também.
por A Redação · o bolso do leitor

Economia · A fila certa das contas

Primeiro o que sustenta a vida, depois o que sustenta o contrato. Parece óbvio, mas na prática muita gente paga o carnê da loja antes de comprar arroz — porque o carnê manda cobrança e a fome não assina notificação. A fila correta é: comida, moradia (aluguel ou prestação da casa própria), água e luz, transporte para o trabalho. Tudo que vier depois disso é o que sobrou para negociar.

Dívida não some — mas ela espera. Credor nenhum pode cortar sua luz ou tirar o prato da mesa. O que ele pode fazer é negativar seu nome, cobrar juros e ir a juízo — e essas três coisas têm prazo. Você tem mais tempo do que a cobrança quer que você acredite. Use esse tempo para reorganizar, não para entrar em pânico.

Como abrir uma negociação sem sair no prejuízo: ligue você, não espere a empresa ligar primeiro — quem toma a iniciativa tem mais margem para pedir desconto. Antes de ligar, saiba exatamente quanto deve e quanto consegue pagar por mês sem comprometer comida e aluguel. Proponha um valor que você consiga honrar por seis meses seguidos. Acordo que você não cumpre é pior do que nenhum acordo.

Juros de cartão de crédito são os mais caros do mercado. Se o saldo do cartão virou uma bola de neve, migre para um empréstimo pessoal com taxa menor — e cancele o limite que gerou a dívida. Pagar juro de cartão com cartão é como tentar apagar vela soprando mais vento.

A reserva de emergência começa antes de parecer possível. Não precisa ser grande nem imediata: separar um valor fixo — mesmo que pequeno — a cada recebimento cria um hábito que um dia salva o mês. A conta separada ajuda: dinheiro misturado some misturado.

Direitos que existem e pouca gente usa: o Cadastro Positivo pode melhorar sua pontuação de crédito se você paga as contas em dia — e é gratuito. O Desenrola, quando aberto, permite negociar dívidas com o governo federal com desconto — acompanhe os comunicados oficiais. Feirão da Serasa costuma abrir periodicamente para acordo com grandes credores: o site da Serasa informa as datas sem custo.

Página sem calendário não é página vazia — é a página que funciona em qualquer segunda-feira do ano. O dinheiro tem lógica. Quando você aprende a lógica, o mês fica um pouco menos difícil mesmo quando o saldo não muda. E isso já é alguma coisa.

A Banca · XaplinEconomia Doméstica · da redaçãoEd. 03 · 08
A BANCAO Recadop. 09
O Recado

O hexagrama de hoje pede paciência de raiz

O oráculo da Banca é de verdade: na noite de fechamento, a redação abriu o I Ching — o livro que a China usa há milênios pra escutar o momento — e lançou as moedas. Uma só consulta, registrada em ata, pra todo leitor. Saiu o hexagrama 52: Ken, a Montanha. Ninguém aqui prevê futuro. A gente só escuta o símbolo.
por O Recado · da casa

A Montanha não vai a lugar nenhum. E não é por preguiça — é porque ela sabe que o peso que carrega merece firmeza. Ken, o hexagrama 52 do I Ching, mostra duas montanhas empilhadas: a de dentro e a de fora, o que você sente e o que o mundo exige. O recado não é pra você parar de vez. É pra você parar na hora certa.

Segunda-feira de julho pede uma coisa de cada vez. O dia ainda está escuro lá fora e você já está em pé — isso já é mais do que muita gente consegue. A Montanha não te pede heroísmo antes das seis da manhã. Ela te pede atenção: o pé no chão, o primeiro gole quente, o ônibus que você vai pegar sem correr porque você saiu com dois minutos de sobra. Pequena vitória. Montanha do dia.

A pressa derruba a Montanha por dentro antes de qualquer vendaval por fora. Firme num ponto só já é mais do que parece.

Tem uma coisa que a Montanha ensina que toda fé reconhece — e aqui cabe todo mundo, do terreiro à igreja, da mesquita ao centro, de quem acende vela a quem só fecha os olhos e respira fundo: que o silêncio também é resposta. Não é omissão, não é covardia. É a quietude de quem sabe que o próximo passo vai ser mais sólido se você não der ele ainda cambaleando.

Então: o que pode esperar até a tarde, espera até a tarde. O que pode esperar até amanhã, você já sabe. E o que não pode esperar — aí você vai, com a calma de quem tem raiz. Montanha não corre. Montanha fica. E fica firme.

Bom dia. Que a sua segunda começa devagar e chega inteira.

A Banca · XaplinO Recado · da casaEd. 03 · 09
A BANCAAlmanaque · efemérides e sortep. 10
O Almanaque

Julho tem mais história do que cabe no calendário

Efemérides, nascimentos célebres e os números do Tião — tudo o que julho guarda antes de o sol subir de vez. A Banca trouxe, você decide o que fazer com isso.

O que julho comemora

4 jul
Independência dos Estados Unidos — declarada em 1776, quando as treze colônias disseram não à coroa britânica. Uma das datas mais festejadas do mundo, com ou sem fogos.
9 jul
Revolução Constitucionalista de 1932 — São Paulo levantou armas contra o governo federal para exigir uma Constituição. O estado perdeu militarmente, mas o Brasil ganhou a Constituição de 1934. Nem toda derrota sai de graça.
11 jul
Dia Mundial da População — instituído pela ONU para lembrar que somos muitos dividindo o mesmo planeta, e que organização não é luxo.
13 jul
Dia Mundial do Rock — a data chegou a aparecer ontem aqui no Almanaque, mas é segunda-feira e rock soa bem de manhã também. Desempoeira o fone.
17 jul
Dia do Escritor — quem escreve, guarda o mundo. Quem lê, abre a gaveta.
25 jul
Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha — e no Brasil, dia de Tereza de Benguela, líder quilombola do Mato Grosso. Memória que não envelhece.

Nasceu por estes dias

6 jul
Frida Kahlo (1907) — a pintora mexicana que transformou dor em tela e tela em identidade. Nasceu em Coyoacán e nunca precisou de outra nacionalidade além da dela mesma.
7 jul
Ringo Starr (1940) — o baterista dos Beatles nasceu em Liverpool. Dizem que era o mais calmo do grupo. Quem ouve a bateria dele sabe que calma e talento não se excluem.
13 jul
Ernesto Geisel (1907) — general e presidente do Brasil entre 1974 e 1979, o homem que conduziu a abertura política lenta e gradual do regime militar. A história avalia com cuidado; vale conhecer.
22 jul
Caetano Veloso (1942) — nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, e reinventou a música brasileira mais de uma vez. Tropicalismo, exílio, retorno: a vida inteira virou canção.

Os números do Tião

07
13
22
31
44
58
O Tião sonhou com chuva forte caindo num rio que não transbordava — água que corre mas não derruba nada. Pra ele, sonho assim é sinal de força guardada. A Banca anota o palpite como brincadeira honesta e repete o aviso de sempre: joga pouco, joga por diversão, e nunca o dinheiro do arroz.

Dito popular do dia

Ditado
Devagar se vai ao longe — e quem acorda às cinco já levou vantagem antes de o sol decidir aparecer. A pressa é boa empregada, mas péssima patroa. O Tião concorda, embora nunca tenha ido devagar na fila do pão.
A Banca · XaplinO Almanaque · da casaEd. 03 · 10
A BANCAVidas · gente que valeu a penap. 11
Vidas · a história da semana

Patativa do Assaré, o poeta que fez o sertão falar por si mesmo

Numa semana qualquer de julho, quando o Brasil ainda decide o que é e o que vale, a Banca lembra o homem que nasceu analfabeto numa caatinga do Ceará e deixou versos que universidades estudam até hoje. Aprendeu a ler sozinho. A escola da vida, ele mesmo dizia, fica aberta o ano inteiro.
por A Redação · perfil
Máquina de escrever antiga sobre mesa de madeira, com um jornal dobrado ao lado, luz de janela
A ferramenta de sempre. A máquina de escrever à janela — nem todo escritor precisou de uma para gravar o mundo; Patativa do Assaré gravou o sertão na memória antes de conhecer o papel. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Antônio Gonçalves da Silva nasceu em 5 de março de 1909, na Serra de Santana, município de Assaré, no interior do Ceará. O pai morreu cedo, a escola ficava longe demais e o menino foi criado na roça — plantando, colhendo, ouvindo o mundo ranger. Aprendeu o alfabeto por conta própria, com a ajuda de um vizinho que tinha um livro, e depois nunca mais parou de ler. Escolheu o nome artístico por causa do patativo, pássaro miúdo do sertão nordestino que canta sem parar e não se cala nem com o sol a pino.

Ainda jovem perdeu a visão do olho esquerdo, resultado de um acidente. A limitação não o fez parar; fez o ouvido afinar. A partir dos anos 1950, Patativa começou a gravar discos e publicar folhetos de cordel, e o sertão que ele descrevia em verso — seco, orgulhoso, injustiçado, mas nunca humilhado — chegou às mãos de gente que nunca pisara no Nordeste. Seus poemas misturavam o português culto e o dialeto caipira nordestino com uma precisão que era, ao mesmo tempo, arte e manifesto: a fala do povo não era erro, era voz.

Não escreveu sobre o sertanejo — escreveu como ele. A diferença é a mesma que existe entre retratar alguém e deixá-lo falar.

A fama cresceu devagar, do jeito que dura. Pesquisadores, cantores e poetas viajavam até Assaré para conversar com ele; universidades incluíram seus textos em currículos; Luiz Gonzaga, o rei do baião, reconhecia nele um parente da mesma terra e da mesma cadência. Patativa nunca saiu definitivamente da roça — plantou feijão e milho até os oitenta e tantos anos, porque dizia que a terra ensinava o que o papel não alcançava.

Morreu em 8 de julho de 2002, em Assaré, com 93 anos, no mesmo chão onde havia nascido. A semana que passou trouxe o aniversário dessa morte — e a Banca achou que valia a pena lembrar. Não como curiosidade, mas como orientação. Patativa passou a vida inteira dizendo que o sertanejo não precisava de intérprete: precisava de escuta. A lição serve pra qualquer segunda-feira, em qualquer ponto do país onde alguém acorda cedo e vai trabalhar sem que ninguém pergunte o que ele pensa. Às vezes a voz que falta não está muda — está esperando quem chegue perto o suficiente pra ouvir.

A Banca · XaplinVidas · perfil da semanaEd. 03 · 11
A BANCAOs Cinco Venéreosp. 12
Os Cinco Venéreos

Cinco notas sem enfeite

Do tênis ao mangue, da saúde à telona — tudo que aconteceu e você precisa saber antes de chegar no trabalho. Checado, sem rodeio, pronto pra mesa do café.
por Os Cinco Venéreos · da redação
  • Luisa Stefani foi à final de Wimbledon e saiu de cabeça erguida. A brasileira, sétima do ranking mundial de duplas, e a canadense Gabriela Dabrowski perderam o título no domingo (12) para a francesa Kristina Mladenovic e a chinesa Hanyu Guo. Vice-campeã do torneio mais tradicional do tênis do mundo é coisa que poucos atletas podem colocar no currículo — e Stefani colocou.
  • O vôlei feminino fechou a fase classificatória da Liga das Nações com derrota para os Estados Unidos. O placar foi 3 a 0 (26/24, 25/22 e 25/16), em Osaka, no domingo. Ana Cristina foi a maior pontuadora do Brasil na partida. A fase classificatória encerrou; o que vem a seguir é a parte que interessa de verdade.
  • Morre Rui Rezende, o lobisomem de Roque Santeiro, aos 88 anos. O ator faleceu no domingo no Rio de Janeiro, onde vivia desde 2019 no Retiro dos Artistas. Ele estava internado desde 2 de julho. Para quem cresceu vendo a novela de Dias Gomes na TV, um personagem que nunca some de vez — só passa de canal.
  • A exposição sobre a pandemia chegou a São Paulo e fica até 9 de agosto. A mostra itinerante A Infinita Memória da Pandemia: a História da Covid-19 por Todos Nós, Brasileiros reúne o acervo do Memorial Digital da Pandemia. Passou por Brasília e agora é a vez da capital paulista. Entrada para quem quer lembrar — e para quem preferia esquecer, também.
  • A partir de hoje, pesquisadores podem se inscrever no Prêmio iCS de Economia & Clima. A segunda edição da iniciativa do Instituto Clima e Sociedade, em parceria com a Anpec, abre inscrições nesta segunda-feira (13). É voltado a trabalhos acadêmicos sobre economia e mudanças climáticas — campo que emprega cada vez mais gente e ainda tem poucos prêmios no país.
A Banca · XaplinOs Cinco Venéreos · da redaçãoEd. 03 · 12
A BANCAPlin-Plin · TVp. 13
Plin-Plin

Segunda à noite, a tela acesa e o silêncio que fala

Sem jogo grande, sem final de semana, sem pretexto nenhum — e a TV do boteco continua ligada. Porque o hábito de ver junto não depende de programação: depende de companhia.
por Plin-Plin · da coluna de TV

Segunda-feira tem uma reputação injusta. O país acorda cedo, o trânsito cobra caro e a noite promete pouco. Mas há um dado que a segunda não anuncia em nenhum cartaz: ela é, de longe, a noite em que a TV aberta mais importa. Não porque a grade é a melhor — às vezes não é. Mas porque é a noite em que quem chegou cansado senta sem expectativa e descobre que estava com saudade de não fazer nada junto com alguém.

O boteco de segunda é outro bicho. Não tem barulho de fim de semana, não tem grupo de aniversário ocupando quatro mesas. Tem o senhor da cadeira do canto que já está lá antes de o canal acender, tem a dupla que veio só pra tomar uma e vai ficar até o jornal terminar, tem o balconista que conhece o controle remoto de cor e muda de canal com uma autoridade que nenhum algoritmo de streaming vai replicar. Segunda-feira, a TV do boteco é intimista. Ela sussurra.

A grade pode decepcionar, mas a tela acesa nunca — porque o programa principal sempre foi a mesa ao lado.

E é exatamente aí que a TV aberta ainda guarda o seu segredo mais bem guardado: ela cria o contexto, não o conteúdo. Pode ser um rerun de série policial, pode ser o talk show de sempre, pode ser a novela chegando no seu penúltimo capítulo dramático — não importa tanto o que passa. Importa que todos os olhos convergem para o mesmo ponto luminoso, e nessa convergência nasce uma conversa que nenhuma plataforma sob medida consegue fabricar. O streaming é perfeito justamente no que o mata: é feito pra você, só pra você, e essa exclusividade é a sua maior solidão.

A TV aberta erra junto. Passa o comercial na hora errada, corta a cena mais tensa pra anunciar detergente, exibe a reprise que todo mundo já viu duas vezes. E o boteco inteiro protesta no mesmo segundo — um protesto coletivo, breve, que de alguma forma vira cumplicidade. Já houve noites em que o melhor programa da semana foi o comercial que interrompeu o programa da semana.

Então, se você está lendo isso no transporte a caminho do trabalho e já está pensando no que fazer hoje à noite: não precisa de estreia, não precisa de especial. Precisa de tela acesa e alguém do lado que também não sabe bem o que quer assistir. A grade vai se virar. O boteco resolve. E segunda-feira, que ninguém esperava nada, frequentemente entrega o que sábado prometeu e não cumpriu.

A Banca · XaplinPlin-Plin · da coluna de TVEd. 03 · 13
A BANCATem Programa · Joaquim Santanap. 14
Tem Programa · Edição 03

Memória da pandemia, entrada franca

A exposição itinerante sobre as vivências brasileiras na Covid-19 chegou a São Paulo — e o portão está aberto até 9 de agosto. Joaquim Santana foi conferir o endereço antes de anotar na caderneta.
por Joaquim Santana · Tem Programa

O programa desta semana veio de longe — de Brasília, para ser exato — e agora está em São Paulo, ao alcance de quem vai de metrô e prefere gastar a passagem no que vale. A mostra "A Infinita Memória da Pandemia: a História da Covid-19 por Todos Nós, Brasileiros" é itinerante e gratuita, concebida para dar corpo ao acervo do Memorial Digital da Pandemia de Covid-19. Ficará em cartaz até o dia 9 de agosto de 2026. Confirme o endereço exato e o horário de funcionamento diretamente com o equipamento anfitrião antes de sair — a caderneta só fecha o portão quando esses dois dados estão na mão.

Por que vale ir? Porque a pandemia não foi um evento distante: aconteceu dentro das casas, nas filas de hospital, nas videochamadas de velório. A mostra é feita de relatos e registros de brasileiros comuns — não de especialistas olhando de cima, mas de gente que viveu aquilo no próprio corpo. Ver isso num espaço público, de graça, é o tipo de programa que devolve ao passado recente a dignidade que o noticiário corrido às vezes não consegue dar.

Memória não é museu de poeira. É o espelho que o presente precisa encarar.

Para chegar, o melhor caminho é sempre o transporte público — metrô e ônibus de São Paulo cobrem bem as regiões centrais e os grandes equipamentos culturais. Verifique a linha mais próxima no site da SPTrans ou do Metrô SP antes de sair: eles têm o trajeto atualizado por endereço. Leve água, que julho paulistano tem sol de manhã e vento de tarde. E, se for com criança ou pessoa idosa, pergunte na entrada sobre acessibilidade — o acervo é digital e interativo, então vale saber como navegar.

No radar da caderneta: o IBGE anda batendo na porta de domicílios do país inteiro neste segundo semestre, com entrevistadores da Pesquisa Nacional de Saúde 2026. Se um deles aparecer na sua casa, não é golpe — é ciência pública. Colabore, que os dados coletados até novembro vão orientar políticas de saúde por anos. Não é programa de fim de semana, mas é participação cidadã — e Joaquim anota tudo que serve pra quem acorda cedo. Vai, que a mostra é sua.

A Banca · XaplinTem Programa · Joaquim SantanaEd. 03 · 14
A BANCACrônica da Cidadep. 15
Crônica da Cidade

A mulher que conserta relógios às cinco da manhã

Numa calçada da cidade que ainda não acordou, uma senhora abre a tampa de um Seiko com a calma de quem sabe que o tempo não vai a lugar nenhum sem ela. O cronista chegou sem avisar e ficou mais tempo do que planejava.
crônica de Abreu · das ruas
Mãos idosas sobre uma mesa improvisada na calçada, ferramentas miúdas e relógios abertos sob a luz de uma lanterna de cabeceira
O consultório do tempo. Uma maleta, uma lupa presa na testa e paciência de relojoeira — a oficina que abre antes do sol. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Às cinco menos dez da manhã, quando a calçada ainda pertence só aos pombos e aos que não têm escolha, dona Conceição abre a maleta de couro gasto numa mesa dobrável que já passou dos trinta anos de serviço — como ela mesma aponta, sem reclamar de nenhuma das duas. A mesa range, ela não. Do lado, uma lanterna de cabeceira pendurada num gancho de arame ilumina o miolo de um Seiko que parou na noite anterior. Ela calça a lupa na testa com o gesto exato de quem arma os óculos antes de ler carta de filho longe.

Perguntei o que tinha de errado no relógio. Ela ergueu um olho — o que não estava tampado pela lupa — e disse: "Poeira. Sempre é poeira." Pausa. "E às vezes é dono que aperta onde não devia." Não parecia crítica, parecia diagnóstico. Ela trabalha desde antes de o ponto de ônibus ali do lado existir, desde antes da padaria, desde antes do semáforo que ninguém respeita depois da meia-noite. A cidade cresceu em volta do banquinho dela e o banquinho ficou quieto no mesmo lugar.

"Relógio parado não mente — ele só cansa de correr sem destino. Igual gente."

Os primeiros clientes aparecem antes das seis: um motoboy com o digital do capacete piscando, uma auxiliar de enfermagem de plantão encerrado, um aposentado que jura que o relógio do avô ainda anda e só precisa de um estímulo moral. Ela não cobra a consulta; só cobra o conserto, e o preço é o que era no ano retrasado porque "inflação não entra aqui dentro". Dito assim, com a segurança de quem decretou uma república própria num metro quadrado de calçada.

Quando o Seiko voltou a andar — um clique seco, digno — ela fechou a tampa sem alarme. O dono, um segurança de banco que esperava de pé, botou o relógio no pulso e ficou olhando o ponteiro como se visse um parente ressuscitar. Pagou, agradeceu, saiu. Ela já tinha a próxima peça na mão antes de o homem dobrar a esquina. Eu, que pago tudo o que consumo desde 1995, fiz questão de deixar o valor do café que ela não me ofereceu — a honestidade, nesse caso, é o tributo que um sovina paga à dignidade alheia. Ela aceitou sem cerimônia e voltou pro relógio. O tempo, ali, não para. Ela garante.

A Banca · XaplinCrônica da Cidade · AbreuEd. 03 · 15
A BANCAPorta Aberta · Trabalhop. 16
Porta Aberta

Revalida, Prouni e o mapa de quem quer chegar lá

Dois movimentos grandes no ensino e na carreira médica abrem a semana — e os dois têm prazo que não espera. Aqui estão os fatos, o passo a passo e o alerta de sempre contra quem tenta cobrar pelo que é de graça.
por Porta Aberta · da redação

Atenção, médico formado no exterior · Revalida 2026/1

O que é: o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) 2026/1 divulgou o resultado definitivo da análise de documentação da primeira etapa. Quem participou já pode consultar se foi aprovado nessa fase e se está apto a seguir no processo.

Como consultar: o resultado está disponível pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no portal oficial do Revalida. Acesse exclusivamente pelos canais do governo federal — nenhum site de terceiros tem o resultado antes ou de forma mais simples.

PRAZO: o resultado final desta primeira etapa foi divulgado agora — acompanhe o calendário oficial do Inep para os próximos passos do exame e não perca nenhuma janela.

Bolsa na universidade particular · Prouni 2º semestre 2026

O que é: o Programa Universidade para Todos (Prouni) abre bolsas de estudo — parciais e integrais — em faculdades particulares de todo o Brasil para o segundo semestre de 2026.

PRAZO: as inscrições encerraram às 23h59 do domingo, 12 de julho de 2026. Se você lê isto na segunda-feira 13, o prazo de inscrição já passou — mas o processo seletivo continua, e convocações e chamadas adicionais ainda virão. Acompanhe o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior para não perder a próxima janela.

Para o próximo ciclo: mantenha o cadastro no Enem em dia, confira a renda familiar per capita exigida no regulamento oficial e inscreva-se na primeira hora — o site não cai no início, cai quando todo mundo deixa pro último minuto.

Dois fatos, dois caminhos diferentes, uma mesma lógica: quem se prepara antes não corre no final. O médico formado no exterior que acompanhou o calendário do Revalida desde o início sabe exatamente onde está na fila. O estudante que guardou o login do Portal do Prouni na semana de abertura não ficou dependendo de sinal de internet ruim no domingo à noite.

Agenda é tudo. Não é sobre ser o mais inteligente da sala — é sobre ser o que anotou a data certa no calendário e não deixou o mês virar sem agir. Uma linha na agenda, um alarme no celular, um lembrete colado na geladeira: o que funcionar pra você já é método suficiente.

Resultado de prova só tem valor num portal oficial. Convocação de bolsa só vem pelo canal do governo. Qualquer mensagem de terceiro oferecendo atalho é o golpe tentando entrar pela janela.

E o alerta que esta coluna repete enquanto for preciso: ninguém vende resultado do Revalida antecipado, ninguém garante bolsa do Prouni por fora, ninguém cobra taxa pra te inscrever em programa do governo. Se chegou mensagem assim no seu celular — WhatsApp, e-mail, Direct —, é golpe. Denuncie no portal do Consumidor.gov.br e apague sem responder.

A porta está aberta. O Revalida tem calendário público, o Prouni tem portal gratuito, e os dois têm uma coisa em comum: funcionam pra quem aparece na hora certa. Anota a próxima data ainda hoje.

A Banca · XaplinPorta Aberta · da redaçãoEd. 03 · 16
A BANCACartas do Leitorp. 17
Cartas do Leitor

A voz que falta aqui é a sua

Toda banca de jornal que se preza tem uma página onde o leitor não pede licença pra entrar — entra. A caixa de cartas da Xaplin ainda está aquecendo, mas a Banca não esperou: responde, em espírito, às perguntas que a Edição 02 deixou abertas. A próxima voz pode ser a de verdade.
por A Redação · com a palavra, o leitor

Duas edições no mundo, e já dá pra sentir o peso das perguntas que ficaram entre as linhas. Quem leu a segunda edição de pé, numa segunda cedo, vai reconhecer o eco. A Banca escutou — e responde com a honestidade que prometeu na estreia.

"Na seção de serviço vocês falaram em ir cedo evitar fila, mas o que ninguém fala é que às cinco da manhã a grade ainda está fechada. Seria bom saber o horário exato, não só o conselho."
— cobrança justa que o serviço merecia · leitor do transporte das cinco, em espírito · o aviso de horário entra já na próxima vez que o tema voltar
"Gostei que vocês não ficaram gritando notícia. O tom foi diferente. Só achei que o espaço de cultura podia render mais — dá pra aprofundar sem ficar pesado, não dá?"
— desafio que a redação aceitou · leitor que lê até o fim, em espírito · cultura aprofundada segue na pauta desta edição

Banca boa não é a que tem sempre razão — é a que admite quando errou e muda. Se você pegou alguma coisa torta nesta edição, ou em qualquer outra, escreva. Correção publicada aqui não envergonha ninguém: pelo contrário, levanta o jornal.

Escreva pra Banca. Mande sua carta, sua dúvida, sua discordância ou aquela história do bairro que ninguém contou ainda — pela página da Xaplin. As melhores entram aqui, com o seu primeiro nome e o seu bairro, do jeito que você autorizar. Texto curto, de coração. Esta página só existe de verdade quando você escreve.
A Banca · XaplinCartas do Leitor · do povoEd. 03 · 17
A BANCAPra Levar no Bolsop. 18
Pra Levar no Bolso

Uma frase pra guardar no peito

Toda edição, uma citação de verdade, com dono, obra e ano — do tamanho exato de um bolso de camisa. Recorta, dobra, e quando o dia pesар, desdobra.
por A Redação · da estante da casa
"Felicidade não se encontra no fim da estrada — ela é a própria estrada, e nós que fazemos dela caminho."
— provérbio popular brasileiro, anônimo

Segunda-feira, treze de julho. O dia começa antes do sol, e você já sabe como é: a calcada fria, o ônibus que não espera, o café que aquece mais pelo ritual do que pela temperatura. Tem gente que guarda felicidade pra depois — pra quando a conta fechar, pra quando a criança crescer, pra quando a vida afrouxar um pouco. O provérbio não discorda da espera, só avisa que o caminho já é a chegada. Cada passo dado às cinco da manhã já conta como destino. O trânsito não apaga isso, nem o plantão, nem a pilha de segunda-feira. Você está no meio da estrada e, se parar um segundo pra perceber, já chegou a algum lugar que importa. Boa segunda-feira. O caminho é você que faz — e hoje você já começou.

A Banca · XaplinPra Levar no Bolso · da redaçãoEd. 03 · 18
A BANCAPedrinho na Bancap. 19

Pedrinho na Banca — uma conversa que está chegando

A tirinha ainda está no forno — e forno bom não abre antes da hora.

Todo quadrinho começa com uma pergunta que ninguém ousou fazer em voz alta. No caso do Pedrinho, a pergunta costuma escapar pela boca antes que o bom senso possa segurar — e é justamente aí que a Vó Olga entra, com aquela voz de quem já viu o Brasil mudar de nome várias vezes sem perder o endereço.

A tirinha Pedrinho na Banca é um quadro da casa. Pedrinho tem oito anos, curiosidade de adulto e paciência de... bem, oito anos. Vó Olga tem setenta e tantos, memória de elefante e o dom raro de explicar o país sem precisar mentir pra nenhuma das duas partes.

Toda segunda, quando você dobrar esta página, vai encontrar os dois no mesmo lugar: ele com a pergunta, ela com a resposta que o Brasil merecia ter recebido faz tempo.

A arte definitiva está a caminho. Enquanto o lápis do desenhista termina o serviço, fica aqui o convite: se você tem um Pedrinho em casa — filho, sobrinho, vizinho que não para de perguntar por quê — guarda a edição. Na semana que vem, eles se reconhecem na página.

— Um quadro da casa

A Banca · XaplinPedrinho na BancaEd. 03 · 19
A BANCAA Chargep. 20
A Charge · O traço do dia

A fila andou — mas a fila não andou

traço de Tibiriçá · chargista da casa
Charge em traço de nanquim: um homem de terno amassado carrega nas costas uma fila enorme de pessoas que se dobra em espiral; na ponta da fila, outro homem idêntico ao primeiro também carrega uma fila igual — e assim por diante, ad infinitum, sob um céu de segunda-feira
Segunda chegou pisando firme no seu calo,
trouxe a fila, o formulário e o intervalo,
o carimbo que sumiu na gaveta escura,
o balcão que atende só depois da costura.
Mas quem espera com café não perde o balanço —
a paciência do povo é que dá o descanso.
A charge do dia · Charge: Tibiriçá / Banca
Tibiriçá
A Banca · XaplinA Charge · TibiriçáEd. 03 · 20
A BANCAExpediente · quem fazp. 21
O Editorial

Quem esquenta a cidade

Julho chegou valente, com recorde de frio no centro-sul. E, no entanto, o pão saiu quente, o ônibus passou, o portão do trabalho abriu. Não foi milagre. Foi você.
por Caco Damasceno · direção da Banca

A Dona Cida abre o café da esquina às cinco e dez. Nesta terça, ela abriu de luva. Luva, touca e aquele suspiro que faz fumaça. Eu perguntei se não dava vontade de ficar em casa. Ela respondeu com a pergunta que resume o inverno de quem trabalha em pé: "E quem esquenta a rua se eu não vier?". Pronto. O editorial de hoje podia acabar aqui.

Mas vou gastar mais duas linhas, porque é justo. A cidade tem um truque de mágica que ninguém aplaude: toda manhã ela aparece funcionando. Luz acesa, rua varrida, padaria cheirosa, ônibus rodando. O truque tem segredo, e o segredo tem nome e sobrenome: é todo mundo que saiu de casa no escuro pra que os outros acordassem no claro. Você, inclusive. Principalmente você.

A cidade não amanhece sozinha. Amanhece porque alguém saiu no escuro pra buscar o dia.

O noticiário desta semana vai falar de frio recorde e de bola que não entrou. Tudo verdade, tá tudo aí dentro desta edição, contado sem drama e sem enfeite. Mas a manchete da capa é outra, e é a única que importa às cinco da manhã: o frio chegou — e você chegou primeiro. Pronto. De novo.

A Banca segue no seu horário de sempre, de segunda a sábado, às cinco em ponto, porque promessa aqui se cumpre no relógio. E segue com novidade: a página do expediente, pra você olhar na cara de quem faz este jornal, e o Pedrinho a caminho — a tirinha da casa estreia nas próximas edições. Achamos que você tinha esse direito.

Vai lá, que o seu dia começou. O meu também. E o da Dona Cida, de luva e tudo, já vai pela metade.

A Banca · XaplinExpediente · quem faz a BancaEd. 03 · 21