A resenha diária de quem acorda o Sol para trabalhar
EDIÇÃO MAIS NOVA
Edição 02 · fechada em
7 de julho de 2026
Rio · Xaplin
Ponto de ônibus na neblina de inverno, trabalhadores agasalhados esperando ao amanhecer
O retrato do dia
O frio chegou mas você chegou primeiro
Recorde de frio no centro-sul, o país inteiro de casaco — e o ponto de ônibus cheio antes das cinco, como sempre. Esta edição separa o que esquenta: os pagamentos do mês, o programa de graça e o caldo que rende a semana.
Bola · a Copa segue, a gente tambémEconomia · Bolsa Família dia a diaTem Programa · Vik Muniz de graça
Psicologia de Botequim
O mês que começa devendo
Serve Pra Você
Os 8 telefones e a vacina de inverno
Pedrinho na Banca
Em breve, a tirinha da casa
O bom-dia do Zé da Banca
Bom dia. Frio bom é o que a gente atravessa junto. Você já está na rua — agora é o dia que se agasalhe.
A BANCAEditorial · Caco Damascenop. 02
O Editorial

Quem esquenta a cidade

Julho chegou valente, com recorde de frio no centro-sul. E, no entanto, o pão saiu quente, o ônibus passou, o portão do trabalho abriu. Não foi milagre. Foi você.
por Caco Damasceno · direção da Banca

A Dona Cida abre o café da esquina às cinco e dez. Nesta terça, ela abriu de luva. Luva, touca e aquele suspiro que faz fumaça. Eu perguntei se não dava vontade de ficar em casa. Ela respondeu com a pergunta que resume o inverno de quem trabalha em pé: "E quem esquenta a rua se eu não vier?". Pronto. O editorial de hoje podia acabar aqui.

Mas vou gastar mais duas linhas, porque é justo. A cidade tem um truque de mágica que ninguém aplaude: toda manhã ela aparece funcionando. Luz acesa, rua varrida, padaria cheirosa, ônibus rodando. O truque tem segredo, e o segredo tem nome e sobrenome: é todo mundo que saiu de casa no escuro pra que os outros acordassem no claro. Você, inclusive. Principalmente você.

A cidade não amanhece sozinha. Amanhece porque alguém saiu no escuro pra buscar o dia.

O noticiário desta semana vai falar de frio recorde e de bola que não entrou. Tudo verdade, tá tudo aí dentro desta edição, contado sem drama e sem enfeite. Mas a manchete da capa é outra, e é a única que importa às cinco da manhã: o frio chegou — e você chegou primeiro. Pronto. De novo.

A Banca segue no seu horário de sempre, de segunda a sábado, às cinco em ponto, porque promessa aqui se cumpre no relógio. E segue com novidade: a página do expediente, pra você olhar na cara de quem faz este jornal, e o Pedrinho a caminho — a tirinha da casa estreia nas próximas edições. Achamos que você tinha esse direito.

Vai lá, que o seu dia começou. O meu também. E o da Dona Cida, de luva e tudo, já vai pela metade.

A Banca · XaplinEditorial · Caco DamascenoEd. 02 · 02
A BANCAGiro do Dia · as editoriasp. 03
Giro do Dia

O dia em notas curtas

Oito notas verificadas uma a uma, cada qual com o que serve pra você embutido — pra chegar no café já sabendo do que todo mundo vai falar, e sabendo mais um pouco.
Copa
O Brasil caiu, a Copa continua. A Noruega venceu por 2 a 1 no domingo e a Seleção voltou pra casa nas oitavas. O torneio segue até 19 de julho — e dá pra ver de graça na TV aberta e no YouTube. O Mauro conta tudo na página da Bola, sem choro e sem soberba.
Economia
Bolsa Família de julho começa dia 20. O pagamento vai de 20 a 31 de julho, escalonado pelo final do NIS. As datas, uma a uma, estão na página de Economia Doméstica. Anota a sua e não perde viagem.
Bolso
O salário mínimo de 2026 é R$ 1.621. Vale desde janeiro, mas muito reajuste por aí ainda não chegou nesse número. Piso é piso: quem recebe menos que isso de salário cheio tem conversa séria pra ter — o sindicato da categoria orienta de graça.
Clima
O frio de recorde chegou antes de julho. Na madrugada de 25 de junho, Curitiba marcou 2,3°C e Florianópolis 3,7°C, as menores temperaturas do ano até aqui — e as massas de ar polar continuam passando pelo centro-sul. Agasalho em camadas funciona melhor que um casacão só — e idoso e criança pequena merecem atenção dobrada.
Saúde
Vacina da gripe é de graça no posto. A campanha de 2026 segue e o SUS aplica a vacina em toda a população, sem custo. Inverno é a hora: documento na mão, posto do bairro, dez minutos. Gripe forte derruba semana de trabalho — a picada não.
Trabalho
Concurso nacional com salário de até R$ 10.685. A Dataprev abriu 212 vagas imediatas de nível superior, com inscrições até 6 de agosto. Prazo, valores e o alerta contra golpe estão na Porta Aberta desta edição.
Cidade
A maior mostra do Vik Muniz é de graça no Centro do Rio. São mais de 220 obras no CCBB, até 7 de setembro. O Joaquim Santana testou o caminho de transporte público e conta como chegar na coluna Tem Programa, que estreia hoje.
Feira
O feijão subiu — o caldo desce redondo. O carioquinha bateu recorde de preço em 2026, com alta de mais de 48% só no primeiro trimestre. Tradução da Banca: julho é mês de caldo, que rende mais por quilo. A receita tá no Panelão.
Todas as notas deste Giro foram verificadas pela redação em 6 de julho de 2026, em fonte pública e nomeada. Serviço errado é fake news — e fake news não abre banca aqui.
A Banca · XaplinGiro do Dia · da redaçãoEd. 02 · 03
A BANCAPsicologia de Botequimp. 04
Psicologia de Botequim

O mês que começa devendo

Julho é aquele freguês que entra no boteco já pedindo pra anotar na conta. Boleto do meio do ano, gás, a luz do banho quente. O Almô atende no balcão — e a Dra. Beatriz fecha a consulta, como sempre, com uma pergunta.
por Almô Pereira · com a supervisão da Dra. Beatriz Setubal
Caderneta de fiado e xícara de café sobre balcão de boteco pela manhã
O consultório de julho. A caderneta, o café e a conta do meio do ano. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Chegou no meu balcão um rapaz esta semana com a cara de quem tinha somado o mês antes do mês começar. Me disse: Almô, julho já entrou me devendo — ou eu devendo pra ele, nem sei mais. Boleto acumulado de junho, o gás que acabou junto com o frio chegando, a luz que sobe porque banho gelado em julho não é vida. E eu servi o café e disse a ele o que digo agora a você: dívida no papel é conta. Dívida na cabeça é juro que ninguém cobrou.

Repara numa coisa: o boleto tem número, tem vencimento e tem tamanho. A vergonha não tem nenhum dos três. Por isso ela cresce de madrugada. O sujeito deita devendo duzentos e acorda devendo a própria alma, porque passou a noite emprestando pavor a juro alto pra ele mesmo. Meu filho, separa as duas coisas. A conta se negocia com o credor. O medo se negocia com a claridade — de dia, com papel e caneta, nunca às três da manhã olhando o teto.

Boleto tem vencimento. Vergonha não tem. Por isso é ela que a gente paga primeiro — e sem precisar.

E tem o outro lado, que boteco também vê: o freguês que não fala da dívida nem pra mulher, nem pro irmão, nem pro espelho. Esse carrega dois trabalhos, o dele e o de fingir. Falar não paga o boleto, é verdade. Mas divide o peso — e peso dividido é a única matemática em que a metade é maior que o inteiro. Quem te ama não te cobra juros. Cobra presença.

Julho começa devendo? Que comece. Você não é o seu boleto, e mês, meu amigo, é igual freguês: entra devendo, mas se a casa trabalha direito, sai pagando. Tá liberado o segundo café. Esse a casa paga — e anota na conta do julho.

A Dra. Beatriz Setubal, que supervisiona esta coluna, deixa a pergunta da semana no pires, junto com o troco: quando você diz que "deve", quanto é dinheiro — e quanto é a ideia de que você precisa merecer descanso antes de poder descansar?

A Banca · XaplinPsicologia de Botequim · Almô PereiraEd. 02 · 04
A BANCAServe Pra Você · utilidade públicap. 05
Serve Pra Você

Os números que salvam o dia

A página de recortar e colar na geladeira. Hoje: os oito telefones que resolvem emergência, a vacina que o inverno pede e o que fazer quando o ônibus simplesmente não passa.
por A Redação · serviço ao leitor

Telefones de emergência

190
Polícia
Militar
192
SAMU
Ambulância
193
Corpo de
Bombeiros
199
Defesa Civil
(risco/frio extremo)
180
Central de
Atend. à Mulher
100
Direitos
Humanos
188
CVV · apoio
emocional 24h
156
Prefeitura
na linha

Saúde · a vacina do inverno

Gripe: a campanha de 2026 segue de pé e a vacina está liberada no SUS para toda a população, de graça. Posto de saúde do bairro, documento na mão. Criança de 6 meses a 6 anos, gestante e quem tem 60 ou mais entraram no calendário nacional — pra esses grupos, a dose está disponível o ano inteiro.

Frio forte: viu alguém dormindo na rua em noite gelada? Ligue 156 — na maior parte das capitais é a prefeitura quem aciona as equipes de acolhimento. Uma ligação sua pode ser o cobertor de alguém.

Direitos · quando o ônibus não passa

Registre: anote linha, ponto e horário. A reclamação vale mais com esses três dados do que com dez adjetivos.

Reclame no 156: o transporte público municipal responde à prefeitura — a central registra protocolo, e protocolo é o que transforma raiva em processo.

Se o prejuízo foi seu (perdeu consulta, chegou atrasado, pagou aplicativo): guarde comprovantes. O Procon do seu estado atende de graça e orienta se cabe ressarcimento.

Cidade · o equipamento do mês

O posto de saúde. No inverno ele vale ouro em dobro: vacina de graça, aferição de pressão, acompanhamento de quem tem asma e bronquite — que pioram no tempo seco e frio. Quem se cadastra na unidade do bairro entra na fila certa e é chamado pelo nome. É seu, tá pago, use.

A Banca · XaplinServe Pra Você · serviço ao leitorEd. 02 · 05
A BANCABola · a Copa na Bancap. 06
Bola

O jogo acabou. A vida, não

Noruega 2, Brasil 1. A Seleção caiu nas oitavas, no domingo, em Nova Jersey — a queda mais cedo desde 1990. Dói. E a Banca vai falar disso do único jeito que sabe: sem choro e sem soberba.
por Mauro Fontoura · a Copa na Banca
Bola de futebol gasta parada num campo de terra batida ao amanhecer, o sol nascendo entre as traves e as casas de um morro ao fundo
Segunda-feira de silêncio. A Seleção caiu — mas o campo de terra abre amanhã, como abre todo dia. É essa bola que não para. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Meu avô ouvia futebol no rádio de pilha, colado no ouvido, e me ensinou que jogo se escuta duas vezes: uma com o coração e outra com a cabeça. Com o coração, domingo foi assim: o Brasil segurou a Noruega o primeiro tempo inteiro — e ainda perdeu um pênalti, cobrança mal batida que o goleiro deles defendeu. No segundo tempo o Haaland fez os dois dele, um atrás do outro. O Neymar descontou de pênalti já nos acréscimos, mas era tarde. Dois a um. O MetLife inteiro de amarelo, e o amarelo indo embora calado.

Com a cabeça, foi o seguinte: a Noruega não ganhou por sorte. Ganhou porque tem o melhor centroavante do mundo em noite de ofício, e porque soube esperar o jogo inteiro pelos erros que a gente ofereceu — o pênalti perdido no primeiro tempo pesou como chumbo. O Brasil não jogou mal — o Brasil jogou menos. E na Copa, jogar menos uma noite custa quatro anos. Foi a eliminação mais precoce da Seleção desde 1990, quando caímos nas oitavas pra Argentina, e esse número vai doer em relatório de cartola por muito tempo. Que doa lá. Aqui embaixo, a vida abre às cinco.

Perder dói. Fingir que não dói, estraga. Chorar hoje e acordar amanhã — isso a gente sabe fazer melhor que ninguém.

Uma palavra sobre a rodada anterior, pra ninguém reescrever a história no calor da segunda-feira: esse mesmo time buscou uma virada dura contra o Japão em Houston, saindo atrás e vencendo por 2 a 1 com gols do Casemiro e do Martinelli — este nos acréscimos. Não era um time sem alma. Era um time no limite — e no mata-mata o limite não perdoa. Cobrança, sim; deboche, não. Deboche é pra quem nunca errou um passe na vida, e esse sujeito não existe.

E agora? Agora a Copa continua, e quem gosta de futebol continua com ela. Tem Haaland contra a Inglaterra no sábado — e a França, que já passou pelo Marrocos por 2 a 0 na quinta, espera na semifinal. Torcida boa é igual passarinho: canta mesmo sem ser primavera. O caminho até a final tá na caixa verde aí embaixo — recorta e cola na parede do trabalho.

O caminho até 19 de julho · horários de Brasília
A Copa segue — e a Banca dá o placar

Quartas de final (9 a 11/07): França 2 x 0 Marrocos, quinta (09), encerrada · Noruega x Inglaterra, sábado (11), às 18h — os outros dois duelos se fecham com as últimas oitavas. Semifinais: terça (14) e quarta (15), às 16h. Terceiro lugar: sábado (18), às 18h. A final: domingo, 19 de julho, às 16h, no MetLife Stadium. Todos os dias, esta página amanhece com os placares da véspera.

A Banca · XaplinBola · Mauro FontouraEd. 02 · 06
A BANCAPanelão · Cozinhap. 07
Panelão

O caldo que vence o frio

Julho pede panela grande. O caldo de feijão é o cobertor que se toma de caneca: rende pra seis, aquece a casa inteira e aproveita o feijão de ontem. E se o seu caldo for de caixinha, tá tudo certo também — aqui ninguém julga, aqui a gente cozinha.
por Panelão · da cozinha da Banca
Panela grande de caldo de feijão fumegante com concha, no fogão a gás
O cobertor de caneca. Concha funda, caneca quente e o inverno perde a pose. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Bolso · a conta do caldo

O feijão carioquinha bateu recorde de preço em 2026 — nas gôndolas, o quilo tem variado de uns R$ 5 a R$ 10, dependendo da marca e da esquina. A resposta da cozinha é essa aqui: em caldo, meio quilo vira janta de seis. Na conta da redação, com o que já tem em casa de tempero, o panelão inteiro sai por menos de R$ 15. Preço muda de feira pra feira — a matemática do rendimento, não.

Caldo de feijão de inverno · rende 6 canecas boas

Tempo: 40 min (20 se o feijão for o de ontem) · Dificuldade: fácil · Custo: baixo
  • meio quilo de feijão cozido (umas 4 conchas fundas, com o caldo do cozimento)
  • 1 gomo de linguiça calabresa ou paio em rodelas (pode pular — fica bom sem)
  • 1 cebola picada e 3 dentes de alho amassados
  • 1 folha de louro · sal e pimenta-do-reino
  • água quente até dar o ponto — a medida popular: uns 3 dedos acima do feijão na panela
  • pra coroar: cheiro-verde picado e torresmo ou couve fininha, se tiver
  1. Doure a linguiça na panela grande, sem óleo — ela solta a própria gordura. Tire e reserve.
  2. Refogue cebola e alho nessa gordura (ou num fio de óleo) até cheirar a casa de avó.
  3. Bata o feijão no liquidificador com o caldo — ou amasse na peneira, como sempre se fez.
  4. Junte tudo na panela: feijão batido, louro, a linguiça de volta, água quente até ficar 3 dedos acima. Fogo baixo, 15 minutos, mexendo de vez em quando pra não pegar no fundo.
  5. O ponto é de caneca: grosso que aquece a mão, fino que dá pra beber. Acerta o sal no fim.
  6. Sirva na caneca com cheiro-verde por cima. Couve e torresmo transformam caldo em banquete.

Segredo de quem cozinha há muito tempo: caldo de feijão fica melhor no dia seguinte. Faça de noite, esquente de manhã — e leve na garrafa térmica pro trabalho. O frio que tente.

A Banca · XaplinPanelão · da cozinhaEd. 02 · 07
A BANCAEconomia Domésticap. 08
Economia Doméstica

O dinheiro do mês, dia a dia

Julho tem calendário cheio: o Bolsa Família cai entre os dias 20 e 31, o salário mínimo de 2026 vale R$ 1.621 desde janeiro, e cada adicional do programa tem nome e valor. Recorte esta página — ela vale dinheiro.
por A Redação · o bolso do leitor

Economia · Bolsa Família de julho

O calendário é pelo final do seu NIS (o número do cartão): final 1 recebe em 20/07 · final 2, 21/07 · final 3, 22/07 · final 4, 23/07 · final 5, 24/07 · final 6, 27/07 · final 7, 28/07 · final 8, 29/07 · final 9, 30/07 · final 0, 31/07.

Os valores: o piso do programa segue em R$ 600 por família. Em cima disso somam-se os adicionais: R$ 150 do Benefício Primeira Infância, por criança de 0 a 6 anos, e R$ 50 do Benefício Variável Familiar, por criança e adolescente de 7 a 18 anos (gestantes também entram nesse adicional).

Onde conferir sem fila: no aplicativo Bolsa Família ou no Caixa Tem, de graça. Desconfie de qualquer site ou zap que peça senha pra "adiantar" ou "liberar" pagamento — o calendário é público e não tem atalho. Quem promete atalho quer o seu cartão.

O salário mínimo de 2026: R$ 1.621 por mês desde 1º de janeiro — o que dá R$ 54,04 por dia e R$ 7,37 por hora. Aposentadoria, pensão e benefício atrelados ao mínimo acompanham esse valor. Contracheque na mão: piso é lei, não sugestão.

Regra de ouro do mês apertado: primeiro o que come, depois o que mora, depois o que deve. Comida, casa e luz vêm antes de qualquer parcela — e negociar dívida de barriga cheia sai sempre mais barato do que de cabeça quente.

A Banca · XaplinEconomia Doméstica · da redaçãoEd. 02 · 08
A BANCAO Recadop. 09
O Recado

A carta de hoje pede medida

O oráculo da Banca é de verdade: na noite de fechamento, a redação embaralhou o baralho e tirou uma carta — uma só, registrada em ata, pra todo leitor. Saiu a Temperança. Ninguém aqui prevê futuro. A gente só escuta o desenho.
por O Recado · da casa

A Temperança é aquela figura serena que segura duas vasilhas e mistura a água de uma na outra — a quente na fria, a fria na quente — sem derramar. Não é carta de sorte grande nem de aviso de tempestade. É carta de ponto certo. E convenhamos: pra um julho que chegou gelado e devendo, ponto certo é a melhor notícia possível.

O recado que ela deixa é simples e serve pra hoje: nem tudo de uma vez, nem nada pra sempre. O corpo pede o cobertor e o despertador pede a rua — mistura os dois: dorme mais cedo. A conta aperta e a vontade grita — mistura as duas: paga um pouco, respira um pouco. Tem gente que você ama esperando notícia e tem o seu cansaço — mistura: uma ligação curta vale mais que a visita que nunca acontece.

Ninguém atravessa julho de um gole só. Atravessa-se aos poucos — misturando a água quente na fria, sem derramar.

Seja qual for a sua fé — e nesta Banca cabe todo mundo, do terreiro à igreja, da mesquita ao centro, de quem reza a quem só agradece —, a Temperança fala uma língua que toda crença entende: a medida. Hoje, não decida nada no extremo. Nem o extremo do medo, nem o do entusiasmo. Fica no meio, que o meio é onde a água fica boa.

Bom dia. E que a sua medida de hoje seja generosa com você.

A Banca · XaplinO Recado · da casaEd. 02 · 09
A BANCAAlmanaque · efemérides e sortep. 10
O Almanaque

O que julho guarda

A página do almanaque, como nos jornais de antigamente: o que se comemora neste mês, quem nasceu por estes dias, e os números pra quem gosta de tentar a sorte. Tudo de leve — o resto é com você.

O que julho comemora

2 jul
Independência da Bahia — a data em que a independência do Brasil se completou de fato, com luta de gente do povo. A Bahia guarda a festa até hoje.
13 jul
Dia Mundial do Rock — desempoeira o disco, que rock também aquece.
20 jul
Dia do Amigo — a data veio da chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969: uma façanha tão grande que virou desculpa pra celebrar quem vai com a gente a qualquer lugar. Liga pro seu.
25 jul
Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha — no Brasil, o dia de Tereza de Benguela, líder quilombola. Data de memória e de futuro.
26 jul
Dia dos Avós — quem tem, visita. Quem não tem mais, herda o jeito de fazer café.

Nasceu por estes dias

3 jul
João Saldanha (1917) — o jornalista gaúcho que virou técnico da Seleção e não abaixou a cabeça nem pra presidente. A vida dele está na página ao lado.
20 jul
Santos Dumont (1873) — o mineiro que provou que dava pra voar, e voou. Nasceu na cidade que hoje leva o nome dele.

Os números do Tião

01
05
17
43
50
55
O Tião sonhou com lenha estalando numa fogueira de quintal — dizem que fogo em sonho é notícia boa chegando quente. A Banca não garante nada (jogo é jogo, e sorte é sorte), mas o palpite tá aí, tirado de verdade na noite de fechamento. Joga pouco, joga por diversão, e nunca o dinheiro do arroz.

Dito popular do dia

Ditado
Quem espera sempre alça. O Tião jura que é assim que se diz — e olhando pra quem acorda às cinco e levanta voo todo dia, a Banca não vai ser quem corrige.
A Banca · XaplinO Almanaque · da casaEd. 02 · 10
A BANCAVidas · gente que valeu a penap. 11
Vidas · a história da semana

João Saldanha, o homem que não engoliu o apito

Numa semana em que o país discute técnico, escalação e culpa, a Banca conta a vida do treinador que preferiu perder o cargo a perder a palavra. Nasceu num 3 de julho. Morreu numa Copa. No meio, disse o que pensava.
por A Redação · perfil
Máquina de escrever antiga sobre mesa de madeira, com um jornal dobrado ao lado, luz de janela
A ferramenta de sempre. A máquina de escrever à janela — Saldanha nunca deixou de ser repórter, nem quando virou técnico da Seleção. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

João Alves Jobin Saldanha nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 3 de julho de 1917. Fez o caminho que ninguém fazia: era jornalista, dos mais lidos do país, quando resolveram que ele devia treinar gente — primeiro o Botafogo, onde chegou em 1957 e saiu campeão carioca de primeira, depois nada menos que a Seleção Brasileira, em 1969, às vésperas da Copa do México.

Deu no que tinha que dar, só que melhor: o time de Saldanha atropelou as eliminatórias com seis vitórias em seis jogos — ficaram conhecidos como as feras do Saldanha. E aí veio a parte da história que interessa mais que futebol. O Brasil vivia uma ditadura, e o general-presidente Médici tinha um jogador de estimação, o atacante Dário, que fazia questão de ver na Seleção. Saldanha não escalou. Explicou do jeito dele, curto e grosso: quem escalava o time era o técnico. Em março de 1970, meses antes da Copa, foi posto pra fora.

Seis jogos, seis vitórias — e demitido. Há derrotas que envergonham menos que certos empregos.

O time que ele montou e afiou foi pro México e ganhou o tri sem ele no banco. Saldanha voltou pro que nunca tinha deixado de ser: repórter. Cobriu Copas pela televisão e pelos jornais durante mais vinte anos, com a língua de sempre — o cronista Nelson Rodrigues o apelidou de João Sem Medo, e o apelido pegou porque era simplesmente verdade.

Morreu em 12 de julho de 1990, em Roma, internado com problemas respiratórios enquanto cobria mais uma Copa do Mundo — trabalhando, como viveu. Numa semana de eliminação e cobrança, a lição dele cabe em qualquer manhã: dá pra perder jogo, cargo e até a Copa. O que não se entrega é a palavra. Essa, quando é sua de verdade, ninguém escala nem tira do time.

A Banca · XaplinVidas · perfil da semanaEd. 02 · 11
A BANCAOs Cinco Venéreosp. 12
Os Cinco Venéreos

Cinco verdades rápidas

Cinco notas exatas e sem rodeio, todas checadas — pra você sair na frente na resenha do café. O nome é antigo, a entrega é fresca.
por Os Cinco Venéreos · da redação
  • A Copa não acabou — o que acabou foi a nossa parte nela. O torneio segue até a final de 19 de julho, no MetLife Stadium, e dá pra ver de graça: a TV aberta transmite os principais jogos e o YouTube passa todos. Luto não é motivo pra desligar a televisão.
  • O Bolsa Família de julho começa a cair no dia 20. E vai até o dia 31, sempre pelo final do NIS. Quem anota a data não madruga em fila à toa — o calendário completo está na página 08.
  • O frio de 2026 já entrou pra estatística. Curitiba registrou 2,3°C e Florianópolis 3,7°C, recordes do ano, e julho ainda guarda massas de ar polar. O agasalho que você quase não trouxe hoje? Amanhã traz.
  • Tem mais de 220 obras do Vik Muniz de graça no Centro do Rio. A maior mostra da carreira dele ocupa o CCBB até 7 de setembro. De graça mesmo — o caminho testado de trem, metrô e VLT está na coluna nova, Tem Programa.
  • Foi Nelson Rodrigues quem apelidou João Saldanha de "João Sem Medo". O dono da frase era cronista; o dono do apelido, técnico da Seleção demitido por não obedecer a presidente. A vida inteira dele está na página 11 — e explica muita coisa desta semana.
A Banca · XaplinOs Cinco Venéreos · da redaçãoEd. 02 · 12
A BANCAPlin-Plin · TVp. 13
Plin-Plin

A praça de todos voltou a lotar

Um mês de Copa fez o que dez anos de streaming não fizeram: devolveu o país inteiro pra mesma tela, na mesma hora. E a maior emissora do Brasil, como sempre, é a TV do boteco.
por Plin-Plin · da coluna de TV

Faz um mês que o Brasil voltou a assistir televisão em assembleia. A Copa está espalhada por toda parte — a TV Globo transmite os principais jogos na tela aberta, o SBT tem a sua fatia, e a CazéTV passa os 104 jogos de graça no YouTube. Mas o verdadeiro canal do Mundial, o que tem a melhor imagem e o pior som, é outro: é a TV pendurada no canto do boteco, com o volume disputando contra o liquidificador e a opinião de oito desconhecidos que em noventa minutos viram parentes.

Domingo, no dois a um da Noruega, essa emissora nacional deu um espetáculo que nenhuma direção de TV ensaia: o silêncio coletivo no segundo gol do Haaland. Oito bocas abertas, nenhum som, o liquidificador desligado por respeito. Aí um senhor de touca resumiu a transmissão inteira: "vida que segue, e o meu chope que chegou". Nunca a audiência esteve tão consolada.

Streaming é o sofá de um. A TV do boteco é a assembleia nacional — reúne-se toda noite de jogo, debate tudo e não aprova nada.

E agora que a nossa Seleção saiu de cena, o fenômeno fica ainda mais bonito de observar: o boteco vai continuar lotando. Vai-se torcer por Marrocos por causa de 2022, contra a Inglaterra por princípio, pela Noruega por causa do centroavante e pela França por causa de ninguém saber bem o quê. O brasileiro sem time na Copa vira a coisa mais perigosa do futebol mundial: um torcedor imparcial com opinião formada.

Então o serviço da coluna é este: até 19 de julho, a praça de todos segue aberta, de graça, na tela aberta e no YouTube. Escolha a sua bancada, peça o seu copo e discorde alto. É disso que a praça vive — e faz tempo que este país não se senta junto pra nada. Aproveita enquanto dura.

A Banca · XaplinPlin-Plin · da coluna de TVEd. 02 · 13
A BANCATem Programa · Joaquim Santanap. 14
Tem Programa · estreia

Vik Muniz de graça, e o portão é seu

Estreia hoje a coluna do programa gratuito — porque a cidade pertence a quem mora nela, não a quem pode pagar por ela. O primeiro destino foi testado com o próprio pé: a maior mostra do Vik Muniz, no CCBB, sem cobrar um tostão.
por Joaquim Santana · Tem Programa
Ilustração fotográfica em preto e branco: fachada neoclássica de colunas e cúpula ao amanhecer, evocando o CCBB do Centro do Rio
O palácio de portão aberto. Rua Primeiro de Março, 66 — mármore, cúpula e entrada franca. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

O programa desta semana é dos grandes: "Vik Muniz: A Olho Nu", a maior mostra já feita sobre o artista que desenha com açúcar, lixo, chocolate e o que mais a vida der — mais de 220 obras de 43 séries, entre fotografias e esculturas, ocupando o CCBB do Rio até 7 de setembro. Entrada gratuita, com retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site do CCBB. Anotei as três perguntas de sempre na caderneta: tem água, tem banheiro, e sombra ali é o prédio inteiro, um palácio de mármore com cúpula.

O endereço é Rua Primeiro de Março, 66, Centro, e o caminho eu testei do jeito que você vai: de metrô, desce na Uruguaiana e caminha uns dez minutos pela Rua da Alfândega até o fim; de VLT, é mais mole ainda — parada da Candelária, na porta. Funciona de quarta a segunda, das 9h às 20h, com entrada até as 19h. Atenção ao detalhe que evita viagem perdida: às terças-feiras, o CCBB descansa. Nos outros dias o portão abre às 9h — e cedo é a melhor hora, que a mostra é grande e merece pernas descansadas.

Programa gratuito não é consolação. É a cidade devolvida a quem faz a cidade.

Vale por quê? Porque o Vik é um de nós que deu certo sem esquecer o material de onde veio: fez retrato com lixo de aterro ao lado de catadores, e o mundo inteiro parou pra olhar. Levar a família pra ver isso de graça, num prédio que já foi banco e hoje é de todo mundo, vale mais que muito passeio de shopping — e o único caixa que você visita é o da memória.

No radar da caderneta: o Festival de Inverno Rio ocupa a Marina da Glória de 24 de julho a 2 de agosto, com ingressos a partir de R$ 180 — não é o balcão desta coluna, que só indica portão aberto, mas fica o registro honesto pra quem puder. Quem não puder, o CCBB tá aí de braços abertos seis dias por semana. Pode ir de bermuda — mas leva um casaco, que julho tá valente. Vai, que é seu.

A Banca · XaplinTem Programa · Joaquim SantanaEd. 02 · 14
A BANCACrônica da Cidadep. 15
Crônica da Cidade

O primeiro comércio do dia

Antes da padaria, antes da banca, antes de tudo, tem um homem com uma garrafa térmica na porta da estação. O cronista da Banca chegou às 4h50 pra ver o primeiro café da cidade ser servido.
crônica de Abreu · das ruas
Garrafas térmicas e copinhos sobre caixote de madeira na porta de uma estação de trem, na neblina da madrugada
A primeira loja aberta. Um caixote, duas térmicas e a neblina de julho — o comércio mais pontual do Brasil. · Ilustração fotográfica · IA editorial · Banca

Às quatro e cinquenta da manhã, na porta da estação, a cidade ainda não decidiu se existe. A neblina de julho desce baixa, o chão devolve o frio pelos sapatos, e o primeiro trem ainda é uma promessa lá dentro. É nessa hora que ele chega, num passo de quem não se atrasa desde o século passado: o homem do café. Um caixote de madeira, duas garrafas térmicas — uma de café puro, outra de café com leite —, uma coluna de copinhos e uma lata de biscoito que faz as vezes de caixa registradora.

Não tem letreiro, não tem maquininha na primeira meia hora ("maquininha acorda mais tarde que a freguesia", ele me explicou, sério como um gerente de banco), não tem cardápio. Tem o gesto: a mão que já sabe quem toma puro, quem toma misturado, quem toma calado. O primeiro freguês chegou às cinco em ponto, de uniforme de limpeza, e não precisou falar nada. O copinho veio cheio, na temperatura exata de segurar sem luva. A cidade, ali, começou a existir.

A cidade abre oficialmente às oito. Extraoficialmente, abre quando o primeiro café passa de uma mão pra outra.

Fiquei ali uma hora, fazendo a conta que todo sovina honesto faz: o copinho custa menos que qualquer café de balcão da cidade, e vem com um bônus que padaria nenhuma fatura — o homem sabe o nome de todo mundo. Do vigia, da enfermeira, do cobrador que desce correndo e paga na volta. Fiado de madrugada, na palavra, sem caderneta. Perguntei se nunca levaram calote. Ele riu pra dentro da térmica: "de madrugada ninguém deve nada a ninguém. Quem acorda essa hora é gente séria."

Quando fui embora, já clareando, ele me serviu o último e não quis cobrar. "O senhor tava trabalhando também. Você não paga e eu..." — e a frase ficou ali, aberta no meio, porque chegou freguês e o comércio não espera. Eu, que não aceito cortesia nem do destino, deixei o dinheiro dobrado embaixo da lata de biscoito. Sovina que é sovina não suporta ficar devendo. Ainda mais pra quem abre a cidade…

A Banca · XaplinCrônica da Cidade · AbreuEd. 02 · 15
A BANCAPorta Aberta · Trabalhop. 16
Porta Aberta

Vaga com salário na porta e prazo no relógio

Regra da casa: aqui só entra vaga com salário dito na cara e prazo em destaque. Nada de "remuneração compatível", nada de promessa de pirâmide. Hoje tem concurso nacional de respeito — e o mapa pra não cair em golpe.
por Porta Aberta · da redação

A vaga do dia · Dataprev

O que é: concurso da Dataprev, a empresa pública de tecnologia da Previdência — 212 vagas imediatas de nível superior, mais formação de cadastro de reserva, em áreas como desenvolvimento de software, análise de negócio, segurança e advocacia.

Quanto paga: salário inicial de R$ 8.273,94 a R$ 10.685,44, conforme o cargo.

PRAZO: inscrições abertas até 6 de agosto de 2026, exclusivamente pelo site da banca, a FGV. Edital completo no site da Dataprev e no da FGV — sempre nos canais oficiais.

Um mês de prazo parece muito, e é exatamente por parecer muito que tanta gente perde. A inscrição que se deixa "pra semana que vem" encontra o site cheio, o boleto vencendo e a vida atravancando. Quem quer a vaga se inscreve esta semana — e transforma o mês inteiro em tempo de estudo, não de ansiedade.

E aqui vai o mantra desta coluna, que não cansa de ser verdade: constância vence intensidade. Vinte minutos de estudo por dia, todo dia, batem as cinco horas de desespero no domingo de véspera. O edital é o mapa do tesouro — leia primeiro o quadro de matérias, depois monte o seu vinte-minutos diário. Biblioteca pública tem mesa, silêncio e tomada, tudo de graça.

Vaga sem salário declarado não é vaga, é isca. E concurso não tem atalho pago: tem edital, tem prova e tem a sua constância.

Alerta de golpe, porque época de concurso grande é época de esperto na praça: ninguém — ninguém — vende "vaga garantida", "lista antecipada" ou "inscrição facilitada". A inscrição se faz no site oficial da banca, o valor da taxa está no edital, e qualquer cobrança fora dali é golpe com hora marcada. Dinheiro de trabalhador não nasce em árvore pra regar a esperteza alheia.

A porta tá aberta. Do outro lado tem crachá, plano de carreira e um salário que muda mês. O primeiro passo cabe em vinte minutos — e pode ser hoje, na biblioteca da sua esquina.

A Banca · XaplinPorta Aberta · da redaçãoEd. 02 · 16
A BANCACartas do Leitorp. 17
Cartas do Leitor

Esta página é sua

Jornal de banca sempre teve uma página onde quem manda é quem lê. Enquanto a caixa de cartas da Xaplin esquenta, a Banca responde às vozes que a estreia plantou — e a primeira carta de verdade pode ser a sua.
por A Redação · com a palavra, o leitor

Na estreia, a gente prometeu: reclamação justa, elogio sincero, dúvida, receita de avó, correção na cara limpa. A promessa segue de pé — e as duas conversas de hoje respondem ao que a Edição 01 deixou no ar.

"Li o 'Bom dia pra quem merece' de pé, no corredor do ônibus, e ri sozinho quando o editorial mandou descansar no domingo. Descansei. Segunda-feira rendeu mais. Tava certo o jornal."
— resposta que o editorial da estreia foi buscar · leitor do primeiro horário, em espírito
"O arroz soltinho deu certo até na panela velha daqui de casa. Agora eu queria a receita de um caldo pro frio, que o gás tá caro e a família é grande. Tem?"
— pedido que a cozinha ouviu daqui mesmo · o caldo tá na página 07, rendendo seis
Escreva pra Banca. Mande sua carta, sua dúvida ou sua história pela página da Xaplin. As melhores entram aqui, com o seu primeiro nome e o seu bairro — do jeito que você autorizar. Texto curto, de coração. A página é sua de verdade.
A Banca · XaplinCartas do Leitor · do povoEd. 02 · 17
A BANCAPra Levar no Bolsop. 18
Pra Levar no Bolso

Uma frase pra dobrar e levar

Toda edição, uma citação de verdade, com dono, obra e ano — do tamanho exato de um bolso de casaco. Recorta, dobra, e quando o dia apertar, desdobra.
por A Redação · da estante da casa
"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."
— João Guimarães Rosa, em "Grande Sertão: Veredas" (1956)

Rosa escreveu isso pela boca de Riobaldo, um jagunço do sertão de Minas que passou a vida inteira tentando entender a própria vida — e chegou mais perto que muito doutor. Repara como a frase é um mapa de julho: esquenta e esfria (o clima), aperta e daí afrouxa (o bolso), sossega e depois desinquieta (a cabeça). E o final não pede grandeza, não pede sorte, não pede plano quinquenal. Pede a única coisa que quem acorda às cinco já provou que tem. Boa terça-feira. Você já está sendo corajoso desde o despertador.

A Banca · XaplinPra Levar no Bolso · da redaçãoEd. 02 · 18
A BANCAPedrinho na Banca · estreiap. 19
Pedrinho na Banca · a tirinha da casa

O menino que pergunta o Brasil

Vem aí a tirinha da Banca: Pedrinho, dez anos, vai perguntar com os olhos a filosofia da semana — e a Vó Olga responde do jeito que avó responde. Três quadros mudos, uma resposta. A arte está em finalização; a estreia é nas próximas edições.
um quadro novo da casa · estreia em breve
Cartão de estreia da tirinha Pedrinho na Banca, na paleta da Banca, anunciando o quadro que estreia — arte em finalização
Pedrinho na Banca · o quadro estreia nas próximas edições — a arte da tira está em finalização.
A Banca · XaplinPedrinho na Banca · estreiaEd. 02 · 19
A BANCAA Chargep. 20
A Charge · O traço do dia

O sol também sente frio

traço de Tibiriçá · chargista da casa
Charge em traço de nanquim: um trabalhador de boné empurra com as duas mãos um sol enorme por cima dos telhados de casario, um galo canta num beiral e uma garrafa térmica com caneca esperam no chão
"O sol também bate ponto — só que a hora extra dele quem paga é você."
A charge do dia · Charge: Tibiriçá / Banca
Tibiriçá
A Banca · XaplinA Charge · TibiriçáEd. 02 · 20
A BANCAExpediente · quem fazp. 21
Expediente · com rostos

Olha na cara de quem te dá bom-dia

Novidade da Edição 02: a Banca de portas abertas. Estas são as pessoas da casa — cada uma com o seu canto, todas com o mesmo relógio: cinco da manhã, de segunda a sábado.
Zé da Banca
O bom-dia da capa. Não tem rosto porque é todo mundo que acorda o Sol.
Retrato ilustrado de Caco Damasceno
Caco Damasceno
Direção e Editorial. Tijucano, cronista, a primeira palavra do dia.
Retrato ilustrado de Almô Pereira
Almô Pereira
Psicologia de Botequim. Doutor de balcão — o consultório atende de pé.
Retrato ilustrado da Dra. Beatriz Setubal
Dra. Beatriz Setubal
Supervisão clínica da coluna do Almô. Fecha sempre com pergunta, nunca com sentença.
Retrato ilustrado de Mauro Fontoura
Mauro Fontoura
Bola. Aprendeu futebol pelo rádio de pilha do avô, em Diamantina.
Retrato ilustrado de Joaquim Santana
Joaquim Santana
Tem Programa. Só indica o que confirmou com o próprio pé — e portão fechado sai da caderneta.
Retrato ilustrado de Abreu
Abreu
Crônica da Cidade. Sovina honesto: paga a própria conta desde 1995.
Retrato ilustrado de Tibiriçá
Tibiriçá
Chargista. Bic preta, papel de jornal e quarenta anos de traço — de Recife pro Brasil.
Retrato ilustrado de Vera Loureiro
Vera Loureiro
Editora de fotografia. "Eu não fotografo gente. Fotografo a paciência delas."
Retrato ilustrado de Sebastião Leal
Sebastião Leal
Ombudsman. O leitor dentro da casa — quando a Banca errar, é ele quem cobra primeiro.
Nota da casa, de coração aberto: as vozes que assinam A Banca são personagens desta redação — criadas, escritas e dirigidas editorialmente, com orgulho do ofício. Já os fatos não têm personagem: telefones, valores, datas, placares e endereços desta edição são reais e foram verificados um a um, em fonte pública, em 7 de julho de 2026. As fotos-ilustração e os retratos desta edição são ilustração fotográfica gerada por IA editorial (Imagen 4.0), sob edição de imagem de Vera Loureiro, e jamais se apresentam como fotografia factual; a charge é traço de Tibiriçá, o chargista da casa; a tirinha do Pedrinho estreia nas próximas edições. Errou, a Banca corrige na cara limpa — o ombudsman Sebastião Leal recebe reclamação pela página da Xaplin.
A Banca · XaplinExpediente · quem faz a BancaEd. 02 · 21 · fim