A Dona Cida abre o café da esquina às cinco e dez. Nesta terça, ela abriu de luva. Luva, touca e aquele suspiro que faz fumaça. Eu perguntei se não dava vontade de ficar em casa. Ela respondeu com a pergunta que resume o inverno de quem trabalha em pé: "E quem esquenta a rua se eu não vier?". Pronto. O editorial de hoje podia acabar aqui.
Mas vou gastar mais duas linhas, porque é justo. A cidade tem um truque de mágica que ninguém aplaude: toda manhã ela aparece funcionando. Luz acesa, rua varrida, padaria cheirosa, ônibus rodando. O truque tem segredo, e o segredo tem nome e sobrenome: é todo mundo que saiu de casa no escuro pra que os outros acordassem no claro. Você, inclusive. Principalmente você.
O noticiário desta semana vai falar de frio recorde e de bola que não entrou. Tudo verdade, tá tudo aí dentro desta edição, contado sem drama e sem enfeite. Mas a manchete da capa é outra, e é a única que importa às cinco da manhã: o frio chegou — e você chegou primeiro. Pronto. De novo.
A Banca segue no seu horário de sempre, de segunda a sábado, às cinco em ponto, porque promessa aqui se cumpre no relógio. E segue com novidade: a página do expediente, pra você olhar na cara de quem faz este jornal, e o Pedrinho a caminho — a tirinha da casa estreia nas próximas edições. Achamos que você tinha esse direito.
Vai lá, que o seu dia começou. O meu também. E o da Dona Cida, de luva e tudo, já vai pela metade.

Chegou no meu balcão um rapaz esta semana com a cara de quem tinha somado o mês antes do mês começar. Me disse: Almô, julho já entrou me devendo — ou eu devendo pra ele, nem sei mais. Boleto acumulado de junho, o gás que acabou junto com o frio chegando, a luz que sobe porque banho gelado em julho não é vida. E eu servi o café e disse a ele o que digo agora a você: dívida no papel é conta. Dívida na cabeça é juro que ninguém cobrou.
Repara numa coisa: o boleto tem número, tem vencimento e tem tamanho. A vergonha não tem nenhum dos três. Por isso ela cresce de madrugada. O sujeito deita devendo duzentos e acorda devendo a própria alma, porque passou a noite emprestando pavor a juro alto pra ele mesmo. Meu filho, separa as duas coisas. A conta se negocia com o credor. O medo se negocia com a claridade — de dia, com papel e caneta, nunca às três da manhã olhando o teto.
E tem o outro lado, que boteco também vê: o freguês que não fala da dívida nem pra mulher, nem pro irmão, nem pro espelho. Esse carrega dois trabalhos, o dele e o de fingir. Falar não paga o boleto, é verdade. Mas divide o peso — e peso dividido é a única matemática em que a metade é maior que o inteiro. Quem te ama não te cobra juros. Cobra presença.
Julho começa devendo? Que comece. Você não é o seu boleto, e mês, meu amigo, é igual freguês: entra devendo, mas se a casa trabalha direito, sai pagando. Tá liberado o segundo café. Esse a casa paga — e anota na conta do julho.
A Dra. Beatriz Setubal, que supervisiona esta coluna, deixa a pergunta da semana no pires, junto com o troco: quando você diz que "deve", quanto é dinheiro — e quanto é a ideia de que você precisa merecer descanso antes de poder descansar?
Gripe: a campanha de 2026 segue de pé e a vacina está liberada no SUS para toda a população, de graça. Posto de saúde do bairro, documento na mão. Criança de 6 meses a 6 anos, gestante e quem tem 60 ou mais entraram no calendário nacional — pra esses grupos, a dose está disponível o ano inteiro.
Frio forte: viu alguém dormindo na rua em noite gelada? Ligue 156 — na maior parte das capitais é a prefeitura quem aciona as equipes de acolhimento. Uma ligação sua pode ser o cobertor de alguém.
Registre: anote linha, ponto e horário. A reclamação vale mais com esses três dados do que com dez adjetivos.
Reclame no 156: o transporte público municipal responde à prefeitura — a central registra protocolo, e protocolo é o que transforma raiva em processo.
Se o prejuízo foi seu (perdeu consulta, chegou atrasado, pagou aplicativo): guarde comprovantes. O Procon do seu estado atende de graça e orienta se cabe ressarcimento.
O posto de saúde. No inverno ele vale ouro em dobro: vacina de graça, aferição de pressão, acompanhamento de quem tem asma e bronquite — que pioram no tempo seco e frio. Quem se cadastra na unidade do bairro entra na fila certa e é chamado pelo nome. É seu, tá pago, use.

Meu avô ouvia futebol no rádio de pilha, colado no ouvido, e me ensinou que jogo se escuta duas vezes: uma com o coração e outra com a cabeça. Com o coração, domingo foi assim: o Brasil segurou a Noruega o primeiro tempo inteiro — e ainda perdeu um pênalti, cobrança mal batida que o goleiro deles defendeu. No segundo tempo o Haaland fez os dois dele, um atrás do outro. O Neymar descontou de pênalti já nos acréscimos, mas era tarde. Dois a um. O MetLife inteiro de amarelo, e o amarelo indo embora calado.
Com a cabeça, foi o seguinte: a Noruega não ganhou por sorte. Ganhou porque tem o melhor centroavante do mundo em noite de ofício, e porque soube esperar o jogo inteiro pelos erros que a gente ofereceu — o pênalti perdido no primeiro tempo pesou como chumbo. O Brasil não jogou mal — o Brasil jogou menos. E na Copa, jogar menos uma noite custa quatro anos. Foi a eliminação mais precoce da Seleção desde 1990, quando caímos nas oitavas pra Argentina, e esse número vai doer em relatório de cartola por muito tempo. Que doa lá. Aqui embaixo, a vida abre às cinco.
Uma palavra sobre a rodada anterior, pra ninguém reescrever a história no calor da segunda-feira: esse mesmo time buscou uma virada dura contra o Japão em Houston, saindo atrás e vencendo por 2 a 1 com gols do Casemiro e do Martinelli — este nos acréscimos. Não era um time sem alma. Era um time no limite — e no mata-mata o limite não perdoa. Cobrança, sim; deboche, não. Deboche é pra quem nunca errou um passe na vida, e esse sujeito não existe.
E agora? Agora a Copa continua, e quem gosta de futebol continua com ela. Tem Haaland contra a Inglaterra no sábado — e a França, que já passou pelo Marrocos por 2 a 0 na quinta, espera na semifinal. Torcida boa é igual passarinho: canta mesmo sem ser primavera. O caminho até a final tá na caixa verde aí embaixo — recorta e cola na parede do trabalho.
Quartas de final (9 a 11/07): França 2 x 0 Marrocos, quinta (09), encerrada · Noruega x Inglaterra, sábado (11), às 18h — os outros dois duelos se fecham com as últimas oitavas. Semifinais: terça (14) e quarta (15), às 16h. Terceiro lugar: sábado (18), às 18h. A final: domingo, 19 de julho, às 16h, no MetLife Stadium. Todos os dias, esta página amanhece com os placares da véspera.

O feijão carioquinha bateu recorde de preço em 2026 — nas gôndolas, o quilo tem variado de uns R$ 5 a R$ 10, dependendo da marca e da esquina. A resposta da cozinha é essa aqui: em caldo, meio quilo vira janta de seis. Na conta da redação, com o que já tem em casa de tempero, o panelão inteiro sai por menos de R$ 15. Preço muda de feira pra feira — a matemática do rendimento, não.
Segredo de quem cozinha há muito tempo: caldo de feijão fica melhor no dia seguinte. Faça de noite, esquente de manhã — e leve na garrafa térmica pro trabalho. O frio que tente.
O calendário é pelo final do seu NIS (o número do cartão): final 1 recebe em 20/07 · final 2, 21/07 · final 3, 22/07 · final 4, 23/07 · final 5, 24/07 · final 6, 27/07 · final 7, 28/07 · final 8, 29/07 · final 9, 30/07 · final 0, 31/07.
Os valores: o piso do programa segue em R$ 600 por família. Em cima disso somam-se os adicionais: R$ 150 do Benefício Primeira Infância, por criança de 0 a 6 anos, e R$ 50 do Benefício Variável Familiar, por criança e adolescente de 7 a 18 anos (gestantes também entram nesse adicional).
Onde conferir sem fila: no aplicativo Bolsa Família ou no Caixa Tem, de graça. Desconfie de qualquer site ou zap que peça senha pra "adiantar" ou "liberar" pagamento — o calendário é público e não tem atalho. Quem promete atalho quer o seu cartão.
O salário mínimo de 2026: R$ 1.621 por mês desde 1º de janeiro — o que dá R$ 54,04 por dia e R$ 7,37 por hora. Aposentadoria, pensão e benefício atrelados ao mínimo acompanham esse valor. Contracheque na mão: piso é lei, não sugestão.
Regra de ouro do mês apertado: primeiro o que come, depois o que mora, depois o que deve. Comida, casa e luz vêm antes de qualquer parcela — e negociar dívida de barriga cheia sai sempre mais barato do que de cabeça quente.
A Temperança é aquela figura serena que segura duas vasilhas e mistura a água de uma na outra — a quente na fria, a fria na quente — sem derramar. Não é carta de sorte grande nem de aviso de tempestade. É carta de ponto certo. E convenhamos: pra um julho que chegou gelado e devendo, ponto certo é a melhor notícia possível.
O recado que ela deixa é simples e serve pra hoje: nem tudo de uma vez, nem nada pra sempre. O corpo pede o cobertor e o despertador pede a rua — mistura os dois: dorme mais cedo. A conta aperta e a vontade grita — mistura as duas: paga um pouco, respira um pouco. Tem gente que você ama esperando notícia e tem o seu cansaço — mistura: uma ligação curta vale mais que a visita que nunca acontece.
Seja qual for a sua fé — e nesta Banca cabe todo mundo, do terreiro à igreja, da mesquita ao centro, de quem reza a quem só agradece —, a Temperança fala uma língua que toda crença entende: a medida. Hoje, não decida nada no extremo. Nem o extremo do medo, nem o do entusiasmo. Fica no meio, que o meio é onde a água fica boa.
Bom dia. E que a sua medida de hoje seja generosa com você.

João Alves Jobin Saldanha nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 3 de julho de 1917. Fez o caminho que ninguém fazia: era jornalista, dos mais lidos do país, quando resolveram que ele devia treinar gente — primeiro o Botafogo, onde chegou em 1957 e saiu campeão carioca de primeira, depois nada menos que a Seleção Brasileira, em 1969, às vésperas da Copa do México.
Deu no que tinha que dar, só que melhor: o time de Saldanha atropelou as eliminatórias com seis vitórias em seis jogos — ficaram conhecidos como as feras do Saldanha. E aí veio a parte da história que interessa mais que futebol. O Brasil vivia uma ditadura, e o general-presidente Médici tinha um jogador de estimação, o atacante Dário, que fazia questão de ver na Seleção. Saldanha não escalou. Explicou do jeito dele, curto e grosso: quem escalava o time era o técnico. Em março de 1970, meses antes da Copa, foi posto pra fora.
O time que ele montou e afiou foi pro México e ganhou o tri sem ele no banco. Saldanha voltou pro que nunca tinha deixado de ser: repórter. Cobriu Copas pela televisão e pelos jornais durante mais vinte anos, com a língua de sempre — o cronista Nelson Rodrigues o apelidou de João Sem Medo, e o apelido pegou porque era simplesmente verdade.
Morreu em 12 de julho de 1990, em Roma, internado com problemas respiratórios enquanto cobria mais uma Copa do Mundo — trabalhando, como viveu. Numa semana de eliminação e cobrança, a lição dele cabe em qualquer manhã: dá pra perder jogo, cargo e até a Copa. O que não se entrega é a palavra. Essa, quando é sua de verdade, ninguém escala nem tira do time.
Faz um mês que o Brasil voltou a assistir televisão em assembleia. A Copa está espalhada por toda parte — a TV Globo transmite os principais jogos na tela aberta, o SBT tem a sua fatia, e a CazéTV passa os 104 jogos de graça no YouTube. Mas o verdadeiro canal do Mundial, o que tem a melhor imagem e o pior som, é outro: é a TV pendurada no canto do boteco, com o volume disputando contra o liquidificador e a opinião de oito desconhecidos que em noventa minutos viram parentes.
Domingo, no dois a um da Noruega, essa emissora nacional deu um espetáculo que nenhuma direção de TV ensaia: o silêncio coletivo no segundo gol do Haaland. Oito bocas abertas, nenhum som, o liquidificador desligado por respeito. Aí um senhor de touca resumiu a transmissão inteira: "vida que segue, e o meu chope que chegou". Nunca a audiência esteve tão consolada.
E agora que a nossa Seleção saiu de cena, o fenômeno fica ainda mais bonito de observar: o boteco vai continuar lotando. Vai-se torcer por Marrocos por causa de 2022, contra a Inglaterra por princípio, pela Noruega por causa do centroavante e pela França por causa de ninguém saber bem o quê. O brasileiro sem time na Copa vira a coisa mais perigosa do futebol mundial: um torcedor imparcial com opinião formada.
Então o serviço da coluna é este: até 19 de julho, a praça de todos segue aberta, de graça, na tela aberta e no YouTube. Escolha a sua bancada, peça o seu copo e discorde alto. É disso que a praça vive — e faz tempo que este país não se senta junto pra nada. Aproveita enquanto dura.

O programa desta semana é dos grandes: "Vik Muniz: A Olho Nu", a maior mostra já feita sobre o artista que desenha com açúcar, lixo, chocolate e o que mais a vida der — mais de 220 obras de 43 séries, entre fotografias e esculturas, ocupando o CCBB do Rio até 7 de setembro. Entrada gratuita, com retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site do CCBB. Anotei as três perguntas de sempre na caderneta: tem água, tem banheiro, e sombra ali é o prédio inteiro, um palácio de mármore com cúpula.
O endereço é Rua Primeiro de Março, 66, Centro, e o caminho eu testei do jeito que você vai: de metrô, desce na Uruguaiana e caminha uns dez minutos pela Rua da Alfândega até o fim; de VLT, é mais mole ainda — parada da Candelária, na porta. Funciona de quarta a segunda, das 9h às 20h, com entrada até as 19h. Atenção ao detalhe que evita viagem perdida: às terças-feiras, o CCBB descansa. Nos outros dias o portão abre às 9h — e cedo é a melhor hora, que a mostra é grande e merece pernas descansadas.
Vale por quê? Porque o Vik é um de nós que deu certo sem esquecer o material de onde veio: fez retrato com lixo de aterro ao lado de catadores, e o mundo inteiro parou pra olhar. Levar a família pra ver isso de graça, num prédio que já foi banco e hoje é de todo mundo, vale mais que muito passeio de shopping — e o único caixa que você visita é o da memória.
No radar da caderneta: o Festival de Inverno Rio ocupa a Marina da Glória de 24 de julho a 2 de agosto, com ingressos a partir de R$ 180 — não é o balcão desta coluna, que só indica portão aberto, mas fica o registro honesto pra quem puder. Quem não puder, o CCBB tá aí de braços abertos seis dias por semana. Pode ir de bermuda — mas leva um casaco, que julho tá valente. Vai, que é seu.

Às quatro e cinquenta da manhã, na porta da estação, a cidade ainda não decidiu se existe. A neblina de julho desce baixa, o chão devolve o frio pelos sapatos, e o primeiro trem ainda é uma promessa lá dentro. É nessa hora que ele chega, num passo de quem não se atrasa desde o século passado: o homem do café. Um caixote de madeira, duas garrafas térmicas — uma de café puro, outra de café com leite —, uma coluna de copinhos e uma lata de biscoito que faz as vezes de caixa registradora.
Não tem letreiro, não tem maquininha na primeira meia hora ("maquininha acorda mais tarde que a freguesia", ele me explicou, sério como um gerente de banco), não tem cardápio. Tem o gesto: a mão que já sabe quem toma puro, quem toma misturado, quem toma calado. O primeiro freguês chegou às cinco em ponto, de uniforme de limpeza, e não precisou falar nada. O copinho veio cheio, na temperatura exata de segurar sem luva. A cidade, ali, começou a existir.
Fiquei ali uma hora, fazendo a conta que todo sovina honesto faz: o copinho custa menos que qualquer café de balcão da cidade, e vem com um bônus que padaria nenhuma fatura — o homem sabe o nome de todo mundo. Do vigia, da enfermeira, do cobrador que desce correndo e paga na volta. Fiado de madrugada, na palavra, sem caderneta. Perguntei se nunca levaram calote. Ele riu pra dentro da térmica: "de madrugada ninguém deve nada a ninguém. Quem acorda essa hora é gente séria."
Quando fui embora, já clareando, ele me serviu o último e não quis cobrar. "O senhor tava trabalhando também. Você não paga e eu..." — e a frase ficou ali, aberta no meio, porque chegou freguês e o comércio não espera. Eu, que não aceito cortesia nem do destino, deixei o dinheiro dobrado embaixo da lata de biscoito. Sovina que é sovina não suporta ficar devendo. Ainda mais pra quem abre a cidade…
O que é: concurso da Dataprev, a empresa pública de tecnologia da Previdência — 212 vagas imediatas de nível superior, mais formação de cadastro de reserva, em áreas como desenvolvimento de software, análise de negócio, segurança e advocacia.
Quanto paga: salário inicial de R$ 8.273,94 a R$ 10.685,44, conforme o cargo.
PRAZO: inscrições abertas até 6 de agosto de 2026, exclusivamente pelo site da banca, a FGV. Edital completo no site da Dataprev e no da FGV — sempre nos canais oficiais.
Um mês de prazo parece muito, e é exatamente por parecer muito que tanta gente perde. A inscrição que se deixa "pra semana que vem" encontra o site cheio, o boleto vencendo e a vida atravancando. Quem quer a vaga se inscreve esta semana — e transforma o mês inteiro em tempo de estudo, não de ansiedade.
E aqui vai o mantra desta coluna, que não cansa de ser verdade: constância vence intensidade. Vinte minutos de estudo por dia, todo dia, batem as cinco horas de desespero no domingo de véspera. O edital é o mapa do tesouro — leia primeiro o quadro de matérias, depois monte o seu vinte-minutos diário. Biblioteca pública tem mesa, silêncio e tomada, tudo de graça.
Alerta de golpe, porque época de concurso grande é época de esperto na praça: ninguém — ninguém — vende "vaga garantida", "lista antecipada" ou "inscrição facilitada". A inscrição se faz no site oficial da banca, o valor da taxa está no edital, e qualquer cobrança fora dali é golpe com hora marcada. Dinheiro de trabalhador não nasce em árvore pra regar a esperteza alheia.
A porta tá aberta. Do outro lado tem crachá, plano de carreira e um salário que muda mês. O primeiro passo cabe em vinte minutos — e pode ser hoje, na biblioteca da sua esquina.
Na estreia, a gente prometeu: reclamação justa, elogio sincero, dúvida, receita de avó, correção na cara limpa. A promessa segue de pé — e as duas conversas de hoje respondem ao que a Edição 01 deixou no ar.
Rosa escreveu isso pela boca de Riobaldo, um jagunço do sertão de Minas que passou a vida inteira tentando entender a própria vida — e chegou mais perto que muito doutor. Repara como a frase é um mapa de julho: esquenta e esfria (o clima), aperta e daí afrouxa (o bolso), sossega e depois desinquieta (a cabeça). E o final não pede grandeza, não pede sorte, não pede plano quinquenal. Pede a única coisa que quem acorda às cinco já provou que tem. Boa terça-feira. Você já está sendo corajoso desde o despertador.








