Pesquisa: 62% das empresas brasileiras já usam IA no dia a dia
Pesquisa FGV/Microsoft mostra adoção acelerada de IA no Brasil. Setores financeiro e varejo lideram.
Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizada em parceria com a Microsoft e divulgada nesta segunda-feira, revelou que 62% das empresas brasileiras com mais de 50 funcionários já utilizam inteligência artificial em pelo menos uma área operacional. O número era de 34% em 2024 — um salto de 82% em dois anos.
Onde a IA está sendo usada
As áreas com maior adoção são: atendimento ao cliente (78% das empresas que usam IA), análise de dados e relatórios (65%), marketing e vendas (52%), recursos humanos (41%) e programação/desenvolvimento (38%). A ferramenta mais citada é o ChatGPT (usado por 89% das empresas), seguido por Microsoft Copilot (34%) e Google Gemini (21%).
O dado mais revelador, porém, é o de uso informal: em 47% das empresas pesquisadas, funcionários usam IA por conta própria, sem autorização ou diretriz da empresa. É o chamado "shadow AI" — o equivalente corporativo de instalar software sem pedir ao TI. As implicações para segurança de dados, propriedade intelectual e qualidade de output são significativas — e, na maioria dos casos, não estão sendo gerenciadas.
"A IA já está no escritório brasileiro. A questão não é se adotar, mas se governar — porque a diferença entre IA produtiva e IA perigosa é a política de uso."
O impacto no emprego
A pesquisa perguntou a gestores se a adoção de IA resultou em redução de headcount (número de funcionários). A resposta: 23% disseram que sim, com cortes concentrados em áreas de atendimento ao cliente e processamento de dados. Outros 41% disseram que a IA "reestruturou" funções sem demissões — na prática, funcionários tiveram suas tarefas alteradas, com a IA assumindo atividades repetitivas.
O perfil mais afetado: profissionais com formação técnica de nível médio, entre 25 e 40 anos, em funções administrativas. O perfil menos afetado: profissionais com formação superior em áreas que exigem julgamento, criatividade ou relacionamento interpessoal. A divisão é clara — e preocupante: quem mais precisa do emprego é quem mais está exposto à automação.
O que as empresas deveriam fazer — e não fazem
Apenas 18% das empresas que usam IA têm uma política formal de uso. Apenas 11% oferecem treinamento regular em IA para funcionários. E apenas 6% têm um comitê de ética ou governança de IA. O cenário é de adoção acelerada e governança quase inexistente — uma combinação que, em toda história da tecnologia, termina em problemas.